Física na Veia! http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br Blog de Física e Astronomia de autoria do professor Dulcidio Braz Jr. Tue, 19 Feb 2019 23:26:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Nascer da Lua Cheia no Perigeu. Agora! http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/19/nascer-da-lua-cheia-no-perigeu_agora/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/19/nascer-da-lua-cheia-no-perigeu_agora/#respond Tue, 19 Feb 2019 23:21:15 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4746

Animação de imagens da Lua Cheia no perigeu rompendo a parede de nuvens sobre a serra em São João da Boa Vista, SP.

 

No post anterior abordei o tema Lua Cheia no perigeu que muitos têm chamado de Superlua. E avisei sobre o fenômeno que está acontecendo agora e ao longo desta noite de Lua Cheia.

Fiz alguns registros da Lua Cheia “turbinada” nascendo agora a pouco, por volta das 19h, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, pela janela do meu apartamento. Apesar das nuvens baixas, deu para ver bem o farol ascendo ao céu.

Adoro quando o perfil da serra é desenhado pela luz do luar. Numa Lua “turbinada” como a de hoje o efeito é ainda mais contundente. Confira na imagem logo abaixo.

O perfil da serra desenhado pela luz do luar e as luzes do meu bairro.

 

E por fim uma imagem da Lua Cheia em close, abusando do zoom óptico 30X da câmera. Note que a Lua Cheia está quase escapando das nuvens. O tom amarelado é típico da Lua nascendo ainda bem próxima do horizonte. Mais tarde ela assumirá o tradicional tom prateado.

A Lua Cheia (em close) numa brecha entre as nuvens.

 

Aproveite que hoje a Lua está um pouco maior e com o luar potencializado para observá-la. Vale a pena! Chame os amigos!

E, se quiser aprofundar o tema Lua Cheia no perigeu, neste post faço algumas continhas para provar que a Lua Cheia, quando passa pelo perigeu, por ficar mais próxima da Terra, aparenta ser até 14% maior e ser até 30% mais luminosa.

 

Boas observações!

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!


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Hoje tem Superlua? (perguntas e respostas) http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/19/hoje-tem-superlua-perguntas-e-respostas/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/19/hoje-tem-superlua-perguntas-e-respostas/#respond Tue, 19 Feb 2019 14:12:38 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4731

Superlua nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista, SP, em 29 de agosto de 2015.

 

Hoje (19 de fevereiro de 2019) tem Superlua?

Tem. Quando a Lua Cheia nascer, ela estará mais próxima da Terra.

 

E todo mundo poderá observar o fenômeno?

Sim, desde que o céu esteja aberto a partir do momento em que a Lua Cheia despontar no horizonte. E, como em qualquer Lua Cheia, dá para ver tudo a olho nu.

 

Veremos uma lua gigante no céu?

Não exatamente. E muita calma nessa hora para não dizer bobagem!

A Lua Cheia tem sempre aproximadamente 0,5 grau de diâmetro aparente para um observador na Terra. Mas este tamanho varia um pouco. E isso por conta da órbita da Lua ao redor da Terra ser oval (a rigor, elíptica) e com a Terra fora do centro. Desta forma, a Lua pode passar mais perto da Terra, ponto da sua órbita conhecido como perigeu, ou mais afastada do nosso planeta, ponto chamado de apogeu.

Quando temos Lua Cheia passando pelo perigeu, ou seja, mais perto do nosso planeta, daqui da Terra a Lua aparenta ser ligeiramente maior. De forma oposta, no apogeu, um pouco mais distante da Terra, a Lua Cheia aparenta ter tamanho reduzido.

Muitas vezes vemos uma Lua Cheia que parece ser gigante no céu. Mas é tudo ilusão de óptica. Em geral, quando isso acontece, temos objetos na paisagem que, em comparação com a Lua, enganam o nosso cérebro causando a sensação de que a Lua está enorme. É exatamente o que vemos na foto lá do topo do post. A Lua Cheia, por trás das árvores, parece gigante. Mas é ilusão.

Existe um teste simples que você mesmo pode fazer usando seus olhos e o dedo indicador para constatar que a Lua Cheia é sempre muito pequena no céu. Ficou interessado? A receita do teste passo neste outro post. Vale a pena fazer!

 

A variação de tamanho aparente da Lua é significativa? É perceptível a olho nu?

Não. A diferença de tamanho aparente entre a Lua Cheia no perigeu e no apogeu é da ordem de 14%. Sem instrumentos de medida, só no “olhômetro”, não há como perceber. E a nossa percepção do tamanho da Lua Cheia é subjetiva e depende de elementos da paisagem, como já destaquei acima.

 

Então esse papo de Superlua é fakenews?

O termo fakenews é um tanto quanto pesado. Prefiro dizer que quem cunhou o termo Superlua foi exagerado, o que acaba nos passando uma ideia equivocada. É aquele tipo de jornalismo sensacionalista que tende criar títulos bombásticos para aumentar o quantidade de views e faturar mais em cima de qualquer acontecimento. Sou convicto de que qualquer fenômeno astronômico é lindo e espetacular por si só. Logo, não precisa de títulos exagerados para “vender” a matéria.  Qualquer Lua Cheia numa noite de céu limpo é show garantido. E motivo para reunir pessoas queridas para uma observação e bom papo.

 

Mas ouvi dizer que o luar numa Superlua é bastante intenso. É verdade?

Sim. E talvez este seja o aspecto mais relevante da passagem da Lua Cheia pelo perigeu, o que vem sendo chamado de Superlua. Por conta da proximidade da Lua Cheia com a Terra, o luar de fato fica mais intenso. Numa Lua Cheia no perigeu, o luar pode ser até 30% mais intenso do que quando a Lua Cheia ocorre próxima do apogeu.

Portanto, se o céu estiver limpo hoje à noite, sem nuvens, teremos uma linda e clara noite de luar peculiar, o que por si só já é um belíssimo espetáculo.

 

Tem gente falando que uma Superlua pode melhorar o “astral” das pessoas. Verdade?

Verdade!

Observar o céu sempre nos acalma. Parar para ver um nascer de Lua Cheia e desacelerar a nossa vida corrida, insana e estressante, só faz bem. E, quando bem acompanhado de pessoas queridas, tudo fica ainda melhor!  Experimente! E nem precisa ser Lua Cheia no perigeu!

Aliás, observar o céu, longe das luzes da cidade, mesmo a olho nu, é uma experiência ímpar e reconfortante. E não tem nada de místico nisso. Trata-se apenas de desacelerar, parar, respirar fundo, e reconhecer por um gesto simples que somos parte deste instigante e gigantesco Universo.

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Gostou do tema “Superlua”? Quer saber mais? No post O que uma Superlua tem de super vou mais a fundo e faço os cálculos que comprovam a diferença de 14% no tamanho aparente da Lua Cheia e a diferença de 30% no brilho do luar entre as posições lunares no perigeu e no apogeu.

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!


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Conjunção Lua e Saturno http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/02/conjuncao-lua-e-saturno/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/02/conjuncao-lua-e-saturno/#respond Sat, 02 Feb 2019 17:56:09 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4714

Lua Minguante e planetas fazendo pose para foto pouco depois das 5h em São João da Boa Vista, SP. No alto a bela constelação do Escorpião.

 

A imagem acima mostra o céu leste em São João da Boa Vista, SP, minha cidade, pouco depois das 5h da madrugada de hoje. Nela podemos ver, começando de cima, a constelação do Escorpião (destacada neste post), os planetas Júpiter, Vênus e Saturno, e também a Lua Minguante. Saturno estava “coladinho” na Lua Minguante. Na imagem abaixo, cópia da imagem do topo do post, destaco esta curiosa conjunção e dou nome aos principais astros.

 

Em destaque a conjunção Lua e Saturno

 

A próxima imagem, com mais zoom, fecha o campo de visão na curiosa conjunção Lua/Saturno.  Aumentei a exposição na captura para evidenciar que a superfície da Lua não iluminada diretamente pelo Sol e que deveria ser totalmente escura, na prática não é. Repare que dá para observar, ainda que de forma sutil, a superfície lunar além da “casquinha” iluminada pelo Sol. Trata-se da luz cinérea.

Lua Minguante e Saturno. Note também a luz cinérea sobre a parte mais escura da Lua.

 

Assim como a Lua reflete a luz solar e ilumina as noites na Terra, o que chamamos de luar, a Terra também reflete luz do Sol para a Lua, iluminando as noites do nosso satélite num fenômeno análogo ao luar e que é conhecido como de luz cinérea.

Desde o dia 30 de janeiro postei e venho avisando sobre a proximidade aparente da Lua Minguante e três planetas nas madrugadas. De lá para cá madruguei todos os dias para ver/fotografar os astros. E postei aqui no Física na veia!. Se você perdeu alguma coisa, siga os links abaixo.

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!


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Para quem não conseguiu ver a constelação de Escorpião http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/01/para-quem-nao-conseguiu-ver-a-constelacao-de-escorpiao/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/02/01/para-quem-nao-conseguiu-ver-a-constelacao-de-escorpiao/#respond Fri, 01 Feb 2019 15:46:59 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4693

“Ligando os pontos” para quem não consegue distinguir Escorpião no céu.

 

Nas últimas madrugadas, a Lua Minguante e mais três planetas (Júpiter, Vênus e Saturno) foram vistos no céu quase como se estivessem fazendo pose proposital para uma foto de família.  Avisei sobre esta curiosa conjunção de astros neste post do dia 30 de janeiro no qual, além de publicar astrofotografias destes mesmos astros feitas rapidinho com o celular, deixei simulações do céu para ajudar a quem quisesse fazer as suas próprias observações astronômicas.

Ontem, 31 de janeiro, postei fotos da cena astronômica que capturei com mais qualidade com uma câmera digital e, numa das imagens, perguntei se você leitor do blog conseguia ver a constelação de Escorpião. Para quem não tem prática de observar o céu, não é tão fácil logo de cara ver o escorpião no céu. Será que você conseguiu localizar o curioso asterismo da constelação?

Publico hoje (lá no topo) uma animação no estilo “ligue os pontos” para ajudar aos meus leitores menos experientes em astronomia observacional a olho nu a enxergarem a belíssima constelação de Escorpião. E sugiro que nas próximas madrugadas você tente encontrar e observar esta incrível constelação no céu. É uma experiência divertida e inesquecível!

A Lua Minguante amanhã estará “coladinha” no céu, mais ou menos como na simulação abaixo.

Simulação do céu, horizonte leste, para o dia 2/fevereiro/2019, 5h30min.

 

Mas devo alertar que, diferentemente do que vemos na imagem simulada acima onde  a aparência da Lua está “estourada” e, portanto, como uma bolinha, a Lua será vista no céu na próxima madrugada apenas como uma “casquinha” fininha já que estará no final da fase Minguante.

Nos próximos dias teremos Lua Nova, fase em que o nosso satélite, retroiluminado pelo Sol, mostra para a Terra a sua face não iluminada e, portanto, não pode ser visto. Mas os planetas Júpiter, Vênus e Saturno ainda estarão por ali por mais uns dias e poderão ser observados nas próximas madrugadas, sempre em posições ligeiramente diferentes porque, como bem sabemos, todos os planetas do Sistema Solar estão se movendo ao redor do Sol e contra o fundo fixo de estrelas.

Finalizo meu texto mostrando uma outra animação com três imagens que fiz da conjunção Lua/Vênus/Júpiter na madrugada de hoje, 01/fevereiro/2019.

Júpiter (acima), Vênus (no meio) e a Lua Minguante (abaixo) ascendendo no horizonte leste em São João da Boa Vista, SP, hoje por volta das 4h36min.

 

Bons céus! Boas observações!

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!


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Imagens da conjunção Lua/planetas na madrugada que passou http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/31/imagens-da-conjuncao-lua-planetas-na-madrugada-que-passou/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/31/imagens-da-conjuncao-lua-planetas-na-madrugada-que-passou/#respond Thu, 31 Jan 2019 19:50:33 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4680

Lua Minguante e planetas na madrugada no céu de São João da Boa Vista, SP, pouco antes do nascer do Sol de hoje (31/janeiro/2019)

 

No post anterior publiquei imagens feitas com celular da conjunção da Lua Minguante com os planetas Júpiter, Vênus e Saturno. E anunciei que nas madrugadas dos dias 31 de janeiro, 01 e 02 de fevereiro ainda seria possível observar os astros em aproximação aparente no céu.

Madruguei hoje para fazer novas astrofotografias, desta vez com a câmera digital. A imagem acima mostra a Lua e os planetas Júpiter, Vênus e Saturno pouco antes do nascer do Sol no céu de São João da Boa Vista, SP, minha cidade, hoje (31/janeiro/2019).

A imagem abaixo é a mesma lá do topo, mas legendada: J (Júpiter), L (Lua), V (Vênus) e S (Saturno).

A mesma cena, agora legendada.

 

Na próxima foto dei zoom nos astros mais próximos no firmamento:  Júpiter (acima), a Lua Minguante (no meio), e Vênus (abaixo). Note que a Lua, na fase minguante, estava só uma “casquinha”.

Júpiter (acima), Lua Minguante (no meio) e Vênus (abaixo).

 

Diminuindo um pouco o zoom, registrei logo acima de Júpiter/Lua/Vênus a constelação do Escorpião. Consegue reconhecê-la? São várias estrelas enfileiradas que lembram no final um anzol, justamente a cauda do escorpião! Confira na próxima astrofotografia.

A Lua Minguante e os planetas Júpiter e Vênus logo abaixo da constelação do Escorpião.

 

O espetáculo da aproximação aparente da Lua Minguante com os planetas Júpiter, Vênus e Saturno continua nas próximas madrugadas. Se puder, veja ao vivo!

Não é preciso nenhum instrumento. Dá para ver tudo a olho nu. No post anterior postei simulações das posições dos astros com dicas de como encontrá-los no céu nas próximas madrugadas. Garanto que é fácil. E o espetáculo é lindo! 

Bons céus!

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!

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Lua Minguante e três planetas para ver nas madrugadas http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/30/lua-minguante-e-tres-planetas-para-ver-nas-madrugadas/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/30/lua-minguante-e-tres-planetas-para-ver-nas-madrugadas/#respond Wed, 30 Jan 2019 20:40:22 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4658

São João da Boa Vista, SP, hoje (30/jan/2019), 5h30min. Imagem obtida pelo celular.

 

Hoje, 5h30min, quando acordei para subir a serra e lecionar em Poços de Caldas, MG, a 45 km daqui de São João das Boa Vista, SP, vi pela janela uma linda conjunção Lua/Júpiter/Vênus/Saturno .

Na pressa, com tempo contado para a viagem, fotografei a cena rapidinho pelo celular. Propositalmente eu já havia deixado o tripé montado perto da janela. O resultado está na imagem logo acima.

Reconhece os astros? Dou uma mãozinha logo abaixo com a mesma imagem legendada.

São João da Boa Vista, SP, hoje (30/jan/2019), 5h30min. . Imagem obtida pelo celular, agora legendada.

 

Antares, estrela alfa da constelação de escorpião, uma supergigante vermelha de brilho vermelho-alaranjado bem característico, acabou aparecendo “de carona” na cena.

O ponto luminoso colado na serra e logo abaixo de Saturno é a iluminação artificial do Pico do Gavião, um mirante localizado na divisa com Minas Gerais e onde tem uma rampa bastante conhecida para praticantes de voo livre.

Na imagem abaixo você confere a Lua, Júpiter e Vênus com um pouco mais de zoom, cena também capturada pelo celular.

 

Lua (acima), Júpiter (no meio) e Vênus (abaixo). Imagem obtida pelo celular.

 

Gostou das imagens? Saiba que você também pode observar estes astros ao vivo nas próximas madrugadas. É fácil! E não precisa de nenhum instrumento óptico!

Siga as minhas dicas abaixo e torça para o céu estar limpo.

 

Como observar os astros nas próximas madrugadas

Pouco antes de amanhecer, por volta das 5h30min, olhe para o leste (lado em que o Sol vai nascer). Você já vai ver uma “casquinha” de Lua Minguante. E perto dela os pontinhos luminosos. Não tem como errar!

Confira abaixo simulações do céu para as próximas madrugadas dos dias 31 de janeiro, 01 e 02 de fevereiro. Embora as simulações sejam feitas para as coordenadas da minha cidade, valem como boa referência para todo o Brasil.

Simulação do céu, horizonte leste (L), para 31/janeiro/2019, 5h30min, para São João da Boa Vista, SP.

 

Simulação do céu, horizonte leste (L), para 01/fevereiro/2019, 5h30min, para São João da Boa Vista, SP.

 

Simulação do céu, horizonte leste (L), para 02/fevereiro/2019, 5h30min, para São João da Boa Vista, SP.

 

Como a Lua está na fase minguante, ela será vista como uma “casquinha”. E, com o passar dos dias, a “casquinha” vai ficando cada vez mais fininha, até desaparecer na fase da Lua Nova.

Note ainda que a Lua vai aparecendo nos próximos dias cada vez mais perto do horizonte. E  na madrugada do dia  2 de fevereiro estará “coladinha” em Saturno.

As simulações acima eu fiz com o software Stellarium, planetário desktop freeware, open source e multiplataforma. Se não o conhece, recomendo.

Bons ceús! Depois nos conta nos comentários se conseguiu observar os astros. Combinado?

Vou tentar observar e fotografar, se possível com uma câmera digital em vez do celular e sem tanta pressa para tentar melhorar a qualidade das imagens.

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!

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Imagens do Eclipse Lunar Total desta madrugada http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/21/imagens-do-eclipse-lunar-total-desta-madrugada/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/21/imagens-do-eclipse-lunar-total-desta-madrugada/#respond Mon, 21 Jan 2019 18:26:58 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4618

Máximo do Eclipse Lunar Total

 

Ontem, como prometido no post anterior, fiquei acordado na madrugada para acompanhar o Eclipse Lunar Total.

Infelizmente, aqui em São João da Boa Vista, interior de SP, minha cidade, o céu estava coberto de nuvens. Veja na imagem abaixo o cenário desastroso para observações astronômicas e astrofotografia.

Céu nublado, escondendo a Lua Cheia praticamente o tempo todo (registro feito com o celular)

 

Como sou persistente, montei a câmera no tripé e, de olho no céu, procurei registrar os momentos em que abria uma brecha entre uma e outra nuvem mais densa e a Lua Cheia conseguia dar as caras. Enquanto fazia minhas observações, pelo celular acompanhava a cobertura do eclipse em tempo real feita pelo canal SpaceToday do meu amigo e parceiro Sérgio Sacani mostrando o evento em vários pontos do Brasil. Foi um show!

Consegui alguns registros bastante modestos, em sua maioria com pouca nitidez já que a luz da Lua Cheia sempre estava atravessando uma camada mínima de umidade na atmosfera. Cumprindo a promessa, e como registro histórico, publico a seguir meus registros do belo fenômeno astronômico.

 

Reuni algumas das imagens acima numa animação. Confira-a abaixo.

Animação feita com imagens registradas ao longo do fenômeno

 

Só registrei o fenômeno até pouco além da sua totalidade. A Lua Cheia começou a ficar mais baixa no horizonte e justamente onde havia muitas nuvens densas inviabilizando cada vez mais possíveis tentativas de novos registros astrofotográficos.

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física e Astronomia na veia!


Já publicado no Física na veia!

[28/07/2018]  Elipse Lunar e aporximação de Marte: registros astrofotográficos


Este post também foi publicado no Física na veia! (Steemit) neste link.

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Vamos observar o eclipse da “Super Lua de Sangue”? http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/20/vamos-observar-o-eclipse-da-super-lua-de-sangue/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/20/vamos-observar-o-eclipse-da-super-lua-de-sangue/#respond Sun, 20 Jan 2019 22:24:55 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4602

Montagem com imagens que capturei do eclipse lunar total de 21/12/2010

 

Muito provavelmente você já deve estar vendo/lendo/ouvindo coisas do tipo “na próxima madrugada teremos Eclipse Total da Super Lua de Sangue”.

Teremos mesmo um eclipse? E que papo é esse de “Super Lua de Sangue”? A Lua vai ficar enorme no céu e sangrar? É algum sinal de mau agouro?

Calma! Sem dramas!

Do ponto de vista científico, sem qualquer conotação mística, teremos sim dois fenômenos astronômicos acontecendo ao mesmo tempo e que podemos, didaticamente, desmembrar em três para entender o que os mais sensacionalistas estão chamando de “Super Lua” e de “Lua de Sangue”. Confira a seguir:

 

1 – O eclipse lunar

A Lua Cheia, a partir de 00h36min da madrugada de segunda-feira, 21 de janeiro de 2019, vai passar entre o Sol e a Terra numa situação especial em que os três astros ficam praticamente alinhados sobre uma linha imaginária chamada linha dos nodos e que coincide com a reta que é intersecção do plano da órbita da Terra ao redor do Sol e do plano da órbita da Lua ao redor da Terra.

A órbita da Lua ao redor da Terra está num plano inclinado em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol. Isso torna o alinhamento dos três astros algo bem mais raro.

 

A Terra, opaca, iluminada pelo Sol, forma no espaço um cone de sombra (ou umbra) e outro de penumbra. A imagem a seguir ilustra a umbra (área avermelhada) e a penumbra (área cinza).

A Lua fará o caminho tracejado (em verde) ao redor da Terra.

 

A Lua Cheia, seguindo a sua órbita ao redor da Terra, vai penetrar no cone de penumbra e, gradativamente, perder o brilho. Em seguida, a Lua Cheia vai mergulhar no cone de umbra. E é aí que vem a parte mais legal do evento com a Lua Cheia aparentando levar uma “mordida” cada vez maior.

Quando a Lua Cheia estiver completamente dentro do cone de umbra da Terra, por volta das 2h41min, estará configurado um Eclipse Lunar Total cujo ápice será às 3h12min. A partir daí é como se passássemos o filme de trás para frente porque a Lua Cheia vai saindo do cone de umbra e depois deixando a penumbra, com o evento terminando exatamente às 5h48min.

Explico os eclipses lunares em detalhes neste post daqui do Física na Veia! . E neste outro post, ainda na plataforma antiga do blog abordo eclipses solares e lunares de forma mais ampla.

 

2 – Onde está o “sangue” lunar?

Quando a Lua Cheia penetra no cone de umbra da Terra, onde supostamente não deveria haver luz alguma, o resultado esperado seria que a Lua, que não tem luz própria, desaparecesse por completo na escuridão umbral. Mas, por um capricho cósmico, com a luz solar tangenciando a fina atmosfera da Terra, ocorre maior absorção dos menores comprimentos de onda da luz visível e maior espalhamento dos maiores comprimentos de onda que correspondem aos tons de luz alaranjados e avermelhados. A atmosfera funciona como um filtro que seleciona os tons vermelho-alaranjados num fenômeno bem parecido ao que ocorre no crepúsculo. E luz destes tons filtrados refratam na atmosfera, sofrendo desvio, e mergulhando para dentro do cone de umbra que fica desta forma “tingido” de vermelho-alaranjado. Assim, a Lua Cheia, na totalidade de eclipse, adquire um tom “vermelho tijolo” bem característico que algumas pessoas, de forma dramática e nada científica, insistem em chamar de “Lua de Sangue”. Nada a ver.

 

Meu registro da Lua avermelhada no máximo do eclipse lunar de 27/09/2015.

 

A Lua Cheia avermelhada não tem nada de sangue. Trata-se apenas do aspecto avermelhado que da Lua Cheia na totalidade de qualquer eclipse lunar. E é tudo explicado cientificamente. Neste post () disseco o fenômeno.
Neste post, caso queira aprofundar o tema, explico de forma detalhada o fenômeno da Lua Cheia avermelhada.

 

3 – E a “Super” Lua?

A órbita da Lua ao redor da Terra não é perfeitamente circular mas oval, num formato que chamamos tecnicamente de elipse. A Terra não fica exatamente no centro da elipse e ocupa uma posição excêntrica num ponto que a Geometria chama de foco da elipse.

Órbita elíptica da Lua ao redor da Terra

 

Desta forma, a Lua pode passar mais perto ou mais longe da Terra. E todos sabemos que o que vemos mais de perto sempre nos parece maior enquanto que o que observamos mais distante nos parece menor. Com a Lua não é diferente. O tamanho aparente da Lua depende da sua distância da Terra.
Quando coincide da fase cheia da Lua ocorrer na passagem do nosso satélite natural pelo ponto da sua órbita mais próximo da Terra, o perigeu, vemos daqui da Terra uma Lua Cheia ligeiramente maior e mais brilhante, o que tem sido chamado de Super Lua. Ao contrário, se a Lua Cheia ocorre no ponto de máximo afastamento da Terra, o apogeu, a Lua Cheia aparenta estar ligeiramente menor.

Na prática, a diferença de tamanho aparente entre a Lua Cheia no apogeu e a Lua Cheia no perigeu é de cerca de 14%, algo imperceptível sem instrumentos de medida rigorosos. Mas o brilho pode ser até 30% maior, o que significa um luar “turbinado”, bastante intenso, capaz de clarear a escuridão da noite em locais afastados das luzes da cidade.

Comparação de tamanho e brilho aparentes na Lua Cheia no apogeu e no perigeu.

 

Colocadas lado a lado, como na montagem acima, as imagens da Lua Cheia no perigeu e no apogeu ficam sensivelmente diferentes. Mas, como já disse logo acima e reafirmo, no “olhômetro” é praticamente impossível alguém notar diferenças no tamanho aparente entre diversas Luas Cheias ao longo de um determinado período, exceto na intensidade do luar que fica bem mais intensa quando a Lua Cheia passa pelo perigeu.

A Lua Cheia de hoje não acontece exatamente no momento da passagem pelo perigeu. Há uma diferença de algumas horas. Mesmo assim, vale dizer que a Lua Cheia estará maximizada em tamanho e brilho aparentes.

Neste post apresento detalhes qualitativos e quantitativos sobre a variação de tamanho e brilho aparentes da Lua vista da Terra. No texto mostro, por cálculos, de onde vem a variação de 14% de tamanho aparente e a variação de 30% no brilho aparente da Lua Cheia por conta de sua posição orbital, ou seja, da distância da Lua até a Terra.

Como observar

Dá para ver o eclipse a olho nu, sem a necessidade de instrumentos. (Fonte: Pixabay)

 

Não tem segredo. E não é preciso nenhum instrumento. Dá para acompanhar tudo a olho nu!

Antes de tudo, torcemos para o céu estar limpo e a Lua Cheia bem visível. Nuvens podem eclipsar o eclipse e estragar tudo! Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, minha cidade, o céu está bastante nublado. Já choveu mas ainda há muitas nuvens carregadas.

É claro que em locais mais escuros, afastados das luzes da cidade, os detalhes da Lua Cheia ficam mais evidentes. Mas, de qualquer lugar, desde que você esteja vendo a Lua Cheia, o fenômeno será bem perceptível.

Lugar, portanto, não é desculpa para não observar o fenômeno. E a falta de instrumentos como binóculos, lunetas, telescópios, também não. Particularmente, até prefiro observar eclipses lunares a olho nu. No máximo olhar a Lua com binóculos. Mas não é necessário.

Ficou curioso e com vontade de observar? Se puder ficar acordado para ver o fenômeno inteiro, vale a pena. Ele começa às 00h36min e vai até 05h48min. Um longo período, eu sei.

Se não puder atravessar a noite, tente ver pelo menos uma parte do fenômeno. E depois ainda dá para dormir mais um pouco até a hora de pular da cama e assumir os compromissos da segunda-feira cedo.

A fase umbral, com a Lua Cheia sendo “mordida”, tem início às 01h33min e termina às 04h50min. Ainda assim, um período longo e só para quem pode ficar acordado na madrugada sem prejuízo aos compromissos da segunda-feira.

Se o seu tempo estiver contado, tente observar apenas a primeira metade do evento, ou seja, de 01h33min, quando a Lua Cheia começa a ser “mordida”, até por volta das 3h00min quando a Lua Cheia já estará totalmente eclipsada e bastante avermelhada. Com apenas uma hora e meia de observação, período razoavelmente curto, você vai conseguir observar a parte mais legal do fenômeno. Que tal?

Compartilhe suas imagens e impressões

amos agitar as redes sociais para observarmos o eclipse lunar? (Fonte: Pìxabay)

 

Avise os amigos. Chame a galera. Forme grupos de observação da Super Lua Lua no perigeu de Sangue que ficará avermelhada durante a totalidade do eclipse. Interaja pelas redes sociais!

Tente observar o fenômeno astronômico. E fotografá-lo!

Deixe os seus comentários por aqui.

O mais legal dos eventos astronômicos é a troca de informações, imagens, e impressões! E hoje, com as redes sociais, tudo ficou mais fácil!

Vou tentar observar/fotografar o fenômeno. Se conseguir boas astrofotos, posto na segunda-feira.

De qualquer forma, se o céu estiver limpo, estarei on line no Facebook (tanto no meu perfil quanto na fanpage do blog) comentando e registrando o fenômeno. Se quiser, pode me acompanhar por lá.

 

Abraço do prof. Dulcidio.

E Física e Astronomia na veia!, se possível com céu limpo!


Este texto também foi publicado no Física na veia! (Steemit) neste link.

Para ver ao vivo pela web

Cobertura em tempo real pelo canal Space Today do meu amigo Sérgio Sacani.

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Passagem Periélica da Terra http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/03/passagem-perielica-da-terra/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2019/01/03/passagem-perielica-da-terra/#respond Thu, 03 Jan 2019 23:10:51 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4589

A Terra e o Sol (Fonte: Pixabay)

 

A órbita da Terra ao redor do Sol não é circular, você sabe. A Terra, em seu movimento de translação ao redor do Sol, segue uma trajetória oval conhecida tecnicamente como elipse. E o Sol, nossa estrela, está posicionado num dos focos desta elipse. Aliás, esta ideia, generalizada para os outros planetas, corresponde exatamente à primeira Lei de Kepler ou Lei das Órbitas que afirma

As órbitas dos planetas do Sistema Solar são elípticas com o Sol posicionado num dos focos

 

Sendo assim, com o Sol numa posição excêntrica, ou seja, fora do centro, a distância de qualquer planeta ao Sol , incluindo a Terra, varia entre um valor mínimo e outro valor máximo enquanto o planeta completa a sua translação. Confira na imagem a seguir.

elipse_grande-excentricidade2[1].jpg
As distâncias mínima (dmín) e máxima (dmáx) de um planeta ao Sol

 

Johannes Kepler (1571-1630) chamou de periélio o ponto de máxima aproximação do planeta com o Sol e, fazendo contraponto, de afélio, o ponto orbital mais distante da nossa estrela.

Exatamente hoje, às 5h20min (UTC) ou 3h20min (horário de Brasília), segundo o astrônomo Irineu Varella, a Terra passou pelo periélio. Confira esta informação em um dos seus famosos e bastante didáticos Astrocards.

passagem_periélica_2019.jpg
Astrocard de autoria do astrônomo Irineu Varella (Fone: Facebook)

 

Não é por conta desta aproximação que a temperatura ambiente anda tão alta! Aqui no Brasil, em em todo o hemisfério sul do planeta, estamos em pleno verão, época de temperaturas altas. No hemisfério norte, onde é inverno, as temperaturas estão baixas em regiões que estão sobre o mesmo planeta e, portanto, praticamente à mesma distância do Sol.

O que provoca as estações do ano é a inclinação do eixo da Terra em relação ao plano orbital, o que faz com que a quantidade de luz solar que atinge o globo terrestre em cada época do ano varie nos dois hemisférios. Neste post explico melhor a ideia.

Como a órbita da Terra é uma elipse muito pouco ovalada (a rigor pouco excêntrica), como você pode conferia na lustração abaixo, a passagem da Terra pelo periélio não representa uma aproximação tão significa em relação ao Sol tanto quanto, analogamente, a passagem do nosso planeta pelo afélio não corresponde a um afastamento tão significativo da nossa estrela.

elipse_pequena-excentricidade[1].jpg
As distâncias mínima (dmín) e máxima (dmáx) da Terra, em órbita pouco excêntrica, ao Sol

 

Na prática, no “olhômetro”, nem chegamos a perceber diferença aparente do tamanho do Sol por conta da aproximação ou do afastamento da Terra.

Para que você tenha uma noção quantitativa, a distância média Sol-Terra é de cerca de 150 milhões de quilômetros. No periélio, como hoje, cai para dmín = 147 milhões de quilômetro e no afélio cresce para dmáx = 152 milhões de quilômetros.

Daqui a 6 meses, no dia 4 de julho, a Terra terá a sua passagem pelo afélio, em pleno inverno no hemisfério sul (e verão no hemisfério norte da Terra).

Vale ressaltar também que, como a força gravitacional atrativa trocada entre o Sol e a Terra depende do inverso do quadrado da distância entre os centros dois dois astros, quando a Terra se aproxima do Sol, para não cair nele, tem velocidade maior. No afélio, pelo contrário, velocidade menor. Sendo assim, nosso planeta passa seis meses acelerando e outros seis brecando. A velocidade média da Terra ao redor do Sol é de cerca de 30 km/s. E ela cresce/decresce muito pouco entre o periélio e o afélio, variando entre Vmín = 29,3 km/s (105.500 km/h) no afélio e Vmáx = 30,2 m/s (108.700 km/h) no periélio.

Não sentimos aceleração/desaceleração do nosso planeta porque a variação de 30,2 – 29,3 = 0,9 m/s demora seis meses para ocorrer. Graças a gravidade, seguimos solidários ao planeta, literalmente nele grudados, viajando de boa, e sem solavancos.

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física na veia!


Este texto também foi publicado no Física na Veia! (no Steemit) neste link.
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“Receita” para ver o cometa 46P/Wirtanen em máxima aproximação hoje! http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2018/12/16/receita-para-ver-o-cometa-46pwirtanen-em-maxima-aproximacao-hoje/ http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/2018/12/16/receita-para-ver-o-cometa-46pwirtanen-em-maxima-aproximacao-hoje/#respond Sun, 16 Dec 2018 19:53:31 +0000 http://fisicanaveia.blogosfera.uol.com.br/?p=4574

O 46P/Wirtanen fotografado por Alex Cherney pelo telescópio em 7/11/2018 na Austrália. (Fonte: NASA/APOD)

 

Hoje, 16 de dezembro de 2018, acontece a máxima aproximação do cometa 46P/Wirtanen com a Terra. Logo, teremos na noite de hoje a melhor oportunidade de observação do astro.

Apesar de bem pequeno, pela proximidade, é possível observá-lo a olho nu. Com um binóculo a experiência tende a ser mais interessante. Com uma pequena luneta ou telescópio, melhor ainda.

Mas tem um detalhe crucial: fique longe das luzes da cidade! O astro tem um brilho tênue facilmente ofuscado pela iluminação artificial noturna. Procure um lugar afastado, bem escuro, e (obviamente) que seja seguro. E aproveite o show! O cometa será visto como uma manchinha esfumaçada esverdeada, mais ou menos como na imagem abaixo obtida sem telescópio, só com câmera. Note que o cometa, sem o aumento de instrumentos, é bem pequeno. Mas é bem bacana, especialmente pela sua cor esverdeada!

O 46P/Wirtanen fotografado por Juan Carlos Casado em 5/12/2018 na Espanha.

 

Ficou interessado em observar o cometa? Siga o passo a passo logo abaixo, com paciência. Garanto que é mais fácil do que parece!

 

Como encontrar o cometa no céu?

Simulação do céu para São João da Boa Vista, SP, 16/dezembro, 21h. Abra-a noutra janela para ver detalhes.

 

A imagem acima é uma simulação em computador feita com o software Stellarium e mostra o céu para a minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo, Brasil, às 21h de hoje (16/dezembro). Embora ela seja uma imagem fiel do céu para as minhas coordenadas geográficas exatas, ela serve como boa referência para qualquer localização no Brasil.

Para encontrar o cometa no céu, siga os seguintes passos:

  1. Olhe para o lado leste do horizonte, o lado do Sol nascente, por volta das 21h¹. Procure pela estrela Sírius, um ponto bem brilhante que se destaca ligeiramente para a direita do leste (L).
  2. Dirija o seu olhar um pouco mais para a esquerda, na mesma altura, e vai ver três estrelinhas alinhadas. São as Três Marias. Elas estarão logo acima de Betelgeuse, uma estrela bem alaranjada na constelação de Órion.
  3. Dirija o seu olhar um pouco mais para a esquerda e verá um conjunto de estrelas formando uma letra V invertida. Na ponta direita do V invertido você vai ver outra estrela bem brilhante e alaranjada. É Aldebarã, a principal estrela da constelação do Touro.
  4. Procure, um pouco mais à esquerda do V invertido, um aglomerado de estrelas. É, literalmente, um punhadinho de estrelas “amontoadas”. Trata-se do aglomerado das Plêiades na constelação do Touro.
  5. O cometa 46P/Wirtanen estará entre Aldebarã e as Plêiades, um pouco mais perto das Plêiades, e ligeiramente abaixo do aglomerado.

E se eu não conseguir ver o cometa hoje?

Se não puder observá-lo hoje, ou se — como por aqui na minha cidade — o tempo estiver nublado, nos próximos dias, apesar de a partir de agora o cometa estar se afastando cada vez mais de nós, observações ainda serão possíveis.

Acompanhe a animação abaixo com as posições simuladas do 46P/Wirtanen entre os dias 16 e 22 de dezembro. Note que o cometa estará visível cada vez mais baixo no horizonte. E, com o passar dos dias, tende a ficar menor² e mais apagado.

Simulação das posições do 46P/Wirtanen entre 16 e 22 de dezembro. Abra a imagem animada noutra janela, em tamanho maior, para ver os detalhes.

 

Conte para nós depois se conseguiu observar o cometa, combinado?

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física (e Astronomia) na veia!


¹ Se observar o céu mais tarde, depois das 21h, tenha em mente que os astros vão “ascendendo” ao céu a uma taxa de 15 graus por hora, de leste para oeste.
² Cometas são astros congelados que orbitam o Sol. Quando se aproximam da nossa estrela, aquecem e material da sua superfície sublima, formando uma nuvem gasosa em torno do seu núcleo chamada coma que torna o astro bem maior e, portanto, observável. Muitas vezes o vento solar, fluxo de partículas que se desprendem do Sol, “sopra” a coma formando uma cauda. Estima-se que o 46P/Wirtanen tenha pouco mais de 1 km de diâmetro e sua coma esférica neste momento tenha o tamanho aproximado de Júpiter. Por ser pequeno, não formou uma cauda perceptível, tendo aparência esférica.


Este texto também foi publicado no Física na veia! (Steemit) neste link.
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