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Blog Física na Veia

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Quantas voltas no mundo você já deu de carro?

Prof. Dulcidio Braz Júnior

03/08/2018 21h11

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Completei hoje 3/4 de volta na Terra com meu carro

 

Quantas voltas no mundo você já deu de carro? Se respondeu nenhuma, é bem provável que você não tenha entendido o "espírito" da minha pergunta.

Também é muito provável que você nunca tenha parado para pensar no verdadeiro tamanho da Terra, nosso planeta.

Acompanhe o raciocínio abaixo e vai entender onde eu pretendia (e continuo pretendendo) chegar com a minha pergunta aparentemente sem sentido e que mais parece coisa de "físico maluco".

 

O verdadeiro tamanho da Terra


A Terra tem diâmetro equatorial de 12.800 km aproximadamente

O nosso planeta, exceto para os terrachatos de plantão, é uma esfera. Ligeiramente achatada nos polos por conta da rotação. Mas uma esfera com excelente aproximação. E de raio equatorial bem próximo de 6.400 km.

O equador, portanto, é uma circunferência imaginária de raio 6400 km. Logo, usando geometria básica e aproximando o valor de pi para 3,14, o comprimento (ou circunferência) C do equador mede:

C = 2.π.r = 2.3,14.6400 = 40.000 km (valor aproximado)

Logo, a cada 40.000 km que você anda com o seu carro, seja por onde for, é "como se" você tivesse dado uma volta completa na Terra sobre a linha do equador. Concorda?

Se parar para pensar, o nosso planeta nem é tão grande quanto parece! Certamente você já deu várias voltas nele de carro, pelo menos voltas virtuais, exatamente no contexto da minha pergunta. Entendeu o "espírito" da coisa?

Lembrei dessa ideia hoje às 8h54 min quando estacionei na concessionária da gelada Poços de Caldas, MG, para fazer a revisão de 30.000 km do meu carro. E o hodômetro, mostrado na foto abaixo, marcava 30.005 km.

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Hodômetro do meu carro marcando 30.005 km, 3/4 de volta na Terra(Fonte: arquivo pessoal)

Logo pensei: já andei 30.000 km (de 40.000 km) com este meu carro adquirido no começo do ano passado. Portanto, já percorri com ele o equivalente 3/4 de volta na Terra! E estimo que no começo de 2019 complete com ele a minha primeira volta no planeta.

Uma reflexão

Este post, antes de tudo, propõe uma reflexão sobre a pequenez e a fragilidade do nosso planeta:

  • A Terra é bem menor do que nos parece. Afinal, daria para dar voltas nela de carro!
  • Dos 12.800 km de diâmetro aproximadamente, somente uma fina camada de 100 km é a atmosfera. E nesta "casquinha" de ar que vai ficando cada vez mais rarefeita na medida em que nos distanciamos da superfície do planeta, só podemos respirar com certa facilidade até uns 5 km (5.000 m) de altitude.
  • A Terra é a nossa casa. Melhor chamarmos logo de nossa nave nesta incrível jornada cósmica ao redor do Sol. Já parou para pensar que este planetinha azul é a única casa/nave que temos!

 

Todos dependemos, para existirmos e sobrevivermos, da frágil e pequena Terra, um mero Pálido Ponto Azul!

 

Antes que me pergunte "por que Pálido Ponto Azul?", veja a imagem abaixo.

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Pale Blue Dot Fonte: NASA

Esta fantástica e histórica fotografia foi feita pela sonda Voyager 1 em 1990. Ela ficou conhecida como Pale Bue Dot (Pálido Ponto Azul) e ratifica de forma contundente a pequenez da Terra. O termo Pálido Ponto Azul foi cunhado pelo astrônomo e genial escritor e divulgador científico americano Carl Sagan (1934-1996) e o inspirou para escrever livro de mesmo nome.

Nosso planeta, visto de longe (cerca de 6,4 bilhões de quilômetros), é aquele pontinho sobre a terceira faixa de luz solar, a faixa dourada, à direita? Conseguiu encontrar a Terra?  Olhe bem, procure-a com atenção!

Abaixo dou uma ajudinha…

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Pale Blue Dot (destacado) Fonte: NASA

Acredite se quiser: é bem aí neste pálido pixel da foto, ou nesta minúscula e frágil rocha que de longe mais parece um grão de poeira, onde estamos todos nós! Assustador, não?!

Está mais do que na hora de cuidarmos melhor do nosso Pálido Ponto Azul, não está? Afinal, a vida de cada um de nós está por um fio pixel!


Este texto também foi publicado no Física na veia! (Steemit) neste link.

Sobre o autor

Dulcidio Braz Jr é físico pelo IFGW/Unicamp onde atuou como estudante e pesquisador no DEQ – Departamento de Eletrônica Quântica no final dos anos 80. Mas foi só começar a lecionar física para perceber que seu caminho era o da educação. Atualmente, além de professor, é autor de material didático pelo Sistema Anglo de Ensino / Somos Educação e pela Editora Companhia da Escola. É pioneiro no Brasil no ensino de Relatividade, Quântica e Cosmologia para jovens estudantes do final do ensino médio e início do curso superior. E faz questão de dizer que, aqui no blog, é professor/aluno em tempo integral pois, enquanto ensina, também aprende.

Sobre o blog

"O Física na Veia! nasceu em 2004 para provar que a física não é um “bicho papão”. Muita gente adora física. Só que ainda não sabe disso porque trocou o conteúdo pelo medo. Se começar a entender, vai gostar. E concordar: a Física é pop! Pelo seu trabalho de divulgação científica, especialmente em física e astronomia, sempre tentando deixar assuntos árduos mais leves sem jamais perder o rigor conceitual, o Física na Veia! foi eleito por um júri internacional como o melhor weblog do mundo em língua portuguesa 2009/2010 pelo The BOBs – The Best of Blogs da alemã Deutsche Welle."