Física na Veia!

Arquivo : maio 2016

19/05: Dia do Físico
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Dia_do_Fisico_2016

Desmembre 1905 em 19 e 05 e terá 19 de maio

 

Hoje, 19/05, é o Dia do Físico!

A data foi escolhida porque 19/05 lembra 1905, inesquecível ano em que o jovem Albert Einstein (1879-1955) publicou cinco artigos originais, todos de relevância para a Física.

Você sabe quais foram esses cinco artigos de Einstein e do que tratavam? Confira a seguir:

1. “Sobre um ponto de vista heurístico concernente à geração e transformação da luz”
(Título original “Über einen die Erzeugung und Umwandlung des Lichtes betreffenden heuristischen Standpunkt”)<
2. “Sobre uma nova determinação das dimensões moleculares”
(Título original: “Eine neue Bestimmung der Moleküldimensionen”)
3. “Sobre o movimento de partículas suspensas em fluidos em repouso, como postulado pela teoria molecular do calor”
(Título original: Über die von der molekulartheoretischen Theorie der Wärme geforderte Bewegung von in ruhenden Flüssigkeiten suspendierten Teilchen”)
4. “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”
(Título original: “Zur Elektrodynamik bewegter Körper”)
5. “A inércia de um corpo depende da sua energia?
(Título original: “Ist die Trägheit eines Körpers von seinem Energieinhalt abhängig?”)

No primeiro artigo Einstein descreve o Efeito Fotoelétrico de forma original, com base no conceito de quantum de Max Planck (1858-1947) publicado oficialmente em dezembro de 1900. Foi por conta do seu trabalho sobre o Efeito Fotoelétrico que Einstein ganhou o Nobel de Física em 1921. O segundo artigo foi recorde de citações entre os trabalhos científicos na época e foi aceito como tese de doutoramento na Universidade de Zurique. O terceiro, também bastante conhecido e importante, trata do Movimento Browniano. O quarto é nada mais nada menos do que a semente da Teoria da Relatividade Restrita (ou Especial). E o quinto nos brinda com a mais famosa equação de toda a Física: E = m.c². Ufa! Tá bom pra você?!

Por conta desta enorme inspiração de Einstein, 1905 ficou conhecido como o segundo annus mirabilis (ou ano miraculoso) da Física. O primeiro annus mirabilis da Física foi 1666, um ano muito produtivo para Sir Isaac Newton (1643-1727) e no qual publicou a sua importantíssima Lei da Gravitação Universal, a primeira teoria a descrever com sucesso a atração gravitacional entre os corpos dotados de massa, além de ideias de Mecânica, Óptica, e a sua versão pessoal do Cálculo Diferencial e Integral, ferramenta que “inventou” para uso próprio, ou seja, para suportar as suas sofisticadas ideias que, até então, não podiam ser descritas pela Matemática pré existente.

PARABÉNS A TODOS OS FÍSICOS!

 


Mais uma edição da OBA
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Alunos do ensino fundamental do Anglo São João, São João da Boa Vista, SP, na OBA 2016.

Alunos do ensino fundamental do Anglo São João, São João da Boa Vista, SP, na OBA 2016.

 

Você sabe o que é OBA? OBA é a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, evento oficial da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira e da AEB – Agência Espacial Brasileira.

Aconteceu ontem, dia 13 de maio, sexta-feira, em todo o território nacional, a XIX edição dessa importante olimpíada estudantil destinada a alunos de escolas públicas e privadas do ensino fundamental até o médio. Para ser compatível com estudantes de idades tão diferentes, são quatro níveis de provas:

– Nível 1: primeira à terceira série do ensino fundamental
– Nível 2: quarta e quinta série do ensino fundamental
– Nível 3: sexta à nona série do ensino fundamental
– Nível 4: primeira à terceira série ensino médio

Tive o prazer de aplicar pessoalmente a prova para meus alunos do Anglo São João, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo.

Agora é hora de arregaçar as mangas e corrigir as avaliações com atenção e seguindo o gabarito oficial do evento.  Depois temos que lançar as notas no site. E enviar as provas físicas para serem arquivadas junto à comissão organizadora do evento que fica no Instituto de Física da  UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro sob coordenação do prof. Dr. João Batista Canalle. Depois que todas as notas de todos os estudantes do Brasil forem oficializadas no sistema, serão definidas as medalhas de ouro, prata e bronze por faixas de rendimento na prova.

Fico na torcida pelos sucesso dos meus alunos e também pelo sucesso de inúmeros talentos da Astronomia e da Astronáutica espalhados por todo o nosso país. Vale lembrar que os melhores alunos da OBA 2016 serão selecionados para um curso de aprofundamento à distância organizado por astrônomos profissionais da SAB e que, depois de várias provas via internet, serão selecionados para a prova final presencial que vai constituir as equipes de estudantes brasileiros do ensino médio que defenderão o nosso país nas olimpíadas internacionais de Astronomia 2017.

OBA2016_EM

Alunos do ensino médio do Anglo São João, São João da Boa Vista, SP, fazendo a prova da OBA.


Paralelamente à OBA aconteceu também a X MOBFOG – Mostra Brasileira de Foguetes na qual alunos devem construir e lançar foguetes artesanais. Saiba mais sobre a MOBFOG no próprio site da OBA.

Parabéns a todos os alunos que fizeram a prova e construíram e lançaram seus foguetes! Todos já ganharam o mais importante: o conhecimento. Se vierem medalhas, melhor ainda!

Congratulações especiais aos organizadores do evento que bravamente chegou à sua décima nona edição. Toda iniciativa que tem por objeto contribuir para a melhora na qualidade da educação científica de base no Brasil merece incentivo e muito respeito!


Para saber mais

  • Visite o site oficial da OBA. Lá você vai encontrar muita informação além de vasto material didático gratuito e as provas de todas as edições da olimpíada resolvidas e gabaritadas, já incluindo a prova de ontem.
  • Simulados on line da OBA com um banco de questões que já foram cobradas em provas anteriores. No site da olimpíada você também encontra link para baixar o aplicativo simulado da OBA caso queira usar o seu smartphone como plataforma.

Já publicado no Física na Veia!


Cobertura do Trânsito de Mercúrio
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Galeria do SDO (Clique nesse link para ver o fenômeno em tempo real.

 

Acontece hoje, a partir das 8h12min (horário de Brasília), o fenômeno astronômico conhecido por Trânsito Solar de Mercúrio. O tempo total é de 7,5 h.

Através desse  link você vê de camarote e em tempo real as imagens incríveis produzidas pelo NASA/SDO (HMI and AIA science teams).

No post anterior expliquei que Mercúrio e Vênus, os dois planetas com órbitas interiores à órbita da Terra ao redor do Sol, podem eventualmente cruzar o disco solar do ponto de vista de um observador na Terra. Hoje é a vez de Mercúrio cruzar o disco solar.

Mercúrio, bem pequeno, com apenas 4.800 km de diâmetro, pouco maior do que a nossa Lua, estará a cerca de 90.000.000 km (90 milhões de quilômetros) da Terra. Do ponto de vista de um observador terrestre, passará diante do Sol que tem diâmetro aproximado de 1.400.000 km (1 milhão e 400 mil quilômetros) e está a cerca de 150.000.000 km (150 milhões  de quilômetros) da Terra. Logo, Mercúrio será apenas um pontinho negro cruzando o Sol. Só dá para observá-lo com instrumentos adequados que, além de propiciarem resolução suficiente para ver detalhes do Sol e o minúsculo Mercúrio, garantem segurança para o observador que não estará com o olho na ocular do telescópio.

IMPORTANTE! 
Nem tente observar o fenômeno a olho nu porque não será possível ver nada assim. E olhar diretamente para o Sol não é uma boa ideia.
TAMBÉM NÃO TENTE OBSERVAR O FENÔMENO COM INSTRUMENTOS ÓPTICOS! Há enorme risco de danos irreversíveis ao globo ocular, em especial à retina, parede de células nervosas que fica no fundo do olho.
Somente com filtros próprios para bloquear a intensa radiação solar o fenômeno poderá ser observado com segurança. Se você não tem equipamento seguro para a observação, acompanhe a cobertura aqui do blog com imagens que serão publicadas ao longo do evento.

Preparei para você leitor do blog o infográfico abaixo que mostra a cronologia do evento e mais ou menos o que poderá ser “visto”: um minúsculo ponto negro cruzando o disco solar. Mas tem um detalhe: o Sol, no céu terrestre, tem tamanho aparente angular de apenas meio grau. Mercúrio, em comparação, será muitíssimo menor. A olho nu não será possível ver nada a não ser o Sol que vemos todos os dias.

Cronologia do fenômeno (clique para abrir versão maior)

Cronologia do fenômeno (clique para abrir versão maior)

 

Ao longo do evento, que vai até o meio da tarde, vou atualizando o post com novas informações e imagens. Fique ligado. Deixe seus comentários!

Os amigos do Astronomia ao Vivo estão ao vivo num hangout transmitindo o evento ao vivo. Time da pesada! Estou “embedando” o vídeo logo abaixo.


Galeria de imagens do SDO/NASA

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Mercúrio, minúsculo, à esquerda, se aproximando do disco solar (AIA 211/SDO)

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Mercúrio “toca” a borda do Sol e vai ingressar no disco solar (AIA 193/SDO)

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Mercúrio ‘toca” a borda solar por dentro e ingressa no disco solar (HMI/SDO)

 

Na imagem abaixo dá para ver uma grande mancha solar (AR2542) e algumas menores (AR2543). Mas Mercúrio, minúsculo, é somente aquele pontinho negro, mais abaixo.

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Mercúrio, o pontinho negro, caminhando para a metade do fenômeno. (HMI/SDO)

 

Publico a “melhor” imagem do Sol que consegui, por volta das 10h30min, com céu nublado. Dá para ver as manchas solares. Mas onde está Wally… digo.. Mercúrio?

Onde está Mercúrio?

Onde está Mercúrio? Minha “melhor” imagem sem telescópio, apenas com câmera digital + filtro

Não tem como comparar o equipamento da NASA com minha câmera digital semiprofissional com um filtro solar simples que apenas barra a radiação mas não seleciona comprimentos de onda.

E agora  (12h45min) o céu está bastante nublado… não sei se conseguirei ver o Sol para tentar novas imagens…

Vamos em frente, com às incríveis imagens da NASA…

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Mercúrio diante do Sol (AIA 211/SDO)

Mercúrio "toca" a borda do Sol e o fenômeno vai acabando (AIA1600/SDO)

Mercúrio “toca” a borda do Sol e o fenômeno vai chegando ao fim (AIA1600/SDO)

Mercúrio "toca" a borda por fora e acabou o trânsito! (AIA171)

Mercúrio “toca” a borda por fora e acabou o trânsito! (AIA171/SDO)

O céu logo de manhã estava parcialmente nublado e depois ficou bastante nublado. Mas o SDO/NASA garantiu o show de imagens! Lindo demais!


Atualização [11/maio/2016 ~19h39min]

Vídeo com um resumão do Trânsito de Mercúrio em vários comprimentos de onda. Show!


 Trânsitos solares (FAQ)

1) Trânsitos de Mercúrio são eventos raros?

Relativamente raros. Ocorrem 13 trânsitos de Mercúrio a cada 100 anos.

2) Qual foi o último Trânsito de Mercúrio?

Ele aconteceu em novembro de 2006.

3) Quais serão os próximos?

Em novembro de 2019. E será visível no Brasil!

Depois teremos outros em novembro de 2032 e em novembro de 2039. Mas não serão visíveis no Brasil. Somente o trânsito de maio de 2049 poderá ser observado do Brasil.

4) Estamos em maio. O último Trânsito de Mercúrio aconteceu em novembro e o próximo também será em novembro. Há outros trânsitos em maio. Em que meses podem acontecer Trânsitos de Mercúrio.

Somente em maio ou novembro.

5) Por que somente nesses dois meses?

Os planos que contém as órbitas da Terra ao redor do Sol e de Mercúrio ao redor do Sol não coincidem, exceto numa direção chamada linha dos nodos e que corresponde  à intersecção dos mesmos.

Para acontecer o Trânsito de Mercúrio, Sol-Mercúrio-Terra devem estar praticamente alinhados. Logo, só podem estar nessa linha dos nodos. A Terra passa anualmente duas vezes por essa direção (ou linha) sendo uma vez sempre em maio e outra vez seis meses depois, sempre em novembro.

Por isso trânsitos de Mercúrio somente ocorrem em maio ou em novembro.

6) Qual o tamanho de Mercúrio? E o tamanho do Sol? Perto do Sol, nas imagens, Mercúrio é minúsculo! 

Mercúrio tem diâmetro aproximado de 4800 km, pouco maior do que a Lua que tem diâmetro próximo de 3500 km. O Sol tem 1.400.000 km de diâmetro aproximadamente. Mercúrio é o menor dentro os 8 planetas do Sistema Solar (antes de 2006 era Plutão que foi reclassificado como planeta-anão).

Em comparação com o Sol até a  Terra é minúscula. Ainda menor é Mercúrio.

7) Nos trânsitos de Vênus parece que a “bolinha” negra planetária é bem maior. Isso é verdade ou ilusão?

De fato, Trânsitos de Vênus são bem mais visíveis porque a silhueta escura do planeta aparece bem maior daqui da Terra. Pra começar, Vênus tem praticamente 12.000 km de diâmetro, quase o mesmo diâmetro da Terra. E Vênus, num trânsito, fica bem mais perto da Terra do que Mercúrio. Logo, um planeta bem maior e que está mais perto fica, de fato, com diâmetro aparente bem maior.

8) Qual a distância entre a Terra e Mercúrio num Trânsito de Mercúrio?

Essa distância pode variar porque as órbitas solares são elípticas. Mas, fazendo uma conta aproximada (e arredondada), a distância média Sol-Terra é 150 milhões de km. Mercúrio fica, em média, a 60 milhões de km do Sol. Logo, num trânsito, a distância entre a Terra e Mercúrio é a diferenã, ou seja, de aproximadamente 150 – 60 = 90 milhões de km.

9) Qual a distância entre a Terra e Vênus durante um Trânsito de Vênus?

Procedendo da mesma forma acima, a distância média aproximada entre Vênus e o Sol é de quase 110 milhões de km. Logo, num trânsito Vênus fica a aproximadamente 150 – 110 = 40 milhões de km da Terra, mais perto do que Mercúrio, como eu já havia comentado.

10) Ouvi dizer que planetas extrassolares são descobertos a partir de trânsitos em suas respectivas estrelas. É verdade?

Sim. Um dos possíveis métodos de observação indireta de planetas fora do Sistema Solar é pela análise da curva de intensidade da luz (e outros tipos de radiação eletromagnética) emitida pela estrela. Se o brilho da estrela cai, ainda que muito pouco, é sinal de que algo passou diante dela, como visto na animação abaixo.

Se essa queda de intensidade luminosa é periódica, ou seja, se repete com regularidade, é muito provável que quem passou diante da estrela a está orbitando, ou seja, é um planeta daquele sistema. Medindo a queda na intensidade da radiação emitida pela estrela, dá para estimar o tamanho do objeto que provocou a obstrução.

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Pergunta extra: Por que as imagens do SDO/NASA têm cores tão diferentes das cores reais que estamos acostumados a ver no Sol?

O SDO opera com três instrumentos:

1) AIA – Atmospheric Imaging Assembly – projetado para “ver” a coroa solar em diversos comprimentos de onda.

2) HMI – Helioseismic and Magnetic Imager – desenhado para estudar o campo magnético na superfície solar.

3) EVE – Extreme ultraviolet Variability Experiment – concebido para analisar o espectro da radiação solar em ultravioleta extremo.

Cada um desses instrumentos tem um filtro especial para determinados comprimentos de onda com a finalidade de destacar determinadas estruturas bem específicas do Sol. Se o comprimento de onda está fora do espectro visível, nem temos como atribuir uma cor exata para ele. Logo, as cores das imagens do SDO não são reais.


Já publicado aqui no Física na Veia!


Amanhã teremos Trânsito de Mercúrio
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Antes de qualquer coisa, uma informação importantíssima!

Nunca olhe diretamente para o Sol, mesmo a olho nu. Observações solares são sempre perigosas.
Usando instrumentos ópticos (monóculos, binóculos, lunetas, telescópios,…) o perigo aumenta exponencialmente! Tais instrumentos foram projetados para coletar e concentrar a luz visível além de outras frequências da radiação solar invisível. Se toda essa energia concentrada atingir o seu olho, há risco severo de danos irreversíveis à diversas estruturas do globo ocular, especialmente para a retina, a parede de células nervosas sensíveis à luz que fica no fundo do olho e funciona como o biossensor fotossensível capaz de registrar a imagem que será enviada para o cérebro. Danos à retina podem acontecer em questão de segundos! Nem dá tempo de sentir dor e você pode ficar cego! Nem com filtros “caseiros” você deve tentar olhar para o Sol.  

Dito isso, certo de que você não vai colocar a saúde dos seus olhos em risco, vamos ao post!

Sist_Solar_9maio2016

Simulação da região mais central do Sistema Solar mostrando Mercúrio (1) e Vênus (2) com órbitas
internas à da Terra (3).

 

Vez ou outra, os dois planetas internos do Sistema Solar, Mercúrio (1) e Vênus (2) podem se colocar entre o Sol e a Terra (3), formando um alinhamento de astros (veja imagem acima). Esse alinhamento não ocorre com tanta facilidade porque as órbitas dos planetas do Sistema Solar não estão contidas em planos rigorosamente coincidentes.

Daqui da Terra, quando isso ocorre, com instrumentos adequados e seguros (você viu a informação em vermelho destacada lá no topo!) podemos ver o pequeno disco opaco negro do respectivo planeta passando diante do disco super iluminado do Sol. É o que chamamos de Trânsito Solar. A olho nu não dá para ver absolutamente nada porque a intensa luz solar ofusca a nossa visão do minúsculo planeta.

A imagem abaixo, feita pelo satélite SOHO – Solar and Heliospheric Observatory da NASA, projetado para registrar detalhes do Sol, mostra Mercúrio cruzando o disco solar no trânsito de 2006.

Transito_Mercurio_2006_SOHO-NASA

Fotomontagem mostrando várias posições de Mercúrio em trânsito registrado pelo SOHO/NASA
em novembro de 2006.

 

Trânsitos de Mercúrio ocorrem 13 vezes a cada 100 anos. Trânsitos de Vênus, muito mais raros, 4 vezes a cada 243 anos.

O último trânsito de Mercúrio aconteceu em 8 de novembro de 2006 e foi coberto pelo Física na Veia!. Naquela época, usando um filtro solar caseiro para minha câmera digital que tinha zoom óptico (real) de 12x e sensor de 5 megapixels de resolução, consegui, ainda que de forma precária, registros fotográficos do fenômeno que você confere nesse post. Por questões de segurança, o filtro caseiro, uma verdadeira gambiarra, foi usado apenas na câmera digital e não no meu olho, pelas razões já apontadas lá no topo do texto (se ficou curioso, entenda a gambiarra, mas só a reproduza se for para usar numa câmera digital!).

O último trânsito de Vênus ocorreu em 5 de junho de 2012. Mas aqui no Brasil era noite enquanto o fenômeno ocorria. Logo, como não víamos o Sol, não foi possível observar o trânsito diretamente. O Física na Veia! fez cobertura de fenômeno com imagens de terceiros.

Vênus é bem maior do que Mercúrio. E, num trânsito solar, Vênus, o segundo planeta do Sistema Solar, fica bem mais perto da Terra do que Mercúrio. Isso faz com que o tamanho aparente do disco negro de Vênus seja bem maior do que o disquinho escuro de Mercúrio que é quase pontual do ponto de vista terrestre. Lembro-me de que na cobertura do Trânsito de Mercúrio em 2006 eu não conseguia ver ao vivo, na telinha LCD da câmera, o disquinho de Mercúrio. Ele era menor do que o pixel da tela! Tive que disparar fotografias aleatoriamente, variando parâmetros da câmera para, na pura sorte, conseguir alguma imagem real do fenômeno. Acabei conseguindo. Mas foi na raça!

Amanhã, segunda-feira, 9 de maio de 2016, em todo o território nacional, teremos o privilégio de acompanhar um trânsito de Mercúrio que terá início pouco depois das 8h (horário de Brasília). Na primeira imagem lá no topo do post, a simulação das posições dos astros foi feita exatamente para o dia 9/maio/2016. Note que o Sol, Mercúrio e Terra estarão alinhados, com Mercúrio entre os dois. E por isso mesmo, daqui da Terra, Mercúrio passará diante do Sol. Quero repetir a cobertura do fenômeno, agora com câmera de maior resolução (16 megapixels), mais zoom (30x), e usando filtro astronômico próprio para observação solar, o mesmo que usei para fotografar uma mancha solar (confira nesse post). Espero que dessa vez, com mais zoom, seja possível pelo menos ver o disquinho de Mercúrio contra o Sol, o que facilita bastante a regulagem dos parâmetros fotográficos na câmera. Só vou saber na hora…

Como o trânsito começa logo de manhã, no início do dia aqui no Brasil, o fenômeno (que vai durar cerca de 7,5 h) será observável em todo o território brasileiro do início ao fim. Confira no infográfico abaixo a cronologia completa do evento.

Cronologia do fenômeno (clique para abrir versão maior)

Cronologia do fenômeno (clique para abrir versão maior)

Note que o fenômeno começa quando o pequenino disco escuro de Mercúrio “toca” a borda inferior do Sol por fora (A). Cerca de três minutos depois o disco negro do planeta “toca” a borda do Sol por dentro (B), às 8h15min. A partir daí o planeta estará integralmente diante do Sol, seguindo seu longo caminho que vai durar mais de sete horas. O ponto médio do trânsito ocorre às 12h57min (C). Quando o disco negro de Mercúrio “tocar” a outra borda do Sol por dentro (D), às 15h39min, o fenômeno estará quase acabando. Três minutos depois, às 15h42min, Mercúrio “toca” a borda solar por fora (E) e o fenômeno chega ao fim.

Tentei fazer o infográfico acima mostrando “mais ou menos” as posições relativas Mercúrio/Sol como veremos daqui do Brasil. Mas, depois que o Sol cruzar o ponto mais alto no céu, olharemos para o outro lado do céu para continuar a observá-lo e, obviamente, passaremos a ver o disco solar invertido.

Amanhã, logo cedo, publico outro post chamando para a minha cobertura do evento em tempo real. Vou tentar registrar o fenômeno e, se conseguir, posto as imagens aqui no blog. A previsão do tempo para a minha região não é tão positiva:  parcialmente nublado. Isso pode atrapalhar ou até inviabilizar observações e registro de imagens.

Por garantia, deixarei links para coberturas profissionais do fenômeno que será transmitido em tempo real pela NASA, dentre outros espalhados pela Terra em locais onde o fenômeno também poderá ser visto.

Se você for tentar observações, siga dicas de observação segura do Sol que dei nesse post (ainda na plataforma antiga do blog). Como dito lá no topo, e destacado em vermelho, observações solares sem segurança configuram a mais pura loucura. Sei que a vontade de ver o fenômeno ao vivo é enorme. Mas não corra riscos desnecessários! No vídeo abaixo também há dicas de observações seguras do Sol e do Trânsito de Mercúrio.

Nos encontramos amanhã para a cobertura do evento. Combinado?


Para saber mais

O Céu da Semana (de 2 a 8 de maio de 2016), programa semanal muito bem feito e sob responsabilidade do meu amigo Gustavo Rojas, astrofísico da UFSCar.


Já publicado aqui no Física na Veia!

 


The BOBs 2016: já temos os vencedores
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Júri internacional do The BOBs 2016 reunido em Berlim

 

Saíram os vencedores do The BOBs – The Best of Blogs edição 2016, prêmio internacional para blogs e páginas da internet promovido pela alemã Deutsche Welle e que escolhe as melhores iniciativas de ativismo social on line em 14 diferentes línguas, incluindo o português! A notícia vem de Berlim onde o júri internacional do evento se reuniu para escolher os vencedores.

O vencedor em português 2016 é o Amazônia Real que, segundo parecer oficial do prêmio, “é uma excelente fonte de informação sobre a Amazônia – sobre a sua política, economia, meio ambiente, povos indígenas. Embora metade do Brasil seja ocupado pela Floresta Amazônica, há poucas notícias sobre a região na mídia brasileira que se concentra em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.”. Vale a pena conferir o Amazônia Real. Fui espiar. E gostei. Fica a dica!

Sempre me emociono quando falo do The BOBs. O Física na veia! foi o eleito o Melhor Weblog em Português do Mundo 2009/2010 pelo júri internacional do The BOBs. Fui convidado para receber o prêmio em Bonn, Alemanha, durante o Global Media Forum que reúne mais de uma centena de jornalistas de todo o mundo. Foram dias incríveis que me motivaram ainda mais a continuar escrevendo o blog que em 2016 completará 12 anos de vida.

Vale lembrar que o The BOBs é considerado o “Oscar da internet mundial” e já premiou aqui no Brasil iniciativas/nomes importantes como o Blog do Tas (do jornalista Marcelo Tas), o Querido Leitor (da jornalista Rosana Hermann), o Catraca Livre (do jornalista Gilberto Dimenstein), dentre outros. E o Física na Veia!, orgulhosamente, faz parte desse time da pesada!


Para saber mais

Confira todos os vencedores de todas as edições do The BOBs:

Veja vídeos do Física na Veia no The BObs 2010

I) Anúncio do Melhor Weblog em Português 2009/2010

II) Premiação em Bonn, Alemanha, durante o Global Media Forum.

 


Ciência X Religião
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Manisfesto da SBF sobre possível nomeação de um criacionista para a pasta da C&T&I

 

Religião e Ciência, pelo menos no atual estágio de evolução da raça humana, são como água e óleo. Pode tentar misturar, bater, sacudir, … Mas alguns minutos depois retornamos às duas fases bem distintas, imiscíveis.

É que a Religião está fundamentada no “crer para ver” enquanto a Ciência ancora-se no “ver para crer”. Leia isso sem nenhum juízo de valor, por gentileza. Não o faço.

E se você achou a comparação “crer para ver” X “ver para crer” mera simplificação da questão, concordo plenamente! Mas, mesmo rasa, já é suficiente para ratificar incompatibilidades básicas entre Ciência e Religião.

Esse tema, sempre polêmico, voltou a ferver desde que há alguns dias foi especulado que, num possível governo de Michel Temer, vice de Dilma e que assumirá a presidência da república em caso de confirmação do processo de Impeachment, o mais cotado para ser ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação é Marcos Pereira, presidente do PRB – Partido Republicano Brasileiro e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Algo minimamente Temeroso, concorda? (E já me desculpo pela piada infame mas que, infelizmente, nos chega pronta e devidamente embalada para “presente”!)

A SBF – Sociedade Brasileira de Física, preocupada com o destino da pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação, publicou ontem em seu site um manifesto (imagem acima). Reproduzo-o logo abaixo.

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Indicação do Novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação

Acontece na SBF, semana de 05 de Maio de 2016

Manifestação da Sociedade Brasileira de Física (SBF)

A ciência brasileira tem se desenvolvido de forma contínua e abrangente, desde a criação do CNPq, sendo hoje reconhecida de padrão internacional em diversas áreas. Esse sucesso foi ancorado em duas bases fundamentais.  A primeira foi a implantação de projetos estruturantes pelo governo e agências de fomento, como o programa de bolsas de pós-graduação, o financiamento à pesquisa em pequena, média e grande escalas e a construção de laboratórios nacionais, como o LNLS. A segunda foi a apreciação de propostas e análise de projetos utilizando exclusivamente critérios de mérito compatíveis com o padrão científico internacional.

Neste momento, a severa crise econômica que atingiu o país tem afetado fortemente nosso progresso científico e tecnológico, ocasionando sério retrocesso nos avanços alcançados. Análises econômicas, com isenção de preconceitos ideológicos, indicam claramente que esse cenário deverá continuar por pelo menos mais dois anos.

Consideramos essa situação extremamente preocupante. Em primeiro lugar, corre-se o sério risco de que a prioridade da área de ciência e tecnologia seja subestimada em um programa estratégico emergencial para recuperação da economia.

Além disso, mesmo sem ser colocada em segundo plano, não há dúvida que essa área também sofrerá fortes limitações orçamentárias.  Nesse cenário, é essencial saber escolher com base técnica bem fundamentada as prioridades corretas para os programas estratégicos implantados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação nos próximos anos, a fim de manter o avanço científico e tecnológico nacional mesmo nessa situação adversa.

Para isso, é essencial que o próximo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, a ser indicado independentemente da evolução do atual quadro político, seja um profissional com qualificações técnicas adequadas e respeitado pela comunidade científica nacional, além de sua relevância política.

Em particular, nos parece inaceitável a indicação de um ministro com posições ideológicas ortogonais às da ciência moderna.

[fonte: www.sbfisica.org.br]

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Na semana em que a brilhante neurocientista Suzana Herculano oficializou que vai deixar o Brasil para pesquisar nos Estados Unidos onde terá plenas condições de tocar a sua pesquisa com qualidade e dignidade profissional (confira entrevista onde a própria Suzana alega “engessamento” da profissão no Brasil), embora em evento isolado da notícia da possível nomeação de um criacionista para a pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação, escrevo esse post para engrossar a discussão sobre “Que Brasil nós brasileiros queremos”, em todas as áreas estratégicas para um país que se diz emergente, e em especial na área da ciência e da tecnologia. Quer exemplos do nosso atraso? Cadê o acordo do Brasil com o ESO (esse não vingou mesmo…)? E o acordo do Brasil com o CERN (que hiberna desde 2010)?

Vivemos um momento crítico de queda de braço entre forças políticas obscuras que, infelizmente, não se mostram preocupadas com os desejos e necessidades dos próprios brasileiros mas estão bastante focadas em particionar o país em proveito próprio.

Divulgue o texto da SBF nas suas redes sociais! Divulgue esse post! Manisfeste-se também sobre o importantíssimo tema Ciência, Tecnologia e Inovação, fundamental para decidir o futuro do Brasil que parece ainda viver no tempo de colônia de Portugal apostando em commodities e desprezando a massa crítica de cientistas nacionais. Em 2014 eu já perguntava para Dilma e Aécio, presidenciáveis, o que pensavam sobre a área da C&T. Não tivemos respostas objetivas. A nebulosidade de ideias parece imperar sempre. Incrível! Fica bastante claro que não há nenhum plano estratégico nessa área. E os rumores que agora vêm dos bastidores de um possível governo do Temer são de arrepiar e parecem nos empurrar séculos para trás!

Precisamos criar o hábito saudável de cobrar dos nossos políticos que façam política de verdade e abandonem de vez a politicagem barata que distribui cargos de relevância nacional sem nenhum critério técnico mas apenas para cumprir as obrigações de alianças que, em verdadeiras aberrações, muitas vezes juntam partidos de ideologias antagônicas só para a manutenção do poder. Não dá mais!


Indico [atualização do post ~14h10min]

Contact-Poster

No clima Ciência X Religião, indico o filme Contato (“Contac”, em inglês). Dirigido por Robert Zemeckis, foi lançado em 1997 e tem como protagonistas Jodie Foster (no papel da Dra. Eleanor Arroway) e Matthew McConaughey (no papel do seminarista e quase padre Palmer Joss).

A história original da qual o filme foi adaptado é de autoria do brilhante cientista Carl Sagan que, de forma inteligente, explora o conflito entre a fé e o método científico sem, no entanto, pender para nenhum lado da balança, exatamente como deve ser essa discussão quando é levada a sério.


Para saber mais


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