Física na Veia!

Outra imperdível oficina de Física no IFGW/Unicamp
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

XXXVII_Oficina_IFGW

Cartaz do evento

 

No próximo dia 19 de novembro de 2016, sábado, acontece a XXXVII Oficina de Física ''Cesar Lattes''.

O evento, que ao chegar em sua 37ª edição ratifica que já virou tradição no IFGW – Instituto de Física ''Gleb Wataghin'' da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, destaca-se pelo elevado nível das atividades que atraem um público diversificado e sempre muito interessado em Física e que vai desde estudantes do ensino médio até alunos de graduação e pós graduação em Física além de profissionais de educação básica e superior, dentre outros interessados em atualizar o seu conhecimento na área.

Tratando sempre de assuntos ''quentes'' e atuais, eu diria que desta vez o prof. Dr. Mario Bernal, organizador do evento, foi extremamente feliz e escolheu um tema no mínimo instigante: ''Resolução de problemas complexos de Física usando Matemática elementar''.

Já fi minha inscrição! Vem comigo? Será um delicioso sábado de muita Física! Na Veia!

Confira mais informações no site do evento onde você pode fazer a sua inscrição on line. E logo abaixo a programação completa.

Programação

Local: Auditório do IFGW
PalestranteTema – AtividadeHorário
Entrega de Material08:00 – 08:30
Abertura08:30 – 08:40
Prof. Maurício Kleinke
(IFGW-UNICAMP)
Protocolos para Resolução de Problemas: Limites e Aplicações08:40 – 09:30
Perguntas e discussões09:30 – 09:45
Intervalo para Café09:45 – 10:15
Prof. Alexandre da Fonseca
(IFGW/UNICAMP)
Física Básica na Pesquisa Científica: resposta mecânica
de nanomolas de carbono
10:15 – 11:05
Perguntas e discussões11:05 – 11:20
Prof. Luiz Zagonel
(IFGW/Unicamp)
Desenho de um sistema ótico para pesquisas em
nano-materiais
11:20 – 12:10
Perguntas e discussões12:10 – 12:25
Intervalo para Almoço12:25 – 14:00
Prof. José Lunazzi
(IFGW/UNICAMP)
Resolvendo problemas sem cálculo diferencial e integral,
mas indo em direção a ele, sem deixar que o bosque
esconda a árvore
14:00 – 14:50
Perguntas e discussões14:50 – 15:05
Intervalo para Café15:05 – 15:30
Prof. Mario A Bernal
(IFGW/UNICAMP)
Desenvolvendo a intuição em Física resolvendo problemas15:30 – 16:20
Perguntas e discussões16:20 – 16:35
Encerramento16:35 – 16:40

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O Brasil é campeão na OLAA 2016
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

OLAA2016_equipe_BR

Beatriz, Mateus, Lucas, Nicolas e Henrique, os jovens estudantes brasileiros que venceram a VII OLAA que aconteceu na Argentina

 

Aconteceu na Argentina, na cidade de Córdoba, entre 2 e 8 de outubro de 2016, a VIII OLAA¹ – Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica.

Sabe que país venceu a competição? BRASIL! Sim! Nosso país ficou em primeiro lugar no quadro geral de medalhas com duas de ouro, duas de prata e uma de bronze.

Trouxeram as medalhas de ouro os estudantes Henrique Barbosa de Oliveira (de São Paulo, SP) e Mateus Siqueira Thimóteo (de Mogi das Cruzes, SP). Lucas Camargo da Silva (de Florianópolis, SC) e Nicolas Almeida Verras (de São Paulo, SP) conquistaram a prata. E Beatriz Marques de Brito (de São Paulo, SP) faturou o bronze. Liderando a equipe brasileira estavam os astrônomos Dr. João Canalle (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ) e Dr. Júlio Klakfe (Universidade Paulista, UNIP).

Mas as conquistas não pararam por aí! Beatriz e Lucas também foram premiados por terem feito a melhor prova observacional e ganharam, cada um, um telescópio. Beatriz ainda venceu outro prêmio, sendo eleita a melhor companheira, o que lhe rendeu um galileoscópio, pequena luneta inspirada na histórica luneta de Galileo que em 1609 deu início às observações astronômicas com instrumentos.

O Brasil, que participou das oito edições do evento, com esse incrível resultado atingiu a marca de 22 medalhas de ouro, 15 de prata e 3 de bronze.

Parabéns aos líderes da equipe brasileira! E parabéns ao quadrado aos cinco jovens estudantes (Beatriz, Mateus, Lucas, Nicolas e Henrique) que defenderam o nome do nosso país com muita competência!

Como está formatada a OLAA

As provas da OLAA exploram tanto o conhecimento teórico quanto o prático.

A prova teórica foi realizada em duas partes: individual e em grupo. E sempre mesclando as delegações. Na parte prática os estudantes participaram de uma competição de lançamento de foguetes em grupos multinacionais e foram avaliados individualmente em provas observacionais que exigiram o reconhecimento do céu real e o manuseio de telescópio. 

Objetivos da competição internacional

Segundo o Dr. João Batista Garcia Canalle, vice-presidente da OLAA – Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica e coordenador da OBA² – Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, a olimpíada científica internacional promove o intercâmbio de conhecimento entre os alunos e também a troca de experiências didáticas entre os professores que lideraram os grupos. ''Por meio de iniciativas como a OLAA, desejamos unir as nações, fomentar e popularizar a astronomia e a astronáutica entre os países participantes e despertar o interesse nos jovens pela astronomia e pelas ciências espaciais”.

Vale destacar que a OLAA é a única modalidade internacional a realizar provas em que alunos de diferentes países são avaliados também em grupos multinacionais com o propósito de mostrar aos participantes que a ciência atual é feita em cooperação, ou seja, em grupos e por pessoas de diferentes países. Também merece destaque o fato de que a OLAA é a única olimpíada que obriga que os grupos sejam de ambos os gêneros. 

 

Treinamento e seleção

Aqui no Brasil, os melhores estudantes de astronomia do ensino médio são anualmente selecionados numa ''primeira peneira'' pela pontuação obtida na OBA. Os melhores classificados são então convidados para um treinamento no estilo EAD (ensino à distância) em plataforma gerenciada pelos organizadores da competição nacional.

Nesta plataforma os estudantes fazem um simulado para ''aquecer os motores'' e, em seguida, sempre em constante treinamento com material didático próprio e escrito por um time de astrônomos profissionais, passam por de três provas online.  No final do processo, os melhores estudantes de cada estado passam por uma bateria de provas presenciais em diversas sedes nacionais espalhadas pelo território nacional.

Por fim, os vencedores dessa maratona nacional de treinamento e avaliações que dura alguns meses são então convocados para uma outra etapa de treinamento intensivo com astrônomos e especialistas. Normalmente essa etapa ocorre na cidade de Vinhedo, no interior de São Paulo, junto ao Observatório Astronômico Abraão de Morais que pertence ao IAG – Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP – Universidade de São Paulo.  A programação costuma ser dividida em grupos de estudos, oficinas de atividades e observação do céu noturno, com e sem instrumentos, além de atividades de resolução de exercícios, realização de provas simuladas, e a construção e lançamentos de foguetes ''caseiros'' feitos de garrafas PET.

Em 2016 os estudantes da equipe brasileira contaram com o Planetário Digital Móvel da OBA para estudar o céu por meio de projeções. E ainda aprenderam a montar e a manusear dois tipos de telescópios.

Meus alunos campeões da OBA 2016

OBA_2016_Anglo-SJ_campeoes

Meus alunos campeões medalhistas das OBA 2016

 

Meus alunos participam da OBA desde sempre. Em 2016, no colégio Anglo São João, em São João da Boa Vista, interior de SP, temos oito estudantes do ensino médio medalhistas nessa importante competição estudantil brasileira e pré-selecionados para participar do treinamento e seleção à distância.

Como explicado mais acima, desse treinamento e seleção sairão os melhores estudantes que vão defender o Brasil nas olimpíadas internacionais de astronomia, incluindo a OLAA que, em sua nona edição, terá como sede o nosso vizinho Chile.

Confira abaixo os nomes dos medalhistas que deixaram esse velho professor super orgulhoso!

OBA_2016_Anglo-SJ_campeoes_poster

Leandro, Anael, Bruna, Guilherme, Mateus, Thaís, Vitor e Frank

 

Na imagem acima você confere os medalhistas do Anglo São João:

  • Leandro | primeira série do ensino médio | medalha de bronze
  • Anael | segunda série do ensino médio | medalha de prata
  • Bruna | segunda série do ensino médio | medalha de prata
  • Guilherme | segunda série do ensino médio | medalha de prata
  • Mateus | segunda série do ensino médio | medalha de prata
  • Thaís | segunda série do ensino médio | medalha de prata
  • Vitor | segunda série do ensino médio | medalha de prata
  • Frank | terceira série do ensino médio | medalha de prata

 

Parabéns Leandro, Anael, Bruna, Guilherme, Mateus, Thaís, Vitor e Frank! Torço muito para que em 2017 vocês possam estar selecionados para compor a equipe vai defender o Brasil no Chile e também noutras competições internacionais! #TamoJunto


(1) Fundada na cidade de Montevidéu, Uruguai, a OLAA acontece desde 2009 e é coordenada por astrônomos de vários países da América Latina.
(2) A OBA é coordenada por uma comissão formada por membros da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira e da AEB – Agência Espacial Brasileira.

Para saber mais

  • Conheça as provas (resolvidas) de todas as edições da OBA.

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Cesar Lattes: “Linha do tempo científica”
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Lattes_Gardner

César Lattes e Eugene Gardner ao lado do sincrociclótron de 184 polegadas na Universidade de
Berkeley (EUA). Nesse acelerador a dupla produziu os primeiros méson artificiais da história no início
de 1948. Fonte: CBPF

 

Acontece na próxima segunda-feira, 10 de outubro de 2016, às 9 h, no auditório do DRCC – Departamento de Raios Cósmicos e Cronologia do IFGW – Instituto de Física ''Gleb Wataghin'' da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, cerimônia de homenagem ao Professor (Dr)¹ Cesar Lattes.

Na ocasião será inaugurado o painel ''Linha do tempo científica'' do prof. Cesar Lattes.

Para quem estiver longe de Campinas, SP, mas tiver interesse no assunto, haverá transmissão ao vivo pela RTV Unicamp em www.rtv.unicamp.br.

E, se você ainda não conhece a incrível história do cientista brasileiro ''quase'' Nobel de Física, siga os links abaixo. Você vai descobrir que chamar de incrível a vida do prof. Lattes não é exagero algum!


1 – Sempre vale lembrar que Cesar Lattes gostava de ser chamado de professor em vez de doutor.


Para saber mais

  • Um Cientista, uma história: Cesar Lattes – episódio 12 da série em animação produzida em parceria entre o SESI e o Canal Futura e que conta a vida de 30 cientistas brasileiros que se destacaram. Aproximadamente 5 min.
  • Cientistas Brasileiros – Cesar Lattes e José Leite Lopes – documentário em vídeo com aproximadamente 55 min]
  • Breve Histórico de Cesar Lattes – no site do CBPF – Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

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Reforma do Ensino Médio: parecer oficial da SBF
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Einstein_MP746

 

Até agora não me manifestei oficialmente aqui no blog sobre a MP 746/2016 — medida provisória do governo federal de 22 de setembro de 2016 e que propõe reforma no ensino médio.

Além do pouco tempo que tenho tido para blogar, fiquei profundamente triste e abatido com a proposta. E fui tomado pela sensação de impotência diante da (quase) certeza de que mais uma vez vão passar uma rasteira na educação. Que coisa!

Com quase trinta anos de sala de aula, como autor de material didático desde os anos 90, como divulgador científico há mais de uma década, já bastante enraizado profissionalmente com a educação¹, não consigo entender como possam ser ignoradas as medidas tão óbvias que cedem lugar àquilo que me parece tão somente uma tentativa burocrática, de gabinete, para reinventar a roda que já começa a dar sinais de que vai acabar ficando quadrada!

Vou respirar mais um pouco. Oxigenar o meu cérebro. E me acalmar. Desentristecer. Adiante prometo publicar minha contribuição pessoal para as discussões prévias que deveriam nortear a tão necessária e importante reforma do Ensino Médio que, de cara, jamais poderia vir numa mera canetada ''emergencial'' que mais tem jeitão de tentativa vazia de mostrar serviço!

Mas reproduzo abaixo o parecer oficial da SBF – Sociedade Brasileira de Física sobre o tema publicado ontem no site da instituição. Vale a pena pela importantíssima reflexão.

Se você se preocupa com a educação, por gentileza, divulgue esse post! E deixe o seu comentário sobre o tema, especialmente se você é professor ou algum profissional diretamente ligado à área da educação.


NOTA PÚBLICA DA SBF SOBRE A MEDIDA PROVISÓRIA DO ENSINO MÉDIO (MP 746/2016)

Acontece na SBF, semana de 06 de outubro de 2016

A Sociedade Brasileira de Física vem a público manifestar preocupação quanto à Reforma do Ensino Médio por meio de Medida Provisória encaminhada ao Congresso Nacional. Reconhecemos a necessidade e urgência de reforma. Entretanto, por também reconhecer a complexidade do tema e a necessidade de construir, por meio de debate público qualificado, elementos para a sustentação de mudanças efetivas e eficazes, entendemos que tal questão não deve ser apreciada em caráter de Medida Provisória.

Consideramos que aspectos da MP 746 atentam contra os objetivos preconizados, quais sejam, a ampliação do tempo de escolarização e a necessidade de se pensar um Ensino Médio que seja atraente, flexível e atenda aos interesses e demandas de formação dos estudantes.

Dentre eles, destacamos:

  1. A MP estabelece como condição para exercício da docência “trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim” e, para a parte técnica do currículo, outros profissionais, que, mesmo sem ter a qualificação profissional requerida, “detenham notório saber”. Assim, em lugar de indicar ações efetivas para formação de professores e estímulo à entrada e permanência na carreira, a MP apenas legitima  a precarização hoje existente  – segundo o censo de 2015, quase 40% dos professores em exercício não tem formação adequada para as disciplinas que lecionam. No caso da Física, esse número é de 68,7%. A SBF reafirma a necessidade de fortalecer a formação de professores com cursos de licenciaturas específicas nas áreas de conhecimento e condições de trabalho e carreira que tornem a profissão atraente.
  1. A MP reduz o componente de formação geral, destinada aos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), das atuais 2400 horas para  1200 horas. Ou seja, a formação geral, cultural e científica dos estudantes é reduzida pela metade e não ampliada, como se anuncia. O tempo restante se volta para uma preparação para o  mercado de trabalho, sem qualquer alusão a outro princípio educativo. Não há espaço, no novo Ensino Médio anunciado, para formação ética, estética e científica dos estudantes. A ampliação referida pela MP é da carga horária anual mínima fomentando a implementação das Escolas de Ensino Médio em tempo integral.
  1. A proposta não estabelece a obrigatoriedade de oferta dos componentes curriculares em todas as escolas ou sequer de todas as áreas de conhecimento. A flexibilização pretendida não pode privar os estudantes do acesso ao conhecimento, como na prática poderá ocorrer com o Novo Ensino Médio anunciado.  A proposta estabelece como única obrigatoriedade da escola a oferta de Matemática, Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Assim, escolas poderão simplesmente abolir a oferta de componentes como Física, Química, Sociologia, Filosofia, História, Artes, Educação Física, Biologia…  A gravidade desse fato dispensa maiores comentários.
  1. A MP não menciona aspectos fundamentais para um projeto de reforma do Ensino Médio tais como:
    a)  Ações e diretrizes para formação de professores e valorização da carreira docente.
    b)  Condições materiais e organizacionais para que as escolas possam oferecer, com qualidade, currículos amplos e diversificados;
    c) Indicações sobre a oferta de Ensino Médio noturno (30% das matrículas atuais);
    d) Indicação de diretrizes para projetos de escola integrada ou de tempo integral ou indicação de legislação complementar a este respeito. O projeto parece desconhecer as avaliações de políticas públicas e projetos em andamento em vários estados e munícipios brasileiros.
  1. A MP menciona a BNCC que, entretanto, não está ainda regulamentada. Os princípios da BNCC,  que constam no texto aprovado após consulta pública,  não estão sendo considerados. Do mesmo modo, a  extensão de conhecimentos propostos na BNCC são incompatíveis com as 1200 horas anunciadas.

Por esta razão, a SBF vem a público se manifestar contra a forma e os termos com que foi apresentada a Reforma e recomenda a retomada, em caráter de urgência, das discussões sobre um Projeto de Lei de Reforma do Ensino Médio brasileiro, com amplo debate com a sociedade e qualificada participação de especialistas e entidades científicas.


1-Não me entenda mal! Não me coloco (de forma arrogante) como dono da verdade! Mas apenas como alguém que respira educação há algumas décadas e, tentando acertar, sempre, conhece o problema (e algumas soluções) bem de perto. Certo?

 

Para saber mais

Matérias do UOL Educação

 


Nobel de Física 2016: as fases exóticas da matéria
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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David J. Thouless, F. Duncan M. Haldane e J. Michael Kosterlitz. Fonte: NobelPrize.org

 

Saiu hoje, 4 de outubro, o Nobel de Física¹ 2016. Apostei no pessoal do LIGOLaser Inteferometer Gravitational-Wave Observatory e a incrível (e inédita!) detecção das ondas gravitacionais (saiba mais nesse post). Errei! O tema premiado foi o estudo das transições de fase da matéria e seus estados exóticos usando Topologia, ramo avançado da matemática, evolução da Geometria, que descreve as propriedades de um objeto que permanecem intactas quando o próprio objeto é esticado, torcido ou deformado, sem no entanto ser dilacerado.

Três cientistas britânicos — mas que atuam em universidades americanas — dividiram o prêmio de pouco mais de R$ 3 milhões: David Thouless da Washington University (1/2 do prêmio), Duncan Haldane da Princeton University (1/4 do prêmio) e Michael Kosterlitz da Brown University (1/4 do prêmio).

Convivemos — e por isso mesmo estamos acostumados — com a matéria em apenas três fases ou estados clássicos: o sólido, o líquido e o gás.  Mas, se a temperatura da matéria sobe bastante, o grau de agitação dos átomos e moléculas fica muito elevado e passamos a ter o estado conhecido como plasma. Se a temperatura abaixa para valores próximos do Zero Absoluto, o zero da escala absoluta Kelvin, podemos atingir o estado conhecido como  Condensado de Bose-Einstein, um condensado quântico no qual todos os átomos, exauridos da energia térmica, encontram-se no mais baixo estado quântico, comportando-se como se fossem juntos um só átomo gigante, evidenciando macroscopicamente o comportamento quântico da matéria.

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Estados clássicos da matéria e seus extremos exóticos

 

Nos extremos de temperatura, muito alta ou muito baixa, temos os estados exóticos, de comportamento bastante peculiar.  Entender a fundo como a matéria se comporta nesses estados pode ser o caminho para criar novos materiais e com características bastante diferentes. Segundo o comitê  organizador do Nobel, ''na última década, essa área do conhecimento impulsionou pesquisas de ponta em física da matéria condensada. Os físicos esperam poder usar os materiais topológicos em novas gerações de dispositivos eletrônicos e supercondutores, além de abrir caminho para o futuro desenvolvimento de computadores quânticos. As transições de fase topológica da matéria abrem portas para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos''.

Mas note aí: as ondas gravitacionais vão levar o Nobel de Física. Em breve.


1 – Soube da premiação de Física no meu horário de almoço. Às terças leciono em Poços de Caldas, MG, a manhã toda e parte da tarde. Somente agora, ao final da tarde, ao voltar para casa( e antes da terceira jornada de aulas à noite) pude saber mais detalhes sobre as pesquisas e cientistas laureados e escrever algo sobre o tema. Quero me aprofundar mais oportunamente!

Para saber mais


Já publicado aqui no Física na Veia!

Confira os posts do blog sobre os trabalhos dos laureados com Nobel de Física desde 2006.

2015 | 2014 | 2013 | 2012 | 2011 | 2010 | 2009 | 2008 | 2007 | 2006


Unicamp de Portas Abertas
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Na frente do IFGW, de hora em hora, experimentos a céu aberto com o "Show de Física"

Na frente do IFGW, de hora em hora, experimentos a céu aberto no ''Show de Física''

 

Aconteceu ontem, em 10 de setembro, a edição 2016 da UPA – Universidade de Portas Abertas da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, evento anual oficial que funciona como vitrine das atividades da universidade para a comunidade em geral e, muito especialmente, para os estudantes do ensino médio que em breve terão que passar pela prova de fogo do vestibular e por outra prova ainda mais árdua: a escolha da carreira.

Aproveitei que tinha vários alunos do Anglo São João¹  interessados em conhecer a Unicamp mais de perto e peguei carona num dos dois ônibus lotados de gente jovem e com brilho no olho.

Por razões que imagino não sejam necessárias explicações, concentrei-me nas atividades do IFGW – Instituto de Física ''Gleb Wataghin''. Mas todos os institutos da universidade, representandos por seus inúmeros departamentos, estavam literalmente abertos e preparados para receber os interessados em saber mais sobre os cursos oferecidos e sobre todas as demais atividades acadêmicas.

Fazia muito tempo que eu não ia na UPA que existe desde os anos 80 do século passado quando fui estudante da Unicamp (nossa! isso parece tão distante… mas são apenas três décadas…). E devo confessar que fiquei bastante surpreso com o notável upgrade tanto na qualidade do conteúdo quanto na organização do evento que tem até aplicativo para celular para ajudar os visitantes a se orientarem no oceano de possibilidades oferecidas dentro do campus. Infelizmente o aplicativo ainda não roda no meu Windows Phone. Mas aposto que em breve isso será resolvido pelos cientistas da computação da universidade.

No final da visita, por volta das 16 h, quando reencontrei os alunos que se espalharam pelo campus em busca das diferentes informações nas mais diversas áreas acadêmicas, perguntei a eles ''E aí, como foi?''. Felizes, responderam de forma unânime:  ''Valeu a pena!''.

Se você é professor  e ainda não conhece a UPA, fique atento! O evento acontece anualmente, sempre no começo de setembro. Logo no início de agosto, na volta às aulas depois das férias de inverno, as informações detalhadas já ficam disponíveis no site oficial do evento. Monte uma caravana de estudantes. E leve-os para conhecer de perto tudo o que a Unicamp oferece e que não é pouco.

Imagens de alguns dos inúmeros eventos do IFGW na UPA 2016

No IFGW, palestras ''escolhidas'' a dedo têm a finalidade de ajudar os estudantes a entenderem o que se faz em Física de alto nível atualmente. Nos demais institutos, palestras de outras áreas acadêmicas cumprem a mesma função.

Em 1959, Richard Feynman, que seria laureado pouco mais adiante com o Nobel de Física em 1965, já anunciava que ''há muita coisa lá embaixo'' referindo-se à escala das moléculas e dos átomos. No IFGW  a pesquisa em Nanotecnologia é de alto nível e acompanha tudo o que se faz de ponta no mundo todo.

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Palestra ''Física Básica na Pesquisa em Nanotecnologia'' pelo prof. Dr. Alexandre F. Fonseca

 

Pouca gente tem clara a ideia de como a Física e a Medicina são parceiras. Desde a descoberta dos raios X, no final do século XIX, e que permitiram investigar o interior do corpo humano de forma não invasiva, até as técnicas atuais de realização de diagnósticos por imagem que passam pela Ultrassonografias Doppler e pela Ressonância Magnética, dentre outras, até chegar às formas modernas de combate ao câncer pela Radioterapia que usa radioisótopos para destruir as células malignas, Física e Medicina vêm caminhando juntas. O IFGW tem um curso de Física Médica com um diferencial importante: um quinto ano de estágio garantido dentro do Hospital das Clínicas da Unicamp onde o graduando passará por todas as áreas de interesse antes do período de residência propriamente dito.

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Palestra ''O Curso de Física Médica: oportunidades nessa nova área da Física'' pelo prof. Dr. Richson
C. Mesquita

 

O que faz um físico? Em que áreas pode atuar? Como é o curso de Física oferecido pelo IFGW? Que modalidades ele possui? Que diferenciais ele oferece aos estudantes? Em que áreas de pesquisa atua o IFGW? (…) Diante de tantas dúvidas, o coordenador de graduação foi pessoalmente ao evento para falar aos estudantes. E o anfiteatro ficou pequeno, com gente em pé ou sentada no chão dos corredores.

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Palestra ''O Curso de Física: porta para uma carreira de oportunidades'' pelo prof. Dr. Abner de Siervo,
coordenador de graduação

 

Uma das modalidades do curso de Física do IFGW é a Engenharia Física. Como o nome sugere, trata-se de um curso híbrido que, embora seja de formação de físicos, leva os estudantes a transitarem por disciplinas da engenharia. A ideia é formar um profissional com grande conhecimento básico de Física e de Matemática mas que também tenha desenvolvidas habilidades da área da Engenharia. Para explicar como é esse curso que, nos Estados Unidos é centenário mas que no Brasil ainda dá os primeiros passos, o coordenador da Engenharia Física palestrou para os estudantes. E deixou clara a importância da formação desse profissional no mercado de trabalho do mundo moderno. Fiquei com vontade de voltar para as salas de aula da graduação!

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Palestra ''Engenharia Física: uma nova Engenharia na Unicamp'' pelo prof. Dr. Pascoal José G.
Pagliuso, coordenador do curso de Engenharia Física

 

Encerrando o ciclo de palestras, uma apresentação de Óptica recheada de ideias e experimentos divertidos realizados pelo consagrado prof. Dr. José Lunazzi. Desde o ano passado, por ocasião daquela edição da UPA, prof. Lunazzi mantém aberta a exposição ''Veja a Luz Como Nunca Viu'' que apresentei em detalhes nesse post aqui no blog. Vale a pena! Ele levou um pouquinho dela para o anfiteatro do IFGW.

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Experimento sobre os cones de luz durante a palestra ''A luz não tem massa, por isso temos imagens''
pelo prof. Dr. José Lunazzi

 

Se você consultar a programação da UPA no IFGW vai notar que ''perdi'' a primeira palestra. Motivo: alunos famintos que madrugaram e quiseram parar para comer antes de chegar em Campinas. O que não fazemos por essa molecada?! Por isso não tenho imagens da palestra ''Além de imã de geladeira: as aplicações escondidas do magnetismo'' proferida pela profa. Dra. Fanny Berón e que, já pelo título, me faz acreditar que deve ter sido bastante divertida e com informações ''quentes'' nessa área tão presente no nosso cotidiano mas quase sempre ''escondida'' como, por exemplo, nos dispositivos de armazenamento magnético de informação (hard disks, ou simplesmente HDs) fundamentais para o funcionamento dos nossos computadores.

UPA2016_galera

Parte dos alunos do Anglo São João. Cadê o resto? Na lanchonete. Não saíram na foto. Bem feito! 🙂

 

Além das palestras, e ratificando que ''Física sem experimento não tem graça'', frase que o prof. Dr. Lunazzi repete incansavelmente e que reflete uma  inquestionável verdade sobre essa área tão importante da Ciência, além do ''Show de Física'' (veja foto lá no topo do post), repetido de hora em hora em frente ao IFGW, a céu aberto, inúmeros laboratórios abriram as suas portas para os visitantes.

Um aspecto muito bacana e bastante positivo da UPA  e que merece destaque é que alunos de graduação e de pós graduação atuam de forma voluntária como guias dos estudantes visitantes até os respectivos espaços onde ocorrem as diversas atividades além de apresentarem os experimentos. Nesse momento os estudantes visitantes também têm a oportunidade de interagir com os atuais alunos da instituição e, com eles, tirar dúvidas sobre a vida acadêmica de uma forma mais pessoal. Tão logo pisei no IFGW tive o prazer de reencontrar Vitor Barroso Silveira, ex aluno do ensino médio que em 2016 está concluindo a graduação em Física na Unicamp e que estava lá trabalhando na  UPA. Na imagem abaixo você confere uma aluna de mestrado que apresentava experimentos aos visitantes no Laboratório Didático de Óptica.

UPA2016_Lab_Optica

Mayara Auricchio, graduada em física pelo IFGW, mestranda com pesquisa no LNLS – Laboratório
Nacional de Luz Sincrotron, mostrando a difração da luz no Laboratório Didático de Óptica.

 

E até andando pelos corredores do IFGW era possível topar com um ou outro experimento interessante, como esse em que um anel condutor de pessoas de mãos dadas fecha um circuito elétrico para, literalmente, propiciar aos participantes a inesquecível experiência de ser condutor de eletricidade por uma fração de segundo ou, sendo um pouco mais direto, levar um choquinho (ou sustinho) elétrico. De onde vem a energia? De um gerador Van de Graaff, aquela ''esfera metálica'' que pode ser vista ao centro da foto (tratei em detalhes sobre esse tipo de ''gerador'' em post do blog, ainda na plataforma antiga).

UPA2016_Gerador-VDG

Vamos experimentar a eletricidade? Galera feliz reunida para levar um choquinho elétrico.


1 – No Colégio Anglo São João, em são João da Boa Vista, interior de São Paulo, sou professor e coordenador pedagógico. O colégio adota o Sistema Anglo de Ensino no qual também sou autor.

Já publicado no Física na Veia!


Caçar Pokémons? Ou caçar planetas?
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

pokemon_planetas

Fotomontagem: logomarca original do game onde foram inseridos planetas

 

Chegou ao Brasil, na última quarta-feira (3/agosto), o Pokémon Go, game para dispositivos móveis que rodam os sistemas operacionais Android ou iOS.

O jogo virou “febre mundial”. E aqui no Brasil já era bastante aguardado. É claro que os desenvolvedores se moveram para tornar o game funcional no país  a tempo de pegar carona no agito internacional das Olimpíadas que começam oficialmente hoje.

O aplicativo parece ser divertido. Ele usa o sinal de GPS do dispositivo para saber onde o jogador está. E o que parece ser o mais legal: explora a realidade aumentada, recurso que permite, através da câmera, fundir o mundo real — onde você e eu vivemos — ao mundo virtual — onde supostamente habitam os monstrinhos. A ideia do game é rastrear e encontrar os pokémons que, invisíveis aos nossos olhos, podem ser vistos pela tela do smartphone ou tablet. Assim, os pokémons podem aparecer no sofá da sala da sua casa ou ao lado de um monumento na praça central da cidade. E, uma vez capturados, ficam guardados no Pokédex, uma espécie de cativeiro onde podem ser treinados a fim de que evoluam, exatamente como no desenho animado que deu origem ao jogo.

Nada contra games. Os primeiros, bastante rudimentares, para jogar na TV, surgiram quando eu tinha 18 anos, nos anos 80. Os vi evoluírem. E ficarem cada vez mais realísticos e interessantes. Saltaram para os computadores pessoais. Hoje rodam em smartphones e tablets que são poderosos computadores pessoais portáteis que podemos carregar no bolso. Mas devo me confessar bastante assustado com o desproporcional sucesso do Pokémon Go que está levando adultos à uma verdadeira jornada internacional de infantilização. Se usado como passatempo, com qualquer outra forma de entretenimento, o jogo pode ser divertido e render bons momentos de descontração. Mas parece que, para alguns marmanjos, possivelmente para jovens e até para crianças, o game tem tudo para virar vício. E aí a coisa muda de figura.

Também assusta-me, como educador, o enorme nível de interesse das pessoas, em especial dos jovens, pelos games. Há uma enorme assimetria quando esse interesse é confrontado ao baixíssimo interesse pelos estudos e outras atividades edificadoras e, supostamente, mais relevantes.

Quer um exemplo palpável? Desde o final de julho e ao longo do mês de todo o mês de agosto, logo ao entardecer e no começo da noite, podemos observar simultaneamente e praticamente numa mesma região do céu os únicos cinco planetas visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. E ainda teremos a participação especial da Lua crescente durante alguns dias. Embora espalhados ao redor do Sol, em órbitas não coplanares, vistos daqui da Terra os planetas estarão mais ou menos alinhados. Para quem nunca viu ou reconheceu um planeta a olho nu, a experiência é marcante. E divertida. Tanto quanto um game. Mas, apesar de várias matérias que divulgaram o fenômeno, não tenho visto muita gente gastando energia para virar o pescoço ligeiramente para cima com a intenção de olhar o céu ao final da tarde.

A astronomia, dentre outras tantas, perde feio para os  Pokémons! E olha que, para ver os planetas, nem é preciso ter smartphone ou tablet. Você sequer precisa instalar um aplicativo. Basta procurar um lugar com bom horizonte oeste, exatamente do lado que o Sol se põe, preferencialmente longe das luzes da cidade, e esperar o dia escurecer. E lá estarão os cinco planetas, quase fazendo pose e aguardando o seu olhar ou, quem sabe, um clique fotográfico.

Se quiser brincar com planetas e mais o recurso da realidade aumentada, assim como no Pokémon Go, existem aplicativos que permitem apontar um dispositivo móvel para o céu e ver, em tempo real, pela tela, os nomes dos astros. Um deles, bastante famoso no mundo do iOS, é o Sky View.

Ao contrário do game, típico do mundo fast food aceleradíssimo em que vivemos, observar o céu é um momento tipicamente slow, de contemplação e introspecção. Deve ser divertido caçar pokémons. Não sei dizer porque ainda não o fiz. Mas devo confessar que, quando posso, bato uma bolinha no computador no Fifa 2014 (ainda não o atualizei o game para versão mais recente). Mas precisamos tirar o pé do acelerador! Relaxar. Ligar menos as telinhas dos dispositivos móveis e olhar mais para o céu, o que é sempre relaxante e muito instigante.

Que continuem as caçadas aos pokémons! Ratifico: nada contra os games. Mas que, para equilibrar a balança, as pessoas, em especial as crianças e os jovens, cada vez mais saiam a campo para caçar planetas e outros astros!

 

Simulações

Para ajudá-lo na astro caçada aos cinco planetas que segue pelo mês de agosto, confira abaixo as simulações do céu para o horário das 18h45min desde hoje, 5 de agosto até o próximo dia 20 de agosto. Embora as simulações tenham sido feitas para a minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo, elas dão uma boa ideia da configuração dos astros para qualquer observador ao longo de todo o território brasileiro. Somente o tempo exato das observações é que deve mudar ligeiramente dependendo da latitude/longitude do observador.

Se preferir fazer as suas próprias simulações para o céu da sua exata localização, o que é ainda mais divertido, instale o Stellarium, planetário gratuito e de código aberto.

Boas observações. E céu limpo a todos!

 

5/agosto/2016 – 18h45min

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Simulação do céu para 5/agosto/2016. Clique para abrir versão maior.

6/agosto/2016 – 18h45min

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Simulação do céu para 6/agosto/2016. Clique para abrir versão maior.

7/agosto/2016 – 18h45min

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Simulação do céu para 7/agosto/2016. Clique para abrir versão maior.

8/agosto/2016 – 18h45min

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Simulação do céu para 8/agosto/2016. Clique para abrir versão maior.

9/agosto/2016 – 18h45min

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Simulação do céu para 9/agosto/2016. Clique para abrir versão maior.

Para as demais datas, clique nos links abaixo:

10/agosto11/agosto12/agosto13/agosto14/agosto15/agosto16/agosto17/agosto18/agosto19/agosto20/agosto |

 


Para saber mais sobre o Pokémon Go

  • Matéria do UOL Tecnologia: ''Entenda a realidade aumentada, recurso por trás do sucesso de Pokémon Go''

Já publicado no Física na Veia!


Veja a luz como nunca viu
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Lunazzi_expo_01

Radiômetro de Crookes, o primeiro experimento. E o prof. Lunazzi (destaque) apresentando o
dispositivo que é praticamente um ''moinho'' de luz.

 

2015 foi o IYL – International Year of Light, o Ano Internacional da Luz. Dentro das comemorações oficiais no Brasil, na Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, foi criada a exposição ''Veja a luz como nunca viu''.

Ela foi pensada para atender à UPA – Universidade de Portas Abertas, evento anual da Unicamp que recebe alunos do ensino médio interessados em conhecer as atividades dos diversos institutos que compõem a Universidade.

Para a nossa sorte, a exposição sobreviveu. E continua mais viva do que nunca sob comando do seu idealizador, o prof. Dr. José J. Lunazzi do IFGW – Instituto de Física ''Gleb Wataghin'', que sabe tudo de luz e de Óptica, sua especialidade há nada menos que 50 anos!

Ontem eu tinha compromisso pessoal na Universidade. Aproveitei e fiquei por lá para, depois do almoço, conhecer a exposição. Tive o privilégio de passar algumas horas com o próprio prof. Lunazzi e uma monitora (aluna da graduação) conhecendo de perto os experimentos de Óptica que, em sua maioria, podem ser reproduzidos de forma ''caseira'' por qualquer pessoa que tenha mínima disposição para, aproveitando materiais baratos, em alguns casos sucata, criar dispositivos que podem de alguma forma interagir de forma criativa com a luz evidenciando fenômenos ópticos. Dentre outras inúmeras ideias, vi que é possível fazer uma genial lente de água (ou qualquer outro líquido transparente) usando uma placa de vidro plano e a cobertura de vidro curvo e transparente de uma luminária de teto (plafont). Também descobri como fazer um prisma flexível de água com abertura (ou ângulo de refringência) variável. Ideias criativas e que, certamente, vou incorporar no meu kit de experimentos em Óptica que sempre carrego para as minhas aulas presenciais no ensino médio e no curso pré-vestibular.

Fica a dica! Se você estiver por Campinas ou região, vale uma esticadinha até a exposição! O lugar, improvisado dentro do antigo barracão do Laboratório de Plasma, atualmente desativado, não tem a pretensão de ter o glamour de um museu de ciências. Mas é o lugar perfeito para, segundo o prof. Lunazzi, mostrar que dá para fazer muito com muito pouco. O prof. Lunazzi faz ainda questão de dizer que prefere não dar acabamento estético perfeito aos experimentos para ficar claro que é tudo feito a mão, de forma artesanal. O importante é a criatividade. E saber aproveitar materiais que iriam pro lixo. O espírito da exposição é aproximar as pessoas do conceito ''faça você mesmo'', sem medo. Genial!

Confira mais abaixo, no rodapé do post, dados de contato da exposição que, ratifico, vale a pena! Você vai se divertir. E se surpreender!

 

Alguns momentos do tour óptico

A ideia desse post não é fazer uma cobertura do evento. Vou mostrar alguns momentos do tour, até porque não quero tirar de você, possível visitante da exposição, o sabor da descoberta de cada um dos experimentos inusitados.

O primeiro experimento, mostrado na foto que abre o post, é um ''moinho de luz'' conhecido no meio científico por Radiômetro de Crookes. Eu já tinha avisto um ao vivo numa aula da graduação no IFGW nos anos 80. Depois disso, nunca mais. É um objeto bastante raro. Você já teve um desses ao alcance das mãos?

Os experimentos prosseguem numa pequena sala dentro do galpão do antigo laboratório desativado. Na imagem abaixo o prof. Lunazzi ''materializa'' um feixe de luz laser verde usando gotículas de água vindas de um vaporizador/umidificador de ar. O feixe cônico divergente ao deixar a fonte torna-se convergente depois de atravessar uma lente plano-convexa feita de água. E depois segue seu caminho, voltando a ser divergente após a passagem pela região focal. Na foto o momento exato em que o professor aproveita para falar do olho humano e o mecanismo da visão. E, usando uma placa de papel, simula a função da retina, parede se células fotossensíveis que fica no fundo do globo ocular. Confira, no Youtube, vídeo desse experimento.

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Prof. Lunazzi e o feixe cônico laser depois de atravessar uma criativa lente convergente de água

 

Ainda na imagem acima podemos conferir na parte de baixo duas caixas de vidro (como se fossem aquários) que contém os criativos prismas de água com abertura variável que pretendo reproduzir em breve. E na parede, atrás, uma câmara escura que permite observar de dentro da sala a paisagem de fora projetada sobre uma lâmina de papel vegetal semitransparente.

A próxima imagem mostra a reflexão dos raios de luz num espelho plano usando usando o artifício conhecido como projetor de fendas alinhadas com o filamento reto de uma lâmpada incandescente. Note que os raios de luz divergentes continuam se afastando depois da interação com a superfície refletora plana.

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Um espelho plano reflete os raios de luz que continuam divergentes

Mas na foto abaixo podemos ver o poder que um espelho côncavo tem de concentrar a luz. Note que um espelho côncavo tomou o lugar do espelho plano mostrado na imagem acima. Os raios de luz agora convergem para a região focal, em fenômeno análogo ao do laser verde que passou pela lente de água. A diferença é que na lente a luz se concentra por refração e no espelho por reflexão.

Vale observar que o espelho côncavo usado no experimento foi reaproveitado de um telescópio da Universidade que observava a radiação Cherenkov vinda da atmosfera e foi desativado. Jogar fora? Jamais, pelo menos para o prof. Lunazzi que deu sobrevida ao espelho de muito boa qualidade que agora virou importante instrumento didático na exposição.

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Um espelho côncavo concentra os raios de luz do feixe original divergente que se torna convergente

Abaixo o primeiro Estereoscópio de Brewster brasileiro, feito pelo próprio professor Lunazzi, usando materiais baratos e um smartphone. Como praticamente qualquer pessoa hoje tem um smarphone, o resto do material,  duas lentes e papelão, estimados em R$ 50,00, tornam o dispositivo popular. Veja-o em detalhes aqui em página oficial do professor. Google (e seus óculos virtuais) que se cuide! A versão brasileira funciona e tem custo muito baixo!

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Dani, minha esposa, testando o primeiro Estereoscópio de Brewster brasileiro

 

Depois do estereoscópio vimos filmes e fotos 3D feitas de forma ''caseira'' exibidas numa TV. O legal é que qualquer pessoa com um câmera comum, até mesmo de celular, pode fazer suas próprias fotos 3D. Apesar do caráter amador, o resultado surpreende e se aproxima bastante do que podemos ver no mundo profissional dos filmes 3D bastante comuns nos cinemas hoje em dia.

Muito obrigado prof. Lunazzi!  Sempre atencioso, bem humorado, e demostrando enorme prazer em compartilhar seu conhecimento fantástico acumulado em meio século de vida profissional! Minha esposa, minha filha. e eu nos divertimos bastante! Foi uma tarde inesquecível!

Lunazzi_expo_00

Eu e o professor Lunazzi, ao final do tour óptico.


A exposição

  • Local: Avenida Albert Einstein, 851 (antigo prédio do Laboratório de Plasma), ao lado da RTV – Rádio e Televisão Unicamp. Confira no mapa abaixo. O local é praticamente na esquina da Avenida Albert Einstein com a Rua Lev Landau que parte do Ciclo Básico e passa ao lado do IFGW – Instituto de Física ''Gleb Wataghin''. Clique aqui para abrir o mapa no Google Maps.
    Lunazzi_expo_MAPA
  • Dias: de segunda à sexta (temporariamente a exposição não está abrindo às quintas)
  • Horário: 14h
  • Número máximo de visitantes: 10 por vez.
  • Site: Veja a luz como nunca viu
  • Página no facebook: Facebook.com/experimenteafisica
  • Telefone de contato: (19) 35212451

Você pode agendar uma visita com antecedência. Ou aparecer, como eu, sem avisar, no horário das 14h. O prédio provavelmente estará fechado. Mas é só tocar a campainha ou ligar para o telefone acima que você será muito bem recebido para um passeio óptico divertido e inesquecível.


Veja mais

Vídeo promocional oficial do evento (sem audio)


De olho na sonda Juno
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Página inicial do NASA's Eyes

 

A manobra de inserção orbital da sonda Juno (veja post anterior) foi um sucesso!

A sonda agora orbita o planeta Júpiter numa trajetória elíptica bastante excêntrica, ou seja, bastante alongada. Dessa forma a nave poderá passar bem longe de Júpiter, ponto chamado de apojove, a cerca de 8 milhões de quilômetros. E meia volta depois fará aproximação para dar uma rasante no gigante gasoso do Sistema Solar, passando pelo perijove, ponto de máxima aproximação, a cerca de 4000 quilômetros de altitude. A órbita vai se repetir 37 vezes, ou seja, serão 37 sobrevoos ao longo de 18 meses de operações. Em cada uma dessas passagens rasantes a sonda terá a oportunidade de fazer registros que vão de imagens do planeta gigante gasoso até medidas de diversos parâmetros que pretendem nos revelar como Júpiter surgiu e evolui até a configuração atual.

Você pode seguir a Juno através dos olhos da NASA, ou seja, do aplicativo NASA's Eyes que faz várias simulações interessantes. Assim que entrar no site, instale o aplicativo. E rode seus módulos ''Eyes on the Earth'', Eyes on the Solar System'', ''Eyes on Exoplanets'', além dos Solar System Tours ''Juno'', New Horizons'', dentre outros.

A imagem abaixo mostra a página inicial do módulo ''Juno'' onde você vê a sonda e seus avantajados painéis solares. Clique/arraste sobre a sonda com o mouse para girá-la nos três eixos. Isso é bem bacana para uma inspeção visual em todas as partes da nave. Dá para dar zoom in/out com as setas para cima/para baixo (no teclado) ou com a rodinha do mouse.

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Tela inicial de ''Juno''

Clicando no botão ''Explore'' que fica na parte de baixo da tela, bem ao centro, você entra no modo que mostra a trajetória da Juno. Aí, dentre outras coisas, você pode simular a manobra de inserção orbital (imagem abaixo) e ver o quão perto a nave chegou do gigante gasoso para ser capturada pela gravidade do astro de forma controlada tal que pudesse entrar de forma perfeita na órbita desejada pelos cientistas sem se perder no espaço e nem cair no planeta.

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Simulação da delicada inserção orbital

Clicando no botão ''Now'' que fica na parte de baixo da tela, à esquerda, o aplicativo mostra a posição atual da sonda Juno. Dá para fazer tracking da nave, ou seja, sempre que quiser, saber exatamente onde ela está. Quando eu escrevia esse post a posição da sonda era a que você confere na imagem abaixo. Note que ela  já contornou Júpiter e dele agora se afasta a fim de completar a sua órbita elíptica bastante excêntrica. No lado direito da tela há uma janela retangular vertical na qual você acompanha em tempo real a distância da Juno até Júpiter, a sua velocidade relativa a Júpiter e ainda a sua velocidade relativa à Terra. Bem no canto superior direito da tela há o botão ''Controls'' que dá acesso a ''Toggle Units'' (ícone de uma reguinha) que permite mudar a unidade de distância para quilômetro (km) bem como a unidade de velocidade para quilômetro por hora (estranhamente grafada como km/hr em vez de km/h). Originalmente a distância está em milhas e a velocidade em milhas/hora, o que não nos é muito familiar.

NASA_eyes_Juno_Now

Dá para seguir a sonda, em tempo real

 

Há ainda uma opção divertida de gerar a simulação em 3D. Procure por ''3D'' no botão ''Controls'', aquele que fica no canto superior direito da tela. Se você tiver óculos 3D anaglíficos, aqueles com uma lente azul e outra vermelha (confira receita ''caseira'' nesse post), poderá brincar com a simulação que vai parecer saltar para fora da tela do computador.

NASA_eyes_Juno_3D

Modo 3D anaglífico

Há outras funções no aplicativo e seus diversos módulos. Vá clicando sem medo e descobrindo tudo o que dá para fazer.

Divirta-se! E siga de perto essa missão histórica que promete muitas novidades científicas, além das tão esperadas imagens de Júpiter em close-up!


Para saber mais

 


A sonda Juno está chegando ao seu destino
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

NASA Juno Mission Trailer

 

Depois de cinco anos de viagem espacial, a sonda Juno da NASA finalmente está chegando ao seu destino: o misterioso planeta Júpiter.

A nave vai orbitar o planeta para, mais de perto, estudá-lo por um período de 18 meses . Serão 37 sobrevoos a pouco mais de 4000 km da espessa camada gasosa externa do planeta. O recorde anterior de aproximação pertence à sonda Pioneer 11, de 1974, que passou a 43000 km do planeta.

Momento crítico

A orbit insertion, ou inserção orbital em português, é uma manobra importante e da qual depende o futuro da missão. Como toda órbita é uma perfeita combinação de velocidade e altitude (confira a ideia em post ainda na plataforma antiga do blog), a sonda precisa estar no lugar (ou altitude certa) e com a velocidade vetorial correta para entrar na órbita desejada pelos cientistas responsáveis pela missão. Qualquer falha pode fazer com que a órbita não se concretize. O evento acontecerá hoje, 4 de julho, com transmissão em tempo real pela NASA TV a partir das 23h30min (horário de Brasília).

Já em clima de 'quase' férias escolares, preguiçoso, vou ficar só espiando (e torcendo) de longe confortavelmente deitado em minha cama com tablet e celular nas mãos. Mas dois amigos ativistas da divulgação científica (e nada preguiçosos!) farão cobertura em tempo real: Salvador Nogueira (do Mensageiro Sideral), jornalista da Folha e meu vizinho da blogosfera do UOL, e Sérgio Sancevero (do Space Today). Deixo abaixo as janelas para as duas coberturas (em português) que prometem competência e bastante confiabilidade. Estarei ligado nas duas, além da NASA TV.

Salvador Nogueira (do Mensageiro Sideral)

Sérgio Sancevero (do Space Today)

Acompanhe esse momento científico histórico! E fique na torcida para que tudo corra bem! A sonda Juno promete nos brindar com imagens e informações (medidas) inéditas sobre o nosso belíssimo vizinho gigante gasoso!


Para saber mais