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Arquivo : Marte

Júpiter visível logo ao entardecer. E tem Saturno e Marte também!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

O céu de ontem em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Júpiter é o ponto mais brilhante lá no
topo da imagem. Clique para abrir imagem maior. (Crédito: Dulcidio Braz Jr)

 

Ontem, sábado, 21/4, aproveitei que o céu abriu para fazer observações astronômicas e registros astrofotográficos. Eu já estava quase sofrendo de síndrome de abstinência com tanto céu ruim nos últimos meses e o telescópio encaixotado!

A imagem acima mostra o céu leste capturado daqui de São João da Boa Vista, SP, por volta das 22h. O ponto mais brilhante lá no topo é o gigante Júpiter. A captura foi feita com uma câmera digital Sony HX100V fixa num tripé. Usei exposição de 10 s, com abertura f2.8 e ISO 400 para registrar o fundo de estrelas no céu e Júpiter que, a olho nu, também tem aparência estelar.

Abaixo, sobre a mesma imagem, destaco captura de Júpiter que fiz com o telescópio SkyWatcher Star Discovery 150 mm F5 usando uma webcam Logitech C270 acoplada diretamente no porta ocular. A GMV (grande mancha vermelha), um tornado com ventos de cerca de 600 km/h que já dura séculos e tem o tamanho de quase duas Terras¹, estava voltada para nós e, para minha felicidade, ficou nítida na imagem. Capturei Júpiter em avi com o software SharpCap. Fiz o pré-processamento com o PIPP (Planetary Image PreProcessor). Em seguida, empilhei com o AS2! (AutoStakkert) e apliquei wavelets com o Registax. A técnica está descrita neste post.

 

Em destaque, captura de Júpiter que fiz com telescópio.  E a belíssima constelação de Escorpião, logo
abaixo, com sua cauda bem característica.  Clique para abrir imagem maior. (Crédito: Dulcidio Braz Jr)

 

Júpiter está atualmente na constelação de Libra. Logo abaixo podemos ver claramente a constelação de Escorpião com a sua cauda bem característica que lembra um anzol (bem sobre a logomarca do blog). Clique nas imagens para abrir as fotos em tamanho maior para perceber melhor os detalhes.

Destaquei também alfa de Escorpião, a estrela Antares, uma supergigante vermelha com aproximadamente 883 vezes o diâmetro do nosso Sol e 15 vezes a sua massa. Tá bom pra você? Mais fria que o nosso Sol, Antares tem temperatura em torno de 3500 K e justamente por ser mais fria (ou menos quente, se preferir) tem brilho superficial avermelhado. Antares, mais velha do que o Sol, tem idade estimada em 8 milhões de anos. E está distante de nós cerca de  600 anos-luz, o que vale a observação de que a captura foi feita ontem mas registramos uma imagem de 600 anos atrás, exatamente o tempo que a luz demorou para viajar de Antares até o sensor da câmera aqui na Terra! Mesmo assim, por ser gigantesca, Antares é a décima sexta estrela mais brilhante do nosso céu. Linda de observar, tem aparência alaranjada, mesmo a olho nu. Mas você tem que estar num lugar bem escuro para que ocorra acomodação visual.

 

Júpiter, Saturno e Marte fazendo pose pra foto

Júpiter, atualmente, já está visível no horizonte leste logo ao entardecer, por volta das 19h. Saturno está nascendo também a leste em torno de 22h15min. Marte vem logo depois, mais ou menos meia hora após Saturno.

Ontem eu pretendia capturar os três planetas que, caprichosamente, parecem fazer pose pra foto. No entanto, logo após as capturas de Júpiter, o céu fechou. Aguardei ainda por uma hora e nada. Uma pena!

No próximo final de semana vou tentar novas observações e, quem sabe, com mais sorte, registrar também Saturno e Marte.


1 – Estudos recentes mostram que a GMV está encolhendo. Ela já foi maior do que duas Terras.

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Show de astros na(s) próxima(s) madrugada(s)
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

5jan2016_show_astros

simulação do céu na próxima madrugada 5/janeiro/ 2016, por volta de 4h30min, horário de Brasília

 

A imagem acima é uma simulação do céu da próxima madrugada (5 de janeiro de 2016, por volta de 4h30min, horário de Brasília). Usei latitude/longitude da minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Mas, com razoável aproximação, a cena vale para todo o território nacional, com pequenas diferenças de altura dos astros em relação ao horizonte para diferentes latitudes de norte a sul do nosso país. Fiz tudo no Stellarium, software freeware e opensource que sempre recomendo para quem quiser começar a brincar com simulações do céu. Ele roda em várias plataformas, inclusive em dispositivos móveis.

Note que, num único cenário, teremos vários astros para observarmos: quatro planetas do Sistema Solar (Saturno, Vênus, Marte e Júpiter), o nosso satélite natural (Lua), um cometa (C/2013 US10 Catalina) e uma estrela gigante vermelha bastante importante (Antares, na constelação de Escorpião).

Duvido muito que verei alguma coisa. Aqui no interior de São Paulo o céu tem ficado nublado a maior parte do tempo. E tem chovido bastante. De qualquer maneira, vou madrugar para tentar ver/fotografar a linda cena astronômica recheada de astros importantes.

Tente observar/registrar o céu você também! Não é todo dia que temos tantos astros “fazendo pose pra foto”.

Não é difícil observá-los. Tudo acontece em torno do ponto cardeal leste (L), onde o Sol vai nascer. Se você não tem muita intimidade com o céu, siga os passos a seguir. Não tem erro!

I) Encontre a Lua [1], a referência mais óbvia. Atente para o fato de que ela está na fase minguante e, nesse momento, ainda é só uma casquinha;
II) Logo abaixo da Lua, se o céu estiver limpo, você verá Vênus, um ponto bem brilhante de aparência estelar;
III) À direita da Lua e um pouco mais para baixo, mais perto do horizonte, quase ao lado de Vênus [2], você verá um ponto bem avermelhado. É Antares [3], uma estrela gigante vermelha (alfa da constelação de Escorpião). Ela fica a pouco mais de 600 anos-luz da Terra. Enorme e massiva, ela tem pouco mais de 15 massas solares distribuídas numa esfera equivalente a 700 diâmetros solares ;
IV) Logo abaixo de Vênus você verá Saturno, um pontinho de aparência estelar, bem menos brilhante do que Vênus;
V) Agora comece por Saturno e vá “ligando os pontos” de baixo para cima: Saturno, Vênus, Lua, Marte (um ponto bem alaranjando) e, bem mais para cima, Júpiter;
VI) Pra finalizar, a parte mais complicada: tentar encontrar e observar o cometa. A olho nu nem pensar! É preciso pelo menos um binóculo. Comece pela Lua e dirija o seu olhar para a esquerda. Arcturus, estrela alfa da constelação do Boieiro, a quarta estrela mais brilhante do céu noturno, será um ponto de destaque no cenário. Não é difícil encontrá-la. Ela é a principal referência para localizar o cometa que estará ali visualmente bem pertinho, um pouco mais para a esquerda e para baixo. Paciência. E céu muito limpo. São duas condições muito importantes, especialmente na tentativa de ver o cometa.

 

Curiosidade 1 (alinhamento aparente de astros)

O fato mais curioso da cena astronômica é que os quatro planetas e mais a Lua estarão praticamente alinhados no céu. Na simulação lá no topo do post desenhei uma linha tracejada em amarelo que parte de Saturno e chega em Júpiter. Incrivelmente, ela também passa por Vênus e passa raspando pela Lua e por Marte. Isso prova o quase alinhamento aparente desses cinco astros!

Por que esses astros estarão tão próximos no céu? É sempre divertido, além de interessante exercício de raciocínio geométrico tridimensional, tentar entender o que vemos no céu. Lembre-se de que o que vemos é sempre do ponto de vista terrestre. Temos que nos imaginar sobre o globo da Terra, olhando os demais astros fora dela.

A simulação abaixo, feita com o Solar System Scope (que roda on line e também é gratuito), nos ajuda a entender.

5jan2016_Terra_Lua_Venus_Marte_Jupiter_Saturno

Simulação (propositalmente fora de escala) da posição dos astros do Sistema Solar.

 

Comece pela Terra. É nela que estamos. Imagine que da Terra ainda não vemos o Sol que estará abaixo do horizonte. Daqui do nosso planeta, olhando para o céu ainda escuro, poderemos ver Saturno, Vênus, Marte e Júpiter, quase alinhados e nessa ordem. Só que, pela nossa posição na Terra, os veremos “de baixo para cima”. A Lua, na mesma visada, vai aparecer entre Vênus e Marte.

É interessante observar que os astros estão a distâncias muito diferentes a contar da Terra. A Lua, astronomicamente falando, está quase “grudada” na Terra. Saturno é o mais distante de todos. Mas os nossos olhos, junto com o cérebro, não têm como determinar essas distâncias. Acabamos tendo a impressão de que todos os astros estão numa mesma superfície, a esfera celeste, uma esfera imaginária e negra que envolve a Terra que corresponde ao seu centro geométrico.

Importante: na simulação acima os astros estão propositalmente em tamanho exagerado e fora de escala. Ok? O aplicativo permite, se você quiser, deixar os astros em tamanho real. Só que, para que apareçam todos numa mesma cena, eles acabam ficando pontuais. Acho mais bacana assim, apesar de irreal.

 

Curiosidade 2 (encontro aparente de Vênus e Saturno)

Nas próximas madrugadas, como os quatro planetas têm movimento ao redor do Sol e a Lua ao redor da Terra, o alinhamento de astros vai se desfazendo aos poucos. A Lua, além de mudar sua posição aparente no céu, vai ficando cada vez mais iluminada.

O “alinhamento” de astros é na próxima madrugada. Mas ainda dá para vê-los numa mesma cena, em posições diferentes das que destaquei acima, por mais alguns dias.

Um fato notável é que Vênus e Saturno terão uma incrível aproximação aparente no céu. Entre os dias 8 e 9 de janeiro eles ficarão “grudadinhos”. vale a pena observar e até fotografar a cena. As simulações abaixo, feitas com o Stellarium, mostram exatamente o que vai acontecer.

8e9jan2016_Venus-Saturno

Simulação da aproximação aparente entre Vênus e Saturno.

O cometa “passa” só na próxima madrugada?

Cometas não passam no céu. Não conseguimos, daqui da Terra, perceber o seu movimento em tempo real, a não ser usando instrumentos potentes. Cometas, a olho nu, com binóculos ou telescópios pequenos, são vistos como se estivessem parados no céu. Apenas com o passar de algumas horas é que podemos perceber que, movendo-se ao redor do Sol, o cometa também mudou de posição em relação ao fundo fixo de estrelas. Mesmo de um dia para outro, ao longo de 24h, essa mudança é bem sutil.

Vale lembrar que nesse momento o cometa C/2013 US10 (Catalina) está no limite observacional daqui do hemisfério sul do planeta. Ele ficará visível para nós por mais uns dias. Mas já está bem baixo, ou seja, bem perto do horizonte. Sua observação, que já é complicada, ficará cada vez mais difícil. Creio que não temos mais do que uns três ou quatro dias para tentar vê-lo com binóculo. Uma semana talvez, bem no limite! Aproveite! Depois disso, para vê-lo, só do hemisfério norte.

____________

Tente as suas próprias observações. E deixe comentários nos contanto como foi a experiência astronômica!

Bons céus a todos! Se eu conseguir fotografar, posto as imagens por aqui.


Minhas imagens
[atualizado em 5/janeiro/2016 ~16h30min]

Milagrosamente, o céu nublado limpou no começo da madrugada e pude observar os astros e fotografá-los a partir das 4h30min. Havia uma névoa baixa sobre a serra, que atrapalhou um pouco. Mas consegui ver todos os astros a olho nu, exceto o cometa.

Confira abaixo a cena completa. Consegue identificar cada um os astros?

A cena completa, como na simulação.

A cena completa, como na simulação.

A mesma imagem, agora legendada. Nela, pelo tempo de exposição ainda pequeno, além de baixo ISO, o cometa não foi registrado. Apenas Arcturus aparece bem brilhante, exatamente como vemos a olho nu.

5jan2016_astros-na-madrugada_L

A cena completa, agora legendada.

Para capturar os planetas, usei um tempo de exposição maior, embora insuficiente para registrar o cometa. Como a Lua reflete bastante luz solar, ela não saiu no formato minguante e mais parece uma estrela gigante no céu. Para capturar a Lua (relevo e sutilezas de iluminação) é preciso ajustar melhor o tempo de exposição que não pode ser tão longo.

Mostro uma imagem da Lua mais abaixo. Antes, o mais complicado de tudo: o registro do cometa. Na imagem abaixo, com zoom de 30X na constelação do Boieiro, vemos um ponto bem brilhante que é certamente a estrela Arcturus. O cometa é um dos outros pontos. Mas qual? Confesso que nem com binóculo consegui ver cauda, o que seria uma boa assinatura para o astro. Mas, pela sobreposição da simulação com a imagem real obtida fotograficamente, “acho” que o C/2013 US10 (Catalina) é aquele pontinho indicado pela seta verde.

Zoom na constelação do Boieiro. O cometa parece ser aquele pontinho destacado pela seta verde.

Zoom na constelação do Boieiro. O cometa parece ser aquele pontinho destacado pela seta verde.
O outro ponto, bem mais brilhante, é a estrela Arcturus (alfa do Boieiro).

Pra finalizar, imagem em zoom da Lua Minguante. Ajustando os parâmetros da câmera dá pra registrar perfeitamente bem a “casquinha característica da Lua Minguante”. E, embora bastante tênue,  também podemos ver a parte da Lua não iluminada diretamente pelo Sol e que deveria ser escura. É a luz cinérea! Dá para perceber?

A Lua Minguante e a luz cinérea.

A Lua Minguante e a luz cinérea.

Assim como a Lua reflete a luz do Sol sobre o globo terrestre, criando o luar que bem conhecemos e que deixa as nossas noites menos escuras, a Terra também reflete a luz do Sol que ilumina indiretamente o globo lunar, criando por lá efeito análogo. Se você estivesse na Lua, na porção não iluminada pelo Sol, estaria em plena noite lunar. Ao olhar para o céu, veria o planeta Terra como uma bola azul “boiando” contra o fundo negro e emanando uma luz que, assim como o luar, deixaria a sua noite lunar menos escura. Eu acho esse fenômeno simplesmente lindo! E você?


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Planetas na madrugada fazendo pose para foto
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

planetas_17outubro2015_nublado

Vênus (V), Júpiter (J) e Marte (M) registrados na madrugada de hoje (sábado, 17/outubro/2015)
Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

 

Nos próximos dias, qualquer pessoa que tenha pique para pular da cama mais cedo, pouco antes do Sol nascer, poderá olhar para o céu de madrugada e ver quatro planetas em aproximação aparente. E o melhor de tudo: não vai precisar de nenhum instrumento especial. Bastam os olhos para contemplar a bela cena!

É só olhar um pouco acima do horizonte leste, onde o Sol estará para nascer, e procurar por Vênus, um ponto de aparência estelar e bem brilhante. Depois de encontrá-lo (e é bem fácil porque ele destaca bastante no céu), logo abaixo você verá outros dois pontinhos bem próximos entre si. O mais brilhante deles, à direita, é Júpiter. E o mais fraco, mas bem alaranjado, é Marte. Mercúrio é o mais difícil de ver/encontrar dentre os quatro. Ele estará mais abaixo ainda, bem perto do horizonte, e vai aparecer como um pontinho muito sutil.

Com o passar dos dias, as posições relativas dos planetas vão mudar sutilmente. E por isso, para ajudar nas suas observações, fiz simulações do céu aberto, horizonte leste, para as próximas madrugadas. Usei a latitude e a longitude de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, onde moro. Sem muito rigor, mas com razoável aproximação para o propósito de apenas observar o céu, as simulações valem para todo o território brasileiro.

“Se” o céu estiver bem limpo, é show garantido! Astronomia óptica tem essa louca dependência das condições climáticas…

Tentei registrar o fenômeno na madrugada de hoje. Mas o céu estava parcialmente nublado. Consegui a imagem acima onde Marte quase sumiu por trás das nuvens que, para piorar, “mataram” o seu tom alaranjado característico.

 

Simulações

As simulações abaixo foram feitas com a versão Windows do software Stellarium que é gratuito e de código aberto.  Você também pode baixá-lo e se divertir simulando o céu para a sua localidade. Tem versão para outros sistemas operacionais.

17/outubro/2015 – sábado de madrugada

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18/outubro/2015 – domingo de madrugada

planetas_simula_18outubro2015

19/outubro/2015 – segunda-feira de madrugada

planetas_simula_19outubro2015

20/outubro/2015 – terça-feira de madrugada

planetas_simula_20outubro2015

21/outubro/2015 – quarta-feira de madrugada

planetas_simula_21outubro2015

 

A montagem abaixo destaca os planetas Vênus, Júpiter e Marte, agora vistos com mais zoom. A ideia é mostrar Júpiter e Marte um pouco mais separados já que, visualmente, estão bem próximos no céu. Nas simulações acima, em o céu mais aberto, os dois pontinhos se confundem. Clique na imagem para abrir versão maior.

planetas_simula_17-18-19-20_outubro2015

 

Tente as suas próprias observações e depois deixe o seu comentário aqui no blog. Não se preocupe tanto com exatidão da hora da observação (vale lembrar que estaremos em horário de verão, ou seja, com o relógio adiantado em uma hora). Basta olhar para o céu, pouco antes do Sol nascer, logo acima do horizonte. E do lado leste, onde o Sol aparece. Ok?

Entendendo o fenômeno

planetas_outubro_solarsystemscope_exagerado

Simulação não realística da posição atual dos astros do Sistema Solar feita com o Solar System Scope.

A imagem acima é uma simulação feita on line pelo SolarSystemScope.com. Nela, propositalmente, todos os astros (Sol e planetas) estão fora de escala e exageradamente grandes. É que o software tem a opção de escolher entre uma visão realística ou uma visão exagerada mas que privilegia a beleza das esferas planetárias e da nossa estrela, o Sol.

A visão realística você confere na imagem abaixo. Cientificamente, é a mais correta e, portanto, a melhor. Mas, cá entre nós, é mais “feia” pois esconde a beleza de cada um dos astros.

planetas_outubro_solarsystemscope_realistico

Simulação realística da posição atual dos astros do Sistema Solar feita com o Solar System Scope.

Seja pela imagem mais bonita (e não realística) ou pela imagem mais feia (mas cientificamente mais correta), note que, vistos da Terra, os planetas Vênus, Júpiter e Marte estão praticamente alinhados com a Terra. Isso quer dizer que, para um observador terrestre, esses planetas estarão praticamente na mesma linha de visada, ou seja, vão aparecer no céu como pontinhos visualmente próximos embora, na prática, estejam bem afastados uns dos outros.

Mercúrio, o “menos alinhado” de todos, não está muito longe da linha imaginária que parece ligar os outros planetas. Dessa forma, também estará no céu praticamente na mesma região, apenas um pouco desgarrado do grupo formado por Vênus, Júpiter e Marte.

Entendeu?

Bom céu para você nos próximos dias. Boas observações! 

E mais uma coisa: se eu conseguir mais fotos nas próximas madrugadas, preferencialmente sem nuvens, posto aqui. Combinado?


Galeria com minhas imagens

19/outubro/2015 – segunda-feira de madrugada

Ontem, domingo, 18/outubro, o céu estava bastante nublado. Não deu para ver nada. Mas hoje deu uma limpada. E consegui uma imagem um pouco melhor por volta das 6h, horário de verão. Não consegui ver/fotografar Mercúrio que, imagino, estava sendo ofuscado pela tênue luz avermelhada do Sol nascente e uma névoa baixa logo acima da serra.

planetas_foto_19outubro2015

Vênus, Júpiter e Marte registrados na madrugada de 19 de outubro de 2015.
Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

 

20/outubro/2015 – terça-feira de madrugada

O céu de hoje estava bem parecido com o de ontem. Ligeiramente nublado e com uma névoa bem baixa, logo acima da serra, que não me deixou (novamente) ver Mercúrio. Mas consegui um melhor registro de Vênus, Júpiter e Marte, sobre a cidade acordando, por volta das 5h45min (horário de verão). Confira abaixo em duas imagens: a primeira mais aberta, mostrando a paisagem, as luzes do bairro e os planetas no céu, e segunda mais fechada, com zoom, destacando os três astros no céu que já estava começando a clarear.

Vênus, Júpiter e Marte registrados na madrugada de 19 de outubro de 2015. Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

Vênus, Júpiter e Marte sobre o meu bairro na madrugada de 20 de outubro de 2015.Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!) 

Vênus, Júpiter e Marte registrados na madrugada de 19 de outubro de 2015. Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!)

Vênus, Júpiter e Marte na madrugada de 20 de outubro de 2015, com zoom.Crédito: Dulcidio Braz Jr (Física na Veia!) 


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Vamos pra Marte?
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Minha passagem para Marte na missão Insight

 

Quer ir pra Marte? Eu “vou”, de carona com a Insight da NASA! Meu lugar está garantido! Veja acima a minha passagem confirmada e já emitida!

A missão Insight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA será lançada em 30 de março de 2016 e deve pousar no planeta vermelho em 28 de setembro de 2016.

Mais do que outra missão para Marte, a Insight vai levar instrumentos sofisticados para um estudo geológico que pretende ajudar os cientistas a entenderem melhor a formação de Marte, um planeta rochoso como os três outros planetas interiores do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus e a nossa Terra). Vale lembrar que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, os outros quatro planetas do nosso sistema, são todos gasosos.

Se você é um leitor atento, notou (logo acima) que coloquei aspas em “vou”. É que na verdade só o meu nome vai pra Marte de carona com a Insight, gravado num chip.

Gostou da ideia? Você também pode “ir” nessa missão interplanetária. Clique aqui e garanta a sua passagem. É rápido e a boarding pass sai a hora! Mas só até o dia 8 de setembro. Corre!

Confira mapa mundi que mostra em tempo real o número de inscritos para ter seu nome na Insight em cada país. Logo após a minha inscrição havia 12122 brasileiros cadastrados.

Montagem dos painéis solares da Insight que vai me “levar” pra Marte. Clique para abrir versão em alta resolução.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Lockheed Martin


Para saber mais


Um cometa vai passar muito perto de Marte
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

C2013A1_Marte_SolarSystemScope
Simulação do espetáculo que veríamos se estivéssemos em Marte (via Solar System Scope)

 

Nesse domingo, 19 de outubro, o cometa Siding Spring C/2013 A1 vai passar a apenas 139 mil quilômetros de Marte.
Pode parecer muito. Mas em Astronomia isso é quase nada. Para se ter uma ideia, a distância média Terra-Lua é três vezes maior, cerca de de 384 mil quilômetros (confira nesse post).

Quando descoberto por Robert H. McNaught, em janeiro do ano passado, havia uma forte suspeita de que o cometa iria se chocar com Marte. Observações sistemáticas permitiram coletar dados para traçar com mais precisão a verdadeira órbita do cometa ao redor do Sol. Logo se percebeu que não haveria colisão com o planeta vermelho. Mas já se sabia que o C/2013 A1 passaria de raspão por Marte.

Se estivéssemos lá em Marte, o espetáculo seria lindo! Imagine um cometa passando a 1/3 de distância da Lua à Terra! Como estamos na Terra que atualmente se encontra a cerca de 240 milhões de quilômetros de distância de Marte (1,6 vezes a distância média Terra-Sol), o cometa está muito longe daqui. E, visto de longe, estará praticamente “colado” em Marte para um observador terrestre. Assim, se olharmos para Marte, veremos o de sempre: um pontinho avermelhado bem brilhante no céu e nada mais.

Mas, para sentirmos o gostinho do espetáculo em solo marciano, o site Solar System Scope, que já divulguei anteriormente aqui no blog, criou uma simulação bem bacana. A imagem acima é um print screen dela.

Ficou interessado? Clique aqui  para ir direto para a simulação. Espere o carregamento. A simulação vai mostrar automaticamente o cometa ascendendo no céu marciano por efeito da rotação do planeta. Se quiser vê-la novamente, use o botão restart no rodapé da tela, à direita.

Se clicar no botão to orbit, você sai do solo marciano e vai para o espaço, de onde poderá ver Marte e o cometa em aproximação, como na imagem abaixo onde fica bem claro que a cauda do cometa sempre está, como esperado, em oposição ao Sol (explico esse fenômeno nesse post).

C2013A1_Marte_SolarSystemScope_orbita
Visão do espaço, onde podemos ver o cometa em aproximação com Marte

Experimente clicar/arrastar com o mouse na tela da simulação. Você poderá girar o sistema solar em três eixos, escolhendo qual a melhor posição de observação. As setas do teclado também fazem a mesma função e as teclas + e – do teclado numérico (bem como a rodinha central do mouse) permitem alterar o zoom. É bem divertido!

 

Cobertura ao vivo

Assista a cobertura ao vivo da passagem do cometa Siding Spring por Marte pelo projeto Virtual Telescope. Clique na tecla play para ver a transmissão ao vivo. Se ela ainda não tiver começado, você verá um relógio em contagem regressiva.


Já publicado no Física na Veia! 

 


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