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Lua Cheia do Ano Novo (Superlua)
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Lua Cheia nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista, SP.

 

Acaba de nascer a primeira Lua Cheia do ano de 2018.

E ela está caminhando para o perigeu, ponto da sua trajetória em torno da Terra de máxima aproximação com o nosso planeta. Isso quer dizer que em poucas horas ela estará em sua máxima aproximação com a Terra, fenômeno que tem sido chamado de Superlua.

O termo Superlua é um tanto quanto exagerado. Entre o apogeu, ponto de máximo afastamento com a Terra, e o perigeu, ponto de máxima aproximação, a Lua Cheia varia cerca de 14% em tamanho aparente e 30% em brilho aparente (veja cálculos em detalhes neste post). Difícil perceber tal diferença no “olhômetro”! A Lua Cheia não estará tão maior do que a média. Mas o luar, a luz do Sol refletida pela Lua e que atinge a Terra, estará de fato “turbinado”. Se você estiver num lugar bem escuro, longe das luzes da cidade, vai notar que o luar será capaz de iluminar a paisagem ao seu redor.

De qualquer forma, observe a Lua Cheia hoje (e sempre que puder). Olhar a Lua, bem como qualquer astro, mesmo a olho nu, é sempre uma experiência ímpar.

Clique nos links abaixo para ver animação da Lua Cheia nascendo por trás da serra aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo:

Apesar do meu tripé manco, até que ficou bom!

Câmera no tripé (manco), aguardando o nascer da Lua Cheia

 

Curiosidade 1: a trilogia das Superluas

Tivemos Lua Cheia no perigeu (ou Superlua) há praticamente um mês, no dia 3 de dezembro de 2017. Confira aqui.

Temos Lua Cheia no perigeu hoje. E ainda teremos outra no dia 31 de janeiro de 2018.

Esta segunda Lua Cheia que acontece num mesmo mês é também conhecida como Blue Moon. Mas trata-se apenas de um nome. A Lua Cheia não ficará azul. Na verdade ficará vermelha, “cor de tijolo”, mas somente para alguns observadores privilegiados. Isso porque haverá um eclipse lunar total ocorrendo exatamente na Lua Cheia passando pelo perigeu. Haja coincidências! Infelizmente, o eclipse lunar não será visível daqui do Brasil.

 

Curiosidade 2: o teste do dedo indicador

Se você esticar o braço e levantar o dedo indicador, para o seu olho, a largura aparente do dedo terá praticamente 1,0 grau. Varia de pessoa para pessoa, claro. Mas o valor gira em torno de 1,0 grau.

A Lua Cheia tem diâmetro angular aparente de cerca de 0,5 grau. Logo, o dedo indicador, nesta situação, consegue cobrir duas Luas Cheias.

Não acredita? Faça o teste!


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Superlua, agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Superlua sobre o meu bairro, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, Brasil.

No post anterior anunciei que hoje teríamos Lua Cheia no perigeu, uma Lua Cheia especial, mais próxima da Terra, e por isso mesmo “turbinada”, maior e mais brilhante, fenômeno que tem sido chamado de Superlua.

Como previsto, céu nublado por aqui. Até desanimei de montar o telescópio para fazer uma live da Superlua.

Mas deu uma brecha e a Lua apareceu. Fiz algumas astrofotos só com a câmera digital no tripé.

O farol lunar em close. Note que a Lua está brigando com as nuvens.

Se você estiver num local de céu aberto e limpo, observe a Lua. Ela está ligeiramente maior mas sensivelmente mais brilhante. O tamanho maior é difícil de perceber a olho nu. Mas o luar “turbinado” dá para notar, especialmente se você estiver longe das luzes da cidade. A Lua vai iluminar o cenário!

Uma foto da Superlua com zoom máximo (30X) da câmera digital.

Para saber mais sobre o fenômeno das Superlua, veja o post anterior, onde destaco as três Superluas que vão acontecer entre hoje e o final de janeiro do ano que vem. Se quiser se aprofundar ainda mais, indico este outro post de 2016 onde disseco o tema.

BOAS OBSERVAÇÕES!


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E veja abaixo link para um post onde ensino como fazer um mosaico lunar usando webcam acoplada ao telescópio:


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Lua Cheia no perigeu? Superlua!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Órbita elíptica da Lua ao redor da Terra

 

A órbita da Lua ao redor da Terra não é uma circunferência, mas uma elipse. E a Terra não fica no centro da órbita, mas deslocada dele. Logo, trata-se de uma órbita excêntrica, com a Terra num dos focos da elipse enquanto o nosso satélite natural faz a sua translação ao redor do nosso planeta. A figura acima ilustra a ideia geométrica.

Por conta deste “capricho cósmico”, decorrência direta da Lei da Gravitação, a Lua pode passar mais perto da Terra, ponto que chamamos de perigeu, ou mais longe, ponto que denominamos apogeu. E sabemos que qualquer coisa vista de mais perto, inclusive a Lua, parecerá maior. Ao contrário, o que observamos de mais longe nos parecerá menor.

Quando coincide da Lua Cheia acontecer com o nosso satélite natural passando pelo perigeu ou perto dele, ainda que com uma diferença de poucas horas, temos uma Lua Cheia “turbinada”, ou seja, ligeiramente maior e mais brilhante. É o que vem sendo chamado de Superlua.

Se compararmos a Lua mínima (no apogeu) com a Lua máxima (no perigeu), temos uma diferença de 14% no tamanho e 30% no brilho. Neste post aprofundo o tema e faço os cálculos que nos levam a estes valores. Se quiser saber mais, dá uma olhada nele.

Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, tudo nublado há dias. Veja panorâmica que fiz hoje pelo celular pouco depois das 11h da manhã.

Céu nublado. Previsão de chuva para a minha cidade e região. (Panorâmica 180 graus, pelo celular)

Ontem, mesmo com o céu nublado na maior parte do tempo, consegui ver a Lua por alguns minutos, pouco depois do seu nascer, num brecha entre nuvens. Confira a imagem logo abaixo. Mas depois o céu fechou de vez. E não vi mais nada.

Lua (quase) Cheia ontem, numa brecha entre as nuvens. (Imagem feita pelo celular)

Pela previsão do tempo, para a minha cidade e região, probabilidade quase zero de observar a Lua Cheia no perigeu hoje. Mas, se o céu abrir e eu conseguir ver alguma coisa, tentarei fazer uma live da Superlua em vídeo. Posto o link por aqui se der certo.

 

Curiosidade 1: a trilogia das Superluas, com “bonus track” de Blue Moon e eclipse lunar

Teremos três Luas Cheias no perigeu (ou três Superluas, se preferir), num curto período de tempo.

A primeira delas é hoje, domingo, 3 de dezembro de 2017. As duas próximas acontecem no mês de janeiro de 2018, respectivamente nos dias 1 (segundas-feira) e 31 (quarta-feira).

A segunda Lua Cheia num mesmo mês é conhecida como Blue Moon. Mas é apenas um rótulo. A Lua não vai ficar azul. Nosso satélite, a olho nu, tem sempre o mesmo tom cinza prateado, exceto quando está próximo do horizonte em que fica alaranjado, ou na totalidade dos eclipses lunares quando acaba ficando da cor de tijolo (um tom vermelho alaranjado). A terceira Superlua em praticamente dois meses será, portanto, Blue Moon. E tem mais: neste dia também haverá um eclipse lunar total. Teremos Super Blue Moon eclipsada! Três fenômenos em um! Mas não se anime. Aqui no Brasil o eclipse lunar não será visível. Para nós, Super Blue Moon, sem eclipse.

O vídeo abaixo, da NASA, fala da curiosa trilogia das Superluas.

 

Curiosidade 2: o teste do dedo indicador

Estique o braço e levante o dedo indicador. Para o seu olho, a largura aparente do dedo indicador terá praticamente 1,0 grau. Varia de pessoa para pessoa, claro. Mas o valor gira em torno de 1,0 grau.

A Lua Cheia tem diâmetro angular aparente de meio grau. Logo, um dedo indicador deve cobrir duas Luas Cheias.

Quando você achar que a Lua Cheia está gigante, geralmente por efeito de ilusão de óptica, faça este teste. Infalível! Você vai se surpreender.

Se conseguir ver a Superlua nascendo hoje logo no início da noite de domingo, dedo nela! Ela vai parecer enorme. Mas o teste do dedo vai desmarcarar o seu cérebro pregando peças no seu proprietário!

Neste post explico detalhes sobre a ilusão da Lua Cheia gigante.


Para saber mais


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O que uma Superlua tem de “super”?
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Super_Lua_29ago2015_02

Registro da Superlua de 29 de agosto de 2015 nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista,
São Paulo, Brasil.

 

Recebi muitas mensagens perguntando sobre a tão falada Superlua recorde de novembro de 2016. Muita gente querendo saber se o fenômeno era ontem (dia 13) ou hoje (dia 14). Mas a maior dúvida dentre todas: a Lua Cheia vai ficar realmente enorme no céu?

Para acabar de vez com as dúvidas, resolvi escrever este post explicando (mais uma vez) o que é o fenômeno da Superlua.

Mas dessa vez vou mais longe. A partir da Geometria básica e de algumas continhas simples, pretendo quantificar tamanho e brilho aparentes da Lua Cheia para concluirmos juntos se o fenômeno pode ser mesmo “Super”!

 

A distância (variável) Terra-Lua

Para entender o fenômeno da Superlua, é preciso antes de tudo se convencer de que a distância Terra-Lua varia. E isso afeta o tamanho aparente da Lua vista daqui da Terra.

Essa variação de distância Terra-Lua deve-se ao fato de que a órbita da Lua ao redor da Terra não é perfeitamente circular mas oval (a rigor, elíptica). A ilustração a seguir nos dá uma ideia de como é a órbita do nosso satélite (Lua) ao redor do nosso planeta (Terra) bem como das distâncias relevantes. Exagerei um pouco, desenhando propositalmente a órbita da Lua bem mais oval do que ela de fato é. E os astros (Terra e Lua) também estão fora de escala em relação ao tamanho da elipse. O exagero proposital é apenas para reforçar aspectos relevantes.

SuperLua_quantificando_01

Órbita da Lua ao redor da Terra, fora de escala. Note que distância Terra-Lua varia.

 

Você percebeu que a Terra não está no centro da órbita da Lua mas num dos dois focos da elipse? Assim, enquanto orbita a Terra, a cada 29,5 dias aproximadamente, a Lua pode passar mais perto do nosso planeta (perigeu) ou mais longe dele (apogeu).

A distância média Terra-Lua, parâmetro físico também chamado de semi-eixo maior (a) da órbita elíptica, tem valor próximo de a = 384000 km.

É possível demonstrar que a distância (d) entre um corpo que orbita outro em trajetória elíptica depende da excentricidade orbital (e) e tem valor que varia entre o mínimo d = (1 – e).a e o máximo d = (1 + e).a. Se quiser conferir a demonstração, veja esse post (ainda na plataforma antiga do blog).

SuperLua_quantificando_02

A excentricidade da órbita terrestre da Lua tem valor aproximado e = 0,0549. Se fosse zero (redondo), a órbita seria circular. Note que é a excentricidade é um pouco maior do que zero, o que ratifica a ideia de que a órbita, embora seja elíptica, não é tão oval.

Agora já temos como calcular os valores máximo (no apogeu) e mínimo (no perigeu) da distância Terra-Lua e que já foram revelados na ilustração logo acima. Quer saber de onde eles vieram? Confira as continhas abaixo:

  • Distância máxima Terra-Lua (apogeu)
    SuperLua_quantificando_03_
  • Distância mínima Terra-Lua (perigeu)
    SuperLua_quantificando_04a

Mas há mais um detalhe importante e que faz diferença. Quando a Lua está bem alta no céu, ou como costumamos dizer a Lua está a pino, ela fica ainda mais perto do observador. Isso porque o observador está na superfície do planeta mas as distâncias que calculamos acima são medidas entre o centro da Terra e o centro da Lua. Dessa forma, quando a Lua está no perigeu e fica a pino, ela fica um raio terrestre mais perto do observador (O). Não está conseguindo visualizar? Veja a figura abaixo que fiz para ajudá-lo nessa tarefa um tanto quanto abstrata.

SuperLua_quantificando_05

Lua a pino, um raio (R) terrestre mais perto do observador O.

 

Logo, a menor distância entre o observador (O) e a Lua não é de apenas 363000 km. Temos que descontar o raio da Terra que é de aproximadamente 6400 km.

A distância mínima (observacional) da Lua no perigeu é

  • Distância mínima observacional Terra-Lua (perigeu)
    SuperLua_quantificando_04b

Comparando os valores acima, fica fácil entender que a Lua, vista da Terra, pode estar mais longe, a cerca de 405000 km (apogeu), ou mais perto, em torno de 356000 km (perigeu, e se observada a pino).

SuperLua_quantificando_06

Note que a diferença de distâncias Terra-Lua 49000 km = 405000 – 356000 é um valor não desprezível em relação à distância média Terra-Lua próxima de 384000 km. E é exatamente isso que faz varia o tamanho aparente da Lua para um observador fixo na Terra.

Estando mais perto, a Lua será percebida pelo observador em tamanho aparente maior. Ao contrário, ficando mais longe, parecerá menor. É o que ilustra a imagem abaixo onde percebemos que o tamanho (ou diâmetro) real da Lua é constante mas seu tamanho aparente, para o observador terrestre, muda de valor.

SuperLua_quantificando_07

Na prática, é o ângulo de abertura θ do cone de luz que sai da Lua Cheia e atinge os olhos do observador é que dá a sensação de tamanho (confira na figura acima). Quanto maior θ, maior a sensação de tamanho (ou tamanho aparente) e vice-versa. Assim, para θp (perigeu) > θa (apogeu), o tamanho aparente da Lua Cheia é maior no perigeu do que no apogeu.

O que é Superlua?

Quando coincide da Lua Cheia (Lua com o disco totalmente iluminado e voltado para a Terra) ocorrer próxima a passagem da Lua pelo perigeu, na faixa que indiquei na figura lá em cima entre P’ e P”, temos uma Lua Cheia mais próxima da Terra e, portanto, uma Lua Cheia com tamanho aparente maior.

É isso que recentemente vem sendo chamado de Superlua e gerado uma certa confusão por conta do termo Super.

SuperLua_quantificando_12

A Superlua de novembro de 2016 foi ontem (13) ou será hoje (14)?

 

A Lua Cheia, segundo este site, aconteceu hoje (14) por volta de meio dia (horário de Brasília). E a passagem pelo perigeu foi aproximadamente duas horas antes. Lua Cheia no perigeu, com poucos horas de diferença, é Superlua!

Ontem, dia 13, quem teve céu limpo aqui no Brasil, já pode observar à noite a Lua (praticamente) Cheia, ou seja, com o disco quase totalmente iluminado. E poucas horas antes da passagem pelo perigeu. Tecnicamente, já dava para chamar essa Lua Cheia de Superlua.

Hoje, dia 14, à noite, teremos aqui no Brasil outra Lua (praticamente) Cheia, com quase todo o disco iluminado. E somente poucas horas depois de sua passagem pelo perigeu. Logo, tecnicamente, ainda podemos dizer que se trata de uma Superlua.

Sobre a aproximação recorde da Lua, vale ressaltar que a última vez em que a Lua Cheia e a passagem pelo perigeu foram tão próximas, com diferença de apenas 2h, foi em 26 de janeiro de 1948, há 68 anos. A Superlua de ontem/hoje é, portanto, um recorde! Mas, na prática, essa pequena diferença de horas é imperceptível e todas as outras Superluas que tivemos nesse períodode 68 anos foram, na prática, do ponto de vista observacional, indistinguíveis.

Mas será que uma Superlua é mesmo “Super”? Até aqui só expliquei o fenômeno da aproximação/afastamento da Lua em relação à Terra. Mas, para ratificar ou não o “Super”, temos que tentar quantificar quão maior ou menor a Lua Cheia pode nos parecer entre o perigeu e o apogeu. E também tentar estimar como a distância Terra-Lua afeta o brilho aparente (ou luar) do nosso satélite para um observador fixo na Terra. Assim poderemos entender de vez se a Superlua faz jus ao nome.

Vamos em frente…

 

Estimativa da variação no tamanho aparente da Lua Cheia

Como dito acima, uma boa maneira de estimar o tamanho aparente de um astro (no nosso caso da Lua) é calcular o valor do ângulo θ de abertura do cone de luz que chega aos olhos do observador.

Usarei o triângulo retângulo laranja e de borda vermelha destacado na imagem abaixo e para o qual um dos catetos equivale à distância observador-Lua e o outro ao raio da Lua que mede aproximadamente R = 1740 km.

SuperLua_quantificando_08

 

Pela razão entre os catetos (oposto e adjacente) no triângulo retângulo podemos facilmente obter a tangente do ângulo θ/2 e, a partir daí, numa calculadora científica, descobrir o valor de θ. Basta usar a definição de tangente (cateto oposto pela hipotenusa) dada na expressão abaixo:

SuperLua_quantificando_09

Vamos aos cálculos:

  • Tamanho angular aparente da Lua no perigeu:
    SuperLua_quantificando_10a
  • Tamanho angular aparente da Lua no apogeu:
    SuperLua_quantificando_10b

Pelos cálculos acima, descobrimos que o tamanho angular aparente da Lua varia entre 0,49 graus (apogeu) e 0,56 graus (perigeu). Do ponto de vista percentual, isso equivale a uma variação de:

SuperLua_quantificando_11

Note que o tamanho angular aparente da Lua Cheia no perigeu supera o tamanho aparente no apogeu em 14/100, ou seja, é 14% maior.

Concluímos que entre a menor Lua Cheia (no apogeu) e a maior Lua Cheia (no perigeu, chamada Superlua), a diferença de tamanho é da ordem de 14%, algo imperceptível a olho nu.

 SuperLua_quantificando_13

Só 14%! Do ponto de vista do tamanho aparente, uma Superlua não tem nada de Super! Concorda? 

Estimativa da variação no brilho aparente da Lua Cheia

A intensidade (I) da radiação emitida por uma fonte (F) de tamanho desprezível em geral decresce com o inverso do quadrado da distância (r) à fonte.

Como a energia se espalha de maneira isotrópica ao redor da fonte (F), é como se a fonte estivesse no centro de esferas imaginárias que crescem de tamanho (volume) na medida em que aumenta a distância (r) à fonte. A figura a seguir ilustra essa ideia. Note que, se um observador está a uma distância r da fonte F, é como se ele pertencesse à superfície de uma esfera imaginária de raio r. Se o observador se afastar da fonte e ficar a uma distância 2r dela, é como se agora pertencesse à superfície de outra esfera de raio 2r, de maior volume e também maior área superficial.

SuperLua_quantificando_14

“Cascas esféricas” (aqui vistas de perfil) e centradas na fonte F.

Dessa forma, na medida em que o observador se afasta da fonte (F), a energia por ela emanada por unidade de tempo vai sendo “diluída” numa área (A) cada vez maior e que numa superfície esférica mede A = 4πr² onde onde π = 3,14 é o número pi e r é o raio da esfera. Lembre-se de que é como se observador estivesse numa casca esférica centrada na fonte.

A imagem abaixo também nos ajuda a entender melhor essa ideia dessa “diluição” de energia. Note que, se dobrarmos r, a área da superfície esférica aumenta quatro vezes (2²). Se triplicarmos r, a área fica multiplicada por 9 (3²). E assim por diante.

SuperLua_quantificando_15

A fonte F emite luz que se espalha ao seu redor e vai sendo “diluída” numa área cada vez maior. [Adaptado de: http://inversodoquadradocomarduino.blogspot.com.br/]

 

Se considerarmos que a fonte F é a Lua, de tamanho desprezível em relação à sua distância média à Terra, na medida em que o observador dela se afasta, ou seja, na medida em que r cresce, a quantidade de energia que ele recebe vinda do nosso satélite fica cada vez menor. Para a luz visível, essa energia representa a intensidade aparente do luar. E nos servirá para estimarmos a diferença no brilho da Lua Cheia quando da sua passagem pelo perigeu e pelo apogeu.

Admitindo que a Lua Cheia emite uma quantidade constante de luz¹ (ou energia luminosa ΔE) por unidade de tempo (Δt), podemos dizer que a Lua Cheia tem uma potência (P = ΔE/Δt) constante. Assim, a intensidade (I) da luz recebida por um observador a uma distância (r) da fonte (Lua) pode ser dada pela razão P/A (potência/área), expressão conhecida como “Lei do inverso do quadrado da distância”:

SuperLua_quantificando_16

Note que, sendo P uma constante, então P/4π também é constante. A rigor, se chamarmos essa constante de K, podemos reescrever a Lei acima como I = K/r².

Vamos calcular a intensidade I que chega no observador fixo na Terra para a Lua Cheia a pino no perigeu (Ip) e no apogeu (Ia):

  • Intensidade da luz da Lua Cheia (a pino) no perigeu:
    SuperLua_quantificando_17a
  • Intensidade da luz da Lua Cheia no apogeu:
    SuperLua_quantificando_17b

Podemos comparar as intensidade acima do ponto de vista percentual. Basta fazer a razão entre os valores obtidos. Veja:

SuperLua_quantificando_17c

Concluímos que a intensidade da luz da Lua Cheia (a pino) no perigeu supera em 30/100, ou seja, em 30% a intensidade da luz da Lua Cheia no apogeu. Em outras palavras, por comparação, temos um ganho de 30% na intensidade do luar da Lua Cheia no perigeu (Superlua) em comparação com o luar mais fraco da Lua Cheia no apogeu.

Embora seja muito difícil quantificar essa diferença de 30% no brilho do luar apenas no “olhômetro”, ou seja, sem instrumentos de medida, dá para dizer que uma Superlua, a olho nu, é uma Lua Cheia de luar “turbinado”! 

SuperLua_quantificando_18

Ilusão de Óptica

Quando a Lua Cheia está a pino, como já comentei acima, ela fica mais perto do observador de uma quantidade equivalente a um raio terrestre. Paradoxalmente, nessa posição mai próxima, a Lua Cheia sempre nos parece ser menor. Você já deve ter percebido que ela parece ser muito maior quando nasce. Certo? Você já se perguntou qual é a razão disso?

Tal efeito se deve à ilusão de óptica e o culpado disso é nosso cérebro. Quando a Lua Cheia nasce, por trás do horizonte, há sempre outros objetos na paisagem para compararmos com ela. E aí o nosso cérebro acaba fazendo interpretações equivocadas.

Clique aqui (ou na imagem abaixo) para abrir um vídeo bem legal para ilustrar essa ideia de ilusão². Nele as pessoas parecem estar diante de uma Lua Cheia gigantesca! Seria fantástico se fosse verdade. Mas não é. Quem estava filmando via as pessoas, ao longe, e em comparação com o disco lunar, bem menores. Veja a seguir, depois de ver o vídeo, a explicação para a ilusão.

SuperLua_quantificando_19

Frame do vídeo que mostra uma Lua “descomunal”. Mas é ilusão.

 

Como já vimos mais acima, o tamanho angular aparente da Lua Cheia tem a ver com o ângulo θ de abertura do cone de luz que vem do nosso satélite e chega aos olhos observador. Certo?

Imagine um observador que olha para a Lua Cheia, ainda baixa no horizonte, e vê outra pessoa que se interpõe entre ele (observador) e a Lua Cheia. Considere que inicialmente a pessoa está perto do observador (posição A na ilustração abaixo). Logo, para o observador, a silhueta escura da pessoa contra a intensa luz da Lua Cheia parece ser enorme. A Lua Cheia, com o mesmo tamanho angular aparente (cerca de 0,5 grau), some por trás da pessoa que, por estar perto do observador, parece grande. Mas quando a pessoa vai caminhando e se afastando do observador, o cenário muda. Na posição B a silhueta da pessoa de costas está menor para o observador. Logo, para o observador a pessoa (mais distante) ficou menor. Mas a Lua Cheia, no mesmo lugar, à mesma distância, continua com o mesmo tamanho angular aparente que corresponde à abertura θ do cone de luz, de 0,5 grau aproximadamente. Agora, em comparação com a pessoa, a Lua Cheia parece ter crescido. A ilustração abaixo nos ajuda a entender a ideia.

SuperLua_quantificando_20

O que vai acontecendo na medida em que a pessoa se afasta ainda mais do observador, caminhando para as outras posições C, D e E? Note que na posição C a silhueta da pessoa tem o mesmo tamanho da abertura θ do cone de luz da Lua Cheia. Para o observador, a pessoa parece ainda menor. Mas, em comparação com a Lua Cheia, o cérebro “acredita” que a Lua Cheia cresceu e agora tem diâmetro aparente equivalente à altura de uma pessoa adulta. Dá para entender a ilusão?

Na posição D a pessoa parece ter ficado ainda menor mas, por comparação, é a Lua Cheia que se agiganta diante dos olhos do observador e agora parece ser bem maior. Em E o efeito se potencializa. Na medida em que a pessoa se afasta cada vez mais do observador, o tamanho aparente da Lua Cheia será sempre o mesmo (porque a distância observador-Lua é fixa) mas, por comparação, nosso cérebro vai interpreta que a Lua Cheia cresceu. E criar cada vez mais o efeito de Lua Cheia gigante, exatamente como visto no vídeo sugerido acima. Deu para entender?

É por isso que, quando vemos a Lua nascendo, bem baixa, ainda próxima ao horizonte, sempre temos a impressão de que a Lua está enorme. A mesma ilusão se repete com o Sol próximo ao horizonte, nascendo ou se pondo.

Na prática, para a Lua Cheia, essa ilusão de óptica consegue produzir um efeito de tamanho aparente mais contundente do que o da Superlua que se resume a um aumento de tamanho aparente de apenas 14%. Já o brilho “turbinado” de uma Superlua garante um luar muito mais intenso, com ganho de até 30%.

Resumindo

Existe, de fato, uma Superlua? A resposta é sim e não! E não estou querendo ficar em cima do muro. Escrevi bastante hoje para justificar essa resposta aparentemente evasiva, não é mesmo?

Devemos responder:

  • Sim se entendermos que a Superlua é somente o nome de uma Lua Cheia “turbinada” em brilho (ganho de até 30%) e ligeiramente aumentada em tamanho (ganho de até 14%) por conta de sua passagem pelo perigeu, ou seja, como efeito colateral de sua aproximação com a Terra.
  • Não porque, na prática, não há nada de super, exceto o luar mais intenso que, em noites limpas, pode ser um belo fenômeno, especialmente bem longe da poluição luminosa das grandes cidades. Mas bastam nuvens densas para destruir o super brilho e ofuscar o luar.

Dá para dizer, sem medo, que Superlua é um nome um tanto quanto exagerado! Você jamais vai ver uma Lua Cheia gigantesca no céu. Não tem como! É fisicamente impossível! Mas é mais chamativo o termo Superlua do que Lua Cheia no perigeu. Logo, mais “marqueteiro”, o termo Superlua ajuda a nós divulgadores científicos a chamar mais pessoas para observar a Lua e, de carona, todo o céu! E isso é sempre SUPER interessante. 

Apesar do exagero, vale a pena a pena observar a Lua Cheia no perigeu também chamada de Superlua? SIM! Sempre vale a pena observar o céu e, em especial, a Lua. Mesmo uma Lua Cheia no apogeu, numa noite limpa, é espetáculo garantido. Se estiver no perigeu, tudo tende a melhorar!

Hoje, 14 de novembro, anda dá para pegar carona na “quase” Superlua que já passou um pouco do perigeu e está com o seu disco um pouquinho menos iluminado. Mas isso só vale se o céu estiver bem limpo. Aqui na minha cidade, São João da Boa Vista, interior de São Paulo, chove há dias. E o céu está totalmente fechado e não haverá Superlua que vença as nuvens densas que cobrem o firmamento.

A Superlua vai nascer ali... mas as nuvens...

A Superlua vai nascer ali, à esquerda das duas antenas. Mas as nuvens… (panorama, quase 180 graus,
da minha janela, pelo celular).


1.  Na verdade a Lua reflete a luz solar.
2. Cuidado com o título da matéria que afirma que a Superlua “preenche” todo o horizonte. Exagero! Não é verdade. É o que parece ser. Mas é justamente aí que está a ilusão.

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