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Blog Física na Veia

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Vamos observar o eclipse solar desta terça-feira (2/julho)?

Prof. Dulcidio Braz Júnior

01/07/2019 20h42

Estreita faixa central por onde a sombra da Lua Nova vai passar sobre a superfície da Terra. E a região da parcialidade do eclipse demarcada em amarelo. (Fonte)

 

Amanhã, 2 de julho, tem eclipse solar total! A totalidade, infelizmente, não será visível daqui do Brasil. Mas poderemos ver a Lua Nova entrando parcialmente diante do disco solar. E, quanto mais ao sul do país, maior a porcentagem de cobertura do Sol.

A imagem acima mostra a estreita faixa de totalidade, ou seja, os raros locais por onde a sombra (ou umbra) da Lua Nova vai passar pela Terra e de onde os habitantes do planeta poderão ver a Lua Nova cobrindo por completo o disco solar. Experimente o mapa interativo (de onde retirei a imagem). Nele, dando zoom, você encontra a sua localidade e pode consultar os dados locais do eclipse.

Com zoom, clicando sobre a minha localidade, uma caixa se abre mostrando os principais dados do eclipse.

 

Clicando com o botão esquerdo do mouse (se estiver no computador) ou tocando na tela (se estiver no smartphone), uma caixa de diálogo vai se abrir apresentando os dados exatos do eclipse para a sua localidade. Para a minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo, Brasil, como podemos ver na imagem abaixo, o eclipse será penumbral (parcial) e vai durar 30 min 36,2 s.

Em detalhe, caixa com os dados do eclipse solar para a minha localidade. Verifique os dados do eclipse para o seu local.

 

Aprofundando as informações, o evento para minha localidade vai começar às 20:02:21,7 (UT – Universal Time). Como estou a -3 h do UT (ou horário de Greenwich), basta subtrair 3 h de 20:02:21,7 e obtenho 17:02:21,7 (horário de Brasília). Neste horário o Sol já estará bem baixo, perto do horizonte oeste, preparando-se para se por. O máximo da parcialidade para mim vai ocorrer às 20:55:28,5 e, seguindo a mesma lógica, tirando 3 h, exatamente às 17:55:28,5 (horário de Brasília). Mas o por do Sol, sunset, já terá sido antes, às 17h33min (horário de Brasília). 

Confira abaixo simulações da cobertura do disco solar para a minha cidade.

Simulação: a Lua começando a "morder" o Sol abaixo, à esquerda.

 

Simulação: pouco menos de 30% de cobertura do disco solar pela Lua, coincidindo com o por do Sol.

 

Vamos observar?

Antes de tudo, nunca olhe diretamente para o Sol por longo período. E o que pode ser ainda mais perigoso: jamais mire o Sol usando lunetas, binóculos, ou qualquer instrumento que concentre a luz solar porque você pode torrar células da retina e ficar cego! Papo seríssimo! 

Existem filtros solares específicos para observação do Sol. Mas não são fáceis de encontrar. E são caros.

Um meio seguro de observar o Sol é usar um vidro de soldador número 14. Você compra em casa de ferragens e é bem barato. O único inconveniente é que o seu Sol normalmente alaranjado ficará verdinho. Mas dá para ver silhueta da Lua Nova cobrindo o disco solar com muita nitidez e em tempo real. E o mais importante: segurança!

Outra forma bem segura e divertida de observar o Sol é por projeção. Consiga um pedaço de cartolina ou papelão e faça nele um furo central mais ou menos do diâmetro de um lápis. Com este simples dispositivo caseiro é possível projetar num anteparo (no chão ou numa parede) uma imagem nítida do disco solar.

Nada de usar vidro enegrecido com a chama de uma vela, antigos negativos de filme fotográfico. Não invente! Sua saúde ocular vem primeiro. Combinado? 

 

Vou tentar observar e fotografar o fenômeno. Tente você também! Se eu conseguir boas imagens, posto aqui logo no começo da noite da terça.

 

Abraço do prof. Dulcidio! Física e Astronomia na veia, com excelentes observações!


Para saber mais


Já publicado no Física na Veia!

Sobre o autor

Dulcidio Braz Jr é físico pelo IFGW/Unicamp onde atuou como estudante e pesquisador no DEQ – Departamento de Eletrônica Quântica no final dos anos 80. Mas foi só começar a lecionar física para perceber que seu caminho era o da educação. Atualmente, além de professor, é autor de material didático pelo Sistema Anglo de Ensino / Somos Educação e pela Editora Companhia da Escola. É pioneiro no Brasil no ensino de Relatividade, Quântica e Cosmologia para jovens estudantes do final do ensino médio e início do curso superior. E faz questão de dizer que, aqui no blog, é professor/aluno em tempo integral pois, enquanto ensina, também aprende.

Sobre o blog

"O Física na Veia! nasceu em 2004 para provar que a física não é um “bicho papão”. Muita gente adora física. Só que ainda não sabe disso porque trocou o conteúdo pelo medo. Se começar a entender, vai gostar. E concordar: a Física é pop! Pelo seu trabalho de divulgação científica, especialmente em física e astronomia, sempre tentando deixar assuntos árduos mais leves sem jamais perder o rigor conceitual, o Física na Veia! foi eleito por um júri internacional como o melhor weblog do mundo em língua portuguesa 2009/2010 pelo The BOBs – The Best of Blogs da alemã Deutsche Welle."

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