Física na Veia!

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Missão Cassini: colírio para os nossos olhos!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Capa do eBook ” The Saturn System Through the Eyes of Cassini” (crédito: NASA)

 

Você conhece a página de e-Books da NASA? Se não conhece, vale a visita! Tudo gratuito! Garanto que você fará muitos downloads. Diversão mais conhecimento a custo zero!

Sugiro começar pelo The Saturn System Through the Eyes of Cassini, com imagens da missão Cassini que teve seu final na sexta-feira passada com um mergulho suicida da sonda Cassini em Saturno por conta o fim do combustível na nave.

Como sugere o título do e-Book sugere, a obra é uma coleção de informações e imagens de Saturno, seus anéis e algumas das suas luas. É de tirar o fôlego!

São 110 páginas, em inglês, com pouco texto e muitas imagens, tudo organizado nos seguintes capítulos:

Quer uma palhinha do que você encontra por lá? Veja…

 

Detalhes incríveis do planeta Saturno e seu complexo sistema de anéis.

Algumas luas de Saturno como nunca se viu antes

Titã, ao fundo, e Reia

 

Encélado

 

Hipérion

 

Mimas

 

Titã, de várias altitudes, e em solo, registrada pela sonda Huygens que viajou de carona com a
Cassini e pousou com sucesso no satélite

….

Ufa! Não falei que era de tirar o fôlego? E isso é quase nada perto do que tem no e-Book. Manda ver! Alguns cliques e tudo isso (e muito mais) será seu!

Importante: os diversos e-Books estão disponíveis para as diferentes plataformas (iBooks, Kindle readers e Epub) que abrem nos mais diversos dispositivos móveis, alguns dedicados à leitura de e-Book. Mas, se você não tiver como abrir nenhum desses arquivos, baixe a versão em PDF. A diferença é que o PDF é de layout fixo. As verdadeiras versões e-Book são interativas e adaptáveis a qualquer posição de tela, dentre outros recursos, o que é muito mais legal!

Pra encerrar, um detalhe curioso: a missão Cassini-Huygens chegou em Saturno em 2004, ano em que este blog entrou no ar. Lá se vão 13 anos! Viajamos juntos até aqui.

Mas, ao contrário da sonda, não farei nenhum mergulho suicida, encerrando o blog, uma espécie de missão de semear por aí a boa Física e tudo que tem a ver com ela. ‘Por enquanto’ não. Só se você não vier mais aqui e me deixar sozinho. Combinado?

Boa leitura, diversão, e principalmente aprendizado com os e-Books da NASA!


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Registro da passagem da ISS sobre o Brasil
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

ISS_15jan2017

Passagem da ISS sobre São João da Boa Vista. 15 s de exposição. Crédito: Dulcidio Braz Jr

 

A ISS – Estação Espacial Internacional acabou de passar sobre o Brasil.  Na minha cidade/região o evento começou por volta das 20h54min e durou aproximadamente 4 minutos, com a ISS indo do horizonte sul até o leste. Veja, na imagem acima, o registro fotográfico que fiz do evento já no seu quarto final, com a ISS acima do horizonte leste.

A olho nu  a ISS tem aparência estelar, ou seja,  é um ponto luminoso muito parecido com uma estrela, mais ou menos como na imagem abaixo feita por mim em novembro do ano passado, noutra passagem da ISS sobre a minha cidade.

ISS_19nov2016_01

Registro da ISS em 19 de novembro de 2016. Aqui a ISS aparece como pontinho porque não foi usada longa exposição. Crédito: Dulcidio Braz Jr.

Mas as estrelas são fixas no céu.  A ISS se move rapidamente contra o fundo fixo de estrelas. Na imagem no topo do post você vê os pontinhos que são as estrelas fixas e um rastro luminoso que corresponde às posições pontuais sucessivas da ISS registradas hoje ao longo de 15 s de exposição. O risco parece apontar para Prócion, a estrela mais brilhante da constelação do Cão Menor. Na imagem logo acima a ISS foi capturada num único clique, sem o recurso de longa exposição, e por isso aparece como um pontinho no céu, exatamente como a vemos a olho nu.

Na captura de hoje usei a câmera digital fixa no tripé e ISO 320, com disparo retardado e obturador aberto por 15 para registrar o rastro da estação espacial.

Se você quiser observar (e até fotografar) outras passagens da ISS pelo Brasil e exatamente sobre a sua cidade e região, veja as minhas dicas infalíveis nesse outro post. É muito mais fácil do que a maioria das pessoas pensam. E a diversão é garantida!


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Passagem da ISS sobre o Brasil
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

ISS [Fonte: NASA]

ISS [Fonte: NASA]

Hoje, logo de manhã, recebi e-mail do serviço SpotTheStation da NASA avisando que a ISS – International  Space Station iria passar sobre a minha cidade (São João da Boa Vista, SP) e região. Na verdade ela cruzou uma boa parte do território brasileiro.

A mensagem dizia: “Time: Sat Nov 19 7:51 PM, Visible: 5 min, Max Height: 69°, Appears: 24° above SSW, Disappears: 10° above NE”.

Traduzindo: hoje, sábado, 19 de novembro, às 7:51 PM (ou 19:51, horário oficial de verão de Brasília), a estação  espacial ficará visível por 5 minutos na sua região e atingirá altura máxima de 69°, aparecendo no céu perto da coordenada SSW, numa altitude aparente de 24°, e desaparecendo próximo da coordenada NE, numa altitude aparente de 10°.

Eu havia acabado de chegar de Campinas onde participei da XXXVII Oficina de Física do IFGW/Unicamp e, apesar de cansado, não poderia perder esse espetáculo. Para ajudar, o céu estava muito limpo.

Montei minha câmera no tripé e, na hora exata, comecei a observar o céu. Demorei um pouco para começar a ver a ISS. É que o céu, a SSW, com o Sol poente, estava ainda bastante claro. Mas logo avistei o pontinho luminoso que já cruzava o céu com velocidade aparente bastante grande¹.

Depois que a ISS passou para o outro lado do céu, um pouco mais escuro, o contraste ficou melhor. E, nessa posição, ela estava refletindo a luz solar bem para onde eu estava. Aí consegui fazer um vídeo. E dele retirei alguns frames. Confira as imagens abaixo. Destaquei a ISS (pontinho luminoso) com um círculo para facilitar a visualização.

ISS_19nov2016_01

ISS_19nov2016_02

ISS_19nov2016_04

 

Em breve, com mais tempo, edito o vídeo é posto por aqui.

Se você também quer entrar nessa divertida brincadeira de observar a ISS, dou todas as dicas nesse post onde também passo as coordenadas para você se inscrever em serviço gratuito da NASA que avisa a cada passagem da estação espacial sobre a sua cidade/região. Vale a pena. É sempre muito divertido, especialmente você se lembrar que dentro daquele mero pontinho viajam alguns tripulantes!


 1 – A ISS orbita a Terra a aproximadamente 400 km de altitude e dá uma volta em nosso planeta a cada 90 minutos aproximadamente. Isso equivale a dizer que ela tem velocidade real de pouco mais de 7 km/s e por isso é vista como um pontinho luminoso que rasga o céu com velocidade aparente bastante grande. Vale lembrar que a ISS reflete a luz solar. Quando ela começa a ser vista significa que ela mergulhou no cone de luz solar. Da mesma forma, quando desaparece para um observador fixo na Terra, é porque ela entrou na sombra do nosso planeta.

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De olho na sonda Juno
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

NASA_eyes

Página inicial do NASA’s Eyes

 

A manobra de inserção orbital da sonda Juno (veja post anterior) foi um sucesso!

A sonda agora orbita o planeta Júpiter numa trajetória elíptica bastante excêntrica, ou seja, bastante alongada. Dessa forma a nave poderá passar bem longe de Júpiter, ponto chamado de apojove, a cerca de 8 milhões de quilômetros. E meia volta depois fará aproximação para dar uma rasante no gigante gasoso do Sistema Solar, passando pelo perijove, ponto de máxima aproximação, a cerca de 4000 quilômetros de altitude. A órbita vai se repetir 37 vezes, ou seja, serão 37 sobrevoos ao longo de 18 meses de operações. Em cada uma dessas passagens rasantes a sonda terá a oportunidade de fazer registros que vão de imagens do planeta gigante gasoso até medidas de diversos parâmetros que pretendem nos revelar como Júpiter surgiu e evolui até a configuração atual.

Você pode seguir a Juno através dos olhos da NASA, ou seja, do aplicativo NASA’s Eyes que faz várias simulações interessantes. Assim que entrar no site, instale o aplicativo. E rode seus módulos “Eyes on the Earth”, Eyes on the Solar System”, “Eyes on Exoplanets”, além dos Solar System Tours “Juno”, New Horizons”, dentre outros.

A imagem abaixo mostra a página inicial do módulo “Juno” onde você vê a sonda e seus avantajados painéis solares. Clique/arraste sobre a sonda com o mouse para girá-la nos três eixos. Isso é bem bacana para uma inspeção visual em todas as partes da nave. Dá para dar zoom in/out com as setas para cima/para baixo (no teclado) ou com a rodinha do mouse.

NASA_eyes_Juno_home

Tela inicial de “Juno”

Clicando no botão “Explore” que fica na parte de baixo da tela, bem ao centro, você entra no modo que mostra a trajetória da Juno. Aí, dentre outras coisas, você pode simular a manobra de inserção orbital (imagem abaixo) e ver o quão perto a nave chegou do gigante gasoso para ser capturada pela gravidade do astro de forma controlada tal que pudesse entrar de forma perfeita na órbita desejada pelos cientistas sem se perder no espaço e nem cair no planeta.

NASA_eyes_Juno_OI

Simulação da delicada inserção orbital

Clicando no botão “Now” que fica na parte de baixo da tela, à esquerda, o aplicativo mostra a posição atual da sonda Juno. Dá para fazer tracking da nave, ou seja, sempre que quiser, saber exatamente onde ela está. Quando eu escrevia esse post a posição da sonda era a que você confere na imagem abaixo. Note que ela  já contornou Júpiter e dele agora se afasta a fim de completar a sua órbita elíptica bastante excêntrica. No lado direito da tela há uma janela retangular vertical na qual você acompanha em tempo real a distância da Juno até Júpiter, a sua velocidade relativa a Júpiter e ainda a sua velocidade relativa à Terra. Bem no canto superior direito da tela há o botão “Controls” que dá acesso a “Toggle Units” (ícone de uma reguinha) que permite mudar a unidade de distância para quilômetro (km) bem como a unidade de velocidade para quilômetro por hora (estranhamente grafada como km/hr em vez de km/h). Originalmente a distância está em milhas e a velocidade em milhas/hora, o que não nos é muito familiar.

NASA_eyes_Juno_Now

Dá para seguir a sonda, em tempo real

 

Há ainda uma opção divertida de gerar a simulação em 3D. Procure por “3D” no botão “Controls”, aquele que fica no canto superior direito da tela. Se você tiver óculos 3D anaglíficos, aqueles com uma lente azul e outra vermelha (confira receita “caseira” nesse post), poderá brincar com a simulação que vai parecer saltar para fora da tela do computador.

NASA_eyes_Juno_3D

Modo 3D anaglífico

Há outras funções no aplicativo e seus diversos módulos. Vá clicando sem medo e descobrindo tudo o que dá para fazer.

Divirta-se! E siga de perto essa missão histórica que promete muitas novidades científicas, além das tão esperadas imagens de Júpiter em close-up!


Para saber mais

 


A sonda Juno está chegando ao seu destino
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

NASA Juno Mission Trailer

 

Depois de cinco anos de viagem espacial, a sonda Juno da NASA finalmente está chegando ao seu destino: o misterioso planeta Júpiter.

A nave vai orbitar o planeta para, mais de perto, estudá-lo por um período de 18 meses . Serão 37 sobrevoos a pouco mais de 4000 km da espessa camada gasosa externa do planeta. O recorde anterior de aproximação pertence à sonda Pioneer 11, de 1974, que passou a 43000 km do planeta.

Momento crítico

A orbit insertion, ou inserção orbital em português, é uma manobra importante e da qual depende o futuro da missão. Como toda órbita é uma perfeita combinação de velocidade e altitude (confira a ideia em post ainda na plataforma antiga do blog), a sonda precisa estar no lugar (ou altitude certa) e com a velocidade vetorial correta para entrar na órbita desejada pelos cientistas responsáveis pela missão. Qualquer falha pode fazer com que a órbita não se concretize. O evento acontecerá hoje, 4 de julho, com transmissão em tempo real pela NASA TV a partir das 23h30min (horário de Brasília).

Já em clima de ‘quase’ férias escolares, preguiçoso, vou ficar só espiando (e torcendo) de longe confortavelmente deitado em minha cama com tablet e celular nas mãos. Mas dois amigos ativistas da divulgação científica (e nada preguiçosos!) farão cobertura em tempo real: Salvador Nogueira (do Mensageiro Sideral), jornalista da Folha e meu vizinho da blogosfera do UOL, e Sérgio Sancevero (do Space Today). Deixo abaixo as janelas para as duas coberturas (em português) que prometem competência e bastante confiabilidade. Estarei ligado nas duas, além da NASA TV.

Salvador Nogueira (do Mensageiro Sideral)

Sérgio Sancevero (do Space Today)

Acompanhe esse momento científico histórico! E fique na torcida para que tudo corra bem! A sonda Juno promete nos brindar com imagens e informações (medidas) inéditas sobre o nosso belíssimo vizinho gigante gasoso!


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Dica: como ver a ISS passando sobre a sua cidade
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

ISS

A belíssima Estação Espacial. Crédito: NASA.

 

Acabei de ver uma belíssima passagem da ISS, a Estação Espacial Internacional, que começou às 18h58min e durou cerca de 6 minutos. A ISS estava bem brilhante, se destacando contra o fundo quase escuro do céu ao cair da tarde.

Você não sabia que dá para ver a ISS passando sobre a sua cidade? Sim! A olho nu! E é bem fácil de ver! Ela aparece como um ponto bem brilhante, como se fosse uma estrela, se movendo bem rápido já que a sua velocidade real é de aproximadamente 27000 km/h (veja, na fanpage do Física na Veia! no Facebook, foto  mostrando uma passagem da ISS sobre São Carlos, interior de São Paulo. O registro foi feito pelo meu amigo Gustavo Rojas, astrofísico da UFSCar).

O “truque” começa por descobrir com antecedência dia/hora em que ocorrerá uma passagem da ISS sobre a sua cidade. Existem softwares para computador, tablet e smartphone que calculam as passagens da ISS (bem como de outros satélites) na sua região.

Tenho usado um serviço gratuito da NASA, muito simples e bastante eficiente, o Spot The Station, mostrado na imagem a seguir.

ISS_NASA_STS

Página inicial do Spot The Station, da NASA

Assim que você acessa o site, pode escolher o seu país e a sua cidade. Se não encontrar a sua cidade na lista, escolha a mais próxima. No meu caso (veja na imagem acima) escolhi Campinas, a 120 km daqui de São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Em seguida, basta clicar no botão azul “GO” e o sistema calcula, em tempo real, as passagens com base na data do sistema operacional do seu computador. Veja, a seguir, as passagens da ISS para a data de hoje para a minha região.

ISS_NASA_STS_tabela

Tabela gerada pelo Spot The Station da NASA

Note que o sistema retorna uma “família” de passagens da ISS em torno da data da consulta (no meu caso, 27 de fevereiro). A passagem que acabei de ver corresponde à quarta linha da tabela, que teve início às 6:59 PM (18h59min, horário de Brasília), com duração de cerca de 6 min e altura máxima de 34 graus. O sistema avisa, em coordenadas geográficas (N, S, E, W) e altitude (em graus) o ponto aproximado onde a ISS vai aparecer (Appears) bem como o ponto onde ela vai desaparecer (Disappears). E fornece ainda a altitude máxima da trajetória aparente (Max Height) também em graus. Quanto mais alta a ISS passar no céu, melhor para avistá-la (lembre-se de que observações de objetos próximos ao horizonte são sempre mais complicadas por conta das poluições atmosférica e luminosa). Tudo isso é bastante útil para sabermos para onde dirigir o olhar para começar a avistar a passagem bem como entender como será a trajetória aparente da ISS no céu, como ilustrado na imagem a seguir retirada do próprio site do Spot The Station.

ISS_astro_horizon

Esquema para entender a trajetória aparente da ISS no céu

Mas o mais legal do Spot The Station é clicar no botão azul “Sign Up for Alerts now!” que aparece no topo da tabela. Ele dá acesso a um sistema de cadastramento. Você fornece o seu endereço de e-mail e, toda vez que a ISS for passar na sua região, o sistema envia mensagem de alerta com antecedência suficiente para que você possa se organizar para fazer a observação.

O e-mail é bastante direto e contém apenas informações sobre a passagem da ISS. Quer um exemplo? Veja, abaixo, o conteúdo da mensagem que recebi avisando sobre a passagem da ISS de hoje:

Time: Sat Feb 27 6:58 PM, Visible: 6 min, Max Height: 42°, Appears: 10° above NNW, Disappears: 11° above SE

São, basicamente, as mesmas informações da tabela. Dia/hora do início da passagem, altura máxima (em graus) da trajetória e ponto inicial e final da trajetória.

Para não ter erro, gosto de simular cada passagem da ISS usando o software Stellarium, planetário desktop (freeware e opensource) para Windows e outras plataformas, inclusive sistemas operacionais móveis. Assim, dá para saber a trajetória exata da ISS e garantir um bom local para observar a passagem em toda a sua plenitude. Confira abaixo simulação para a passagem de hoje. O arco branco mostra o caminho da ISS no céu. Por sorte, hoje, a ISS passou bem diante das janelas do meu apartamento voltadas para o leste. Vi tudo praticamente de camarote!

ISS_27fev2016

Simulação (com o software Stellarium) da passagem da ISS hoje sobre a minha cidade

Com o aplicativo ISS Finder, para iOS, além de acompanhar a trajetória da ISS em torno da Terra em tempo real e prever passagens pela sua cidade/região, dá para saber qual é a tripulação atual da ISS, ou seja, que astronautas estão a bordo da nave. É muito louco, quando vemos o pontinho luminoso cruzando o céu sobre nossas cabeças, imaginar que dentro dele, a cerca de 400 km de altitude, estão alguns astronautas em plena missão espacial!

ISS_Crew

Tela do aplicativo ISS Finder rodando no iPad mostra os seis atuais tripulantes da ISS

O ISS Spotter, para iOS, também é um bom “tracker” da ISS. Estou testando-o.

Outra coisa divertida a se fazer é ver a Terra registrada em tempo real e em HD diretamente da ISS. Enquanto aguarda a passagem da ISS, você pode ficar vendo as imagens da Terra. É como se você estivesse de carona com os astronautas, a bordo da ISS, vendo a sua região lá de cima. Pelo site  www.n2yo.com/space-station você pode acompanhar a ISS em suas sucessivas órbitas ao redor da Terra e, em tempo real, ver imagens da Terra vista do espaço. Confira abaixo um “print” das telas do sistema, incluindo imagens em vídeo.

ISS_n2yo

Página do n2yo.com

 

Enquanto escrevia esse post, a ISS está dando uma volta completa ao redor da Terra, viajando cerca de 40000 km (circunferência da Terra) à taxa de 27000 km/h, o que dá aproximadamente (40000 km)/(27000 km/h) = 1,5 h. Logo, fará nova passagem sobre a minha região, desta vez bem curtinha (cerca de 1 min) e bem baixa (em torno de 11 graus), daqui uns 10 minutos. Trajetória tão baixa, próxima do horizonte, é bem difícil de observar. Mas não custa nada tentar! Na próxima madrugada (veja tabela lá em cima) terei outra passagem da ISS, dessa vez bem mais alta no céu, e com duração de 4 min.

Fica a dica. Tente seguir a ISS, ver imagens da Terra vista do espaço em tempo real, e principalmente descobrir passagens sobre a sua cidade/região. É muito divertido!

Se você tem tablet ou smartphone que roda Windows Phone ou Android, procure por aplicativos na loja oficial do sistema operacional. Busque por “ISS” ou “satellite tracking”. Certamente você encontrará boas opções. Experimente e veja aquela com a qual se dá melhor.  Mas o Spot The Station mais o www.n2yo.com/space-station  dão conta do recado com folga e garantem bons momentos de diversão.

Boas observações!

 


 

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Que tal orbitar Ceres de carona com a Dawn?
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O JPL – Jet Propulsion Laboratory da NASA divulgou hoje o vídeo acima feito com imagens capturadas pela sonda Dawn.

A ideia é simular um vôo em órbita do planeta anão Ceres, o maior objeto do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.

Um tratamento de imagens contribuiu para acentuar as diferenças sutis da superfície do astro e seus diferentes materiais.

O filme, produzido pelo DLR – Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt (Centro Aeroespacial Alemão), usou imagens feitas entre agosto e outubro de 2015 quando a Dawn orbitava Ceres a uma altitude de cerca de 1.450 quilômetros.

Em junho do ano passado publiquei texto perguntando Qual o seu palpite sobre as manchas em Ceres?. Na ocasião, duas pequenas manchas claras, dentro da cratera Occator, registradas ainda de longe, se destacavam em contraste com a superfície mais escura do planeta anão. No vídeo você poderá vê-las bem mais de perto e em detalhes.

O assunto fez bastante barulho dentro e fora da comunidade científica. A NASA, numa ação divertida de marketing, lançou enquete instigando os internautas a escolherem, dentre algumas opções, o que poderiam ser as tais manchas. Sem maior conhecimento de como a imagem havia sido feita, sem conhecer a calibragem da câmera e nem sequer saber que, na verdade, os pontinhos brilhantes não eram tão brilhantes mas assim pareciam por contraste com a superfície mais escura do planeta, chutei vulcanismo. Errei feio! A partir da análise espectroscópica do material constituinte das manchas, técnica que permite descobrir as substâncias químicas presentes na fonte de luz, e com imagens mais próximas do interior da Occator, os pesquisadores da NASA tendem fortemente a acreditar que as manchas são, na verdade, duas grandes regiões com vários pontos de depósito de sais presentes no oceano que fica abaixo da crosta rochosa de Ceres e que brotam na superfície depois do impacto de pequenos corpos celestes.

Aperte os cintos. Coloque o vídeo em HD, em tela inteira. E boa viagem!


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O coelho… digo… vídeo de Alice
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“Medicina nuclear salva vidas” é o nome do vídeo  acima que foi criado pela estudante brasileira Alice Cunha da Silva que cursa o quinto ano de Engenharia Nuclear na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Fazer um vídeo de até 60 s era o primeiro desafio proposto pela Nuclear Olympiad (Olimpíada Nuclear), evento internacional de nível universitário promovida pela WNU (World Nuclear University). O vídeo foi inspirado no problema de saúde da própria avó que tem câncer e faz tratamento com radioterapia.

Mesmo sem muitos recursos técnicos, Alice, que usou o Windows Movie Maker, software gratuito do MS Windows para editar vídeos, passou pela primeira etapa em meados desse ano por votação via web e foi convocada para a disputa final com outros quatro universitários de outros países.

Ontem, 17 de setembro de 2015, Alice cumpriu a segunda e árdua etapa da competição que previa defesa presencial da sua dissertação sobre o tema do vídeo para uma banca em Viena, na Áustria. Adivinhe? Alice conquistou o primeiro prêmio!

Parabéns para a Alice! Sensacional!

Que o prêmio sirva de estímulo e inspiração para outros jovens estudantes brasileiros aplicados e talentosos!  E que prevaleça, sobretudo, o seu exemplo de superação ao transformar um problema familiar em combustível para seu trabalho de pesquisa!


Só para constar… aproveitando o embalo…

No CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, onde fica o LHC – Large Hadron Collider e onde em 2010 tive o privilégio de participar como bolsista da CAPES da Escola de Física do CERN – Portuguese Programme, há uma laboratório avançado de pesquisas em radioisótopos.

Muitos criticam o alto custo de construção e manutenção do LHC. Mas desconhecem que, por trás da pequisa pura em Física de Partículas, há muito conhecimento e especialmente muita tecnologia derivada com aplicações diretas em nossas vidas. São os chamados spinoffs. Quer exemplos?

 

A própria NASA, que precisa justificar continuamente os custos com seus projetos, faz questão de deixar claras as aplicações derivadas das suas pesquisas na área da ciência aeroespacial. Dessa forma custo se transforma em investimento! Confira os links abaixo:


Saiba mais sobre Alice e a competição internacional

 


Vamos pra Marte?
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Minha passagem para Marte na missão Insight

 

Quer ir pra Marte? Eu “vou”, de carona com a Insight da NASA! Meu lugar está garantido! Veja acima a minha passagem confirmada e já emitida!

A missão Insight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA será lançada em 30 de março de 2016 e deve pousar no planeta vermelho em 28 de setembro de 2016.

Mais do que outra missão para Marte, a Insight vai levar instrumentos sofisticados para um estudo geológico que pretende ajudar os cientistas a entenderem melhor a formação de Marte, um planeta rochoso como os três outros planetas interiores do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus e a nossa Terra). Vale lembrar que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, os outros quatro planetas do nosso sistema, são todos gasosos.

Se você é um leitor atento, notou (logo acima) que coloquei aspas em “vou”. É que na verdade só o meu nome vai pra Marte de carona com a Insight, gravado num chip.

Gostou da ideia? Você também pode “ir” nessa missão interplanetária. Clique aqui e garanta a sua passagem. É rápido e a boarding pass sai a hora! Mas só até o dia 8 de setembro. Corre!

Confira mapa mundi que mostra em tempo real o número de inscritos para ter seu nome na Insight em cada país. Logo após a minha inscrição havia 12122 brasileiros cadastrados.

Montagem dos painéis solares da Insight que vai me “levar” pra Marte. Clique para abrir versão em alta resolução.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Lockheed Martin


Para saber mais


Plutão: mais imagens e novidades
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Plutão em detalhes. Mosaico divulgado hoje, 24/julho, feito a partir e quatro imagens distintas.
Fonte: NASA.

 

A equipe de cientistas da NASA, responsável pela missão New Horizons, liberou novas imagens e informações sobre Plutão colhidas recentemente pela sonda em aproximação com o planeta-anão entre os dias 13 e 14 de julho.

A imagem acima (veja a original em maior resolução), feita em 13/julho mas só divulgada hoje, é incrível! Ela foi capturada a 480 000 km de distância, quando a sonda ainda se aproximava do pequeno astro. Mas é bastante rica em detalhes! Nela podemos distinguir sutilezas superficiais de 2,2 km. Trata-se de um mosaico obtido a partir de quatro imagens distintas de todo o globo Plutão feitas em alta resolução em preto e branco pelo instrumento de bordo batizado de LORRI – Long Range Reconnaissance Imager. Combinando o resultado do mosaico com imagens em cores mas em menor resolução feitas pelo Ralph, outro instrumento da sonda, os cientistas conseguem reconstituir as cores reais do astro.

A imagem abaixo, também colhida no dia 13/julho, poucas horas antes da máxima aproximação com Plutão, mostra o planeta-anão e Caronte, a maior de suas cinco luas. Ela é considerada até o momento como o melhor “retrato de família” obtido pela mesma técnica que combina dados dos dois instrumentos (LORRI e Ralph).

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Plutão e Caronte: “retrato de família”. Fonte: NASA.

Em coletiva de imprensa hoje cientistas da New Horizons revelaram evidências de possíveis correntes de gelo na porção norte da região de Plutão em forma de coração (imagem abaixo). Confira outras imagens em close-up e mais informações aqui.

Evidências do movimento de gelo na superfície de Plutão. Fonte: NASA.

Evidências de movimento de gelo na superfície de Plutão. Fonte: NASA.

Vale lembrar que todos os dados colhidos pela New Horizons em trajetória de aproximação com Plutão e também no voo rasante sobre a superfície do planeta-anão foram armazenados no sistema de computadores da sonda. O centro de controle tem que recuperar tudo o que foi registrado fazendo download do material digital. Como a sonda passou por Plutão e está se afastando cada vez mais do Sol (e também da Terra), os sinais eletromagnéticos portadores das informações vão demorar cada vez mais para chegar ao centro de controle, mesmo viajando a quase 300 000 km/s, a velocidade da luz no vácuo. Serão ainda muitos dias de trabalho e expectativa!

 

[Atualização – 25/julho/2015 – 14h38min]

Outra imagem linda e, especialmente, significativa, também feita pelo Long Range Reconnaissance Imager (LORRI). Confira.

Plutão, iluminado pelo Sol por trás mostra apenas uma silhueta negra. Mas fica bem evidente a sua atmosfera em forma de anel brilhante que envolve o globo do astro. Fonte: NASA.

Plutão, iluminado pelo Sol por trás. Vemos apenas uma silhueta negra. Mas fica bem evidente a sua atmosfera, uma espécie de névoa, em forma de anel brilhante que envolve o globo do astro. Fonte: NASA.

Não entendeu a curiosa imagem?  Explico. Podemos ver a silhueta escura de Plutão, agora retroiluminado pelo Sol. A atmosfera, ao redor do astro, aparece como um anel de névoa brilhante.

O registro foi feito a cerca de 2 milhões de quilômetros de Plutão, poucas horas depois da máxima aproximação com o planeta-anão. Mas chegou ao centro de controle, via download, no dia 23 de julho.

Segundo os cientistas, há duas camadas distintas na atmosfera. A primeira, junto à superfície, com cerca de 80 km de espessura. E uma segunda, sobreposta, com espessura de 50 km.

Clique aqui para abrir imagem direto do site da NASA em maior resolução.

Por que antes víamos imagens de Plutão iluminado e agora só vemos a sua silhueta?

Plutao_New_Horizons_aprox_afast

Durante a aproximação a sonda New Horizons (NH) estava entre o Sol e Plutão e “via” a face iluminada (dia) do planeta-anão. Agora, em afastamento, só consegue “ver” a face não iluminada (noite) de Plutão.

 

Como ilustrado acima, propositalmente fora de escala, até a máxima aproximação com Plutão o Sol ficava “às costas” da sonda New Horizons (NH), iluminando completamente a face de Plutão voltada para seus instrumentos. A sonda estava entre o Sol e Plutão. E “enxergava” a superfície de Plutão completamente iluminada pela luz solar, ou seja, onde era dia.

Mas a New Horizons (NH) ultrapassou Plutão depois do sobrevoo rasante em 14 de julho. E segue viagem, afastando-se cada vez mais do Sol (e de Plutão, obviamente).

A partir de então, Plutão é que está entre o Sol e a sonda. A sonda teve que girar para continuar “olhando” para Plutão que ficou para trás. E agora só consegue “ver” o lado do planeta-anão não iluminado, ou seja, a superfície de Plutão onde é noite.

Deu para entender?

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