Física na Veia!

Arquivo : Relatividade

Entenda as ideias de Einstein de uma vez por todas
Comentários Comente

Prof. Dulcidio Braz Júnior

“Einstein – para entender de uma vez” (capa)

 

No primeiro semestre de 2017, o jornalista científico Salvador Nogueira — da Folha de São Paulo e do Mensageiro Sideral (blog e canal no Youtube) — me fez um convite delicioso: fazer, em primeira mão, leitura crítica do seu mais novo (e futuro) livro de divulgação científica que abordaria ninguém menos do que Albert Einstein.

Aceitei de pronto! (Precisa desenhar?!) Por conta da vida corrida de professor, acabei pegando o original em cima da hora. Com pouco tempo, virei um final de semana inteiro debruçado sobre a deliciosa tarefa de ler um texto fluido e sem ‘calculeira’ alguma abordando as ideias de Einstein de uma maneira direta e divertida tal que qualquer pessoa, especialmente as não iniciadas em Física, possa entender de Física sem estresse. Foquei na primeira metade da obra que aborda a Física, mais a minha praia, e já sabendo, segundo o autor, que cosmólogos de respeito estavam fazendo a leitura crítica da segunda parte do livro.

A obra ficou no forno ainda por uns meses. E foi lançada só no final de outubro sob selo da revista Superinteressante da Editora Abril. Portanto, para alegria de quem gosta de divulgação científica, o livro deveria ser encontrado facilmente até mesmo nas pequenas bancas de jornal de esquina. Mas, para a minha frustração, pelo menos por aqui no interior de São Paulo, não a encontrei nem em livrarias maiores!

No final de dezembro, já sem muita esperança de ter um exemplar em mãos, arrisquei e encomendei o livro pela Amazon (www.amazon.com.br) que o vendia  sem prazo definido de entrega, ratificando ser a obra uma mosca branca. Confesso que entrou janeiro de 2018 e até me esqueci da encomenda…

Na semana passada recebi via e-mail alerta da Amazon informando que o livro estava a caminho. E ontem, finalmente, o “Einstein – para entender de uma vez” chegou em casa!

Como já estou em pleno ano letivo, ainda não tive tempo de fazer a tão desejada leitura atenta. Só dei aquela curiosa folheada. A degustação pra valer vai ficar para a semana de Carnaval que para mim será recesso escolar. Portanto, nem sei dizer quantos dos meus tantos pitacos chatos de professor e físico foram aproveitados pelo Salvador. Mas, pelo que vi/li nos originais, recomento a obra sem medo de errar! Vale muito a pena!

Segundo palavras do próprio autor, “o livro busca explicar de forma simples e clara as principais contribuições do grande físico alemão para a ciência, basicamente sedimentando os dois alicerces sobre os quais podemos compreender o Universo: a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica”.

 

Abertura do capítulo 6

 

A obra, com 312 páginas e preço de capa de pouco menos de R$ 35,00 (uma bagatela!), está assim organizada:

Introdução: Bem-vindo à mente de Einstein
Capítulo 1: A existência dos átomos
Capítulo 2: A realidade do mundo quântico
Capítulo 3: O espaço e o tempo
Capítulo 4: A equação mais famosa do mundo
Capítulo 5: A gravidade
Capítulo 6: Revoluções tecnológicas
Capítulo 7: A origem do Universo
Capítulo 8: O erro que se revelou um grande acerto
Capítulo 9: Buracos negros
Capítulo 10: Lentes de aumento cósmicas
Capítulo 11: Ondas gravitacionais
Capítulo 12: Mais rápido que a luz
Capítulo 13: Viagens no tempo
Capítulo 14: Um novo estado da matéria
Capítulo 15: Teletransporte quântico
Capítulo 16: A teoria final

Contracapa da obra

 

Fica a dica: diversão garantida, com qualidade de informação e preço justo! Se passar por uma banca de jornais, revistaria ou livraria, já sabe: olho no “Einstein”! Ou então faça como eu e compre pela web. Um dia chega.

Fica também um pedido especial deste velho professor aos editores da Super/Abril: podem rodar pelo menos mais 20.000 exemplares e espalhar Einstein pelo Brasil. Garanto que não sobra nas bancas. E a boa divulgação científica, desde já, agradece!


Para saber mais

  • Texto do próprio Salvador Nogueira sobre o livro (no blog “Mensageiro Sideral”)

 

 


O futuro chegou. E é hoje!
Comentários Comente

Prof. Dulcidio Braz Júnior

 

No segundo episódio da trilogia Back To The Future, Marty McFly, personagem principal da trama, sua namorada Jennifer Parker e o cientista “maluco” Dr. Emmett Brown que vivem em 1985 viajam 30 anos para o futuro. Eles usam a máquina do tempo inventada pelo Dr Brown e que funcionava em um Delorean, carro que naquela época era sinônimo de modernidade. E chegam ao futuro exatamente no dia 21 de outubro de 2015, ou seja, hoje!

A Bia Souza, jornalista do UOL Ciência, em parceria com a TV UOL, elaborou matéria em vídeo sobre o tema. Dei uns pitacos no roteiro. O resultado está logo acima.

Aproveito o vídeo e a data especial para convidar você leitor do Física na Veia! para uma reflexão: do ponto de vista da Física, é possível viajar no tempo?

E a resposta, ancorada na Ciência, é um sonoro SIM!

Pela Teoria da Relatividade Restrita

A Teoria da Relatividade Restrita (1905) de Albert Einstein nos mostra que, se viajamos com velocidade não desprezível em relação à velocidade c da luz no vácuo (300 000 km/s, aproximadamente), o tempo no nosso referencial fluirá mais lentamente. Quanto mais próximo estivermos de c, mais devagar o tempo vai passar em nosso referencial. Mas no referencial de quem não viajou o tempo continua o seu fluxo normal. Em outras palavras, o tempo flui mais depressa para quem fica e mais devagar para quem vai. Dessa forma, quando retornamos da viagem, chegamos no futuro porque o tempo na Terra, referencial de quem não viajou, passou mais depressa do que o tempo dentro da nave.

Estranho? Com certeza. É que não experimentamos efeitos relativísticos pois não temos veículos capazes de viajar tão rápido.

Mas a relatividade do tempo não tem nada de ficção científica. É Física comprovada e já bastante testada nos aceleradores de partículas, por exemplo.

Mas tem um detalhe importantes: esse mecanismo só permite viajar para frente no tempo, ou seja, para o futuro.

Pela Teoria da Relatividade Geral

A Teoria da Relatividade Geral de Einstein (1915), uma espécie de upgrade na primeira teoria, trata a gravidade não como uma força atrativa mas como uma deformação no espaço-tempo, um espaço geométrico com três dimensões espaciais e uma dimensão temporal. Nela o tempo e o espaço estão irremediavelmente entrelaçados numa complexa geometria nada trivial.

A Relatividade Geral prevê que corpos dotados de bastante gravidade podem distorcer esse “tecido” espaço temporal, alterando o fluxo do tempo. Abre-se assim a possibilidade, em casos extremos, de uma distorção espaço-temporal tão grande a ponto de criar um atalho dimensional chamado de Ponte de Einstein-Rosen mas bem mais conhecido como Worm Hole (em português, Buraco de Minhoca).

Por um Buraco de Minhoca, hipoteticamente, poderíamos pegar um atalho para viajar tanto no espaço quanto no tempo, em qualquer direção e sentido. Em outras palavras, daria para ir muito longe e para o passado ou para o futuro. Mas nunca nenhum Worm Hole foi observado. E não temos a menor ideia de como criar um atalho desse que, pra complicar, certamente exigiria uma quantidade brutal de energia. E tem mais: não sabemos que efeitos negativos poderiam existir sobre a nossa própria saúde se tentássemos atravessar um túnel dimensional.

Correções Relativísticas já são realidade

Se você ainda não se convenceu de que velocidade alta e/ou gravidade intensa podem afetar o fluxo temporal, dou um exemplo importante. O sistema de geolocalização que conhecemos como GPS, tão presente em nossas vidas e que funciona incorporado na maioria dos dispositivos móveis, só funciona com bastante precisão porque faz correções relativísticas tanto pela velocidade dos satélites (Relatividade Restrita) quanto pela gravidade do nosso planeta (Relatividade Geral).

Os 24 satélites do sistema GPS

Os 24 satélites do sistema GPS. Fonte: astronoo.com

É fato que os satélites do sistema GPS viajam com velocidade muito menor do a velocidade da luz no vácuo. Também sabemos que a Terra não tem uma gravidade gigante. Mas o efeito cumulativo poderia tirar de sincronia os relógios dos satélites e os relógios terrestres, fazendo o sistema de geolocalização fortemente ancorado no tempo de viagem de sinais eletromagnéticos “errar” cada vez mais. Para você ter uma ideia, não fossem as correções relativísticas, teríamos um erro de geolocalização da ordem de até 10 km por dia! Mas nossos aparelhos de GPS funcionam bem e erram apenas em distâncias da ordem de poucos metros. Prova experimental irrefutável que as duas Relatividades de Einstein funcionam muito bem na prática! E, se viagens no tempo dependem dessas teorias, então viagens no tempo são fisicamente possíveis.

Conclusão: já temos base científica para viajar no tempo. Falta-nos, principalmente, tecnologia.

Mas tecnologia é questão de tempo (sem trocadilhos, por favor!). Basta olhar os avanços tecnológicos do mundo atual. Muita coisa que já foi ficção científica, hoje é realidade.

Se quiser um pouco mais sobre Relatividade bem como sobre Quântica e Cosmologia num nível acessível, ou seja, sem exageros matemáticos, procure pelo Tópicos de Física Moderna, livro de minha autoria editado em 2002 pela Companhia da Escola. Trata-se de um trabalho pioneiro no Brasil de ensino de Física Moderna para jovens ao final do ensino médio e início do ensino superior.


Para saber mais


 

Já publicado no Física na Veia! 

  • [21/11/2009]  Acelera LHC! (exemplo de aplicação de correção relativística num acelerador de partículas)

< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>