Física na Veia!

Arquivo : Júpiter

Astrofotografia Planetária: a saga continua
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Júpiter e Saturno, capturados em 11 de julho de 2017, e  montados em imagem única.

 

Seguindo o que foi proposto no post anterior, sigo com meus estudos teóricos e práticos para, aos poucos, dominar a arte da astrofotografia planetária¹. Estou aproveitando as férias escolares de inverno para fazer um intensivão! Em período letivo, vida de professor é sempre corrida.

Consegui maior tamanho das imagens capturadas usando uma lente barlow 2x que, como sugere o nome, dobra o aumento. Com mais aumento, o campo visual capturado fica mais restrito. Logo, é preciso ter as “manhas” para conseguir a “pontaria” precisa que permita ver alguma coisa na tela do notebook. Para tal, contei com importantes dicas à distância do experiente astrofotógrafo Denis Valentim Rodrigues, da vizinha cidade de Aguaí, interior de São Paulo, e inestimável ajuda presencial do Gabriel Akira Yanaguya, jovem astrofotógrafo daqui de São João da Boa Vista. Valeu Denis e Gabriel!

Uma dica pontual e que deu resultado foi encontrar o planeta pela ocular inicialmente com uma lente de pequeno aumento e deixá-lo perfeitamente centralizado no campo de visão do telescópio. A seguir, ir colocando lentes de menores distâncias focais, ou seja, propiciando aumentos gradativamente maiores. E sempre, a cada etapa, ir centralizando o planeta no campo de visão que se obtém através da ocular da forma mais perfeita possível. Por fim, a última centralização, com aumento máximo, é feita com a barlow, no limite do aumento do equipamento. Só então retira-se a ocular e coloca-se a webcam sobre a barlow que já está instalada no focalizador do telescópio.

Outra “manha” prática importante é estourar o ganho da webcam e deixar o focalizador do telescópio longe das posição que dá foco perfeito. Assim será possível ver na tela do notebook um “borrão” muito maior do que o planeta que é, na verdade, uma imagem do suporte do espelho secundário (conhecido como aranha) retroiluminado pela luz do planeta. A partir daí, centralizando o borrão no campo visual e justando o foco com delicadeza, veremos gradativamente o planeta brotar na tela do notebook.  Aí é só calibrar  os parâmetros da câmera (ganho, exposição, equilíbrio de cores, etc.) e disparar a captura do vídeo que será, posteriormente, empilhado para que se obtenha uma imagem única do objeto fotografado que será pós processada (confira mais detalhes no post anterior).

Minhas primeiras capturas, feitas em junho e reprocessadas em julho, geraram imagens minúsculas de Júpiter e Saturno, o que não entregava para os softwares de pós processamento informações suficientes para conseguir boas imagens. Com uma barlow 2x o resultado melhorou bastante!

Experimentamos (Gabriel e eu) duas barlows simultaneamente, quadruplicando o aumento, técnica sugerida pelo Denis. E o resultado foi muito bom! As imagens acima foram obtidas com as duas barlows trabalhando juntas.

Ficou muito evidente que, com maior aumento, com mais dados capturados, a qualidade do resultado no pós processamento cresce exponencialmente, permitindo recuperar muitos detalhes dos planetas. Mas, como já era esperado, imagens maiores são, naturalmente, mais escuras. A baixa luminosidade torna o processo de captura mais crítico no tocante à calibragem da câmera, ainda mais porque estou usando uma webcam comum (Logitech C270 ) adaptada ao telescópio (veja post anterior). Imagino que com uma câmera dedicada à astrofotografia isso seja menos complicado, embora sempre um processo crítico e importantíssimo para o resultado final.  Acredito que, com treino e paciência, mesmo com uma mera webcam, conseguirei um bom ajuste dos parâmetros de captura e resultados bastante satisfatórios. Tudo é questão de treino e paciência. Muita paciência, especialmente.

Infelizmente, para acrescentar “mais emoção” ao processo, o sensor da webcam sujou. É que, sem a lente da webcam, o sensor fica exposto. Como explicado no post anterior, retirar a lente da webcam é necessário para que se possa projetar sobre o sensor digital a imagem real² gerada pelo espelho parabólico (primário) do telescópio.

O efeito prático de uma pequena partícula de poeira grudada no sensor é o aparecimento de uma mancha escura, resultado da obstrução da luz sobre os pixels do sensor. Para entender melhor como é isso, confira na imagem a seguir um frame capturado com o sensor limpo e outro “contaminado” pela sujeira no sensor.

O frame da esquerda foi feito com o sensor limpo. Mas o frame da direita está “contaminado”

Essa mancha escura, no pós processamento, é interpretada pelos softwares de empilhamento como pertencente à imagem verdadeira do planeta e, portanto, entra como se fosse um dado real, gerando uma imagem que não condiz com a realidade. Note, por exemplo, na foto lá no topo do post, que a esfera planetária de Saturno, que deveria ter linhas paralelas bem nítidas, ficou borrada. Isso é efeito da sujeira no sensor que, portanto, para boas astrofotos, deve estar sempre 100% limpo.

Estou guardando a webcam acondicionada dentro de uma bolsa de couro, bem fechada com zíper. Mas, mesmo assim, a chance do sensor exposto receber e reter partículas de poeira fica enormemente maior. Já estou providenciando a compra de uma bombinha (ou pera) manual de ar, como a da imagem abaixo, para literalmente soprar para fora a poeira do sensor e mantê-lo sempre limpo. Descobri, na prática, que o tal soprador é um acessório indispensável para a astrofotografia.

Soprador para limpar o sensor (Fonte: Mercado Livre)

Na base da gambiarra, arrisquei soprar o sensor da webcam com secador de cabelo com jato frio, sem aquecimento. Melhorou. Mas é um processo de risco porque o próprio secador pode ter poeira acumulada e acabar soprando-a para dentro do sensor, piorando a situação. Só corri o risco porque a webcam é de baixo custo (R$ 100). Jamais faria isso com uma câmera cara de mais de R$ 1000.

Fiquei bastante satisfeito com a melhora das imagens, especialmente porque entre as primeiras capturas (veja abaixo) e as mais recentes (confira imagem no topo do texto) há menos de um mês de experiência. Mas os detalhes registrados são muito melhores agora! Com mais tempo e perseverança, melhorando tanto a captura quanto o pós processamento, a qualidade das imagens só pode (e vai!) melhorar.

Júpiter e Saturno, meus primeiros registros feitos em junho e recentemente reprocessados.

 

O mais legal de tudo é a diversão! Olhar o céu, mesmo a olho nu, especialmente de um lugar escuro, longe das luzes do centro da cidade, já é uma experiência sensacional. Com telescópio é ainda melhor. Mas poder fazer registros fotográficos e, com técnica de pós processamento, capturar detalhes que não conseguimos ver espiando diretamente na ocular, é delicioso. E instigante! A cada nova captura, quero melhorar mais e mais. Depois, fico tentando entender o que deu certo e o que não deu, vendo o resultado do pós processamento, já pensando numa próxima tentativa mais bem sucedida. É um vício do bem!

Nestas mais recentes imagens, testei outro software de captura: o FireCapture. Interessante! Ele tem alguns recursos bem úteis que o SharpCap não tem. Abordarei mais detalhes sobre os softwares de captura e pós processamento mais adiante, possivelmente fazendo tutoriais. Mas deixo já uma dica preciosa: depois que instalei o FireCapture em sua versão 2.5, a mais atual, tive que fazer downgrade para a versão 2.4. O Gabriel chamou a minha atenção para o fato de que a versão mais nova só reconhece câmeras dedicadas. A 2.4 também consegue reconhecer as webcam. Se você for tentar fazer astrofotografia com webcam, tenha isso em mente.

Testei também nesta segunda etapa o PIPP – Planetary Imagem PreProcessor que, como sugere o nome, faz um pré processamento dos frames do vídeo, o que pode ajudar bastante na qualidade do processo de empilhamento, especialmente se o telescópio não tiver motorização para fazer o acompanhamento do movimento aparente dos astros no céu. No meu caso, com montagem motorizada, a diferença não foi tão perceptível. Mas vou testar uma maneira de gerar fotos dos frames individuais para fazer uma inspeção visual dos mesmos, além da inspeção automática que o software já faz. Talvez assim seja possível eliminar um ou outro frame menos confiável, melhorando ainda mais a qualidade da imagem final. Se eu obtiver bons resultados com essa possível mas ainda não testada técnica, posto futuramente no blog.

Por hoje é isso!

Deixe os seus comentários!

Abraços. E Física (e Astrofotografia) na veia!


1 -Adiante é certo vou querer praticarastrofotogroafia de DSO – Deep Sky Objects, registrando nebulosas, aglomerados e galáxias, por exemplo. Mas essa técnica requer mais amadurecimento e, talvez, equipamento dedicado.
2-Somente imagens reais podem ser projetadas. Lembra da Óptica Geométrica básica de ensino médio?

Já publicado no Física na Veia! 

(*) Post na plataforma antiga do blog


A sonda Juno está chegando ao seu destino
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

NASA Juno Mission Trailer

 

Depois de cinco anos de viagem espacial, a sonda Juno da NASA finalmente está chegando ao seu destino: o misterioso planeta Júpiter.

A nave vai orbitar o planeta para, mais de perto, estudá-lo por um período de 18 meses . Serão 37 sobrevoos a pouco mais de 4000 km da espessa camada gasosa externa do planeta. O recorde anterior de aproximação pertence à sonda Pioneer 11, de 1974, que passou a 43000 km do planeta.

Momento crítico

A orbit insertion, ou inserção orbital em português, é uma manobra importante e da qual depende o futuro da missão. Como toda órbita é uma perfeita combinação de velocidade e altitude (confira a ideia em post ainda na plataforma antiga do blog), a sonda precisa estar no lugar (ou altitude certa) e com a velocidade vetorial correta para entrar na órbita desejada pelos cientistas responsáveis pela missão. Qualquer falha pode fazer com que a órbita não se concretize. O evento acontecerá hoje, 4 de julho, com transmissão em tempo real pela NASA TV a partir das 23h30min (horário de Brasília).

Já em clima de ‘quase’ férias escolares, preguiçoso, vou ficar só espiando (e torcendo) de longe confortavelmente deitado em minha cama com tablet e celular nas mãos. Mas dois amigos ativistas da divulgação científica (e nada preguiçosos!) farão cobertura em tempo real: Salvador Nogueira (do Mensageiro Sideral), jornalista da Folha e meu vizinho da blogosfera do UOL, e Sérgio Sancevero (do Space Today). Deixo abaixo as janelas para as duas coberturas (em português) que prometem competência e bastante confiabilidade. Estarei ligado nas duas, além da NASA TV.

Salvador Nogueira (do Mensageiro Sideral)

Sérgio Sancevero (do Space Today)

Acompanhe esse momento científico histórico! E fique na torcida para que tudo corra bem! A sonda Juno promete nos brindar com imagens e informações (medidas) inéditas sobre o nosso belíssimo vizinho gigante gasoso!


Para saber mais


Júpiter “coladinho” na Lua agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

A Lua Crescente (quase Cheia e o planeta Júpiter mais abaixo

A Lua Crescente (quase Cheia) e o planeta Júpiter (pontinho) mais abaixo

 

Júpiter está bem brilhante por esses dias. É que ele e a Terra estão do mesmo lado em relação ao Sol. Assim, além de estar mais perto da Terra, o gigante gasoso fica iluminado diretamente pelo Sol que está às nossas costas.

E hoje, particularmente, o show está ainda melhor. Júpiter, visualmente, está bem perto da Lua Crescente (quase Cheia). Veja logo acima o registro fotográfico que acabei de fazer.

Você não está vendo essa cena ao vivo? Bota a cabeça pra fora da janela e espia! Imperdível!

Confira, na imagem abaixo, simulação (propositalmente fora de escala) da posição dos astros no Sistema Solar hoje. Ela foi feita on line no SolarSystemScope.com e nos ajuda a entender a cena astronômica que registrei fotograficamente (e você pode ver ao vivo, agora) a partir da Terra.

Simulação das posições reais dos astros do Sistema Solar agora

Simulação (fora de escala) das posições reais dos astros do Sistema Solar agora, no momento da publicação do post.

 

Boas observações!

Depois deixe o seu comentário nos contando se conseguiu observar Júpiter “coladinho” na Lua Crescente.


Já publicado no Física na veia!

(*) post publicado na plataforma antiga do blog

Show de astros na(s) próxima(s) madrugada(s)
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

5jan2016_show_astros

simulação do céu na próxima madrugada 5/janeiro/ 2016, por volta de 4h30min, horário de Brasília

 

A imagem acima é uma simulação do céu da próxima madrugada (5 de janeiro de 2016, por volta de 4h30min, horário de Brasília). Usei latitude/longitude da minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Mas, com razoável aproximação, a cena vale para todo o território nacional, com pequenas diferenças de altura dos astros em relação ao horizonte para diferentes latitudes de norte a sul do nosso país. Fiz tudo no Stellarium, software freeware e opensource que sempre recomendo para quem quiser começar a brincar com simulações do céu. Ele roda em várias plataformas, inclusive em dispositivos móveis.

Note que, num único cenário, teremos vários astros para observarmos: quatro planetas do Sistema Solar (Saturno, Vênus, Marte e Júpiter), o nosso satélite natural (Lua), um cometa (C/2013 US10 Catalina) e uma estrela gigante vermelha bastante importante (Antares, na constelação de Escorpião).

Duvido muito que verei alguma coisa. Aqui no interior de São Paulo o céu tem ficado nublado a maior parte do tempo. E tem chovido bastante. De qualquer maneira, vou madrugar para tentar ver/fotografar a linda cena astronômica recheada de astros importantes.

Tente observar/registrar o céu você também! Não é todo dia que temos tantos astros “fazendo pose pra foto”.

Não é difícil observá-los. Tudo acontece em torno do ponto cardeal leste (L), onde o Sol vai nascer. Se você não tem muita intimidade com o céu, siga os passos a seguir. Não tem erro!

I) Encontre a Lua [1], a referência mais óbvia. Atente para o fato de que ela está na fase minguante e, nesse momento, ainda é só uma casquinha;
II) Logo abaixo da Lua, se o céu estiver limpo, você verá Vênus, um ponto bem brilhante de aparência estelar;
III) À direita da Lua e um pouco mais para baixo, mais perto do horizonte, quase ao lado de Vênus [2], você verá um ponto bem avermelhado. É Antares [3], uma estrela gigante vermelha (alfa da constelação de Escorpião). Ela fica a pouco mais de 600 anos-luz da Terra. Enorme e massiva, ela tem pouco mais de 15 massas solares distribuídas numa esfera equivalente a 700 diâmetros solares ;
IV) Logo abaixo de Vênus você verá Saturno, um pontinho de aparência estelar, bem menos brilhante do que Vênus;
V) Agora comece por Saturno e vá “ligando os pontos” de baixo para cima: Saturno, Vênus, Lua, Marte (um ponto bem alaranjando) e, bem mais para cima, Júpiter;
VI) Pra finalizar, a parte mais complicada: tentar encontrar e observar o cometa. A olho nu nem pensar! É preciso pelo menos um binóculo. Comece pela Lua e dirija o seu olhar para a esquerda. Arcturus, estrela alfa da constelação do Boieiro, a quarta estrela mais brilhante do céu noturno, será um ponto de destaque no cenário. Não é difícil encontrá-la. Ela é a principal referência para localizar o cometa que estará ali visualmente bem pertinho, um pouco mais para a esquerda e para baixo. Paciência. E céu muito limpo. São duas condições muito importantes, especialmente na tentativa de ver o cometa.

 

Curiosidade 1 (alinhamento aparente de astros)

O fato mais curioso da cena astronômica é que os quatro planetas e mais a Lua estarão praticamente alinhados no céu. Na simulação lá no topo do post desenhei uma linha tracejada em amarelo que parte de Saturno e chega em Júpiter. Incrivelmente, ela também passa por Vênus e passa raspando pela Lua e por Marte. Isso prova o quase alinhamento aparente desses cinco astros!

Por que esses astros estarão tão próximos no céu? É sempre divertido, além de interessante exercício de raciocínio geométrico tridimensional, tentar entender o que vemos no céu. Lembre-se de que o que vemos é sempre do ponto de vista terrestre. Temos que nos imaginar sobre o globo da Terra, olhando os demais astros fora dela.

A simulação abaixo, feita com o Solar System Scope (que roda on line e também é gratuito), nos ajuda a entender.

5jan2016_Terra_Lua_Venus_Marte_Jupiter_Saturno

Simulação (propositalmente fora de escala) da posição dos astros do Sistema Solar.

 

Comece pela Terra. É nela que estamos. Imagine que da Terra ainda não vemos o Sol que estará abaixo do horizonte. Daqui do nosso planeta, olhando para o céu ainda escuro, poderemos ver Saturno, Vênus, Marte e Júpiter, quase alinhados e nessa ordem. Só que, pela nossa posição na Terra, os veremos “de baixo para cima”. A Lua, na mesma visada, vai aparecer entre Vênus e Marte.

É interessante observar que os astros estão a distâncias muito diferentes a contar da Terra. A Lua, astronomicamente falando, está quase “grudada” na Terra. Saturno é o mais distante de todos. Mas os nossos olhos, junto com o cérebro, não têm como determinar essas distâncias. Acabamos tendo a impressão de que todos os astros estão numa mesma superfície, a esfera celeste, uma esfera imaginária e negra que envolve a Terra que corresponde ao seu centro geométrico.

Importante: na simulação acima os astros estão propositalmente em tamanho exagerado e fora de escala. Ok? O aplicativo permite, se você quiser, deixar os astros em tamanho real. Só que, para que apareçam todos numa mesma cena, eles acabam ficando pontuais. Acho mais bacana assim, apesar de irreal.

 

Curiosidade 2 (encontro aparente de Vênus e Saturno)

Nas próximas madrugadas, como os quatro planetas têm movimento ao redor do Sol e a Lua ao redor da Terra, o alinhamento de astros vai se desfazendo aos poucos. A Lua, além de mudar sua posição aparente no céu, vai ficando cada vez mais iluminada.

O “alinhamento” de astros é na próxima madrugada. Mas ainda dá para vê-los numa mesma cena, em posições diferentes das que destaquei acima, por mais alguns dias.

Um fato notável é que Vênus e Saturno terão uma incrível aproximação aparente no céu. Entre os dias 8 e 9 de janeiro eles ficarão “grudadinhos”. vale a pena observar e até fotografar a cena. As simulações abaixo, feitas com o Stellarium, mostram exatamente o que vai acontecer.

8e9jan2016_Venus-Saturno

Simulação da aproximação aparente entre Vênus e Saturno.

O cometa “passa” só na próxima madrugada?

Cometas não passam no céu. Não conseguimos, daqui da Terra, perceber o seu movimento em tempo real, a não ser usando instrumentos potentes. Cometas, a olho nu, com binóculos ou telescópios pequenos, são vistos como se estivessem parados no céu. Apenas com o passar de algumas horas é que podemos perceber que, movendo-se ao redor do Sol, o cometa também mudou de posição em relação ao fundo fixo de estrelas. Mesmo de um dia para outro, ao longo de 24h, essa mudança é bem sutil.

Vale lembrar que nesse momento o cometa C/2013 US10 (Catalina) está no limite observacional daqui do hemisfério sul do planeta. Ele ficará visível para nós por mais uns dias. Mas já está bem baixo, ou seja, bem perto do horizonte. Sua observação, que já é complicada, ficará cada vez mais difícil. Creio que não temos mais do que uns três ou quatro dias para tentar vê-lo com binóculo. Uma semana talvez, bem no limite! Aproveite! Depois disso, para vê-lo, só do hemisfério norte.

____________

Tente as suas próprias observações. E deixe comentários nos contanto como foi a experiência astronômica!

Bons céus a todos! Se eu conseguir fotografar, posto as imagens por aqui.


Minhas imagens
[atualizado em 5/janeiro/2016 ~16h30min]

Milagrosamente, o céu nublado limpou no começo da madrugada e pude observar os astros e fotografá-los a partir das 4h30min. Havia uma névoa baixa sobre a serra, que atrapalhou um pouco. Mas consegui ver todos os astros a olho nu, exceto o cometa.

Confira abaixo a cena completa. Consegue identificar cada um os astros?

A cena completa, como na simulação.

A cena completa, como na simulação.

A mesma imagem, agora legendada. Nela, pelo tempo de exposição ainda pequeno, além de baixo ISO, o cometa não foi registrado. Apenas Arcturus aparece bem brilhante, exatamente como vemos a olho nu.

5jan2016_astros-na-madrugada_L

A cena completa, agora legendada.

Para capturar os planetas, usei um tempo de exposição maior, embora insuficiente para registrar o cometa. Como a Lua reflete bastante luz solar, ela não saiu no formato minguante e mais parece uma estrela gigante no céu. Para capturar a Lua (relevo e sutilezas de iluminação) é preciso ajustar melhor o tempo de exposição que não pode ser tão longo.

Mostro uma imagem da Lua mais abaixo. Antes, o mais complicado de tudo: o registro do cometa. Na imagem abaixo, com zoom de 30X na constelação do Boieiro, vemos um ponto bem brilhante que é certamente a estrela Arcturus. O cometa é um dos outros pontos. Mas qual? Confesso que nem com binóculo consegui ver cauda, o que seria uma boa assinatura para o astro. Mas, pela sobreposição da simulação com a imagem real obtida fotograficamente, “acho” que o C/2013 US10 (Catalina) é aquele pontinho indicado pela seta verde.

Zoom na constelação do Boieiro. O cometa parece ser aquele pontinho destacado pela seta verde.

Zoom na constelação do Boieiro. O cometa parece ser aquele pontinho destacado pela seta verde.
O outro ponto, bem mais brilhante, é a estrela Arcturus (alfa do Boieiro).

Pra finalizar, imagem em zoom da Lua Minguante. Ajustando os parâmetros da câmera dá pra registrar perfeitamente bem a “casquinha característica da Lua Minguante”. E, embora bastante tênue,  também podemos ver a parte da Lua não iluminada diretamente pelo Sol e que deveria ser escura. É a luz cinérea! Dá para perceber?

A Lua Minguante e a luz cinérea.

A Lua Minguante e a luz cinérea.

Assim como a Lua reflete a luz do Sol sobre o globo terrestre, criando o luar que bem conhecemos e que deixa as nossas noites menos escuras, a Terra também reflete a luz do Sol que ilumina indiretamente o globo lunar, criando por lá efeito análogo. Se você estivesse na Lua, na porção não iluminada pelo Sol, estaria em plena noite lunar. Ao olhar para o céu, veria o planeta Terra como uma bola azul “boiando” contra o fundo negro e emanando uma luz que, assim como o luar, deixaria a sua noite lunar menos escura. Eu acho esse fenômeno simplesmente lindo! E você?


Saiba mais


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Planetas na madrugada fazendo pose para foto
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

planetas_17outubro2015_nublado

Vênus (V), Júpiter (J) e Marte (M) registrados na madrugada de hoje (sábado, 17/outubro/2015)
Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

 

Nos próximos dias, qualquer pessoa que tenha pique para pular da cama mais cedo, pouco antes do Sol nascer, poderá olhar para o céu de madrugada e ver quatro planetas em aproximação aparente. E o melhor de tudo: não vai precisar de nenhum instrumento especial. Bastam os olhos para contemplar a bela cena!

É só olhar um pouco acima do horizonte leste, onde o Sol estará para nascer, e procurar por Vênus, um ponto de aparência estelar e bem brilhante. Depois de encontrá-lo (e é bem fácil porque ele destaca bastante no céu), logo abaixo você verá outros dois pontinhos bem próximos entre si. O mais brilhante deles, à direita, é Júpiter. E o mais fraco, mas bem alaranjado, é Marte. Mercúrio é o mais difícil de ver/encontrar dentre os quatro. Ele estará mais abaixo ainda, bem perto do horizonte, e vai aparecer como um pontinho muito sutil.

Com o passar dos dias, as posições relativas dos planetas vão mudar sutilmente. E por isso, para ajudar nas suas observações, fiz simulações do céu aberto, horizonte leste, para as próximas madrugadas. Usei a latitude e a longitude de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, onde moro. Sem muito rigor, mas com razoável aproximação para o propósito de apenas observar o céu, as simulações valem para todo o território brasileiro.

“Se” o céu estiver bem limpo, é show garantido! Astronomia óptica tem essa louca dependência das condições climáticas…

Tentei registrar o fenômeno na madrugada de hoje. Mas o céu estava parcialmente nublado. Consegui a imagem acima onde Marte quase sumiu por trás das nuvens que, para piorar, “mataram” o seu tom alaranjado característico.

 

Simulações

As simulações abaixo foram feitas com a versão Windows do software Stellarium que é gratuito e de código aberto.  Você também pode baixá-lo e se divertir simulando o céu para a sua localidade. Tem versão para outros sistemas operacionais.

17/outubro/2015 – sábado de madrugada

planetas_simula_17outubro2015

18/outubro/2015 – domingo de madrugada

planetas_simula_18outubro2015

19/outubro/2015 – segunda-feira de madrugada

planetas_simula_19outubro2015

20/outubro/2015 – terça-feira de madrugada

planetas_simula_20outubro2015

21/outubro/2015 – quarta-feira de madrugada

planetas_simula_21outubro2015

 

A montagem abaixo destaca os planetas Vênus, Júpiter e Marte, agora vistos com mais zoom. A ideia é mostrar Júpiter e Marte um pouco mais separados já que, visualmente, estão bem próximos no céu. Nas simulações acima, em o céu mais aberto, os dois pontinhos se confundem. Clique na imagem para abrir versão maior.

planetas_simula_17-18-19-20_outubro2015

 

Tente as suas próprias observações e depois deixe o seu comentário aqui no blog. Não se preocupe tanto com exatidão da hora da observação (vale lembrar que estaremos em horário de verão, ou seja, com o relógio adiantado em uma hora). Basta olhar para o céu, pouco antes do Sol nascer, logo acima do horizonte. E do lado leste, onde o Sol aparece. Ok?

Entendendo o fenômeno

planetas_outubro_solarsystemscope_exagerado

Simulação não realística da posição atual dos astros do Sistema Solar feita com o Solar System Scope.

A imagem acima é uma simulação feita on line pelo SolarSystemScope.com. Nela, propositalmente, todos os astros (Sol e planetas) estão fora de escala e exageradamente grandes. É que o software tem a opção de escolher entre uma visão realística ou uma visão exagerada mas que privilegia a beleza das esferas planetárias e da nossa estrela, o Sol.

A visão realística você confere na imagem abaixo. Cientificamente, é a mais correta e, portanto, a melhor. Mas, cá entre nós, é mais “feia” pois esconde a beleza de cada um dos astros.

planetas_outubro_solarsystemscope_realistico

Simulação realística da posição atual dos astros do Sistema Solar feita com o Solar System Scope.

Seja pela imagem mais bonita (e não realística) ou pela imagem mais feia (mas cientificamente mais correta), note que, vistos da Terra, os planetas Vênus, Júpiter e Marte estão praticamente alinhados com a Terra. Isso quer dizer que, para um observador terrestre, esses planetas estarão praticamente na mesma linha de visada, ou seja, vão aparecer no céu como pontinhos visualmente próximos embora, na prática, estejam bem afastados uns dos outros.

Mercúrio, o “menos alinhado” de todos, não está muito longe da linha imaginária que parece ligar os outros planetas. Dessa forma, também estará no céu praticamente na mesma região, apenas um pouco desgarrado do grupo formado por Vênus, Júpiter e Marte.

Entendeu?

Bom céu para você nos próximos dias. Boas observações! 

E mais uma coisa: se eu conseguir mais fotos nas próximas madrugadas, preferencialmente sem nuvens, posto aqui. Combinado?


Galeria com minhas imagens

19/outubro/2015 – segunda-feira de madrugada

Ontem, domingo, 18/outubro, o céu estava bastante nublado. Não deu para ver nada. Mas hoje deu uma limpada. E consegui uma imagem um pouco melhor por volta das 6h, horário de verão. Não consegui ver/fotografar Mercúrio que, imagino, estava sendo ofuscado pela tênue luz avermelhada do Sol nascente e uma névoa baixa logo acima da serra.

planetas_foto_19outubro2015

Vênus, Júpiter e Marte registrados na madrugada de 19 de outubro de 2015.
Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

 

20/outubro/2015 – terça-feira de madrugada

O céu de hoje estava bem parecido com o de ontem. Ligeiramente nublado e com uma névoa bem baixa, logo acima da serra, que não me deixou (novamente) ver Mercúrio. Mas consegui um melhor registro de Vênus, Júpiter e Marte, sobre a cidade acordando, por volta das 5h45min (horário de verão). Confira abaixo em duas imagens: a primeira mais aberta, mostrando a paisagem, as luzes do bairro e os planetas no céu, e segunda mais fechada, com zoom, destacando os três astros no céu que já estava começando a clarear.

Vênus, Júpiter e Marte registrados na madrugada de 19 de outubro de 2015.  Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

Vênus, Júpiter e Marte sobre o meu bairro na madrugada de 20 de outubro de 2015.Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!) 

Vênus, Júpiter e Marte registrados na madrugada de 19 de outubro de 2015.  Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

Vênus, Júpiter e Marte na madrugada de 20 de outubro de 2015, com zoom.Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!) 


Já publicado no Física na Veia!


A noite dos três cruzeiros
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Conjuncao_LVJR_18jul2015_sim

Simulação do céu mostrando os “três cruzeiros”: 1- Cruzeiro do Sul (real), 2- Falso Cruzeiro, 3-Cruz
formada pela conjunção da Lua com os planetas Vênus e Júpiter mais a estrela Regulus da constelação
de Leão.

 

Se você olhou para o céu hoje, logo ao entardecer, deve ter notado uma cena parecida com essa aí de cima simulada em computador (“O”, em vermelho, marca o ponto cardeal Oeste).

Além do Cruzeiro do Sul, constelação típica do céu do hemisférico sul e do falso cruzeiro (que não é uma constelação mas apenas um asterismo que fica perto do Cruzeiro do Sul e lembra o próprio), havia um outro “cruzeiro”. É que a Lua crescente (só uma “casquinha”) mais os planetas Vênus e Júpiter e a estrela Regulus (da Constelação de Leão) estiveram em conjunção e por isso foram vistos próximos no céu formando um “terceiro cruzeiro” temporário, observável apenas hoje!

Foi lindo! Fui ver. E fiz alguns registros fotográficos que compartilho logo abaixo com você caríssimo(a) leitor(a) do Física na Veia! Se quiser abrir uma versão em maior resolução, clique sobre a foto.

Começo mostrando uma foto com bastante zoom, enquadrando os quatro astros.

Conjuncao_LVJR_18jul2015_00a

Os quatros astros com bastante zoom: 1-Lua, 2-Vênus, 3-Regulus e 4-Júpiter.

 

Nessa segunda imagem dá para perceber o céu ainda um pouco claro. Mas os astros bastante brilhantes já se destacam formando o “terceiro cruzeiro”.

Conjuncao_LVJR_18jul2015_01a

O céu ainda estava claro. Mas já dava para ver bem o “terceiro cruzeiro”.

 

O “terceiro cruzeiro” acima, à direita, na próxima imagem, enfeita o céu da minha querida São João da Boa Vista, interior de São Paulo, ao fundo, sob crepúsculo.

Conjuncao_LVJR_18jul2015_02a

São João da Boa Vista, conhecida como a “Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos”, fazendo jus ao
nome e enfeitada pelo “terceiro cruzeiro”.

 

E finalmente um panorama mostrando as luzes da cidade ao fundo, com o céu já quase que totalmente escuro, e o “terceiro cruzeiro” bem baixo no céu.

Conjuncao_LVJR_18jul2015_03a

Panorama mostrando a mesma cena da imagem anterior, mas agora com o céu praticamente escuro.

 

Destaco ainda mais uma imagem curiosa. Enquadrei a Lua e Vênus com bastante zoom. E usei longa exposição para ver a luz cinérea da Lua.

Não sabe o que é isso? Note que, embora a Lua esteja sendo iluminada pelo Sol por baixo e por isso mesmo seja vista a olho nu apenas como uma “casquinha”, com a maior captura de luz fruto da longa exposição percebemos claramente o relevo superficial na porção da Lua que não recebe luz direta do Sol.

Por que isso acontece? Essa porção da Lua não deveria ser totalmente escura? Deveria. Mas a Terra, que também está sendo iluminada pelo Sol e é um corpo opaco, reflete uma porcentagem da luz que recebe do Sol de volta para o espaço. Uma fração dessa luz solar refletida pela Terra acaba atingindo a Lua e iluminando a sua parte escura, ainda que de forma bastante sutil. Assim como temos o luar (luz do Sol refletida pela Lua e que atinge a Terra à noite), temos o oposto, a luz cinérea, luz do Sol refletida pela Terra e que ilumina a região da Lua onde é noite, ou seja, não está chegando luz direta do Sol. Interessante, não?

Conjuncao_LVJR_18jul2015_luz-cinerea_a

Vênus, acima, e Lua Crescente abaixo onde percebemos nitidamente a luz cinérea.

 

Frustração

Conjuncao_LVJR_18jul2015_cometa

Simulação mostrava o cometa C/2014 Q1 Panstarrs logo abaixo do “terceiro cruzeiro”.

Pela simulação que fiz do céu para hoje, o cometa C/2014 Q1 Panstarrs estaria pouco abaixo do “terceiro cruzeiro”. Estaria não, esteve! Mas, de luz muito tênue, eu já sabia que não daria para observá-lo a olho nu. E acabei esquecendo de levar meu binóculo!

Mas tinha a esperança de capturá-lo nas fotos de longa exposição. Como ele estava muito baixo no horizonte, ainda competia com a luz do crepúsculo!

Vou analisar todas as imagens que fiz, mais de cem, com cuidado. Quem sabe, sem querer querendo, o bichinho não acabou caindo na minha arapuca de fótons?

Veja linda imagem feita por Yuri Beletsky Nightscapes ontem e que publiquei hoje na fanpage do blog no Facebook (dica do meu amigo Gustavo Rojas, astrofísico da UFSCar). É de babar!

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Agradeço ao amigo Marco Aurélio que nos hangouts do Astronomia ao Vivo dessa semana deu a dica sobre esse curioso fenômeno! E aproveito para ratificar: se você gosta de Astronomia e não conhece os hangouts desse grupo, está perdendo uma grande oportunidade. Se liga! Tem programa todas as terças à noite e especiais quando existem eventos importantes. Nessa semana, por exemplo, houve vários especiais sobre Plutão e a sonda New Horizons.

Mosaico com os “três cruzeiros”

[atualização 21/julho/2015 ~ 16h26min]

 

Como prometido, fiz uma foto panorâmica, do horizonte sul até o horizonte oeste, mostrando a cena completa com os três cruzeiros: Cruzeiro do Sul (verde), falso cruzeiro (vermelho) e cruzeiro temporário (amarelo) formado pela Lua, pelos planetas Vênus e Júpiter e pela estrela Regulus. É a mesma cena lá no topo do post. Só que agora com imagens reais. A imagem lá em cima é apenas uma simulação feita no computador.

Clique na imagem abaixo para abrir o mosaico (jpg com 2400 pixels x 1330 pixels ~ 350 kb).

Tres_Cruzeiros_Mosaico_legendado

Cruzeiro do Sul (verde), falso cruzeiro (vermelho) e cruzeiro temporário (amarelo). Clique para abrir versão 2400 pixels x 1330 pixels.

 

Sobre o cometa C/2014 Q1 Panstarrs (veja subtítulo “Frustração” logo acima), consegui fotografá-lo logo na noite seguinte (19/julho). Ainda não foi de um local ideal, bastante escuro. Mas, bem no limite da minha câmera e das condições do céu, fiz essa imagem (publicada no meu perfil do Facebook e também na fanpage do blog). Não é nada fantástica. Mas para ver um borrãozinho com cauda, caracterizando o cometa. Nas outras noites o céu esteve nublado. Ainda quero tentar registros fotográficos melhores se der céu limpo nos próximos dias.

Publiquei, na fanpage do blog no Facebook, algumas imagens do cometa feitas com equipamentos profissionais. O “borrãozinho”, visto em melhores condições, é lindo! Dá para ver as duas caudas: a de íons e a de poeira. Vale a pena. Aproveite! E, depois de ver as imagens, deixa o seu CURTIR. Seguindo a fanpage você vai receber novidades diárias de Física e Astronomia.


Já publicado no Física na Veia!


O “encontro” de Vênus com Júpiter é hoje!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Venus_Jupiter_29junho2015a

Vênus (abaixo) e Júpiter (acima). Registro feito em 29/junho/2015, véspera da máxima aproximação.

 

Desde sábado passado, 27 de junho, venho observando e fotografando Vênus e Júpiter ao cair da tarde. Os resultados estão disponíveis na fanpage do blog no Facebook (facebook.com/FisicaNaVeia)

Os dois planetas, nossos vizinhos do Sistema Solar, vistos daqui da Terra, estão em aproximação aparente. E hoje, terça-feira, 30 de junho, a distância relativa será mínima! Os planetas estarão “coladinhos” no céu. Imperdível!

O bacana é que dá para ver tudo a olho nu. E está bem fácil de encontrar os astros no céu. Para ajudar meus leitores nessa deliciosa tarefa observacional, no post anterior dei dicas de observação com simulações do céu para vários dias (pouco antes e pouco depois do dia 30 de junho).

Confira acima e abaixo fotos do fenômeno que fiz ontem, 29 de junho, segunda-feira, véspera da máxima aproximação. Na imagem de cima vemos a cena mais aberta e já dá para notar os dois planetas bem próximos no céu. Na imagem de baixo, com zoom óptico de 30X, a câmera digital vira quase uma lunetinha. Dá para ver os dois planetas mais de perto. Usei 2s de exposição, com ISO alto, sempre com a câmera no tripé. Note que nessa segunda captura foram registradas duas (das quatro) luas galileanas de Júpiter!

Venus_Jupiter_29junho2015b

No mesmo dia, agora com zoom, com os dois planetas em destaque. Vênus (abaixo): um verdadeiro
farol. Júpiter (acima): acompanhado de dois “pontinhos”, dois de seus satélites.

 

Anote aí na sua agenda para não esquecer: observação astronômica hoje, a partir das 18h até mais ou menos 20h.

Deixe o seu comentário nos contando sobre a sua observação do fenômeno!

Vou observar/fotografar e depois posto o resultado na galeria logo abaixo. Combinado?


Galeria de fotos do fenômeno astronômico.

Cena linda!  Mas as nuvens baixas e avermelhadas pela iluminação do bairro estão atrapalhando bastante a observação e os registros fotográficos.

Venus_Jupiter_30jun2015_a

Vênus e Júpiíter em máxima aproximação aparente.

Venus_Jupiter_30jun2015_b

Com zoom vemos os dois planetas e as quatro luas galileanas de Júpiter. Ganimedes, acima. Abaixo,
a contar do planeta, Io, Europa e Calisto. Vênus deveria brilhar mais na imagem. Deve ser
efeito atenuador das nuvens.


Vênus e Júpiter “coladinhos” no céu
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Venus_Jupiter_26jun2015a

Os dois pontos brilhantes no céu são Júpiter (acima) e Vênus (abaixo). Registro feito em 26 de junho de
2015, em São João da Boa Vista, SP. Clique para abrir imagem em maior resolução.

 

Se você tem o costume de observar o céu, em especial o Sol se pondo ao final da tarde, deve ter notado nos últimos dias que no horizonte oeste, bem onde o Sol se esconde, dois pontinhos bem luminosos têm chamado a atenção e começam a aparecer antes mesmo do céu ficar completamente escuro.

Chegou a observá-los? Sabia que são dois planetas? Sim! Vênus e Júpiter!

A foto acima mostra os dois pontinhos no céu, os dois planetas registrados por mim ontem (sexta-feira, 26 de junho) por volta das 18h30min aqui na minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo. O céu estava quase escuro. O ambiente também. Mas enquanto eu fazia o registro em longa exposição (~7 s), às minhas costas veio um automóvel com faróis acesos que iluminaram a estradinha de terra e as plantas. O efeito acabou ficando bem interessante.

Veja abaixo os dois planetas, agora em close, usando o zoom óptico da câmera que acaba funcionando quase como uma luneta digital.

Venus_Jupiter_26jun2015b

Vênus (abaixo), quase um farol. E Júpiter (acima), também bastante brilhante. As manchinhas perto de
Júpiter são satélites do planeta que saíram na foto de longa exposição e com zoom. Clique para abrir
imagem em maior resolução.

 

O mais legal é que até o dia 30 de junho Vênus e Júpiter vão ficar cada vez mais próximos no céu. Nesse dia os dois pontinhos ficarão quase sobrepostos. Vai ser um espetáculo raro. Imperdível!

Não deixe de observá-los! Chame os amigos. Espalhe a notícia. Compartilhe o link desse post. Se o céu estiver limpo, sem nuvens, você vai ver a cena astronômica com certeza! Está bem fácil localizar os dois astros ao cair da tarde. Para garantir sucesso nas suas observações, siga as minhas dicas a seguir.

  1. Perto das 18h, procure um local de onde possa ver o horizonte oeste, onde o Sol se põe.  O céu já estará escurecendo. Espere o Sol se esconder.
  2. Um pouco à direita da posição onde o Sol se escondeu, acima do horizonte, vai aparecer o primeiro pontinho bem brilhante. É Vênus.
  3. Em cerca de 10 minutos depois de Vênus você já deve começar a ver Júpiter, o segundo pontinho brotando no céu. Ele estará ligeiramente acima de Vênus, mais ou menos como na foto acima.
  4. Com o passar dos dias os dois pontinhos vão ficar cada vez mais “coladinhos” no céu. A máxima aproximação será no dia 30 de junho.
  5. Depois de 30 de junho, por pelo menos mais um mês, os dois planetas ainda continuarão visíveis, sempre ao entardecer. Mas vão se afastar cada vez mais. Note que, depois do grande encontro, quando vir os dois pontinho no céu, Vênus estará mais para cima e Júpiter mais para baixo. Depois da máxima aproximação as posições serão invertidas.

Entenda o fenômeno

Vênus e Júpiter não vão ficar próximos de verdade! A aproximação é aparente. Somente nós, habitantes do pálido ponto azul chamado Terra poderemos ver essa linda cena astronômica. Explico.

Vênus, você sabe, é o segundo planeta do Sistema Solar a partir do Sol. A Terra, onde estamos, o terceiro. Júpiter, bem mais distante, o quinto planeta do nosso sistema, numa órbita mais externa, depois de Marte, o quarto planeta, que também tem órbita solar mais externa do que a Terra. Essa ideia fica bastante clara na imagem. Ela é um print screen do www.solarsystemscope.com (simulador do Sistema Solar on line e gratuito) que editei para ajudar você na compreensão do fenômeno.

Venus_Jupiter_Sistema_Solar_30jun2015

Vistos daqui da Terra, Vênus e Júpiter estão praticamente na mesma linha de visada do observador.
Logo, têm pequena separação angular.

 

A simulação mostra as posições reais de Vênus, Terra e Júpiter e demais planetas do Sistema Solar no próximo dia 30 de junho.

Note que a Terra, Vênus e Júpiter estarão quase numa mesma linha. Isso significa que, olhando daqui da Terra, Vênus e Júpiter estarão praticamente na mesma linha de visada de um observador terrestre (linha amarela tracejada). Por isso, vistos da Terra, os dois planetas parecerão estar “coladinhos”, com pequena separação angular. É o que chamamos de conjunção em Astronomia.

Júpiter, na realidade, está muito mais distante do que Vênus. Mas, como Júpiter é muito maior do Vênus, não parecerá tão pequeno, embora seja visualmente menor e menos brilhante do que Vênus que, além de estar mais perto, reflete bastante luz solar por conta da sua atmosfera.

Entendeu o belo capricho cósmico feito para sob medida para nós que vivemos aqui na Terra?

Anote aí na sua agenda: grande espetáculo observacional no dia 30 de junho, terça-feira, 18h!

Mas o show dos dois planetas, que já acontece há alguns dias, ainda continuará por pelo menos um mês.

Para ajudá-lo em suas observações, confira abaixo imagens simulando o céu (horizonte oeste, ao entardecer) nos próximos dias. Com elas você vai ter uma ideia do espetáculo que vem por aí. Usei o software Stellarium (gratuito e de código aberto).

Simulações

Confira as posições relativas de Vênus e Júpiter nos próximos dias.

26/junho/2015 

Encontro_VenJup_26jun2015

Exatamente a cena registrada em fotografia por mim. Compare essa imagem com a foto lá do
topo do post.

27/junho/2015 

Encontro_VenJup_27jun2015

Vênus e Júpiter um pouco mais próximos que no dia anterior.

28/junho/2015 

Encontro_VenJup_28jun2015

A aproximação continua. Os dois planetas estão um pouco mais próximos.

29/junho/2015 

Encontro_VenJup_29jun2015

Caminhando para a máxima aproximação, os dois pontinhos já estão bem mais próximos.

30/junho/2015 [o grande encontro!]

Encontro_VenJup_30un2015

Sensacional! Vênus e Júíter “grudadinhos” no céu!

01/julho/2015 

Encontro_VenJup_01jul2015

Depois do encontro do dia anterior, os planetas trocaram de posição. Vênus aparece acima e Júpiter
abaixo. E vão se fastar cada vez mais nos próximos dias.


Já publicado no Física na Veia! 


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