Física na Veia!

Olimpíada estudantil precisa da sua ajuda financeira
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

MOBFOG

Lançamento realizado durante uma Jornada de Foguetes em Barra do Piraí, RJ (crédito: OBA)

 

A OBA – Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica está enfrentando dificuldades financeiras. Quem não está com essa histórica crise política e econômica pela qual estamos atravessando?

Com mais um corte da verba que recebe do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, órgão do governo federal de fomento da ciência, tecnologia e inovação, a OBA não tem recursos para realizar um dos eventos mais aguardados pelos estudantes aficionados pelas ciências espaciais: a MOBFOG  – Mostra Brasileira de Foguetes.

Por conta disso, seus organizadores criaram uma campanha de financiamento colaborativo — crowdfunding — na esperança de conseguir verba mínima para que a  11ª edição do evento possa acontecer. O objetivo é arrecadar o valor de R$ 50 mil. Para contribuir, basta acessar o site.

A MOBFOG, organizada pela OBA em parceria com a SAB – Sociedade Astronômica Brasileira e a AEB – Agência Espacial Brasileira avalia a capacidade dos estudantes de construir e lançar, o mais longe possível, foguetes feitos de garrafa pet, de tubo de papel ou de canudo de refrigerante, estimulando o conhecimento. Ela é voltada aos alunos dos ensinos fundamental e médio, mobilizando 60.000 professores de 10.000 escolas de todo o Brasil.

A novidade deste ano é que professores também poderão construir e lançar foguetes. Os estudantes do ensino médio que conseguirem os melhores lançamentos de foguetes serão convidados para a Jornada de Foguetes, evento anual que reúne alunos de todo país na cidade de Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro.

Em 2016, o evento, que acontece em paralelo com a OBA, contou com a participação de cerca de 87.700 jovens estudantes. A expectativa de seus organizadores é conseguir verba para realizar o evento em 2017 com possibilidade de ultrapassar a marca dos 100 mil participantes. No entanto, nos últimos dois anos, a verba da OBA foi reduzida em mais da metade pelo governo federal. E para a MOBFOG não há qualquer tipo de recurso neste ano.

''A construção de foguetes e suas bases estimula a criatividade dos alunos e desenvolve suas habilidades manuais. É extremamente gratificante aos alunos verem que o que aprenderam em sala de aula funciona na prática ao lançarem os foguetes cada vez mais distante'' – destaca o professor Dr. João Batista Garcia Canalle, coordenador nacional da MOBFOG e da OBA.

E, como exemplo palpável do estímulo que uma olimpíada estudantil pode representar na vida de um jovem estudante, Lucca Panice Pedro, 18 anos, da cidade de Bauru — interior de São Paulo—, acaba de ser aprovado para cursar Engenharia Aeroespacial na Universidade do Estado de Nova Iorque em Búfalo, mais conhecida como SUNY at Buffalo. A notícia foi dada pelo próprio Lucca, por email, ao professor Canalle em agradecimento pela contribuição dos eventos na sua trajetória.

Se puder, ajude! Vale a pena! A iniciativa é bem legal! Aqui vai mais uma vez o link para você deixar a sua contribuição que pode ser feita por boleto bancário ou por cartão de crédito e tem valor mínimo de R$ 20.


O sistema de comentários voltou a funcionar!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

 

Notei que a quantidade de comentários do blog caiu vertiginosamente, sem aparente motivo. Até que tentei simular um comentário como leitor e descobri que o sistema estava, de fato,'bugado'!

Se você andou tentando comentar por aqui mas não estava conseguindo logar-se com as suas contas das redes sociais, era um problema real!

Era! O pessoal de TI do UOL trabalhou rápido e conseguiu corrigir o bug. Aparentemente, voltamos à normalidade.

Aguardo os seus comentários, parte preciosa do blog e que o torna mais divertido!


Eclipse Solar já foi tema do ENEM
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Imagem obtida com filtro H-alfa que realça detalhes do Sol.
Crédito: Rogério Marcon, Campinas, São Paulo, Brasil. Fonte: Spaceweather.

 

Aproveitando o belíssimo eclipse solar anular que aconteceu na última segunda-feira, 26 de fevereiro, em pleno Carnaval (veja post anterior), e a incrível fotografia acima feita pelo genial astrofotógrafo brasileiro Rogério Marcon, proponho interessante questão da prova do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio que abordou o tema que envolve conhecimento de Óptica e raciocínio lógico.

Para nós, no Brasil, como podemos ver na imagem do Marcon, o eclipse da segunda-feira de Carnaval foi parcial, com a Lua cobrindo parcialmente o disco solar, exatamente como aparece na questão do ENEM. Confira o enunciado logo abaixo.

________________

(ENEM 2000) A figura abaixo mostra um eclipse solar no instante em que é fotografado em cinco diferentes pontos do planeta.

Três dessas fotografias estão reproduzidas abaixo

As fotos poderiam corresponder, respectivamente, aos pontos:

a) III, V e II

b) II, III e V

c) II, IV e III

d) I, II e III

e) I, II e V

________________

E aí? Qual é a resposta correta?

Fica como dica a seguinte ideia: um observador na Terra que estiver dentro do cone de sombra (ou umbra) da Lua verá a Lua entrar por completo na frente do Sol, o que pode ocasionar eclipse total ou eclipse anular. Quem estiver fora da região de sombra mas dentro da penumbra, verá a Lua cobrir parcialmente o Sol. Note que na primeira foto a Lua está quase cobrindo o Sol por inteiro, mas ''sobra'' uma beiradinha de Sol à esquerda. Na foto do meio ''sobra'' uma boa porção de Sol à direita. E na terceira foto, ao contrário, ''sobra'' boa porção de Sol à esquerda.

Tente imaginar em que posições (I, II, III, IV ou V) estariam os observadores que fizeram as três fotos dadas no enunciado!

Somente depois que der a sua resposta, confira o gabarito. Como?  Posicione o cursor do mouse na frente da palavra gabarito e, com o botão esquerdo clicado, arraste o ponteiro para a direita, ''selecionando'' a palavra gabarito. A alternativa correta vai aparecer.

Gabarito: A


Para ver


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Cobertura do eclipse solar parcial
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

São João da Boa Vista, interior de São Paulo, nubladíssimo!

 

Vamos observar o eclipse solar parcial?

Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, perto do sul de Minas Gerais, o fenômeno começa, às 10h02min (horário de Brasília).  Dependendo da sua localização, o horário de início do fenômeno pode variar um pouco.

O céu está muito fechado, com densas nuvens, e grande probabilidade de chuva. Veja logo acima a foto que acabei de fazer daqui da minha janela.

Se o céu estiver limpo na sua cidade, tente observar o fenômeno. Mas cuidado! Não olhe diretamente para o Sol. Dicas de observação segura você confere no post anterior ou neste outro post (ainda na plataforma antiga do blog). E também nos vídeos ''embedados'' lá embaixo. 

Confira abaixo com será o eclipse em todo o território nacional.

 

O eclipse solar em todo o território brasileiro [Fonte: Comissão de Ensino e Divulgação da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira]

Quem gosta de Astronomia, nunca desiste do céu! Estou com a câmera (com filtro solar astronômico) a postos. Qualquer brecha entre as nuvens, clico o fenômeno! Se conseguir imagens, posto por aqui. Combinado?

 

Minhas imagens (se o céu abrir…)

10h16min Consegui um clique! Veja abaixo! Imagem sem muita nitidez por conta das nuvens. Estou usando um filtro  Thousand Oaks na frente da câmera digital. Ele barra 99% da radiação solar

Registro às 10h16min, 14 min após o início do fenômeno [Crédito: Dulcidio Braz Jr]

10h43min Céu muito fechado agora. Escureceu… continuo a postos…

10h55min Ficou escuro! Mas não é por causa do eclipse.  Nuvens densas, negras. Chance de chuva…

11h23min Idem…

 

11h29min Mais uma brecha nas nuvens… outro clique! Quase no ápice (metade) do fenômeno.  

Registro às 11h29min, quase ápice do fenômeno [Crédito: Dulcidio Braz Jr]

12h18min E o fenômeno vai caminhando para o final…

Registro às 12h18min do ''Pacman'' cósmico [Crédito: Dulcidio Braz Jr]

12h48min Só uma ''casquinha'' da silhueta da Lua Nova. O fenômeno acaba em alguns minutos, quando a Lua abandona o disco solar. Essa imagem ficou menos nítida que a anterior porque as nuvens não colaboraram tanto.

Registro às 12h48min, a poucos minutos do fim do evento [Crédito: Dulcidio Braz Jr]

Apesar da briga com as nuvens, deu para fazer quatro imagens do belíssimo fenômeno! Valeu!

___________

Bom céu pra você! Boas observações!

Deixe seus comentários e suas impressões sobre o que viu do fenômeno.


Cobertura em tempo real 

Mensageiro Sideral


Para saber mais (sobre observação segura do Sol)

Vídeo ''9 jeitos burros de ver o eclipse neste domingo'' (por Iberê Thenório, do ''Manual do Mundo''). Divertido e bastante esclarecedor

Vídeo ''Dicas para ver o eclipse solar (sem ficar cego)'' (por Salvador Nogueira, do ''Mensageiro Sideral''), e que o próprio Iberê (vídeo acima) cita como fonte.


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Eclipse Solar Carnavalesco
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Fotomontagem

 

No próximo dia 26 de fevereiro, em plena manhã de domingo de Carnaval, teremos eclipse solar. E o melhor de tudo: ele poderá ser observado daqui do Brasil (exceto da região norte do país)!

Eclipse solares, você sabe, ocorrem quando a Lua obstrui total ou parcialmente a luz solar. Em outras palavras, a Lua (Nova) passa diante do disco solar do ponto de vista de um observador terrestre.

O Sol, fonte de luz extensa (não pontual), ao iluminar a Lua, cria duas regiões cônicas importantes: uma de sombra (S) também chamada de umbra, totalmente sem luz, e outra de penumbra (P) parcialmente iluminada. A figura abaixo, propositalmente fora de escala, ilustra a ideia.

Sombra (S) e Penumbra (P) da Lua projetadas sobre a Terra.

A animação abaixo, agora com escala bem mais próxima da real, dica que recebi por e-mail do prof. João Batista Canalle (coordenador nacional da OBA – Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica), mostra os cones bem alongados de sombra (ou umbra) e penumbra da Lua projetados sobre a Terra durante um eclipse solar.

Um observador que, com sorte, estiver num ponto da Terra por onde passará a a sombra (S) da Lua, verá o melhor do espetáculo, com o disco lunar passando diante do disco solar, num ''encaixe perfeito'' que pode até mesmo tapar o Sol. Com um pouco menos de sorte, observadores sob a penumbra lunar (P) projetada na Terra verão o disco opaco da Lua passar parcialmente sobre o disco luminoso do Sol, sem no entanto obstruí-lo por completo.

Curiosamente, por uma caprichosa coincidência cósmica, os tamanhos aparentes da Lua e do Sol, vistos daqui da Terra, ficam próximos de meio grau (confira os cálculos neste post, ainda na plataforma antiga do blog). Assim, é possível em algumas situações a Lua tapar por completo o Sol. Quando isso acontece, dizemos que o eclipse solar é total. Nesses casos, o dia vira noite por alguns minutos e o efeito é realmente contundente, como pode ser visto na foto abaixo.

Eu disse que os tamanhos aparentes do Sol e da Lua ficam próximos de meio grau porque, na realidade, podem variar ligeiramente para mais ou para menos. Isso se deve ao fato de queas órbitas da Terra ao redor do Sol e da Lua ao redor da Terra não serem circunferências perfeitas, mas elipses.  Eventualmente, por conta da variação da distância Sol-Terra e/ou da distância Terra-Lua, pode ocorrer do disco lunar opaco estar ligeiramente menor do que o disco brilhante solar. Nesse caso, no ápice do eclipse, a Lua não chegará a tapar por completo o disco solar. Ficará ''sobrando'' uma curiosa bordinha luminosa. Esse tipo peculiar de eclipse é classificado como anular (ou anelar) por conta da formação do ''anel'' brilhante. Um pouco diferente do eclipse total, ainda assim um eclipse anular é algo surpreendente.

Eclipse solar anular. [Fonte: NASA]

O eclipse solar do próximo domingo, em seu máximo, será do tipo anular, como esse registrado na bela imagem logo acima. Mas, para observá-lo assim você teria que estar localidades de latitudes sul bem altas na Terra, como alguns pontos privilegiados do Chile, sul da Argentina e parte da África.

Aqui no Brasil, no entanto,  em latitude mais baixa, veremos apenas um eclipse parcial que, mesmo assim, tem tudo para ser um belo espetáculo. É que todos os pontos do território nacional onde haverá o fenômeno astronômico estarão na região de penumbra (P) e não de sombra (S) da Lua. Assim, o centro do disco escuro lunar e o centro do disco claro solar não ficarão perfeitamente alinhados. Veremos algo mais ou menos parecido com a imagem abaixo que registra a Lua cobrindo parcialmente o disco solar.

Eclipse solar parcial. [Fonte: NASA]

O eclipse ao longo do território nacional

A imagem abaixo ilustra de forma bastante didática onde o eclipse poderá ser visto ao longo do território brasileiro e que porcentagem do Sol será coberta pela Lua.

O eclipse no território brasileiro. [Fonte: texto publicado pela Comissão de Ensino e Divulgação da
SAB – Sociedade Astronômica Brasileira]

 Note que, daqui do Brasil, poderemos ver entre 60% e 70% do disco solar obstruído pela Lua (na região Sul), cerca de 50% da região sudeste, e até 40% nas regiões nordeste e centro-oeste, dependendo da latitude.

O fenômeno, aqui no Brasil, dependendo da localidade, vai começar um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde. Mas tenha 10 h (horário de Brasília) como referência média para começar as observações.

 

Observação segura do fenômeno (ou cuide bem dos seus olhos!)

O delicado olho. Não olhe diretamente para o Sol, muito menos com instrumentos ópticos!

 

Jamais olhe para o Sol diretamente. Com binóculos, lunetas ou telescópio, sem um filtro solar astronômico profissional, muito menos! Tais instrumentos concentram a radiação solar oferecendo altíssimo risco de danos severos e permanentes às células da retina, com cegueira na certa!

Na falta de um filtro astronômico profissional, como o que usei para fazer a imagem do Sol que ilustra este post e que é feito de um polímetro capaz de absorver 99% da radiação solar, sugiro, como forma segura para observar um eclipse solar, usar um vidro (verde) de máscara de soldador número 14. Ele também filtrará bastante a intensa luz solar, protegendo os seus delicados olhos. Mas atenção: não use binóculos, lunetas ou telescópios junto com o vidro 14 acoplado. Por um descuido, se houver desalinhamento, o Sol intenso pode machucar seus olhos! Olhe o Sol usando apenas o vidro de soldador. Ok?

Vidro (verde) retangular para máscara de soldador número 14

Você encontra este produto em lojas de material para construção ou lojas que vendem ferragens. Funciona bem, é seguro e barato. Ele filtra tanto a luz que, numa primeira olhada, parece preto. Mas é verde. Através dele você verá o Sol esverdeado.

Vidros escurecidos com fumaça de vela, chapas de raio X, filme fotográfico velado, …, e outras ''receitas'' caseiras não são tão seguros e devem ser evitados.

Existem outras boas e baratas técnicas de observação de eclipses solares. Escrevi sobre isso neste post, há alguns anos, ainda na plataforma antiga do blog. Confira-as. E veja o eclipse solar com toda a segurança!

 

Prepare-se para o eclipse com antecedência! Compartilhe a notícia e as dicas de observação nas redes sociais. Chame os amigos para observarem juntos com você o belo fenômeno!

BOM CÉU A TODOS NO DOMINGO! E BOAS OBSERVAÇÕES CARNAVALESCAS!

Antes que me esqueça, farei cobertura fotográfica em tempo real aqui no blog. Veja o fenômeno ao vivo e depois venha conferir as imagens aqui bem como compartilhar conosco as suas experiências observacionais. Combinado?


Para saber mais

  • Texto oficial (PDF) da SAB – Sociedade Brasileira de Astronomia sobre o eclipse solar do próximo dia 26/fevereiro, com informações importantes e horário do fenômeno para diversas cidades brasileiras, em diferentes latitudes.

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20 anos de OBA!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Auto-retrato feito pelo astrônomo Alan Fitzsimmons enquanto observava a Via Láctea no Observatório
de La Silla (deserto do Atacama, Chile). [Fonte: ESO – http://www.eso.org/public/images/potw1320a/]

Quem é que não gosta de observar o céu à noite? Quem não fica curioso e quer saber mais sobre como as estrelas se formam, evoluem e morrem? Astronomia é o maior barato! Alguém discorda?

Nas minhas aulas, quando faço gancho com assuntos ligados à Astronomia e à Astrofísica, o interesse dos alunos sempre cresce.

Para os jovens estudantes brasileiros do ensino fundamental e médio, a OBA – Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica é uma maneira divertida de aprender mais sobre os temas ligados à Astronomia. E a competição, nacional, um estímulo a mais para todo mundo estudar com vontade de ''medalhar''.

Em 2017, essa importante olimpíada estudantil e que já virou tradição, chega à vigésima edição! Duas décadas! E já superou a marca dos 8 milhões de participantes! Sensacional! Só em 2016, a Olimpíada teve a participação de 744.107 estudantes de 7.915 escolas de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal.    

Ficou interessado? Se você estuda nos níveis fundamental ou médio, em escolas públicas ou particulares, procure o seu professor de Física ou de Ciências e peça para ele inscrever a sua escola na OBA. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até 19 de março.

Realizada em fase única, a Olimpíada acontecerá no dia 19 de maio, sexta-feira.  Ela é dividida em quatro níveis – os três primeiros são para alunos do ensino fundamental e o quarto, para os do ensino médio – e a prova é composta por dez perguntas: sete de astronomia e três de astronáutica. A maioria das questões é de raciocínio lógico. As medalhas são distribuídas conforme a pontuação obtida por cada nível. 

 Os melhores classificados na OBA 2017 vão representar o Brasil nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2018. E os participantes dessa vigésima edição ainda vão concorrer à vagas nas Jornadas Espaciais, que acontecem em São José dos Campos (SP), onde os participantes recebem material didático e assistem a palestras de especialistas.

No próprio site da OBA você encontra material didático gratuito para baixar e estudar. E também todas as provas anteriores, de todos os níveis, que também constituem um rico material de aprofundamento.  O que está esperando?

MOBFOG

Além de ter crescido, a OBA se multiplicou e conta também com a MOBFOG – Mostra Brasileira de Foguetes que tem cerca de 90 mil participantes por ano lançando seus foguetes ''caseiros'' aos céus do Brasil. Mas não é só isso. Também nasceram as Jornadas Espaciais, as Jornadas de Foguetes, os Acampamentos Espaciais e os EREAs – Encontros Regionais de Ensino de Astronomia. Este último já capacitou mais de 6.200 professores passando por diversas cidades do país, até mesmo na longínqua Oiapoque, no extremo norte do Amapá.   

 – Mais recentemente, compramos, com a ajuda de uma ''vaquinha'' online, um planetário digital inflável para levar a astronomia ainda mais perto dos alunos e professores. Além disso, temos as participações contínuas nas Olimpíadas Internacionais de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), tendo organizado a edição de 2012 no Brasil, e na Olimpíada Latino Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), a qual ajudamos a fundar e realizamos três delas – explica o prof. Dr. João Batista Canalle, coordenador nacional da OBA

Segundo Canalle, a iniciativa não tem a intenção de criar rivalidade entre escolas ou promover competição entre cidades ou estados. “Queremos promover a disseminação dos conhecimentos básicos de forma lúdica e cooperativa entre professores e alunos, além de mantê-los atualizados”.

  

Organização 

 A OBA é coordenada por uma comissão formada por membros da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira e da AEB – Agência Espacial Brasileira. São promovidos, desde 2009, os Encontros Regionais de Ensino de Astronomia (EREAs), entre 10 e 12 por ano. O programa é realizado com parcerias locais e principalmente com recursos obtidos junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Quem desejar organizar um EREA em sua região, basta entrar em contato com a secretaria (oba.secretaria@gmail.com).

Meus alunos sempre participam

Desde as primeiras edições da OBA venho incentivando meus alunos a participarem da competição que, muito além da disputa, serve para turbinar o conhecimento dos jovens estudantes.

Muitos dos meus alunos já conquistaram medalhas de ouro, prata e bronze. Vários foram selecionados para a ''peneira'' que monta a equipe dos campeões brasileiros que vão defender nosso país nas Olimpíadas Internacionais. Por dois anos consecutivos tive um aluno classificado como suplente da equipe olímpica brasileira. Confira abaixo ''meus campeões'' de 2016.

Leandro, Anael, Bruna, Guilherme, Mateus, Thaís, Vitor e Frank, meus alunos campeões na OBA em 2016

Se você é professor,  incentive seus alunos a participarem das olimpíadas do conhecimento, em especial da OBA. Garanto que no final, independente de medalhas, todos saem ganhando! E a diversão é garantida!


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Hoje tem Eclipse Lunar Penumbral
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

A animação acima, de autoria de LarryKoehn (publicada no site shadowandsubstance.com), ilustra de forma bastante didática e visual como será o eclipse lunar penumbral hoje (10 de fevereiro de 2017).

A Lua Cheia vai penetrar no cone de penumbra da Terra, região de ''meia luz''. Na prática, a Lua Cheia — sempre muito brilhante — vai perder um pouco do poder do seu luar, ficando menos brilhante.

Nos eclipses parciais ou totais, quando a Lua mergulha no cone de umbra (ou sombra) da Terra, o efeito é bem mais contundente porque a região do nosso satélite natural que penetra  na sombra da Terra, pela ausência de luz solar, vai ficando bem escura. O efeito, gradativo, provoca a curiosa impressão de que a Lua Cheia vai desaparecendo aos poucos, a partir da borda. Se o eclipse é total, com a Lua mergulhando por completo no cone de umbra do nosso planeta, ela escurece e, quando deveria desparecer por completo, por uma curiosidade ligada à refração da luz na atmosfera da Terra, fica bem avermelhada, da cor de tijolo. É sempre um espetáculo lindo de observar. Na segunda metade de um eclipse lunar umbral, quando a Lua vai deixando a sombra do nosso planeta, aos poucos vai ficando novamente brilhante, dando a impressão de ir reaparecendo.

Mas hoje estaremos muito longe disso. Para a maioria das pessoas, o eclipse lunar dessa noite, por ser apenas penumbral, não terá muita graça. De tão sutil, poderá até mesmo passar despercebido por aqueles que não estão sabendo do acontecimento astronômico. Mas vale como curiosidade fenomenológica e também como comprovação das leis da Física.

Se quiser saber mais sobre eclipses, siga os links abaixo para outros posts já publicados aqui no blog, em especial este post que aborda eclipses lunares com detalhes.

Se quiser tentar acompanhar o fenômeno hoje à noite, ele começará por volta das 20h (horário de Brasília) e terá máximo às 22h44min. Basta procurar pela Lua Cheia e ficar observando-a.

Eclipses Quinzenados

Sempre que acontece um eclipse lunar, quinze dias antes ou quinze dias depois aconteceu/acontecerá outro eclipse, só que solar.

Isso ocorre porque eclipses acontecem sempre com Sol/Terra/Lua ou Sol/Lua/Terra alinhados numa direção chamada linha dos nodos que coincide com a intersecção do plano da órbita da Terra ao redor do Sol com o plano da órbita Lua ao redor da Terra. Veja ilustração logo abaixo.

eclipses_linha_dos_nodos

A órbita da Lua ao redor da Terra está num plano inclinado em relação ao plano da órbita da Terra
ao redor do Sol. Isso torna o alinhamento dos três astros, necessário para a ocorrência de eclipse,
algo bem mais raro.

 

Como a Lua demora aproximadamente 15 dias para dar meia volta ao redor da Terra, se hoje existe um alinhamento Sol/Terra/Lua e, portanto, eclipse lunar, quinze dias depois a Lua dá meia volta na Terra e acontecerá alinhamento Sol/Lua/Terra, com eclipse solar.

Hoje, 10 de fevereiro, os três astros estarão alinhados sobre a linha dos nodos, com a Terra entre o Sol e a Lua, propiciando eclipse lunar. Daqui 15 dias, em 26 de fevereiro, domingo de Carnaval, depois da Lua dar meia volta na Terra, ficará entre o Sol e a Terra e teremos eclipse solar que, para a nossa sorte, será visível no Brasil.

Minhas imagens do eclipse penumbral

eclipse_lunar_10fev2017

Lua Cheia nascendo sobre a serra, em São João da Boa Vista, SP, Brasil [Crédito: Dulcidio Braz Jr]

eclipse_lunar_10fev2017_3momentos

Três momentos do eclipse penumbral. Sutis diferenças no brilho da Lua registrada em São João da Boa
Vista, SP, Brasil [Crédito: Dulcidio Braz Jr]

Note que, logo depois do nascer, na primeira imagem (20h18min), a Lua Cheia tem brilho homogêneo. Mais tarde (22h23min), ela já perdeu brilho, e ficou mais escura. A última imagem (22h46min) corresponde aproximadamente ao meio do período do fenômeno e, portanto, ao seu ápice. Mas, como eu disse no texto acima, as diferenças são sutis e, quem não está sabendo do eclipse, certamente não percebeu as mudanças.


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Registro da passagem da ISS sobre o Brasil
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

ISS_15jan2017

Passagem da ISS sobre São João da Boa Vista. 15 s de exposição. Crédito: Dulcidio Braz Jr

 

A ISS – Estação Espacial Internacional acabou de passar sobre o Brasil.  Na minha cidade/região o evento começou por volta das 20h54min e durou aproximadamente 4 minutos, com a ISS indo do horizonte sul até o leste. Veja, na imagem acima, o registro fotográfico que fiz do evento já no seu quarto final, com a ISS acima do horizonte leste.

A olho nu  a ISS tem aparência estelar, ou seja,  é um ponto luminoso muito parecido com uma estrela, mais ou menos como na imagem abaixo feita por mim em novembro do ano passado, noutra passagem da ISS sobre a minha cidade.

ISS_19nov2016_01

Registro da ISS em 19 de novembro de 2016. Aqui a ISS aparece como pontinho porque não foi usada longa exposição. Crédito: Dulcidio Braz Jr.

Mas as estrelas são fixas no céu.  A ISS se move rapidamente contra o fundo fixo de estrelas. Na imagem no topo do post você vê os pontinhos que são as estrelas fixas e um rastro luminoso que corresponde às posições pontuais sucessivas da ISS registradas hoje ao longo de 15 s de exposição. O risco parece apontar para Prócion, a estrela mais brilhante da constelação do Cão Menor. Na imagem logo acima a ISS foi capturada num único clique, sem o recurso de longa exposição, e por isso aparece como um pontinho no céu, exatamente como a vemos a olho nu.

Na captura de hoje usei a câmera digital fixa no tripé e ISO 320, com disparo retardado e obturador aberto por 15 para registrar o rastro da estação espacial.

Se você quiser observar (e até fotografar) outras passagens da ISS pelo Brasil e exatamente sobre a sua cidade e região, veja as minhas dicas infalíveis nesse outro post. É muito mais fácil do que a maioria das pessoas pensam. E a diversão é garantida!


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O que desejo para todos nós em 2017
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

2017

Além de saúde, amor e paz, imprescindíveis sempre, que 2017 seja um ano realmente Novo para a Ciência, repleto de boas novidades na Física e em todas as outras áreas de pesquisa!

 


Uma tragédia, uma lição
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

A Terra vista do espaço ("Blue Marble 2012")

A Terra vista do espaço (''Blue Marble 2012'') – Fonte: NASA

 

A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras. É preciso chegar bem perto da superfície do planeta para enxergar as divisões artificialmente criadas pelos seres 'mais racionais' para separar iguais em grupos supostamente diferentes e de importância relativizada.

De longe, segundo Carl Sagan, nosso planeta é apenas um pálido ponto azul. Não há como discordar. E logo refletirmos com profundidade sobre um fato assustadoramente crítico: é desse grão de poeira pálido e azulado, um quase nada diante da imensidão do Universo, que tiramos tudo o que precisamos para nos mantermos vivos. Somos todos dependentes desse quase nada que, para nós, é mais do que tudo. E isso, exatamente isso, nos faz ainda mais iguais e interdependentes.

Enquanto não nos enxergarmos tão iguais e pertencentes a uma única raça, o mundo continuará cheio de injustiças e tristezas provocadas pelo próprio homem. Enquanto não entendermos que a Terra é a nossa nave nessa viagem cósmica, estaremos, a cada segundo, caminhando para a nossa própria autodestruição.

Foi preciso acontecer uma tragédia chocante com o avião que levava o time da Chapecoense e jornalistas brasileiros para o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana em Medellín, na Colômbia, para levarmos uma lição e tanto. Falo por mim. E acho que por muita gente. Descobri(mos) um povo carinhoso e fraterno que nos mostrou exemplar desprendimento. Refiro-me aos colombianos.

De cara, o time do Atlético de Medellín, adversário da Chapecoense, abriu mão do título internacional, mostrando que futebol, diante da vida e dos verdadeiros valores humanos, não é nada. E o povo colombiano, relevando a rivalidade futebolística que às vezes, de forma insana, até mata, no dia e horário do jogo que não mais podia acontecer, lotou o estádio trocando o espetáculo da batalha esportiva por uma cerimônia para celebrar a paz entre os povos e os verdadeiros valores humanos. Foi uma sacudida no mundo. Não foi? A Terra tremeu, delicadamente.

Nós, os seres 'racionais' do planeta, muitas vezes precisamos de duras lições para aprendermos as coisas mais fáceis, simples e óbvias. ''Sapiens'', soa-me, quase sempre, muito mais como arrogância do que adjetivo legítimo. Mas talvez isso esteja mudando. Os colombianos acenaram com delicadeza para o mundo todo nos mostrando essa incrível e necessária possibilidade de mudança essencial rumo à verdadeira sabedoria que está ancorada no amor universal.

Que fique a lição! Dura. Triste. Contundente. Mas aprendida. Uma luz apontando para um novo e melhor caminho. Uma semente que pode brotar e fazer florescer uma nova era na qual prevaleça a verdadeira fraternidade mundial que, ancorada no verdadeiro amor, saiba tolerar as desprezíveis diferenças externas em favor do fato de que, essencialmente, por dentro de nossas cascas, somos absolutamente todos iguais.


''Blue Marble'' (2012) é uma incrível imagem da Terra em altíssima resolução feita pelo satélite Suomi NPP. Clique aqui para abrí-la noutra janela em 8000 pixels X 8000 pixels. Use e abuse do zoom para ver os detalhes!