Física na Veia!

Crise: professores brasileiros podem ficar fora da Escola do CERN 2017

Prof. Dulcidio Braz Júnior

Professores brasileiros participantes da Escola de Física do CERN 2010 com o prof. Nilson (coordenador do projeto)

 

Em 2010, concorrendo com mais de 400 professores de Física do ensino médio do Brasil, consegui uma das 20 bolsas integrais para participar da Escola de Física do CERN em Genebra, na Suíça. É no CERN que fica o LHC – Large Hadron Collider, o grande acelerador/colisor de hádrons, o maior acelerador de partículas já construído pelo homem. Acima, na foto oficial da turma de professores brasileiros de 2010, eu sou o primeiro da esquerda, em pé.

Foi uma experiência incrível e transformadora, documentada em posts diários cobrindo o evento em tempo real aqui pelo Física na Veia!.

O projeto, em parceria com o LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (Lisboa, Portugal) virou uma referência na capacitação de professores brasileiros do ensino médio na área de Física de Altas Energias e repetiu-se no mesmo formato até 2014, levando a cada ano 20 novos professores brasileiros para conhecer o complexo de aceleradores e estudar no CERN.

Infelizmente, por conta da crise nacional, em 2015 houve severo corte de verbas e, sem a bolsa integral, os professores selecionados tiveram que bancar os custos de viagem e estadia, o que inviabilizou a participação de professores de escolas públicas. Em 2016 o corte foi ainda mais severo e nem mesmo os coordenadores do projeto têm verba para cobrir seus custos pessoais!

O belíssimo projeto está ameaçado e, lamentavelmente, pode não acontecer. Ou, se acontecer, mais uma vez deixar de fora professores de escolas públicas, o que é uma cruel exclusão exatamente onde temos mais carências.

Diante da situação, os coordenadores do projeto partiram para aquela que parece ser a única e emergencial saída: crowndfunding, ou vaquinha na web como costumamos chamar aqui no Brasil.

Assim, a participação dos professores brasileiros na Escola de Física do CERN em Língua Portuguesa na versão 2017 do evento está condicionada à ajuda de voluntários, benfeitores, pessoas físicas ou jurídicas que entendam a importância do projeto e aceitem colaborar com cotas que variam desde a irrisória quantia de R$ 10, acessível à maioria das pessoas, até R$ 600 que para algumas empresas também não é nada mas que, para o projeto pode fazer toda a diferença.

No site da vaquinha da Escola de Física do CERN você confere detalhes do projeto e a recompensa pela contribuição em dinheiro relativa à cada cota. Sim! Quem colaborar será, de alguma forma, retribuído. Ajuda o projeto e ganha desde um abraço virtual — singela mas carinhosa forma de agradecer a inestimável ajuda —até alguns kits contendo ''mimos'' ligados ao CERN e à Escola do CERN.

Vamos colaborar?

Além deste post, e o barulho que eu pessoalmente puder fazer nas redes sociais nos próximos dias, vou contribuir com uma cota em dinheiro. Afinal, tive o privilégio de ir para o CERN com bolsa integral. Espero que outros colegas, professores brasileiros que também tiveram o mesmo privilégio, mesmo sob a crise que nos assola, possam ajudar também e façam bastante barulho entre os seus contatos nas redes sociais.

Conto com você, leitor do Física na Veia!, para ajudar a propagar o link da vaquinha e, quem sabe, contribuir, ainda que com a cota mínima. Já diz o ditado: de grão em grão, a galinha enche o papo!

Abaixo você confere a foto oficial com os professores portugueses, brasileiros e africanos participantes da Escola de Física do CERN 2016. Vamos fazer todo esforço possível para que esta não seja a última foto com professores brasileiros neste projeto tão importante para a qualidade da formação de mais e mais professores brasileiros que juntos podem fazer a tão necessária diferença na educação básica brasileira.

Professores brasileiros, portugueses e africanos na Escola do CERN 2016

Abaixo, em vídeo, prof. Dr. Nelson Barrelo Jr (USP), que com o prof. Dr. Nilson M.D. Garcia (UTFPR) divide a coordenação brasileira da Escola do CERN, explica a situação crítica e esclarece detalhes sobre a necessidade da colaboração coletiva.


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(*) Post na plataforma antiga do blog