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Por que a data de Corpus Christi muda a cada ano?
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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[Crédito da imagem: Pixabay]

 

Você já se perguntou por que razão a data de Corpus Christi muda a cada ano?

E não é só ela. A Páscoa e o Carnaval também. Na verdade, todas as datas comemorativas cristãs variam a cada ano e por isso mesmo são chamadas de datas móveis. O Carnaval, uma festa pagã, vai de carona.

A resposta para essa dança das datas está na ASTRONOMIA! Sim, é a Ciência mais uma vez fazendo o seu papel.

A determinação das datas móveis começa com a data do Domingo de Páscoa, assim definido:

“O Domingo de Páscoa é sempre o primeiro domingo após a Lua Cheia que acontecer depois de 21 de março”¹

21 de março é a data aproximada do Equinócio de Outono (no hemisfério sul) ou Equinócio de Primavera (no hemisfério norte). E temos que procurar pela Lua Cheia cujo ciclo obedece rigorosamente as Leis da Mecânica Celeste. Tudo a ver com Astronomia, concorda?

Encontrada a data da Páscoa, a terça-feira de Carnaval será sempre 47 dias antes. E Corpus Christi 60 dias depois. A tabela abaixo, mais completa, nos dá os critérios para encontrarmos todas as datas móveis cristãs.

 

Para entender como tudo funciona, nada melhor do que colocar logo a mão na massa. Vamos tomar o ano de 2018 como exemplo e calcular para ele as principais datas móveis (Páscoa, Carnaval e Corpus Christi)? Siga os passos abaixo e acompanhe-os no calendário (ilustração) logo a seguir:

  1. Tome um calendário e nele localize a data de referência, 21 de março;
  2. Consultando um calendário lunar confiável², descubra quando será a data da Lua Cheia logo após 21 de março. Em 2018 ela aconteceu em 31 de março, um sábado;
  3. O primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que caiu em 31 de março, um sábado, foi 1 de abril. Lembra que em 2018 o Domingo de Páscoa caiu no “dia da mentira”, o primeiro de abril? A data do Domingo de Páscoa é sempre a referência para encontrarmos as demais datas móveis. Por isso vou chama-la de “dia zero”;
  4. Retroceda 47 dias a partir do “dia zero”, Domingo de Páscoa. Encontramos uma terça-feira, certo? É a terça-feira de Carnaval que em 2018 caiu em 13 de fevereiro;
  5. Conte 60 dias a partir do “dia zero”, Domingo de Páscoa. Desta vez encontramos uma quinta-feira, confere? Esta é a data de Corpus Christi³, 31 de maio, que é hoje!

 

Cálculos das datas da Páscoa, Carnaval e Corpus Christi (clique para abrir versão maior)

 

 

Deu para entender?

Existem algoritmos para calcular a data exata da Páscoa. Com eles dá para programar computadores ou criar aplicativos para fazer todo o trabalho braçal e mental por nós. Um deles, bastante confiável, é este:

  • a = ano
  • c = a/100
  • n = a – [19×(a/19)]
  • k = (c – 17)/25
  • i = c – c/4 – [(c-k)/3] +(19×n) + 15
  • i = i – [30×(i/30)]
  • i = i – {(i/28)×[1-(i/28)]×[29/(i+1)]×[(21-n)/11]}
  • j = a + a/4 + i + 2 -c + c/4
  • j = j – [7×(j/7)]
  • l = i – j
  • m = 3 + [(l+40)/44]
  • d = l + 28 – [31×(m/4)]

 

Assim como tem gente que gosta de palavras cruzadas, há quem se divirta resolvendo Sudoku. Então, por que não se divertir também calculando as datas móveis para um determinado ano? Eu sei que é mais prático pegar um calendário pronto. Mas descobrir as datas móveis na raça é muito mais divertido, desde que se tenha tempo e, principalmente, interesse. Fica a sugestão de um “quebra-cabeças diferente” ou, como também poderíamos chamar, um joguinho científico. Dá para brincar com os amigos, com os filhos, ou se divertir sozinho num momento de folga.

De qualquer maneira, a proposta deste meu texto é decifrar o (quase) enigma das datas móveis dos nossos calendários ano após ano, uma curiosidade prática, e mais do que tudo reforçar a importância da Astronomia que nos permitiu a construção de um calendário funcional.

Antes de encerrar, deixo uma questão para você pensar (professor adora dar tarefa extra, que coisa!): Em anos bissextos, quando temos um dia a mais no ano, para encontrarmos a data da terça-feira de Carnaval temos que retroceder (em relação à data da Páscoa) 48 dias — em vez de 47 — já que o mês de fevereiro ganha 1 dia? Ou o critério continua o mesmo? E a determinação da data de Corpus Christi, deve ou não mudar? Deixe a sua resposta num comentário.


Este post também está publicado no Física na Veia! (Steemit), de minha autoria, neste link.


¹ Antes desta definição, a data da Páscoa era determinada como “o primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que ocorrer após o Equinócio de Primavera no hemisfério norte ou de Outono aqui no hemisfério Sul”. Essa regra foi oficializada pelo primeiro Concílio de Nicéia (325 d.C.), a primeira conferência de bispos da igreja católica que ocorreu durante o reinado do imperador romano Constantino I, o primeiro a aderir ao Cristianismo. Vale lembrar que foi ele quem lidou, dentre outras, com questões sobre a natureza de Jesus Cristo (se Deus, homem, ou uma mistura dos dois), acabando por criar o conceito de Santa Trindade. Nesta época era utilizado o calendário Juliano, criado pelo imperador Caio Julio Cesar (100 a.C. a 44 a.C.). Mas havia um grave erro nesta regra: por problemas intrínsecos do calendário Juliano, ela “empurrava” a data da Páscoa para frente, rumo ao verão do hemisfério norte ou inverno no hemisfério sul. O erro foi percebido pelos astrônomos que sugeriram ao Papa Gregório XIII uma reforma no calendário. Isso foi feito em 1582. Nascia assim o calendário Gregoriano. Para facilitar os cálculos, os astrônomos propuseram a utilização de um movimento “médio” e não do movimento real da Lua. O Equinócio — de Primavera no hemisfério norte e de Outono no hemisfério sul — foi aproximado para 21 de março, data fixa, e a data da Páscoa passou a ter essa definição mais moderna e sem erros.
² Existem aplicativos para smartphones que calculam as fases lunares com precisão e podem, neste caso, ser usados com bastante praticidade.
³ Assim como 47 dias antes do Domingo de Páscoa é sempre uma terça-feira, 60 dias depois é sempre uma quinta-feira. Sutilezas matemáticas da nossa maneira de contar o tempo.

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[23/03/2018] Registro do nascer do Sol em solstícios e equinócios consecutivos


Lua Cheia no perigeu? Superlua, agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Sequência da Superlua Azul nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista, SP

 

As imagens acima registram o nascer da Lua Cheia por trás da serra por volta das 20h20min de hoje. Mas não é uma Lua Cheia qualquer. Trata-se de uma “coincidência” de três fenômenos astronômicos. Explico, a seguir.

Superlua

A órbita da Lua ao redor da Terra não é circular, é elíptica. Sendo assim, a distância Terra-Lua varia. A Lua pode passar mais perto ou mais longe da Terra. Quando passa mais perto, nos parece maior. E, quando a acontece a coincidência de uma Lua Cheia (com a face voltada para a Terra 100% iluminada) passar pelo perigeu, ponto de máxima aproximação com o nosso planeta, temos uma Lua Cheia ligeiramente maior do que a média. E também mais brilhante. É o que vem sendo chamado de Superlua, termo que, para os astrônomos mais conservadores, é exagerado.

Concordo. Mas devo dizer que gosto da ideia de que o termo chama a atenção das pessoas para o fenômeno, excelente oportunidade para ensinarmos o que é correto. Mas também agita a mídia que, para a felicidade de quem curte Ciência e pratica divulgação científica, aborda o tema de maneira extensiva. Porém, há que se pontuar que a mídia, na média, também é mestre em propagar bobagens. Hoje, infelizmente, já vi/li/ouvi algumas ao longo do dia.

Hoje a Lua Cheia está passando próxima do perigeu. Logo, é Superlua. Já abordei o tema aqui no blog inúmeras vezes. Para não ser repetitivo, mas aproveitando nova ocorrência do fenômeno, deixo lá embaixo links caso você queira se aprofundar este tema e notros ligados à Lua. Destaco, em especial, este post no qual faço estimativas do aumento do diâmetro aparente e do brilho lunar numa passagem da Lua Cheia pelo perigeu em comparação com sua passagem no apogeu, ponto de máximo afastamento da Terra.

Lua Azul

Devo destaca ainda que a Lua Cheia de hoje é a segunda Lua Cheia num mesmo mês, o que é conhecido como Lua Azul. A primeira Lua Cheia do mês de janeiro (e do ano de 2018) foi no dia 01, registrada aqui neste post.

Temos, portanto, uma Superlua Azul. Mas não espere que a Lua vá mudar de cor. É apenas um rótulo que nada tem a ver com a realidade visual do nosso querido satélite natural.

Eclipse Lunar Total

Vale destacar também que, por muita coincidência, tivemos neste dia de Superlua Azul um eclipse lunar total, infelizmente não visível daqui do Brasil (ele aconteceu no período da manhã pelo horário de Brasília).

Em todo eclipse lunar total a Lua Cheia, durante a totalidade, em vez de desaparecer, fica avermelhada, assumindo um tom “vermelho tijolo”. Algumas pessoas, especialmente as mais místicas e menos científicas, chamam o fenômeno de Lua sangrenta. Aí já é demais!

Há explicação científica e relativamente simples para o fato que, de místico, nada tem. Se quiser saber mais sobre o tema, deixo este outro post como dica de leitura.

Observe!

Como sempre vale a pena observar a Lua Cheia, aproveite a oportunidade! Bote a cara pra fora e veja a Lua Cheia de hoje. Aqui no interior de São Paulo ela está linda!

Depois de um mês de chuva, o céu finalmente limpou. E a Superlua Azul impera imponte como um farol sobre a serra e em contraste com as luzes do meu bairro. Confira na imagem abaixo.

Foto com exposição de 5 segundos para evidenciar o luar “turbinado” da Superlua em comparação com as luzes do meu bairro

Boas Observações! 


Confira, abaixo, timelapse da Superlua nascendo por trás da serra em 01/janeiro/2018, a primeira Lua Cheia deste ano.

Se não estiver visualizando a imagem (animação) acima, clique neste link.


Para ver


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Lua Cheia do Ano Novo (Superlua)
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Lua Cheia nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista, SP.

 

Acaba de nascer a primeira Lua Cheia do ano de 2018.

E ela está caminhando para o perigeu, ponto da sua trajetória em torno da Terra de máxima aproximação com o nosso planeta. Isso quer dizer que em poucas horas ela estará em sua máxima aproximação com a Terra, fenômeno que tem sido chamado de Superlua.

O termo Superlua é um tanto quanto exagerado. Entre o apogeu, ponto de máximo afastamento com a Terra, e o perigeu, ponto de máxima aproximação, a Lua Cheia varia cerca de 14% em tamanho aparente e 30% em brilho aparente (veja cálculos em detalhes neste post). Difícil perceber tal diferença no “olhômetro”! A Lua Cheia não estará tão maior do que a média. Mas o luar, a luz do Sol refletida pela Lua e que atinge a Terra, estará de fato “turbinado”. Se você estiver num lugar bem escuro, longe das luzes da cidade, vai notar que o luar será capaz de iluminar a paisagem ao seu redor.

De qualquer forma, observe a Lua Cheia hoje (e sempre que puder). Olhar a Lua, bem como qualquer astro, mesmo a olho nu, é sempre uma experiência ímpar.

Clique nos links abaixo para ver animação da Lua Cheia nascendo por trás da serra aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo:

Apesar do meu tripé manco, até que ficou bom!

Câmera no tripé (manco), aguardando o nascer da Lua Cheia

 

Curiosidade 1: a trilogia das Superluas

Tivemos Lua Cheia no perigeu (ou Superlua) há praticamente um mês, no dia 3 de dezembro de 2017. Confira aqui.

Temos Lua Cheia no perigeu hoje. E ainda teremos outra no dia 31 de janeiro de 2018.

Esta segunda Lua Cheia que acontece num mesmo mês é também conhecida como Blue Moon. Mas trata-se apenas de um nome. A Lua Cheia não ficará azul. Na verdade ficará vermelha, “cor de tijolo”, mas somente para alguns observadores privilegiados. Isso porque haverá um eclipse lunar total ocorrendo exatamente na Lua Cheia passando pelo perigeu. Haja coincidências! Infelizmente, o eclipse lunar não será visível daqui do Brasil.

 

Curiosidade 2: o teste do dedo indicador

Se você esticar o braço e levantar o dedo indicador, para o seu olho, a largura aparente do dedo terá praticamente 1,0 grau. Varia de pessoa para pessoa, claro. Mas o valor gira em torno de 1,0 grau.

A Lua Cheia tem diâmetro angular aparente de cerca de 0,5 grau. Logo, o dedo indicador, nesta situação, consegue cobrir duas Luas Cheias.

Não acredita? Faça o teste!


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Superlua, agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Superlua sobre o meu bairro, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, Brasil.

No post anterior anunciei que hoje teríamos Lua Cheia no perigeu, uma Lua Cheia especial, mais próxima da Terra, e por isso mesmo “turbinada”, maior e mais brilhante, fenômeno que tem sido chamado de Superlua.

Como previsto, céu nublado por aqui. Até desanimei de montar o telescópio para fazer uma live da Superlua.

Mas deu uma brecha e a Lua apareceu. Fiz algumas astrofotos só com a câmera digital no tripé.

O farol lunar em close. Note que a Lua está brigando com as nuvens.

Se você estiver num local de céu aberto e limpo, observe a Lua. Ela está ligeiramente maior mas sensivelmente mais brilhante. O tamanho maior é difícil de perceber a olho nu. Mas o luar “turbinado” dá para notar, especialmente se você estiver longe das luzes da cidade. A Lua vai iluminar o cenário!

Uma foto da Superlua com zoom máximo (30X) da câmera digital.

Para saber mais sobre o fenômeno das Superlua, veja o post anterior, onde destaco as três Superluas que vão acontecer entre hoje e o final de janeiro do ano que vem. Se quiser se aprofundar ainda mais, indico este outro post de 2016 onde disseco o tema.

BOAS OBSERVAÇÕES!


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(*) posts na plataforma antiga do blog

E veja abaixo link para um post onde ensino como fazer um mosaico lunar usando webcam acoplada ao telescópio:


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Lua Cheia no perigeu? Superlua!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Órbita elíptica da Lua ao redor da Terra

 

A órbita da Lua ao redor da Terra não é uma circunferência, mas uma elipse. E a Terra não fica no centro da órbita, mas deslocada dele. Logo, trata-se de uma órbita excêntrica, com a Terra num dos focos da elipse enquanto o nosso satélite natural faz a sua translação ao redor do nosso planeta. A figura acima ilustra a ideia geométrica.

Por conta deste “capricho cósmico”, decorrência direta da Lei da Gravitação, a Lua pode passar mais perto da Terra, ponto que chamamos de perigeu, ou mais longe, ponto que denominamos apogeu. E sabemos que qualquer coisa vista de mais perto, inclusive a Lua, parecerá maior. Ao contrário, o que observamos de mais longe nos parecerá menor.

Quando coincide da Lua Cheia acontecer com o nosso satélite natural passando pelo perigeu ou perto dele, ainda que com uma diferença de poucas horas, temos uma Lua Cheia “turbinada”, ou seja, ligeiramente maior e mais brilhante. É o que vem sendo chamado de Superlua.

Se compararmos a Lua mínima (no apogeu) com a Lua máxima (no perigeu), temos uma diferença de 14% no tamanho e 30% no brilho. Neste post aprofundo o tema e faço os cálculos que nos levam a estes valores. Se quiser saber mais, dá uma olhada nele.

Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, tudo nublado há dias. Veja panorâmica que fiz hoje pelo celular pouco depois das 11h da manhã.

Céu nublado. Previsão de chuva para a minha cidade e região. (Panorâmica 180 graus, pelo celular)

Ontem, mesmo com o céu nublado na maior parte do tempo, consegui ver a Lua por alguns minutos, pouco depois do seu nascer, num brecha entre nuvens. Confira a imagem logo abaixo. Mas depois o céu fechou de vez. E não vi mais nada.

Lua (quase) Cheia ontem, numa brecha entre as nuvens. (Imagem feita pelo celular)

Pela previsão do tempo, para a minha cidade e região, probabilidade quase zero de observar a Lua Cheia no perigeu hoje. Mas, se o céu abrir e eu conseguir ver alguma coisa, tentarei fazer uma live da Superlua em vídeo. Posto o link por aqui se der certo.

 

Curiosidade 1: a trilogia das Superluas, com “bonus track” de Blue Moon e eclipse lunar

Teremos três Luas Cheias no perigeu (ou três Superluas, se preferir), num curto período de tempo.

A primeira delas é hoje, domingo, 3 de dezembro de 2017. As duas próximas acontecem no mês de janeiro de 2018, respectivamente nos dias 1 (segundas-feira) e 31 (quarta-feira).

A segunda Lua Cheia num mesmo mês é conhecida como Blue Moon. Mas é apenas um rótulo. A Lua não vai ficar azul. Nosso satélite, a olho nu, tem sempre o mesmo tom cinza prateado, exceto quando está próximo do horizonte em que fica alaranjado, ou na totalidade dos eclipses lunares quando acaba ficando da cor de tijolo (um tom vermelho alaranjado). A terceira Superlua em praticamente dois meses será, portanto, Blue Moon. E tem mais: neste dia também haverá um eclipse lunar total. Teremos Super Blue Moon eclipsada! Três fenômenos em um! Mas não se anime. Aqui no Brasil o eclipse lunar não será visível. Para nós, Super Blue Moon, sem eclipse.

O vídeo abaixo, da NASA, fala da curiosa trilogia das Superluas.

 

Curiosidade 2: o teste do dedo indicador

Estique o braço e levante o dedo indicador. Para o seu olho, a largura aparente do dedo indicador terá praticamente 1,0 grau. Varia de pessoa para pessoa, claro. Mas o valor gira em torno de 1,0 grau.

A Lua Cheia tem diâmetro angular aparente de meio grau. Logo, um dedo indicador deve cobrir duas Luas Cheias.

Quando você achar que a Lua Cheia está gigante, geralmente por efeito de ilusão de óptica, faça este teste. Infalível! Você vai se surpreender.

Se conseguir ver a Superlua nascendo hoje logo no início da noite de domingo, dedo nela! Ela vai parecer enorme. Mas o teste do dedo vai desmarcarar o seu cérebro pregando peças no seu proprietário!

Neste post explico detalhes sobre a ilusão da Lua Cheia gigante.


Para saber mais


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Astrofotografia: como fazer um mosaico da Lua
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Resultado final do mosaico da Lua (clique na imagem para abrir versão maior)

 

Fazia tempo que eu não observava o céu com o telescópio.

Por conta do meu trabalho de professor/autor de material didático, fico sempre limitado às “folgas” aos finais de semana ou feriados. Às vezes, até nestes dias há trabalho extra para casa. E a agenda ainda tem que coincidir com céu limpo e não “bater” com outros compromissos pessoais. A probabilidade de observações do céu com equipamento que sempre demora um pouco para ser montado e alinhado fica bastante reduzida.

Ontem, feriado, por sorte o céu abriu depois de alguns dias de chuva. Aproveitei a folga (desta vez real) para observar e capturar a Lua que estava linda diante da janela do meu apartamento.

Para registrar as imagens do telescópio, uso a técnica de acoplar uma webcam comum no porta ocular. A webcam usa a óptica (espelho) do telescópio newtoniano (refletor) e, com o sensor digital, registra a imagem nele projetada e a envia para o notebook.

Mas, como o sensor da webcam é bem pequeno, só consigo ver/capturar a Lua parcialmente, como você pode conferir abaixo no print screen da pasta onde as imagens capturadas foram salvas.

As “fatias” capturadas da Lua, salvas numa pasta.

 

A solução para ter uma imagem da Lua por inteiro é juntar as “fatias” via software, compondo um mosaico, como na imagem que abre este post, lá no topo.

Para fazer meus mosaicos lunares, tenho usado o ICE – Imagem Composite Editor, da Microsoft (dica do amigo astrofotógrafo Gabriel Akira Yanaguya). O ICE é freeware e bem fácil de usar. Procure-o pelo Google e vai encontrá-lo facilmente para baixar de fontes confiáveis.

O software, cuja função real é criar panoramas, tem vários ajustes que você pode depois experimentar. Mas, no modo automático, ele faz tudo praticamente sozinho, em quatro passos logo após a escolha e carregamento das imagens. O resultado é excelente.

Confira a seguir o passo a passo do processo de montagem do mosaico.

Passo 1 [Import]: O carregamento das imagens

Você escolhe “New Panorama from images” se for usar imagens estáticas ou “New Panorama from video” se for usar frames de um vídeo. Escolhi “New Panorama from images” porque tinha vários arquivos de imagens estáticas no formato png equivalentes a diversos pedaços da Lua que eu já havia capturado previamente.

Em seguida, escolhida a pasta onde as imagens capturadas estão salvas, é possível vê-las na tela.

Escolhido o tipo de panorama, você escolhe a pasta e o software mostra as imagens nela contidas.

Você pode fazer uma triagem das imagens previamente salvas e escolher somente aquelas que vai usar para compor o mosaico. Eu escolhi todas que havia feito porque estava testando uma peculiaridade técnica (veja nota¹ no final do post).

Usei o ajuste padrão “Simple Panorama” com “auto-detect motion” (menu da direita).

Imagens importadas para dentro do software. Vai começar a parte mais divertida!

É importante ficar claro que, para o software juntar as imagens, elas devem ter partes comuns. Assim o software entende como as imagens deve ser sobrepostas e unidas. Imagens que não apresentam regiões comuns não serão entendidas pelo programa que, obviamente, não faz milagre.

Passo 2 [Stich]: O software analisa e junta as imagens 

Quando você clica na próxima aba “STICH”, o sofware começa a fazer o trabalho “pesado” automaticamente por você. Ele junta as imagens de forma inteligente, fazendo as devidas sobreposições de partes coincidentes, as correções de tons e tudo o mais. E vai mostrando a evolução percentual do trabalho. Nessa etapa não dá para ver nada. É só ter paciência e esperar.  Quanto mais imagens usar, mais tempo vai demorar para o processo se completar.

O software trabalhando em silêncio.

Passo 3 [Crop]: O resultado final aparece 

Depois da espera, o resultado final aparece! Agora é hora de fazer o CROP, ou seja, recortar a imagem.

O resultado final, só esperando o crop.

Basta clicar/arrastar com o mouse nas alças (pontos) das linhas brancas do quatro retangular que envolve a imagem (mosaico), definindo exatamente onde a imagem será cortada.

Definição do corte da imagem final.

Passo 4 [Export]: Salvando a imagem final

Clique na aba “Export”. E salve a imagem final. Escolha o formato, a pasta/local onde quer salvar. E pronto.

Imagem final, a ponto de ser salva.

A imagem final você pode levar para o seu software de tratamento favorito para dar aquele “tapinha” nos parâmetros que podem melhorar ainda mais os detalhes do mosaico.

É isso! Bons céus! Boas observações! E bons registros astrofotográficos!


1 – Dica interessante: fiz várias imagens redundantes de diversas partes da Lua, mas com controle de ganho/exposição/brilho/contraste da webcam diferentes. O software, ao juntar tudo, faz um ajuste médio dos tons das várias partes para a imagem final ficar homogênea. Como sempre temos partes da Lua mais subexpostas e partes mais superexpostas para um mesmo ajuste da webcam, tive a impressão de que isso ajudou o software a equilibrar melhor os tons. Ainda farei outros testes neste sentido. Mas, preliminarmente, tal procedimento parece ter dado um resultado superior. Vale a pena experimentá-lo.

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Outros posts sobre Astrofotografia, mas sem telescópio (só com câmera digital).

(*) Post na plataforma antiga do blog


Eclipse Solar Carnavalesco
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Fotomontagem

 

No próximo dia 26 de fevereiro, em plena manhã de domingo de Carnaval, teremos eclipse solar. E o melhor de tudo: ele poderá ser observado daqui do Brasil (exceto da região norte do país)!

Eclipse solares, você sabe, ocorrem quando a Lua obstrui total ou parcialmente a luz solar. Em outras palavras, a Lua (Nova) passa diante do disco solar do ponto de vista de um observador terrestre.

O Sol, fonte de luz extensa (não pontual), ao iluminar a Lua, cria duas regiões cônicas importantes: uma de sombra (S) também chamada de umbra, totalmente sem luz, e outra de penumbra (P) parcialmente iluminada. A figura abaixo, propositalmente fora de escala, ilustra a ideia.

Sombra (S) e Penumbra (P) da Lua projetadas sobre a Terra.

A animação abaixo, agora com escala bem mais próxima da real, dica que recebi por e-mail do prof. João Batista Canalle (coordenador nacional da OBA – Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica), mostra os cones bem alongados de sombra (ou umbra) e penumbra da Lua projetados sobre a Terra durante um eclipse solar.

Um observador que, com sorte, estiver num ponto da Terra por onde passará a a sombra (S) da Lua, verá o melhor do espetáculo, com o disco lunar passando diante do disco solar, num “encaixe perfeito” que pode até mesmo tapar o Sol. Com um pouco menos de sorte, observadores sob a penumbra lunar (P) projetada na Terra verão o disco opaco da Lua passar parcialmente sobre o disco luminoso do Sol, sem no entanto obstruí-lo por completo.

Curiosamente, por uma caprichosa coincidência cósmica, os tamanhos aparentes da Lua e do Sol, vistos daqui da Terra, ficam próximos de meio grau (confira os cálculos neste post, ainda na plataforma antiga do blog). Assim, é possível em algumas situações a Lua tapar por completo o Sol. Quando isso acontece, dizemos que o eclipse solar é total. Nesses casos, o dia vira noite por alguns minutos e o efeito é realmente contundente, como pode ser visto na foto abaixo.

Eu disse que os tamanhos aparentes do Sol e da Lua ficam próximos de meio grau porque, na realidade, podem variar ligeiramente para mais ou para menos. Isso se deve ao fato de queas órbitas da Terra ao redor do Sol e da Lua ao redor da Terra não serem circunferências perfeitas, mas elipses.  Eventualmente, por conta da variação da distância Sol-Terra e/ou da distância Terra-Lua, pode ocorrer do disco lunar opaco estar ligeiramente menor do que o disco brilhante solar. Nesse caso, no ápice do eclipse, a Lua não chegará a tapar por completo o disco solar. Ficará “sobrando” uma curiosa bordinha luminosa. Esse tipo peculiar de eclipse é classificado como anular (ou anelar) por conta da formação do “anel” brilhante. Um pouco diferente do eclipse total, ainda assim um eclipse anular é algo surpreendente.

Eclipse solar anular. [Fonte: NASA]

O eclipse solar do próximo domingo, em seu máximo, será do tipo anular, como esse registrado na bela imagem logo acima. Mas, para observá-lo assim você teria que estar localidades de latitudes sul bem altas na Terra, como alguns pontos privilegiados do Chile, sul da Argentina e parte da África.

Aqui no Brasil, no entanto,  em latitude mais baixa, veremos apenas um eclipse parcial que, mesmo assim, tem tudo para ser um belo espetáculo. É que todos os pontos do território nacional onde haverá o fenômeno astronômico estarão na região de penumbra (P) e não de sombra (S) da Lua. Assim, o centro do disco escuro lunar e o centro do disco claro solar não ficarão perfeitamente alinhados. Veremos algo mais ou menos parecido com a imagem abaixo que registra a Lua cobrindo parcialmente o disco solar.

Eclipse solar parcial. [Fonte: NASA]

O eclipse ao longo do território nacional

A imagem abaixo ilustra de forma bastante didática onde o eclipse poderá ser visto ao longo do território brasileiro e que porcentagem do Sol será coberta pela Lua.

O eclipse no território brasileiro. [Fonte: texto publicado pela Comissão de Ensino e Divulgação da
SAB – Sociedade Astronômica Brasileira]

 Note que, daqui do Brasil, poderemos ver entre 60% e 70% do disco solar obstruído pela Lua (na região Sul), cerca de 50% da região sudeste, e até 40% nas regiões nordeste e centro-oeste, dependendo da latitude.

O fenômeno, aqui no Brasil, dependendo da localidade, vai começar um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde. Mas tenha 10 h (horário de Brasília) como referência média para começar as observações.

 

Observação segura do fenômeno (ou cuide bem dos seus olhos!)

O delicado olho. Não olhe diretamente para o Sol, muito menos com instrumentos ópticos!

 

Jamais olhe para o Sol diretamente. Com binóculos, lunetas ou telescópio, sem um filtro solar astronômico profissional, muito menos! Tais instrumentos concentram a radiação solar oferecendo altíssimo risco de danos severos e permanentes às células da retina, com cegueira na certa!

Na falta de um filtro astronômico profissional, como o que usei para fazer a imagem do Sol que ilustra este post e que é feito de um polímetro capaz de absorver 99% da radiação solar, sugiro, como forma segura para observar um eclipse solar, usar um vidro (verde) de máscara de soldador número 14. Ele também filtrará bastante a intensa luz solar, protegendo os seus delicados olhos. Mas atenção: não use binóculos, lunetas ou telescópios junto com o vidro 14 acoplado. Por um descuido, se houver desalinhamento, o Sol intenso pode machucar seus olhos! Olhe o Sol usando apenas o vidro de soldador. Ok?

Vidro (verde) retangular para máscara de soldador número 14

Você encontra este produto em lojas de material para construção ou lojas que vendem ferragens. Funciona bem, é seguro e barato. Ele filtra tanto a luz que, numa primeira olhada, parece preto. Mas é verde. Através dele você verá o Sol esverdeado.

Vidros escurecidos com fumaça de vela, chapas de raio X, filme fotográfico velado, …, e outras “receitas” caseiras não são tão seguros e devem ser evitados.

Existem outras boas e baratas técnicas de observação de eclipses solares. Escrevi sobre isso neste post, há alguns anos, ainda na plataforma antiga do blog. Confira-as. E veja o eclipse solar com toda a segurança!

 

Prepare-se para o eclipse com antecedência! Compartilhe a notícia e as dicas de observação nas redes sociais. Chame os amigos para observarem juntos com você o belo fenômeno!

BOM CÉU A TODOS NO DOMINGO! E BOAS OBSERVAÇÕES CARNAVALESCAS!

Antes que me esqueça, farei cobertura fotográfica em tempo real aqui no blog. Veja o fenômeno ao vivo e depois venha conferir as imagens aqui bem como compartilhar conosco as suas experiências observacionais. Combinado?


Para saber mais

  • Texto oficial (PDF) da SAB – Sociedade Brasileira de Astronomia sobre o eclipse solar do próximo dia 26/fevereiro, com informações importantes e horário do fenômeno para diversas cidades brasileiras, em diferentes latitudes.

Já publicado aqui no Física na Veia!

(*) Posts na plataforma antiga do blog

O que uma Superlua tem de “super”?
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Super_Lua_29ago2015_02

Registro da Superlua de 29 de agosto de 2015 nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista,
São Paulo, Brasil.

 

Recebi muitas mensagens perguntando sobre a tão falada Superlua recorde de novembro de 2016. Muita gente querendo saber se o fenômeno era ontem (dia 13) ou hoje (dia 14). Mas a maior dúvida dentre todas: a Lua Cheia vai ficar realmente enorme no céu?

Para acabar de vez com as dúvidas, resolvi escrever este post explicando (mais uma vez) o que é o fenômeno da Superlua.

Mas dessa vez vou mais longe. A partir da Geometria básica e de algumas continhas simples, pretendo quantificar tamanho e brilho aparentes da Lua Cheia para concluirmos juntos se o fenômeno pode ser mesmo “Super”!

 

A distância (variável) Terra-Lua

Para entender o fenômeno da Superlua, é preciso antes de tudo se convencer de que a distância Terra-Lua varia. E isso afeta o tamanho aparente da Lua vista daqui da Terra.

Essa variação de distância Terra-Lua deve-se ao fato de que a órbita da Lua ao redor da Terra não é perfeitamente circular mas oval (a rigor, elíptica). A ilustração a seguir nos dá uma ideia de como é a órbita do nosso satélite (Lua) ao redor do nosso planeta (Terra) bem como das distâncias relevantes. Exagerei um pouco, desenhando propositalmente a órbita da Lua bem mais oval do que ela de fato é. E os astros (Terra e Lua) também estão fora de escala em relação ao tamanho da elipse. O exagero proposital é apenas para reforçar aspectos relevantes.

SuperLua_quantificando_01

Órbita da Lua ao redor da Terra, fora de escala. Note que distância Terra-Lua varia.

 

Você percebeu que a Terra não está no centro da órbita da Lua mas num dos dois focos da elipse? Assim, enquanto orbita a Terra, a cada 29,5 dias aproximadamente, a Lua pode passar mais perto do nosso planeta (perigeu) ou mais longe dele (apogeu).

A distância média Terra-Lua, parâmetro físico também chamado de semi-eixo maior (a) da órbita elíptica, tem valor próximo de a = 384000 km.

É possível demonstrar que a distância (d) entre um corpo que orbita outro em trajetória elíptica depende da excentricidade orbital (e) e tem valor que varia entre o mínimo d = (1 – e).a e o máximo d = (1 + e).a. Se quiser conferir a demonstração, veja esse post (ainda na plataforma antiga do blog).

SuperLua_quantificando_02

A excentricidade da órbita terrestre da Lua tem valor aproximado e = 0,0549. Se fosse zero (redondo), a órbita seria circular. Note que é a excentricidade é um pouco maior do que zero, o que ratifica a ideia de que a órbita, embora seja elíptica, não é tão oval.

Agora já temos como calcular os valores máximo (no apogeu) e mínimo (no perigeu) da distância Terra-Lua e que já foram revelados na ilustração logo acima. Quer saber de onde eles vieram? Confira as continhas abaixo:

  • Distância máxima Terra-Lua (apogeu)
    SuperLua_quantificando_03_
  • Distância mínima Terra-Lua (perigeu)
    SuperLua_quantificando_04a

Mas há mais um detalhe importante e que faz diferença. Quando a Lua está bem alta no céu, ou como costumamos dizer a Lua está a pino, ela fica ainda mais perto do observador. Isso porque o observador está na superfície do planeta mas as distâncias que calculamos acima são medidas entre o centro da Terra e o centro da Lua. Dessa forma, quando a Lua está no perigeu e fica a pino, ela fica um raio terrestre mais perto do observador (O). Não está conseguindo visualizar? Veja a figura abaixo que fiz para ajudá-lo nessa tarefa um tanto quanto abstrata.

SuperLua_quantificando_05

Lua a pino, um raio (R) terrestre mais perto do observador O.

 

Logo, a menor distância entre o observador (O) e a Lua não é de apenas 363000 km. Temos que descontar o raio da Terra que é de aproximadamente 6400 km.

A distância mínima (observacional) da Lua no perigeu é

  • Distância mínima observacional Terra-Lua (perigeu)
    SuperLua_quantificando_04b

Comparando os valores acima, fica fácil entender que a Lua, vista da Terra, pode estar mais longe, a cerca de 405000 km (apogeu), ou mais perto, em torno de 356000 km (perigeu, e se observada a pino).

SuperLua_quantificando_06

Note que a diferença de distâncias Terra-Lua 49000 km = 405000 – 356000 é um valor não desprezível em relação à distância média Terra-Lua próxima de 384000 km. E é exatamente isso que faz varia o tamanho aparente da Lua para um observador fixo na Terra.

Estando mais perto, a Lua será percebida pelo observador em tamanho aparente maior. Ao contrário, ficando mais longe, parecerá menor. É o que ilustra a imagem abaixo onde percebemos que o tamanho (ou diâmetro) real da Lua é constante mas seu tamanho aparente, para o observador terrestre, muda de valor.

SuperLua_quantificando_07

Na prática, é o ângulo de abertura θ do cone de luz que sai da Lua Cheia e atinge os olhos do observador é que dá a sensação de tamanho (confira na figura acima). Quanto maior θ, maior a sensação de tamanho (ou tamanho aparente) e vice-versa. Assim, para θp (perigeu) > θa (apogeu), o tamanho aparente da Lua Cheia é maior no perigeu do que no apogeu.

O que é Superlua?

Quando coincide da Lua Cheia (Lua com o disco totalmente iluminado e voltado para a Terra) ocorrer próxima a passagem da Lua pelo perigeu, na faixa que indiquei na figura lá em cima entre P’ e P”, temos uma Lua Cheia mais próxima da Terra e, portanto, uma Lua Cheia com tamanho aparente maior.

É isso que recentemente vem sendo chamado de Superlua e gerado uma certa confusão por conta do termo Super.

SuperLua_quantificando_12

A Superlua de novembro de 2016 foi ontem (13) ou será hoje (14)?

 

A Lua Cheia, segundo este site, aconteceu hoje (14) por volta de meio dia (horário de Brasília). E a passagem pelo perigeu foi aproximadamente duas horas antes. Lua Cheia no perigeu, com poucos horas de diferença, é Superlua!

Ontem, dia 13, quem teve céu limpo aqui no Brasil, já pode observar à noite a Lua (praticamente) Cheia, ou seja, com o disco quase totalmente iluminado. E poucas horas antes da passagem pelo perigeu. Tecnicamente, já dava para chamar essa Lua Cheia de Superlua.

Hoje, dia 14, à noite, teremos aqui no Brasil outra Lua (praticamente) Cheia, com quase todo o disco iluminado. E somente poucas horas depois de sua passagem pelo perigeu. Logo, tecnicamente, ainda podemos dizer que se trata de uma Superlua.

Sobre a aproximação recorde da Lua, vale ressaltar que a última vez em que a Lua Cheia e a passagem pelo perigeu foram tão próximas, com diferença de apenas 2h, foi em 26 de janeiro de 1948, há 68 anos. A Superlua de ontem/hoje é, portanto, um recorde! Mas, na prática, essa pequena diferença de horas é imperceptível e todas as outras Superluas que tivemos nesse períodode 68 anos foram, na prática, do ponto de vista observacional, indistinguíveis.

Mas será que uma Superlua é mesmo “Super”? Até aqui só expliquei o fenômeno da aproximação/afastamento da Lua em relação à Terra. Mas, para ratificar ou não o “Super”, temos que tentar quantificar quão maior ou menor a Lua Cheia pode nos parecer entre o perigeu e o apogeu. E também tentar estimar como a distância Terra-Lua afeta o brilho aparente (ou luar) do nosso satélite para um observador fixo na Terra. Assim poderemos entender de vez se a Superlua faz jus ao nome.

Vamos em frente…

 

Estimativa da variação no tamanho aparente da Lua Cheia

Como dito acima, uma boa maneira de estimar o tamanho aparente de um astro (no nosso caso da Lua) é calcular o valor do ângulo θ de abertura do cone de luz que chega aos olhos do observador.

Usarei o triângulo retângulo laranja e de borda vermelha destacado na imagem abaixo e para o qual um dos catetos equivale à distância observador-Lua e o outro ao raio da Lua que mede aproximadamente R = 1740 km.

SuperLua_quantificando_08

 

Pela razão entre os catetos (oposto e adjacente) no triângulo retângulo podemos facilmente obter a tangente do ângulo θ/2 e, a partir daí, numa calculadora científica, descobrir o valor de θ. Basta usar a definição de tangente (cateto oposto pela hipotenusa) dada na expressão abaixo:

SuperLua_quantificando_09

Vamos aos cálculos:

  • Tamanho angular aparente da Lua no perigeu:
    SuperLua_quantificando_10a
  • Tamanho angular aparente da Lua no apogeu:
    SuperLua_quantificando_10b

Pelos cálculos acima, descobrimos que o tamanho angular aparente da Lua varia entre 0,49 graus (apogeu) e 0,56 graus (perigeu). Do ponto de vista percentual, isso equivale a uma variação de:

SuperLua_quantificando_11

Note que o tamanho angular aparente da Lua Cheia no perigeu supera o tamanho aparente no apogeu em 14/100, ou seja, é 14% maior.

Concluímos que entre a menor Lua Cheia (no apogeu) e a maior Lua Cheia (no perigeu, chamada Superlua), a diferença de tamanho é da ordem de 14%, algo imperceptível a olho nu.

 SuperLua_quantificando_13

Só 14%! Do ponto de vista do tamanho aparente, uma Superlua não tem nada de Super! Concorda? 

Estimativa da variação no brilho aparente da Lua Cheia

A intensidade (I) da radiação emitida por uma fonte (F) de tamanho desprezível em geral decresce com o inverso do quadrado da distância (r) à fonte.

Como a energia se espalha de maneira isotrópica ao redor da fonte (F), é como se a fonte estivesse no centro de esferas imaginárias que crescem de tamanho (volume) na medida em que aumenta a distância (r) à fonte. A figura a seguir ilustra essa ideia. Note que, se um observador está a uma distância r da fonte F, é como se ele pertencesse à superfície de uma esfera imaginária de raio r. Se o observador se afastar da fonte e ficar a uma distância 2r dela, é como se agora pertencesse à superfície de outra esfera de raio 2r, de maior volume e também maior área superficial.

SuperLua_quantificando_14

“Cascas esféricas” (aqui vistas de perfil) e centradas na fonte F.

Dessa forma, na medida em que o observador se afasta da fonte (F), a energia por ela emanada por unidade de tempo vai sendo “diluída” numa área (A) cada vez maior e que numa superfície esférica mede A = 4πr² onde onde π = 3,14 é o número pi e r é o raio da esfera. Lembre-se de que é como se observador estivesse numa casca esférica centrada na fonte.

A imagem abaixo também nos ajuda a entender melhor essa ideia dessa “diluição” de energia. Note que, se dobrarmos r, a área da superfície esférica aumenta quatro vezes (2²). Se triplicarmos r, a área fica multiplicada por 9 (3²). E assim por diante.

SuperLua_quantificando_15

A fonte F emite luz que se espalha ao seu redor e vai sendo “diluída” numa área cada vez maior. [Adaptado de: http://inversodoquadradocomarduino.blogspot.com.br/]

 

Se considerarmos que a fonte F é a Lua, de tamanho desprezível em relação à sua distância média à Terra, na medida em que o observador dela se afasta, ou seja, na medida em que r cresce, a quantidade de energia que ele recebe vinda do nosso satélite fica cada vez menor. Para a luz visível, essa energia representa a intensidade aparente do luar. E nos servirá para estimarmos a diferença no brilho da Lua Cheia quando da sua passagem pelo perigeu e pelo apogeu.

Admitindo que a Lua Cheia emite uma quantidade constante de luz¹ (ou energia luminosa ΔE) por unidade de tempo (Δt), podemos dizer que a Lua Cheia tem uma potência (P = ΔE/Δt) constante. Assim, a intensidade (I) da luz recebida por um observador a uma distância (r) da fonte (Lua) pode ser dada pela razão P/A (potência/área), expressão conhecida como “Lei do inverso do quadrado da distância”:

SuperLua_quantificando_16

Note que, sendo P uma constante, então P/4π também é constante. A rigor, se chamarmos essa constante de K, podemos reescrever a Lei acima como I = K/r².

Vamos calcular a intensidade I que chega no observador fixo na Terra para a Lua Cheia a pino no perigeu (Ip) e no apogeu (Ia):

  • Intensidade da luz da Lua Cheia (a pino) no perigeu:
    SuperLua_quantificando_17a
  • Intensidade da luz da Lua Cheia no apogeu:
    SuperLua_quantificando_17b

Podemos comparar as intensidade acima do ponto de vista percentual. Basta fazer a razão entre os valores obtidos. Veja:

SuperLua_quantificando_17c

Concluímos que a intensidade da luz da Lua Cheia (a pino) no perigeu supera em 30/100, ou seja, em 30% a intensidade da luz da Lua Cheia no apogeu. Em outras palavras, por comparação, temos um ganho de 30% na intensidade do luar da Lua Cheia no perigeu (Superlua) em comparação com o luar mais fraco da Lua Cheia no apogeu.

Embora seja muito difícil quantificar essa diferença de 30% no brilho do luar apenas no “olhômetro”, ou seja, sem instrumentos de medida, dá para dizer que uma Superlua, a olho nu, é uma Lua Cheia de luar “turbinado”! 

SuperLua_quantificando_18

Ilusão de Óptica

Quando a Lua Cheia está a pino, como já comentei acima, ela fica mais perto do observador de uma quantidade equivalente a um raio terrestre. Paradoxalmente, nessa posição mai próxima, a Lua Cheia sempre nos parece ser menor. Você já deve ter percebido que ela parece ser muito maior quando nasce. Certo? Você já se perguntou qual é a razão disso?

Tal efeito se deve à ilusão de óptica e o culpado disso é nosso cérebro. Quando a Lua Cheia nasce, por trás do horizonte, há sempre outros objetos na paisagem para compararmos com ela. E aí o nosso cérebro acaba fazendo interpretações equivocadas.

Clique aqui (ou na imagem abaixo) para abrir um vídeo bem legal para ilustrar essa ideia de ilusão². Nele as pessoas parecem estar diante de uma Lua Cheia gigantesca! Seria fantástico se fosse verdade. Mas não é. Quem estava filmando via as pessoas, ao longe, e em comparação com o disco lunar, bem menores. Veja a seguir, depois de ver o vídeo, a explicação para a ilusão.

SuperLua_quantificando_19

Frame do vídeo que mostra uma Lua “descomunal”. Mas é ilusão.

 

Como já vimos mais acima, o tamanho angular aparente da Lua Cheia tem a ver com o ângulo θ de abertura do cone de luz que vem do nosso satélite e chega aos olhos observador. Certo?

Imagine um observador que olha para a Lua Cheia, ainda baixa no horizonte, e vê outra pessoa que se interpõe entre ele (observador) e a Lua Cheia. Considere que inicialmente a pessoa está perto do observador (posição A na ilustração abaixo). Logo, para o observador, a silhueta escura da pessoa contra a intensa luz da Lua Cheia parece ser enorme. A Lua Cheia, com o mesmo tamanho angular aparente (cerca de 0,5 grau), some por trás da pessoa que, por estar perto do observador, parece grande. Mas quando a pessoa vai caminhando e se afastando do observador, o cenário muda. Na posição B a silhueta da pessoa de costas está menor para o observador. Logo, para o observador a pessoa (mais distante) ficou menor. Mas a Lua Cheia, no mesmo lugar, à mesma distância, continua com o mesmo tamanho angular aparente que corresponde à abertura θ do cone de luz, de 0,5 grau aproximadamente. Agora, em comparação com a pessoa, a Lua Cheia parece ter crescido. A ilustração abaixo nos ajuda a entender a ideia.

SuperLua_quantificando_20

O que vai acontecendo na medida em que a pessoa se afasta ainda mais do observador, caminhando para as outras posições C, D e E? Note que na posição C a silhueta da pessoa tem o mesmo tamanho da abertura θ do cone de luz da Lua Cheia. Para o observador, a pessoa parece ainda menor. Mas, em comparação com a Lua Cheia, o cérebro “acredita” que a Lua Cheia cresceu e agora tem diâmetro aparente equivalente à altura de uma pessoa adulta. Dá para entender a ilusão?

Na posição D a pessoa parece ter ficado ainda menor mas, por comparação, é a Lua Cheia que se agiganta diante dos olhos do observador e agora parece ser bem maior. Em E o efeito se potencializa. Na medida em que a pessoa se afasta cada vez mais do observador, o tamanho aparente da Lua Cheia será sempre o mesmo (porque a distância observador-Lua é fixa) mas, por comparação, nosso cérebro vai interpreta que a Lua Cheia cresceu. E criar cada vez mais o efeito de Lua Cheia gigante, exatamente como visto no vídeo sugerido acima. Deu para entender?

É por isso que, quando vemos a Lua nascendo, bem baixa, ainda próxima ao horizonte, sempre temos a impressão de que a Lua está enorme. A mesma ilusão se repete com o Sol próximo ao horizonte, nascendo ou se pondo.

Na prática, para a Lua Cheia, essa ilusão de óptica consegue produzir um efeito de tamanho aparente mais contundente do que o da Superlua que se resume a um aumento de tamanho aparente de apenas 14%. Já o brilho “turbinado” de uma Superlua garante um luar muito mais intenso, com ganho de até 30%.

Resumindo

Existe, de fato, uma Superlua? A resposta é sim e não! E não estou querendo ficar em cima do muro. Escrevi bastante hoje para justificar essa resposta aparentemente evasiva, não é mesmo?

Devemos responder:

  • Sim se entendermos que a Superlua é somente o nome de uma Lua Cheia “turbinada” em brilho (ganho de até 30%) e ligeiramente aumentada em tamanho (ganho de até 14%) por conta de sua passagem pelo perigeu, ou seja, como efeito colateral de sua aproximação com a Terra.
  • Não porque, na prática, não há nada de super, exceto o luar mais intenso que, em noites limpas, pode ser um belo fenômeno, especialmente bem longe da poluição luminosa das grandes cidades. Mas bastam nuvens densas para destruir o super brilho e ofuscar o luar.

Dá para dizer, sem medo, que Superlua é um nome um tanto quanto exagerado! Você jamais vai ver uma Lua Cheia gigantesca no céu. Não tem como! É fisicamente impossível! Mas é mais chamativo o termo Superlua do que Lua Cheia no perigeu. Logo, mais “marqueteiro”, o termo Superlua ajuda a nós divulgadores científicos a chamar mais pessoas para observar a Lua e, de carona, todo o céu! E isso é sempre SUPER interessante. 

Apesar do exagero, vale a pena a pena observar a Lua Cheia no perigeu também chamada de Superlua? SIM! Sempre vale a pena observar o céu e, em especial, a Lua. Mesmo uma Lua Cheia no apogeu, numa noite limpa, é espetáculo garantido. Se estiver no perigeu, tudo tende a melhorar!

Hoje, 14 de novembro, anda dá para pegar carona na “quase” Superlua que já passou um pouco do perigeu e está com o seu disco um pouquinho menos iluminado. Mas isso só vale se o céu estiver bem limpo. Aqui na minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo, chove há dias. E o céu está totalmente fechado e não haverá Superlua que vença as nuvens densas que cobrem o firmamento.

A Superlua vai nascer ali... mas as nuvens...

A Superlua vai nascer ali, à esquerda das duas antenas. Mas as nuvens… (panorama, quase 180 graus,
da minha janela, pelo celular).


1.  Na verdade a Lua reflete a luz solar.
2. Cuidado com o título da matéria que afirma que a Superlua “preenche” todo o horizonte. Exagero! Não é verdade. É o que parece ser. Mas é justamente aí que está a ilusão.

Para ver


Para saber mais


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Júpiter “coladinho” na Lua agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

A Lua Crescente (quase Cheia e o planeta Júpiter mais abaixo

A Lua Crescente (quase Cheia) e o planeta Júpiter (pontinho) mais abaixo

 

Júpiter está bem brilhante por esses dias. É que ele e a Terra estão do mesmo lado em relação ao Sol. Assim, além de estar mais perto da Terra, o gigante gasoso fica iluminado diretamente pelo Sol que está às nossas costas.

E hoje, particularmente, o show está ainda melhor. Júpiter, visualmente, está bem perto da Lua Crescente (quase Cheia). Veja logo acima o registro fotográfico que acabei de fazer.

Você não está vendo essa cena ao vivo? Bota a cabeça pra fora da janela e espia! Imperdível!

Confira, na imagem abaixo, simulação (propositalmente fora de escala) da posição dos astros no Sistema Solar hoje. Ela foi feita on line no SolarSystemScope.com e nos ajuda a entender a cena astronômica que registrei fotograficamente (e você pode ver ao vivo, agora) a partir da Terra.

Simulação das posições reais dos astros do Sistema Solar agora

Simulação (fora de escala) das posições reais dos astros do Sistema Solar agora, no momento da publicação do post.

 

Boas observações!

Depois deixe o seu comentário nos contando se conseguiu observar Júpiter “coladinho” na Lua Crescente.


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Eclipse solar total como você nunca viu
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

MIR_Moon-shadow

Sombra e penumbra da Lua Nova projetadas na superfície da Terra. Captura feita a partir da estação espacial soviética MIR.

 

A imagem acima é bastante popular entre os amantes da Astronomia. E a única que eu conhecia até hoje mostrando uma visão espacial rara: a sombra e a penumbra da Lua Nova projetadas na superfície do nosso planeta evidenciando a ocorrência do fenômeno do eclipse solar total.

Observadores privilegiados que estiverem por onde passa a penumbra da Lua Nova terão a visão de um eclipse solar parcial. E os mais sortudos, bem no centro (parte mais escura) da mancha, região chamada de sombra (ou umbra), serão contemplados com um eclipse solar total, momento raro em que o disco opaco da Lua pode tapar por completo o disco solar transformando, por alguns minutos, o dia em noite.

Mas hoje foi publicada uma animação espetacular mostrando o movimento da sombra e da penumbra da Lua Nova sobre a Terra a partir de várias capturas feitas pelo satélite meteorológico japonês Sunflower-8 durante o eclipse solar total que teve seu ápice às 9h53 minutos do dia 9 de março de 2016 (horário local da Indonésia) ou 21h53min do dia 8 de março (horário de Brasília).

Pela beleza e raridade da imagem, publico-a dividindo com meus leitores essa incrível visão do globo terrestre a partir do espaço durante um eclipse solar total.

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Sombra e penumbra da Lua Nova projetadas na superfície da Terra. Captura feita a partir do satélite
japonês Sunflower 8. Fonte: Spaceweather.com.

A imagem acima, estática, é um único frame da animação que você confere aqui na íntegra. Imperdível!

A imagem abaixo, feita na Indonésia, mostra a visão do eclipse solar total de um observador terrestre. Note acima, à direita, o disco solar totalmente coberto pela Lua Nova durante o eclipse solar de hoje (na Indonésia) ou ontem (no Brasil). Note que a coroa solar, que normalmente não vemos porque é ofuscada pela intensa luz solar, fica bastante evidente quando o Sol é tapado pelo disco lunar opaco.

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Imagem capturada por Janne Pyykkö em Terante, Indonésia (9/março/2016)
Fonte: Spaceweather.com.

Abaixo temos uma visão mais técnica, também incrível, usando telescópio e filtro solar capaz de evidenciar belíssimas proeminências solares.

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Imagem capturada por Fabrizio Melandri em Balikpapan, Indonésia. (9/março/2016)
Fonte: Spaceweather.com.

Para saber mais detalhes sobre eclipses (solares e lunares), siga os links abaixo.


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