Física na Veia!

Arquivo : CERN

LHC: dez anos acelerando a Ciência
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

(Vídeo oficial do CERN no Youtube)

 

Em 10 de setembro de 2008, há exatos dez anos, dois pontinhos em uma tela do centro de controle do CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear sinalizaram a primeira vez em que prótons¹ circularam no LHC – Large Hadron Collider, encerrando a era de projeto e construção da grande máquina e marcando definitivamente a sua real funcionalidade.

No vídeo acima, divulgado hoje pelo canal do CERN no Youtube, Lyn Evans, líder do projeto LHC, e Lucio Rossi, líder do projeto High-Luminosity² LHC, recordam este dia histórico e como a máquina, depois de algumas paradas técnicas para upgrades, progrediu nos últimos 10 anos e agora caminha uma atualização que vai torná-la ainda mais poderosa.

 

CERN_control_centre_fachada.jpg
Detalhe da fachada do CERN Control Centre (arquivo pessoal)

 

O vídeo foi feito no CERN Control Centre, um local que, como sugere o nome, centraliza o controle técnico de tudo o que acontece no CERN e que mostro na imagem abaixo que eu mesmo fiz em 2010 quando participei da Escola de Física do CERN 2010 como bolsitas da CAPES num programa da SBF – Sociedade Brasileira de Física. (Falo sobre esta incrível experiência pessoal em alguns posts do Física na Veia! no Steemit. Confira: post 1post 2 e post 3)

 

CERN_control_centre.jpg
Vista geral do interior do CERN Control Centre (arquivo pessoal)

 

Note no vídeo, aos 2:26, que um cientista abre uma garrafa de champagne, ato bastante comum entre os pesquisadorse em eventos de sucesso.

Na minha visita ao centro de controle do CMS – Compact Muon Solenoid, dentre toda a parafernália tecnológica, não pude deixar de notar sobre um armário um grande quantidade de garrafas de champagne vazias. Veja você mesmo na imagem abaixo feita através do vidro que isola a sala de controle.

Champagne_CMS_0.jpg.
Interior do centro de controle do CMS e as garrafas vazias sobre o armário (arquivo pessoal)

 

Conseguiu ver as garrafas? Vou dar um zoom na imagem para facilitar.

Champagne_CMS.jpg
Interior do centro de controle do CMS e as garrafas vazias sobre o armário (arquivo pessoal)

 

As garrafas ficam ali como se fossem troféus pois foram abertas em momentos especiais onde algo importante para a Ciência aconteceu. Cada garrafa tem, portanto, uma história própria.

Vale lembrar que em 2012 dois experimentos do LHC confirmaram a existência do Bóson de Higgs que rendeu Nobel de Física logo em 2013. Conto melhor esta história neste post (também na versão do Física na veia! no Steemit).

 

Abraço do prof. Dulcidio. E Física na veia!

 


¹ No LHC, átomos de hidrogênio são a fonte de prótons a serem acelerados. Cada átomo de hidrogênio tem seu único elétron arrancado por uma descarga elétrica, restando apenas o núcleo, um caroço central que nada mais é do que um próton. Estes prótons od hidrogênio ionizado são então acelerados por um complexo de aceleradores até o quinto e último estágio que é o LHC propriamente dito. Na prática, dois feixes de prótons viajam no anel do LHC em sentidos opostos. Em quatro grandes experimentos, bobinas poderosas forças os feixes a se cruzarem, resultando em colisões que são registradas por detectores.

² O LHC passará por um severo upgrade e então passará a chamar-se High-Luminosity LHC. A máquina terá a sua luminosidade (a razão entre o número N de eventos detectados em um determinado intervalo de tempo t e a seção transversal de interação σ) aumentada por um fator 5 o que fará com que a quantidade de dados coletada seja cerca de 10 vezes maior que a atual. Estas melhorias permitirão estudos ainda mais profundos que pretendem testar diversas teorias que vão além do Modelo Padrão de Partículas Elementares. O High-Luminosity LHC está previsto para estar funcional em 2026.


Este texto também foi publicado no Física na veia! (no Steemit) neste link.

Bóson de Higgs: seis anos da histórica descoberta
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Prof. Dulcidio Braz Júnior


Vídeo comemorativos dos cinco anos da detecção do Bóson de Higgs

 

O vídeo acima, publicado pelo CERN em 4 de julho de 2017, é uma edição especial comemorativa dos cinco anos da descoberta do Bóson de Higgs.

Com imagens do histórico seminário nas dependências do CERN, em Genebra, Suíça, em 4 de julho de 2012, ele mostra emocionantes momentos do anúncio oficial da detecção do bóson de Higgs.

Na época escrevi este post. E, implacavelmente, lá se vai mais um ano! Neste texto eu anunciei um projeto de construção de um novo e ainda maior acelerador de partículas que pode ter de 80 km a 100 km de extensão. Por comparação, o LHC – Large Hadron Collider, onde o Bóson de Higgs foi confirmado, tem 27 km.

Esquema do novo acelerador de partículas que pretende superar o LHC

 

Mas este projeto, ambicioso, é bastante complexo e proporcionalmente caro. Logo, é algo para ser concretizado décadas adiante.

Como solução imediata, bastante inteligente, mais rápida e mais barata, o LHC passará por um significativo upgrade nos equipamentos e vai chamar-se High-Luminosity LHC (HL-LHC).

Tais atualizações tecnológicas aumentarão a luminosidade¹ do acelerador por um fator de pelo menos 5 e fará com que a quantidade de dados coletada seja cerca de 10 vezes maior. Estas melhorias irão permitir estudos mais profundos que pretendem testar diversas teorias que vão além do Modelo Padrão de Partículas Elementares.

A previsão de funcionamento do HL-LHC é 2026. Até lá o LHC continuará operando normalmente, mas fará duas longas paradas técnicas para a instalação gradativa do HL-LHC.

O que será que vem por aí de novidades científicas? Vamos aguardar pra saber!


¹ Luminosidade (ou luminosity, em inglês), designada por L, é o termo específico e bastante técnico utilizado dentro da teoria de espalhamento de partículas para designar a razão entre o número N de eventos detectados em um determinado intervalo de tempo t e a seção transversal de interação σ. Para não complicar demais, pense nele como muma parâmetro que mede a performance de um acelerador de partículas.

Já publicado no Física na Veia! 

(*) Post na plataforma antiga do blog

 


Escola de Física do CERN 2018: Inscrições Abertas
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

 

O CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear mantém o programa “Escola de Física no CERN” destinado a professores de nível médio. Durante este evento, os professores têm aulas sobre Física de Partículas e áreas afins bem como participam de sessões experimentais e visitas aos laboratórios em todo o complexo do CERN em Genebra, na Suíça.

Em 2009, como uma ampliação da cooperação do CERN com o LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Portugal, foi aberta a possibilidade de participação de professores brasileiros neste programa, atividade que desde então vem sendo realizada anualmente.

Professores brasileiros participantes da Escola de Física do CERN 2010

 

Em 2010 tive o privilégio de conquistar uma das 20 vagas para professores bolsistas e pude conhecer de perto o CERN que abriga nada menos do que o LHC – Large hadron Collider, o maior acelerador / colisor de partículas já construído pelo homem e, sem dúvida alguma, a mais complexa máquina de todos os tempos. Foi no LHC que foi confirmada a existência do Bóson de Higgs que rendeu Nobel de Física em 2013.

Minha visita ao LINAC 2, o primeiro estágio (de um total de cinco) do complexo de aceleradores do CERN que culmina no LHC.

A Escola de Física do CERN 2018 acontecerá entre 2 e 8 de setembro. Professores brasileiros estarão ao lado de colegas professores do ensino médio de Portugal e de países da África que falam português. Mas, antes do evento em Genebra, os professores brasileiros também participarão de uma visita ao LIP, em Lisboa, entre os dias 29 de agosto e 01 de setembro.

O SPRACE – São Paulo Research and Analysis Center, junto com o Instituto Principia e a SBF – Sociedade Brasileira de Física coordenam o processo de inscrição e seleção de professores brasileiros de ensino médio que podem se candidatar para uma das até vinte vagas para participação na versão 2018 da Escola do CERN.

As inscrições ficam abertas até o dia 29/05/2018.  Saiba mais detalhes acessando o edital. Quaisquer dúvidas poderão ser enviadas para o e-mail escolacern@gmail.com.

Fica a dica!

 

Livro: coletânea de textos de participantes da Escola do CERN

Capa da obra

 

Em 2015 foi lançado o livro Nós, professores brasileiros de Física do ensino médio, estivemos no CERN (confira mais detalhes neste post).

Trata-se de uma coleção de textos com depoimentos de alguns dos professores brasileiros que participaram das diversas edições da Escola de Física do CERN em Língua Portuguesa.

O livro está assim organizado:

Capítulo 1 – O CERN e a Física de Partículas
Capítulo 2 – A Escola de Física em Língua Portuguesa
Capítulo 3 – Preparando-se para ir ao CERN
Capítulo 4 – Experiências vividas no CERN
Capítulo 5 – A sala de aula pós CERN

Ao todo são 43 artigos escritos por 49 professores, dentre os quais o meu próprio artigo “Nunca mais minhas aulas foram as mesmas” onde apresento inúmeros exemplos que mostram como usar o LHC como pano de fundo e motivação para muitas aulas que vão da Física Clássica até a Física Moderna.

O livro, com 544 páginas, pode ser adquirido na Livraria da Física por apenas R$ 40,00 mais frente. Quem estiver sem grana e/ou preferir ler a versão digital, pode fazer download gratuito do livro em PDF.


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Bóson de Higgs: cinco anos da histórica descoberta
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Seminário do CERN em 4 de julho de 2012. (Imagem: Maximilien Brice, Laurent Egli / CERN)

 

Em 4 de julho de 2012, portanto há exatos cinco anos, durante um seminário no CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear que fica em Genebra, na Suíça, porta-vozes dos experimentos ATLAS – A Toroidal LHC ApparatuS e CMS – Compact Muon Solenoid, dois dos quatro principais experimentos realizados no LHC – Large Hadron Collider, fizeram um anúncio histórico: a descoberta de uma partícula com características compatíveis com o tão procurado bóson de Higgs. Confira post daqui do blog (ainda na plataforma antiga) cobrindo o fato histórico.

O bóson de Higgs vinha sendo exaustivamente procurado desde os anos 60 do século passado. Responsável por conferir massas às outras partículas, encontrá-lo era condição fundamental para validar o Standard Model (Modelo Padrão de Partículas Elementares). Mas a partícula proposta teoricamente parecia brincar de esconde-esconde com os cientistas! Na verdade, nenhum acelerador de partículas antes do LHC tinha energia suficiente para revelar a partícula “maldida” que, por conta de uma confusão editorial, passou a ser chamada — especialmente pela mídia desinformada e/ou sensacionalista — de “partícula de Deus” (confira detalhes dessa história aqui).

Quando participei da Escola de Física do CERN 2010, todos os cientistas com quem pude conversar lá no CERN tinham certeza de que o bóson de Higgs existia e acabaria aparecendo em algum experimento porque, de um total de 61 partículas previstas pelo modelo, apenas uma, o próprio bóson de Higgs, ainda não havia sido observado/confirmado. Eles alegavam que seria muita ironia o modelo falhar depois de tanto sucesso. E não deu outra! O LHC, desenhado para tentar “enxergar” o bóson de Higgs, dentre outras coisas, obteve sucesso e encerrou importante capítulo da Física de Altas Energias! Mas existem muitas outras perguntas a serem respondidas. E, talvez, perguntas que ainda nem sonhamos fazer acerca do mundo subatômico. Em Ciência, o livro não tem fim, é um capítulo atrás do outro!

O tempo passou rápido. Lá se foram cinco anos! O que será que os incríveis experimentos do LHC ainda vão nos trazer de novidades? A expectativa é enorme.  E o sonho gigante! Na dúvida sobre os limites do LHC, que tem quase 27 km de extensão e capacidade para operar em até 14 TeV por colisão próton-próton, já existe projeto de um novo acelerador de partículas nas dependências do CERN, ainda maior, com extensão entre 80 km e 100km, e que vai operar com ainda mais energia para tentar “ver” com mais detalhes as entranhas da matéria.

Esquema do novo acelerador de partículas que pretende superar o LHC (Fonte: CERN)

Pela relevância científica, a descoberta do bóson de Higgs rendeu Nobel de Física 2013 para os físicos François Englert e Peter Higgs, fato também documentado por mim em post aqui no Física na veia!.


Para ver (e relembrar)

Trechos em vídeo do histórico seminário do CERN de 4 de julho de 2012.


Para saber mais


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Crise: professores brasileiros podem ficar fora da Escola do CERN 2017
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Professores brasileiros participantes da Escola de Física do CERN 2010 com o prof. Nilson (coordenador do projeto)

 

Em 2010, concorrendo com mais de 400 professores de Física do ensino médio do Brasil, consegui uma das 20 bolsas integrais para participar da Escola de Física do CERN em Genebra, na Suíça. É no CERN que fica o LHC – Large Hadron Collider, o grande acelerador/colisor de hádrons, o maior acelerador de partículas já construído pelo homem. Acima, na foto oficial da turma de professores brasileiros de 2010, eu sou o primeiro da esquerda, em pé.

Foi uma experiência incrível e transformadora, documentada em posts diários cobrindo o evento em tempo real aqui pelo Física na Veia!.

O projeto, em parceria com o LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (Lisboa, Portugal) virou uma referência na capacitação de professores brasileiros do ensino médio na área de Física de Altas Energias e repetiu-se no mesmo formato até 2014, levando a cada ano 20 novos professores brasileiros para conhecer o complexo de aceleradores e estudar no CERN.

Infelizmente, por conta da crise nacional, em 2015 houve severo corte de verbas e, sem a bolsa integral, os professores selecionados tiveram que bancar os custos de viagem e estadia, o que inviabilizou a participação de professores de escolas públicas. Em 2016 o corte foi ainda mais severo e nem mesmo os coordenadores do projeto têm verba para cobrir seus custos pessoais!

O belíssimo projeto está ameaçado e, lamentavelmente, pode não acontecer. Ou, se acontecer, mais uma vez deixar de fora professores de escolas públicas, o que é uma cruel exclusão exatamente onde temos mais carências.

Diante da situação, os coordenadores do projeto partiram para aquela que parece ser a única e emergencial saída: crowndfunding, ou vaquinha na web como costumamos chamar aqui no Brasil.

Assim, a participação dos professores brasileiros na Escola de Física do CERN em Língua Portuguesa na versão 2017 do evento está condicionada à ajuda de voluntários, benfeitores, pessoas físicas ou jurídicas que entendam a importância do projeto e aceitem colaborar com cotas que variam desde a irrisória quantia de R$ 10, acessível à maioria das pessoas, até R$ 600 que para algumas empresas também não é nada mas que, para o projeto pode fazer toda a diferença.

No site da vaquinha da Escola de Física do CERN você confere detalhes do projeto e a recompensa pela contribuição em dinheiro relativa à cada cota. Sim! Quem colaborar será, de alguma forma, retribuído. Ajuda o projeto e ganha desde um abraço virtual — singela mas carinhosa forma de agradecer a inestimável ajuda —até alguns kits contendo “mimos” ligados ao CERN e à Escola do CERN.

Vamos colaborar?

Além deste post, e o barulho que eu pessoalmente puder fazer nas redes sociais nos próximos dias, vou contribuir com uma cota em dinheiro. Afinal, tive o privilégio de ir para o CERN com bolsa integral. Espero que outros colegas, professores brasileiros que também tiveram o mesmo privilégio, mesmo sob a crise que nos assola, possam ajudar também e façam bastante barulho entre os seus contatos nas redes sociais.

Conto com você, leitor do Física na Veia!, para ajudar a propagar o link da vaquinha e, quem sabe, contribuir, ainda que com a cota mínima. Já diz o ditado: de grão em grão, a galinha enche o papo!

Abaixo você confere a foto oficial com os professores portugueses, brasileiros e africanos participantes da Escola de Física do CERN 2016. Vamos fazer todo esforço possível para que esta não seja a última foto com professores brasileiros neste projeto tão importante para a qualidade da formação de mais e mais professores brasileiros que juntos podem fazer a tão necessária diferença na educação básica brasileira.

Professores brasileiros, portugueses e africanos na Escola do CERN 2016

Abaixo, em vídeo, prof. Dr. Nelson Barrelo Jr (USP), que com o prof. Dr. Nilson M.D. Garcia (UTFPR) divide a coordenação brasileira da Escola do CERN, explica a situação crítica e esclarece detalhes sobre a necessidade da colaboração coletiva.


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Uma canção de amor para a Física de Partículas
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Prof. Dulcidio Braz Júnior


Paródia de “Collide”, interpretada por Howie Day, compositor/cantor da versão original

 

Em 2015, Sarah Charley, gerente de comunicações dos EUA para os experimentos do LHC – Large Hadron Collider, o grande acelerador/colisor de hádrons, teve a ideia de fazer uma paródia da canção “Collide” de autoria do cantor e compositor americano Howie Day. Com a ajuda de três estudantes americanos de graduação em Física, a ideia virou realidade.

A inspiração começou pelo título original da canção que sugere uma “colisão” ao falar do encontro romântico entre duas pessoas. Por analogia, a paródia foi escrita do ponto de vista de um próton¹.  Para quem conhece o funcionamento do LHC, faz todo o sentido! No LHC, que é o maior acelerador/colisor de partículas construído pelo homem e que opera no CERN – Organização Europeia para Pesquisa Nuclear em Genebra,  na Suíça, dois feixes² de prótons, viajam em sentidos opostos a quase velocidade c da luz no vácuo, percorrendo os 27 km de extensão do anel subterrâneo do acelerador. Em quatro regiões específicas do anel, onde estão instalados os enormes e sofisticados detectores de partículas dos quatro maiores experimentos na incrível máquina (ATLAS, CMS, ALICE e LHCb), os feixes de prótons se cruzam. Deste cruzamento peculiar, forçado por eletroímãs supercondutores, há grande probabilidade de prótons se encontrarem e colidirem. E são exatamente estas colisões que são registradas pelo equipamento para posterior análise e estudo detalhado em busca de novas partículas³ oriundas da “tijolada” e também sobre uma possível Física de Partículas que vá além do Modelo Padrão de Partículas Elementares4.

Alguns detectores do LHC aparecem em vários pontos do videoclipe.

Foi assim que, em 2012, foi confirmada a existência da partícula de Higgs que rendeu Nobel de Física em 2013.

Uma versão amadora da paródia “Collide” foi gravada em vídeo por pesquisadores do CERN em 2015. Confira-a aqui. E fez bastante sucesso, pelo menos no meio científico. Tanto que o CERN, através da sua conta no Twitter, enviou o material para Howie Day, proprietário da canção original. Após uma breve troca de mensagens, Howie Day decidiu gravar a própria versão da paródia com a instrumentação original da canção. E registrou tudo num videoclipe durante visita ao CERN. O divertido material, publicado oficialmente hoje no Youtube, você pode assistir na janela de vídeo lá do topo do post. A letra da paródia, repleta de ideias de Física, reproduzo abaixo.

_________________________

Collide (paródia)

The beam is starting
The power is on
This is our parting
Goodbye my baryon
Yeah
We counter-rotate
I see you pass by
Till we make argon and lead tungstate
Light up again

Out of the depths of space and time
Even the bosons cannot hide
As the momentum starts to climb
I somehow find
You and I
Collide

The theories you know
We test their ground
Is there another Higgs?
Can SUSY still be found?

Out of the depths of space and time
Even the gluons cannot hide
As the momentum starts to climb
I somehow find
You and I
Collide

Dark Matter
2HDM
And Gravitons

Out in the depths of space and time
Even the sea-quarks cannot hide
Out of the mess we leave behind
What will they find
When you and I
Collide
What will they find
When you and I
Collide

What will they find
When you and I
Collide

_________________________

A versão original de “Collide”, que inspirou a paródia, você assiste logo abaixo.


“Collide” original, interpretada por Howie Day

NOTAS
(1) O próton é classificado como bárion por ser composto por três partículas ainda menores e elementares chamadas de quarks. Toda partícula assim constituída é um bárion
(2) Os feixes (beams) de prótons são acelerados por um complexo de aceleradores que culmina no LHC.
(3) Dentre as novas partículas pode(m) estar alguma(s) que nos aponte(m) a natureza da matéria escura, matéria que permeia todo o Universo mas que não emite luz. Sabemos de sua existência pelos efeitos gravitacionais que produz.
(4) Muitos cientistas apostam na SUSY ou Supersimetria, teoria que extrapola o Modelo Padrão de Partículas Elementares que foi comprovado com a comprovação da partícula de Higgs 2012, a última que faltava no quebra-cabeças.

Para saber mais


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Livro da Escola de Física do CERN: comprar ou baixar
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Capa da obra

Capa da obra

 

Tive o prazer e a honra de participar¹ como autor do livro “Nós, professores brasileiros do ensino médio, Estivemos no CERN”.

A obra, idealizada e organizada pelo prof. Dr. Nilson Marcos Dias Garcia e editada pela SBF – Sociedade Brasileira de Física com recursos da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, é uma coleção de 43 textos escritos por 49 professores brasileiros de física do ensino médio que participaram de diversas edições da Escola de Física do CERN em Língua Portuguesa que acontece anualmente em Genebra, na Suíça.

Lançado no ano passado, o livro está estruturado em cinco momentos distintos: 1) Localizando o CERN e a sua importância; 2) A Escola de Professores no CERN em Língua Portuguesa e a Escola de Física CERN; 3) A preparação dos professores selecionados para participarem da Escola de Física CERN; 4) A semana de curso no CERN; e 5) A difusão da experiência vivenciada após o retorno ao Brasil. Cada um desses momentos dá origem a um capítulo da obra. Confira:

Capítulo 1 – O CERN e a Física de Partículas
Capítulo 2 – A Escola de Física em Língua Portuguesa
Capítulo 3 – Preparando-se para ir ao CERN
Capítulo 4 – Experiências vividas no CERN
Capítulo 5 – A sala de aula pós CERN

O tijolão impresso, com 546 páginas, pode ser adquirido na Livraria da Física com desconto por apenas R$ 40,00 (+ frete). Mas, como se trata de um projeto sem fins comerciais, a partir de agora também está disponível para download em PDF. Logo, não há desculpa para não ter um exemplar físico ou digital.

Nada como um livro bem encadernado e organizado na prateleira da nossa biblioteca pessoal ou na cabeceira da cama, ao alcance das mãos. Concorda? Sem falar do insubstituível cheiro de tinta de um novo livro. Mas não há como negar que a leitura virtual é uma praticidade do mundo moderno e que está contribuindo para modificar positivamente o hábito de leitura das pessoas. Na dúvida, fique com as duas versões!

Para quem quer saber mais sobre o CERN e tudo o que acontece por lá, em especial no LHC – Large Hadron Collider, o maior acelerador de partículas de todos os tempos e que já fez história como palco da confirmação da existência do Bóson de Higgs que rendeu Nobel de Física em 2013o livro é um excelente ponto de partida. E vale também para divulgar esse importante projeto de capacitação de professores de física do ensino médio e que em setembro vai levar mais uma turma de docentes brasileiros para o CERN.

Fica a dica!


(1) Meu texto “Nunca mais minhas aulas foram as mesmas…” está na página 492 encerrando a obra e mostra, com exemplos, como o LHC e todo o conhecimento científico que gira ao seu redor dá suporte didático a praticamente todas as áreas do ensino da física clássica e moderna.

Já publicado no Física na Veia!

[09/04/2016]  Inscrições abertas para a Escola de Física do CERN 2016
[26/01/2015]  Nós estivemos no CERN
[05/09/2010]  O sonho de estar no CERN


Ciência X Religião
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

SBF_home_ministroCT

Manisfesto da SBF sobre possível nomeação de um criacionista para a pasta da C&T&I

 

Religião e Ciência, pelo menos no atual estágio de evolução da raça humana, são como água e óleo. Pode tentar misturar, bater, sacudir, … Mas alguns minutos depois retornamos às duas fases bem distintas, imiscíveis.

É que a Religião está fundamentada no “crer para ver” enquanto a Ciência ancora-se no “ver para crer”. Leia isso sem nenhum juízo de valor, por gentileza. Não o faço.

E se você achou a comparação “crer para ver” X “ver para crer” mera simplificação da questão, concordo plenamente! Mas, mesmo rasa, já é suficiente para ratificar incompatibilidades básicas entre Ciência e Religião.

Esse tema, sempre polêmico, voltou a ferver desde que há alguns dias foi especulado que, num possível governo de Michel Temer, vice de Dilma e que assumirá a presidência da república em caso de confirmação do processo de Impeachment, o mais cotado para ser ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação é Marcos Pereira, presidente do PRB – Partido Republicano Brasileiro e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Algo minimamente Temeroso, concorda? (E já me desculpo pela piada infame mas que, infelizmente, nos chega pronta e devidamente embalada para “presente”!)

A SBF – Sociedade Brasileira de Física, preocupada com o destino da pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação, publicou ontem em seu site um manifesto (imagem acima). Reproduzo-o logo abaixo.

____________

Indicação do Novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação

Acontece na SBF, semana de 05 de Maio de 2016

Manifestação da Sociedade Brasileira de Física (SBF)

A ciência brasileira tem se desenvolvido de forma contínua e abrangente, desde a criação do CNPq, sendo hoje reconhecida de padrão internacional em diversas áreas. Esse sucesso foi ancorado em duas bases fundamentais.  A primeira foi a implantação de projetos estruturantes pelo governo e agências de fomento, como o programa de bolsas de pós-graduação, o financiamento à pesquisa em pequena, média e grande escalas e a construção de laboratórios nacionais, como o LNLS. A segunda foi a apreciação de propostas e análise de projetos utilizando exclusivamente critérios de mérito compatíveis com o padrão científico internacional.

Neste momento, a severa crise econômica que atingiu o país tem afetado fortemente nosso progresso científico e tecnológico, ocasionando sério retrocesso nos avanços alcançados. Análises econômicas, com isenção de preconceitos ideológicos, indicam claramente que esse cenário deverá continuar por pelo menos mais dois anos.

Consideramos essa situação extremamente preocupante. Em primeiro lugar, corre-se o sério risco de que a prioridade da área de ciência e tecnologia seja subestimada em um programa estratégico emergencial para recuperação da economia.

Além disso, mesmo sem ser colocada em segundo plano, não há dúvida que essa área também sofrerá fortes limitações orçamentárias.  Nesse cenário, é essencial saber escolher com base técnica bem fundamentada as prioridades corretas para os programas estratégicos implantados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação nos próximos anos, a fim de manter o avanço científico e tecnológico nacional mesmo nessa situação adversa.

Para isso, é essencial que o próximo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, a ser indicado independentemente da evolução do atual quadro político, seja um profissional com qualificações técnicas adequadas e respeitado pela comunidade científica nacional, além de sua relevância política.

Em particular, nos parece inaceitável a indicação de um ministro com posições ideológicas ortogonais às da ciência moderna.

[fonte: www.sbfisica.org.br]

____________

Na semana em que a brilhante neurocientista Suzana Herculano oficializou que vai deixar o Brasil para pesquisar nos Estados Unidos onde terá plenas condições de tocar a sua pesquisa com qualidade e dignidade profissional (confira entrevista onde a própria Suzana alega “engessamento” da profissão no Brasil), embora em evento isolado da notícia da possível nomeação de um criacionista para a pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação, escrevo esse post para engrossar a discussão sobre “Que Brasil nós brasileiros queremos”, em todas as áreas estratégicas para um país que se diz emergente, e em especial na área da ciência e da tecnologia. Quer exemplos do nosso atraso? Cadê o acordo do Brasil com o ESO (esse não vingou mesmo…)? E o acordo do Brasil com o CERN (que hiberna desde 2010)?

Vivemos um momento crítico de queda de braço entre forças políticas obscuras que, infelizmente, não se mostram preocupadas com os desejos e necessidades dos próprios brasileiros mas estão bastante focadas em particionar o país em proveito próprio.

Divulgue o texto da SBF nas suas redes sociais! Divulgue esse post! Manisfeste-se também sobre o importantíssimo tema Ciência, Tecnologia e Inovação, fundamental para decidir o futuro do Brasil que parece ainda viver no tempo de colônia de Portugal apostando em commodities e desprezando a massa crítica de cientistas nacionais. Em 2014 eu já perguntava para Dilma e Aécio, presidenciáveis, o que pensavam sobre a área da C&T. Não tivemos respostas objetivas. A nebulosidade de ideias parece imperar sempre. Incrível! Fica bastante claro que não há nenhum plano estratégico nessa área. E os rumores que agora vêm dos bastidores de um possível governo do Temer são de arrepiar e parecem nos empurrar séculos para trás!

Precisamos criar o hábito saudável de cobrar dos nossos políticos que façam política de verdade e abandonem de vez a politicagem barata que distribui cargos de relevância nacional sem nenhum critério técnico mas apenas para cumprir as obrigações de alianças que, em verdadeiras aberrações, muitas vezes juntam partidos de ideologias antagônicas só para a manutenção do poder. Não dá mais!


Indico [atualização do post ~14h10min]

Contact-Poster

No clima Ciência X Religião, indico o filme Contato (“Contac”, em inglês). Dirigido por Robert Zemeckis, foi lançado em 1997 e tem como protagonistas Jodie Foster (no papel da Dra. Eleanor Arroway) e Matthew McConaughey (no papel do seminarista e quase padre Palmer Joss).

A história original da qual o filme foi adaptado é de autoria do brilhante cientista Carl Sagan que, de forma inteligente, explora o conflito entre a fé e o método científico sem, no entanto, pender para nenhum lado da balança, exatamente como deve ser essa discussão quando é levada a sério.


Para saber mais


Inscrições abertas para a Escola de Física do CERN 2016
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

 Fabíola Gianotti, que liderou a equipe do Experimento Atlas na descoberta do Bóson de Higgs

Fabíola Gianotti, que liderou a equipe do Experimento Atlas na descoberta do Bóson de Higgs e atual
diretora do CERN, falando no encerramento da Escola de Física do CERN 2015 ao lado do prof. Dr.
Pedro Abreu (LIP/Portugal) e do prof. Dr. Nilson Garcia (SBF/Brasil), coordenador da Escola de Física
do CERN no Brasil

 

O CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear mantém um amplo programa voltado à educação científica e destinado a capacitar professores de diversos países da Europa. Ele prevê visitas às instalações e laboratórios de pesquisa além de cursos sobre tópicos de Física de Partículas ministrados no idioma nativo dos participantes. Dentre as diversas línguas contempladas, está o Português, destinado a Portugal e alguns países da África convidados pelos portugueses.

Graças a uma parceria entre a SBF – Sociedade Brasileira de Física e o LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, desde 2009 o Brasil participa oficialmente desse programa como país convidado.

Na versão atual, a Escola de Física do CERN (Portuguese Language Teachers Programme) começa no LIP, em Lisboa, Portugal, e é finalizada no CERN em Genebra, na Suíça.

Estão abertas, até o dia 2 de maio¹, as inscrições para a Escola de Física do CERN 2016 que acontecerá no segundo semestre, entre 28 de agosto e 2 de setembro de 2016.

Ficou interessado? Se você é professor de Física do ensino médio de escolas públicas ou particulares do Brasil, pode tentar uma das vagas nesse projeto fantástico! Confira o Edital. Corra. Faça o seu projeto e inscrição. E boa sorte!

A parte chata (e triste) dessa notícia é que a crise econômica pela qual passamos aqui no Brasil infelizmente chegou a esse belíssimo projeto. Segundo o Prof. Dr. Nilson Marcos Dias Garcia, coordenador da Escola de Física do CERN, “não foi possível obter financiamento para o custeio dos selecionados”, ou seja, “os recursos necessários deverão ser obtidos pelos próprios participantes”. Pelo menos o evento sobreviveu bravamente à crise e, quem sabe, mais adiante, volte a ter subsídio de alguma instituição financiadora de projetos de pesquisa e capacitação científicos!

1. As inscrições, pelo edital, terminariam hoje, 25 de abril. Mas foram prorrogadas em uma semana e agora podem ser feitas até 2 de maio!

 

O LHC

O LHC – Large Hadron Collider é o maior acelerador/colisor de partículas já construído pelo homem. Ele fica na sede do CERN em Genebra, na Suíça. 

Em dois (dos quatro experimentos) do LHC foi confirmada em 2012 a existência do Bóson de Higgs, partículas prevista pelo Modelo Padrão de Partículas nos anos 60 do século passado mas nunca antes observada (saiba mais nesse post e nesse outro post também).

Logo em 2013 a descoberta rendeu Nobel de Física para Peter Higgs e François Englert.

Em 2010 eu participei da Escola de Física do CERN com bolsa da CAPES e, através do Física na Veia!, em parceria com o UOL Ciência, cobri o evento em tempo real. Foi um sucesso! Veja aqui todos os posts da minha cobertura.

Minha visita ao LINAC 2, o primeiro estágio (de um total de cinco) do complexo de aceleradores do CERN que culmina no LHC.

Minha visita ao LINAC 2, o primeiro estágio (de um total de cinco) do complexo de aceleradores do CERN que culmina no LHC.

Posso garantir que conhecer de perto o CERN e o LHC é uma experiência transcendental. Num único lugar você pode ver de perto toda a Física de Partículas viva, da teoria à prática, e suportada pela mais alta tecnologia acumulada em décadas de pesquisas. É sensacional!

Vale lembrar que o LHC acaba de ser religado após passar por uma pequena parada técnica entre o final de 2015 e os três primeiros meses de 2016. Melhorado, o acelerador/colisor tem agora a capacidade para produzir e registrar 1 bilhão de colisões por segundo. Incrível, não? Ainda mais poderoso, o LHC vai continuar a sua busca por outras respostas que vão além do Bóson de Higgs que era apenas o seu primeiro alvo. “O que é a matéria escura?”, a maior parte da matéria que constitui o Universo e só sabemos existir indiretamente, pelos efeitos gravitacionais que produz, e “Por que houve assimetria entre a matéria e a anti-matéria originadas na criação do Universo?”, são apenas dois de outros tantos enigmas que podem ser desvendados. E é possível até mesmo que algo inesperado e realmente novo seja descoberto pelos cientistas! Vamos aguardar!

 

Nós … estivemos no CERN, o livro

Nos_Estivemos_No_CERN

Capa da obra escrita por diversos professores brasileiros participantes da Escola de Física do CERN

Em 2015 foi lançado o livro Nós, professores brasileiros de Física do ensino médio, estivemos no CERN (confira mais detalhes aqui).

O livro é uma coleção de textos com depoimentos de alguns dos professores brasileiros de física do ensino médio que participaram das diversas edições da Escola de Física do CERN em Língua Portuguesa.

O livro está estruturado em cinco momentos distintos: 1) Localizando o CERN e a sua importância; 2) A Escola de Professores no CERN em Língua Portuguesa e a Escola de Física CERN; 3) A preparação dos professores selecionados para participarem da Escola de Física CERN; 4) A semana de curso no CERN; e 5) A difusão da experiência vivenciada após o retorno ao Brasil. Cada um desses momentos dá origem a um capítulo da obra. Confira:

Capítulo 1 – O CERN e a Física de Partículas
Capítulo 2 – A Escola de Física em Língua Portuguesa
Capítulo 3 – Preparando-se para ir ao CERN
Capítulo 4 – Experiências vividas no CERN
Capítulo 5 – A sala de aula pós CERN

Ao todo são 43 artigos escritos por 49 professores, dentre os quais o meu próprio artigo “Nunca mais minhas aulas foram as mesmas” onde apresento inúmeros exemplos que mostram como usar o LHC como pano de fundo e motivação para muitas aulas que vão da Física Clássica até a Física Moderna.

O livro, com 544 páginas, pode ser adquirido na Livraria da Física por apenas R$ 40,00 mais frente.


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Programação e material didático de edições anteriores da Escola do CERN (Portuguese Programme)


Já publicado no Física na Veia!

(*) Posts na plataforma antiga do blog

O coelho… digo… vídeo de Alice
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

 

“Medicina nuclear salva vidas” é o nome do vídeo  acima que foi criado pela estudante brasileira Alice Cunha da Silva que cursa o quinto ano de Engenharia Nuclear na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Fazer um vídeo de até 60 s era o primeiro desafio proposto pela Nuclear Olympiad (Olimpíada Nuclear), evento internacional de nível universitário promovida pela WNU (World Nuclear University). O vídeo foi inspirado no problema de saúde da própria avó que tem câncer e faz tratamento com radioterapia.

Mesmo sem muitos recursos técnicos, Alice, que usou o Windows Movie Maker, software gratuito do MS Windows para editar vídeos, passou pela primeira etapa em meados desse ano por votação via web e foi convocada para a disputa final com outros quatro universitários de outros países.

Ontem, 17 de setembro de 2015, Alice cumpriu a segunda e árdua etapa da competição que previa defesa presencial da sua dissertação sobre o tema do vídeo para uma banca em Viena, na Áustria. Adivinhe? Alice conquistou o primeiro prêmio!

Parabéns para a Alice! Sensacional!

Que o prêmio sirva de estímulo e inspiração para outros jovens estudantes brasileiros aplicados e talentosos!  E que prevaleça, sobretudo, o seu exemplo de superação ao transformar um problema familiar em combustível para seu trabalho de pesquisa!


Só para constar… aproveitando o embalo…

No CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, onde fica o LHC – Large Hadron Collider e onde em 2010 tive o privilégio de participar como bolsista da CAPES da Escola de Física do CERN – Portuguese Programme, há uma laboratório avançado de pesquisas em radioisótopos.

Muitos criticam o alto custo de construção e manutenção do LHC. Mas desconhecem que, por trás da pequisa pura em Física de Partículas, há muito conhecimento e especialmente muita tecnologia derivada com aplicações diretas em nossas vidas. São os chamados spinoffs. Quer exemplos?

 

A própria NASA, que precisa justificar continuamente os custos com seus projetos, faz questão de deixar claras as aplicações derivadas das suas pesquisas na área da ciência aeroespacial. Dessa forma custo se transforma em investimento! Confira os links abaixo:


Saiba mais sobre Alice e a competição internacional