Física na Veia!

Entenda as ideias de Einstein de uma vez por todas
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

''Einstein – para entender de uma vez'' (capa)

 

No primeiro semestre de 2017, o jornalista científico Salvador Nogueira, da Folha de São Paulo e do Mensageiro Sideral (blog e canal no Youtube), me fez um convite delicioso: fazer, em primeira mão, leitura crítica do seu mais novo (e futuro) livro de divulgação científica que abordaria ninguém menos do que Albert Einstein.

Aceitei de pronto! (Precisa desenhar?!) Por conta da vida corrida de professor, acabei pegando o original em cima da hora. Com pouco tempo, virei um final de semana inteiro debruçado sobre a deliciosa tarefa de ler um texto fluido e sem 'calculeira' alguma abordando as ideias de Einstein de uma maneira direta e divertida tal que qualquer pessoa, especialmente as não iniciadas em Física, possam entender de Física sem estresse. Foquei na primeira metade da obra que aborda a Física, mais a minha praia, e já sabendo, segundo o autor, que cosmólogos de respeito estavam fazendo a leitura crítica da segunda parte do livro.

A obra ficou no forno ainda por uns meses. E foi lançada só no final de outubro sob selo da revista Superinteressante da Editora Abril. Portanto, para alegria de quem gosta de divulgação científica, o livro deveria ser encontrado facilmente até mesmo nas pequenas bancas de jornal de esquina. Mas, para a minha frustração, pelo menos por aqui no interior de São Paulo, não a encontrei nem em livrarias maiores!

No final de dezembro, já sem muita esperança de ter um exemplar em mãos, arrisquei e encomendei o livro pela Amazon (www.amazon.com.br) que o vendia  sem prazo definido de entrega, ratificando ser a obra uma mosca branca. Confesso que entrou janeiro de 2018 e até me esqueci da encomenda…

Na semana passada recebi via e-mail alerta da Amazon informando que o livro estava a caminho. E ontem, finalmente, o ''Einstein – para entender de uma vez'' chegou em casa!

Como já estou em pleno ano letivo, ainda não tive tempo de fazer a tão desejada leitura atenta. Só dei aquela curiosa folheada. A degustação pra valer vai ficar para a semana de Carnaval que para mim será recesso escolar. Portanto, nem sei dizer quantos dos meus tantos pitacos chatos de professor e físico foram aproveitados pelo Salvador. Mas, sem medo de errar, pelo que vi/li nos originais, recomento a obra sem medo de errar! Vale muito a pena!

Segundo palavras do próprio autor, ''o livro busca explicar de forma simples e clara as principais contribuições do grande físico alemão para a ciência, basicamente sedimentando os dois alicerces sobre os quais podemos compreender o Universo: a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica''.

 

Abertura do capítulo 6

 

A obra, com 312 páginas e preço de capa de pouco menos de R$ 35,00 (uma bagatela!), está assim organizada:

Introdução: Bem-vindo à mente de Einstein
Capítulo 1: A existência dos átomos
Capítulo 2: A realidade do mundo quântico
Capítulo 3: O espaço e o tempo
Capítulo 4: A equação mais famosa do mundo
Capítulo 5: A gravidade
Capítulo 6: Revoluções tecnológicas
Capítulo 7: A origem do Universo
Capítulo 8: O erro que se revelou um grande acerto
Capítulo 9: Buracos negros
Capítulo 10: Lentes de aumento cósmicas
Capítulo 11: Ondas gravitacionais
Capítulo 12: Mais rápido que a luz
Capítulo 13: Viagens no tempo
Capítulo 14: Um novo estado da matéria
Capítulo 15: Teletransporte quântico
Capítulo 16: A teoria final

Contracapa da obra

 

Fica a dica: diversão garantida, com qualidade de informação e preço justo! Se passar por uma banca de jornais, revistaria ou livraria, já sabe: olho no ''Einstein''! Ou então faça como eu e compre pela web. Um dia chega.

Fica também um pedido especial deste velho professor aos editores da Super/Abril: podem rodar pelo menos mais 20.000 exemplares e espalhar Einstein pelo Brasil. Garanto que não sobra nas bancas. E a boa divulgação científica, desde já, agradece!


Para saber mais

  • Texto do próprio Salvador Nogueira sobre o livro (no blog ''Mensageiro Sideral'')

 

 


Lua Cheia no perigeu? Superlua, agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Sequência da Superlua Azul nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista, SP

 

As imagens acima registram o nascer da Lua Cheia por trás da serra por volta das 20h20min de hoje. Mas não é uma Lua Cheia qualquer. Trata-se de uma ''coincidência'' de três fenômenos astronômicos. Explico, a seguir.

Superlua

A órbita da Lua ao redor da Terra não é circular, é elíptica. Sendo assim, a distância Terra-Lua varia. A Lua pode passar mais perto ou mais longe da Terra. Quando passa mais perto, nos parece maior. E, quando a acontece a coincidência de uma Lua Cheia (com a face voltada para a Terra 100% iluminada) passar pelo perigeu, ponto de máxima aproximação com o nosso planeta, temos uma Lua Cheia ligeiramente maior do que a média. E também mais brilhante. É o que vem sendo chamado de Superlua, termo que, para os astrônomos mais conservadores, é exagerado.

Concordo. Mas devo dizer que gosto da ideia de que o termo chama a atenção das pessoas para o fenômeno, excelente oportunidade para ensinarmos o que é correto. Mas também agita a mídia que, para a felicidade de quem curte Ciência e pratica divulgação científica, aborda o tema de maneira extensiva. Porém, há que se pontuar que a mídia, na média, também é mestre em propagar bobagens. Hoje, infelizmente, já vi/li/ouvi algumas ao longo do dia.

Hoje a Lua Cheia está passando próxima do perigeu. Logo, é Superlua. Já abordei o tema aqui no blog inúmeras vezes. Para não ser repetitivo, mas aproveitando nova ocorrência do fenômeno, deixo lá embaixo links caso você queira se aprofundar este tema e notros ligados à Lua. Destaco, em especial, este post no qual faço estimativas do aumento do diâmetro aparente e do brilho lunar numa passagem da Lua Cheia pelo perigeu em comparação com sua passagem no apogeu, ponto de máximo afastamento da Terra.

Lua Azul

Devo destaca ainda que a Lua Cheia de hoje é a segunda Lua Cheia num mesmo mês, o que é conhecido como Lua Azul. A primeira Lua Cheia do mês de janeiro (e do ano de 2018) foi no dia 01, registrada aqui neste post.

Temos, portanto, uma Superlua Azul. Mas não espere que a Lua vá mudar de cor. É apenas um rótulo que nada tem a ver com a realidade visual do nosso querido satélite natural.

Eclipse Lunar Total

Vale destacar também que, por muita coincidência, tivemos neste dia de Superlua Azul um eclipse lunar total, infelizmente não visível daqui do Brasil (ele aconteceu no período da manhã pelo horário de Brasília).

Em todo eclipse lunar total a Lua Cheia, durante a totalidade, em vez de desaparecer, fica avermelhada, assumindo um tom ''vermelho tijolo''. Algumas pessoas, especialmente as mais místicas e menos científicas, chamam o fenômeno de Lua sangrenta. Aí já é demais!

Há explicação científica e relativamente simples para o fato que, de místico, nada tem. Se quiser saber mais sobre o tema, deixo este outro post como dica de leitura.

Observe!

Como sempre vale a pena observar a Lua Cheia, aproveite a oportunidade! Bote a cara pra fora e veja a Lua Cheia de hoje. Aqui no interior de São Paulo ela está linda!

Depois de um mês de chuva, o céu finalmente limpou. E a Superlua Azul impera imponte como um farol sobre a serra e em contraste com as luzes do meu bairro. Confira na imagem abaixo.

Foto com exposição de 5 segundos para evidenciar o luar ''turbinado'' da Superlua em comparação com as luzes do meu bairro

Boas Observações! 


Confira, abaixo, timelapse da Superlua nascendo por trás da serra em 01/janeiro/2018, a primeira Lua Cheia deste ano.

Se não estiver visualizando a imagem (animação) acima, clique neste link.


Para ver


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Rodrigo Andolfato, um legítimo “Viajante Espacial”
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Andolfato numa de suas ''viagens pelo espaço'' (imagem: Facebook do Andolfato)

 

Você já ouviu falar em Rodrigo Andolfato?

Andolfato nasceu em Lages, Santa Catarina. Graduou-se em Administração na UFU – Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais. Atualmente é analista do Banco Central e, por conta de sua profissão, reside em  Águas Claras, Distrito Federal.

Só por este pequeno currículo dá para ver que ele gosta bastante de andar pelo mundo. Mas suas maiores viagens são pelo espaço, de carona com a luz, capturando os fótons que vêm dos astros.

Não entendeu? Explico. Rodrigo Andolfato é astrofotógrafo amador. Amador no sentido de não ganhar a vida com  este trabalho. Mas ele tem resultados fantásticos e que tangenciam trabalhos profissionais. Não tenho medo algum em dizer que ele é um dos grandes nomes da Astrofotografia brasileira e também mundial.

Para você que conhece ou não a obra de Andolfato, trago uma boa nova: ele acaba de lançar o livro ''O Viajante Espacial''.

O Viajante Espacial (capa)

A obra tem versão impressa paga e pode ser comprada on line por aqui, no Clube de Autores. Mas, para quem gosta de ler em telas e quer economizar uma grana, tem também versão gratuita, em PDF, direto de um drive virtual do próprio autor.

Confira algumas páginas da obra.

Astrofotografia lunar (página do livro ''O viajante Espacial'')

 

Astrofotografia solar (página do livro ''O viajante Espacial'')

 

Astrofotografia planetária (página do livro ''O viajante Espacial'')

 

Astrofotografia de céu profundo (página do livro ''O viajante Espacial'')

Como as imagens acima bem ilustram, Andolfato tem um trabalho astrofotográfico impecável pelas mais diversas áreas da Astrofotografia. Vale a pena conhecê-lo! E a obra, que condensa imagens de seis anos de capturas, tem exatamente esta função

Curiosamente, e para espanto de quem sabe bem o quanto as luzes da cidade — também conhecidas como PL (poluição luminosa) — atrapalham as observações astronômicas e os registros astrofotográficos, muitas das espetaculares imagens feitas pelo Andolfato  foram obtidas a partir do seu apartamento, em plena zona urbana! Haja técnica para filtrar a PL a ponto de conseguir tirar o melhor de condições tão adversas!

 

Astrofotografia Prática: obra de referência

Por falar em técnica, no ano passado Andolfato lançou o livro ''Astrofotografia Prática'' que, como o nome já revela, tem dicas super práticas para quem está iniciando na refinada arte da Astrofotografia.

Astrofotografia Prática (capa)

Este livro é vendido em duas versões que podem ser compradas pelos links abaixo:

Tenho as duas versões que, essencialmente, são iguais em conteúdo. O ebook, bem mais em conta, está formatado para melhor se adaptar aos dispositivos móveis. Adoro as duas! A versão impressa está sempre ao alcance das mãos. A eletrônica mantenho na nuvem e, quando levo um ''chá de cadeira'' não previsto como, por exemplo, num consultório médico, abro-a para folhear e aproveitar o tempo para estudar.

Aqui no blog, no ar desde 2004, tenho inúmeras astrofotografias próprias. Mas a maioria delas feita com técnica muito simples, com uma câmera fotográfica digital semiprofissional fixa num tripé e quase sempre sem nenhum pós tratamento em software.

Não faz muito tempo que comecei a astrofotografar com webcam acoplada ao telescópio  (confira meus primeiros passos em astrofotografia com telescópio nestes posts: post 1, post 2 e post 3). Mas devo dizer que o ''Astrofotografia Prática'' já me ajudou bastante com super dicas, incluindo os principais softwares de captura e tratamento de imagens!

Embora hoje, na web, haja muitos tutoriais escritos e até em vídeo, o ''Astrofotografia Prática'' vai direto ao ponto e dá as dicas fundamentais para quem está dando os primeiros passos na área não perder tempo neste universo dentro do Universo. Por isso recomendo-a, sem medo de errar!

Você também pode conhecer mais de perto o fantástico trabalho do Rodrigo Andolfato acessando o Blog do Andolfato que é referência na área da Astrofotografia.

O Brasil, fortunadamente, tem muitos astrofotógrafos de destaque internacional. Noutras oportunidades falarei sobre outros deles, seus sites e trabalhos.

Por enquanto, divirta-se (e aprenda bastante!) com o mestre Rodrigo Andolfato!


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Lua Cheia do Ano Novo (Superlua)
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Lua Cheia nascendo por trás da serra em São João da Boa Vista, SP.

 

Acaba de nascer a primeira Lua Cheia do ano de 2018.

E ela está caminhando para o perigeu, ponto da sua trajetória em torno da Terra de máxima aproximação com o nosso planeta. Isso quer dizer que em poucas horas ela estará em sua máxima aproximação com a Terra, fenômeno que tem sido chamado de Superlua.

O termo Superlua é um tanto quanto exagerado. Entre o apogeu, ponto de máximo afastamento com a Terra, e o perigeu, ponto de máxima aproximação, a Lua Cheia varia cerca de 14% em tamanho aparente e 30% em brilho aparente (veja cálculos em detalhes neste post). Difícil perceber tal diferença no ''olhômetro''! A Lua Cheia não estará tão maior do que a média. Mas o luar, a luz do Sol refletida pela Lua e que atinge a Terra, estará de fato ''turbinado''. Se você estiver num lugar bem escuro, longe das luzes da cidade, vai notar que o luar será capaz de iluminar a paisagem ao seu redor.

De qualquer forma, observe a Lua Cheia hoje (e sempre que puder). Olhar a Lua, bem como qualquer astro, mesmo a olho nu, é sempre uma experiência ímpar.

Clique nos links abaixo para ver animação da Lua Cheia nascendo por trás da serra aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo:

Apesar do meu tripé manco, até que ficou bom!

Câmera no tripé (manco), aguardando o nascer da Lua Cheia

 

Curiosidade 1: a trilogia das Superluas

Tivemos Lua Cheia no perigeu (ou Superlua) há praticamente um mês, no dia 3 de dezembro de 2017. Confira aqui.

Temos Lua Cheia no perigeu hoje. E ainda teremos outra no dia 31 de janeiro de 2018.

Esta segunda Lua Cheia que acontece num mesmo mês é também conhecida como Blue Moon. Mas trata-se apenas de um nome. A Lua Cheia não ficará azul. Na verdade ficará vermelha, ''cor de tijolo'', mas somente para alguns observadores privilegiados. Isso porque haverá um eclipse lunar total ocorrendo exatamente na Lua Cheia passando pelo perigeu. Haja coincidências! Infelizmente, o eclipse lunar não será visível daqui do Brasil.

 

Curiosidade 2: o teste do dedo indicador

Se você esticar o braço e levantar o dedo indicador, para o seu olho, a largura aparente do dedo terá praticamente 1,0 grau. Varia de pessoa para pessoa, claro. Mas o valor gira em torno de 1,0 grau.

A Lua Cheia tem diâmetro angular aparente de cerca de 0,5 grau. Logo, o dedo indicador, nesta situação, consegue cobrir duas Luas Cheias.

Não acredita? Faça o teste!


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2018
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

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Que a ciência brasileira sobreviva a mais um ano de (des)governo¹. E que muito em breve volte a ser valorizada para continuar crescendo e se destacando no cenário mundial.

Que possamos estar juntos aqui no blog por pelo menos mais 365 dias falando de Física e de Astronomia!

 

Grande abraço. E Física na veia!


1 – Ano de importantes eleições! Ano fundamental para o eleitor brasileiro amadurecer como cidadão, votar com consciência, e principalmente aprender a cobrar atitudes dignas e democráticas dos seus legítimos representantes. Só assim iniciaremos uma nova etapa, tempo de retomada do curso natural da nossa história que infelizmente regrediu cinco décadas em questão de poucos meses. A tal ''Ponte para o Futuro'' é um vetor com com sentido oposto ao daquele que tanto precisamos e almejamos!

A dança do Sol e as estações do ano
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Comparativo das posições reais do nascer do Sol em 21/06/2017 (solstício),  22/09/2017 (equinócio) e
21/12/2017 (solstício)

 

Resolvi, em meados deste ano, que registraria o nascer do Sol nos solstícios (de inverno e de verão) e também no equinócio (de primavera). E o faria daqui da janela do meu apartamento em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, bem perto da divisa com o sul de Minas Gerais. Do terceiro andar, tenho vista privilegiada da serra com centro bem no ponto cardeal leste (L), excelente para observar o Sol nascente.

Missão cumprida! O resultado você confere na fotomontagem acima. Note que usei o coqueiro (esquerda) como ponto de referência. E por isso o leste (L) não está exatamente no centro da imagem panorâmica feita com o celular.

A ideia dos registros fotográficos é mostrar de forma didática (e experimental) o que prevê a teoria: o Sol não nasce todos os dias exatamente no ponto cardeal leste (L), embora muita gente afirme que sim. Somente nos chamados equinócios (de outono e de primavera) o Sol desponta exatamente a leste (L). Nos demais dias o nascer do Sol ocorre ao redor do leste (L), deslocado para a esquerda, a rigor para o norte (N), ou para a direita, a rigor para o sul (S).

Como você pode conferir na fotomontagem, no início do inverno aqui no hemisfério sul, data que chamamos de solstício de inverno, o Sol nasceu em seu máximo deslocamento para o norte (N). No equinócio de primavera (e também no de outono, não registrado), o Sol deve ascender no horizonte exatamente no ponto cardeal (L). No solstício de verão, início do verão ao sul do equador, o Sol surgiu logo de manhã em seu máximo deslocamento para o Sul (S).

Tal dança solar, que também ocorre do lado oposto, ou seja, a oeste, ao final do dia e quando o Sol se põe, deve-se ao fato de que a Terra, enquanto orbita o Sol, mantém o seu eixo sempre com a mesma inclinação em relação ao plano orbital. Desta forma, para um observador fixo na Terra, fica a impressão de que é a trajetória aparente do Sol que sofre deslocamento. E isso provoca insolação diferencial nos dois hemisférios do nosso planeta, o que justifica a existência de diferentes estações do ano.

Todo dia, logo de manhã, quando saio para o trabalho, observo a posição do Sol nascente. É hábito. O bamboleio do nascer do Sol ao redor do leste é para mim algo tão natural quanto o oxigênio que respiro. Mas aposto que a maioria das pessoas nem se dá conta deste fato notável. E você? Já fez esse tipo de observação? Se nunca o fez, faça. Observe o nascer (ou o por do Sol) ao longo de meses. Você vai se surpreender com a mudança de posição aparente da nossa estrela!

A imagem abaixo é uma simulação em computador mostrando os dois solstícios e os dois equinócios no período de um ano. Em março do ano que vem vou tentar registrar fotograficamente o nascer do Sol no solstício de outono para compor fotomontagem completa, como a da simulação.

A ''dança'' do Sol nascente (simulação em computador)

 

Curiosidades

A palavra solstício significa ''Sol parado''. E tem tudo a ver! Nos solstícios o Sol ''para'' o seu movimento relativo de afastamento aparente em relação ao ponto cardeal leste para começar movimento oposto, ou seja, de aproximação com o ponto cardeal leste. No solstício de inverno temos a noite mais longa do ano. No solstício de verão, ao contrário, o dia mais longo.

E, quando o Sol,  em sua dança das estações, nasce ''passando'' exatamente pelo leste, temos dias e noites de igual duração. São os equinócios. A palavra equinócio, que trás o prefixo ''equi'' (de igual) tem exatamente este significado.

Gostou do tema? Neste post discuto de forma mais profunda a existência das quatro9 estações do ano. Os links abaixo chamam outros posts nos quais o assunto também é discutido.  Divirta-se!

Ah… uma perguntinha básica

Como os terraplanistas explicam essa dança do Sol em torno da ''Terra pizza''?

 


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Superlua, agora!
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Superlua sobre o meu bairro, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, Brasil.

No post anterior anunciei que hoje teríamos Lua Cheia no perigeu, uma Lua Cheia especial, mais próxima da Terra, e por isso mesmo ''turbinada'', maior e mais brilhante, fenômeno que tem sido chamado de Superlua.

Como previsto, céu nublado por aqui. Até desanimei de montar o telescópio para fazer uma live da Superlua.

Mas deu uma brecha e a Lua apareceu. Fiz algumas astrofotos só com a câmera digital no tripé.

O farol lunar em close. Note que a Lua está brigando com as nuvens.

Se você estiver num local de céu aberto e limpo, observe a Lua. Ela está ligeiramente maior mas sensivelmente mais brilhante. O tamanho maior é difícil de perceber a olho nu. Mas o luar ''turbinado'' dá para notar, especialmente se você estiver longe das luzes da cidade. A Lua vai iluminar o cenário!

Uma foto da Superlua com zoom máximo (30X) da câmera digital.

Para saber mais sobre o fenômeno das Superlua, veja o post anterior, onde destaco as três Superluas que vão acontecer entre hoje e o final de janeiro do ano que vem. Se quiser se aprofundar ainda mais, indico este outro post de 2016 onde disseco o tema.

BOAS OBSERVAÇÕES!


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E veja abaixo link para um post onde ensino como fazer um mosaico lunar usando webcam acoplada ao telescópio:


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Lua Cheia no perigeu? Superlua!
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Órbita elíptica da Lua ao redor da Terra

 

A órbita da Lua ao redor da Terra não é uma circunferência, mas uma elipse. E a Terra não fica no centro da órbita, mas deslocada dele. Logo, trata-se de uma órbita excêntrica, com a Terra num dos focos da elipse enquanto o nosso satélite natural faz a sua translação ao redor do nosso planeta. A figura acima ilustra a ideia geométrica.

Por conta deste ''capricho cósmico'', decorrência direta da Lei da Gravitação, a Lua pode passar mais perto da Terra, ponto que chamamos de perigeu, ou mais longe, ponto que denominamos apogeu. E sabemos que qualquer coisa vista de mais perto, inclusive a Lua, parecerá maior. Ao contrário, o que observamos de mais longe nos parecerá menor.

Quando coincide da Lua Cheia acontecer com o nosso satélite natural passando pelo perigeu ou perto dele, ainda que com uma diferença de poucas horas, temos uma Lua Cheia ''turbinada'', ou seja, ligeiramente maior e mais brilhante. É o que vem sendo chamado de Superlua.

Se compararmos a Lua mínima (no apogeu) com a Lua máxima (no perigeu), temos uma diferença de 14% no tamanho e 30% no brilho. Neste post aprofundo o tema e faço os cálculos que nos levam a estes valores. Se quiser saber mais, dá uma olhada nele.

Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, tudo nublado há dias. Veja panorâmica que fiz hoje pelo celular pouco depois das 11h da manhã.

Céu nublado. Previsão de chuva para a minha cidade e região. (Panorâmica 180 graus, pelo celular)

Ontem, mesmo com o céu nublado na maior parte do tempo, consegui ver a Lua por alguns minutos, pouco depois do seu nascer, num brecha entre nuvens. Confira a imagem logo abaixo. Mas depois o céu fechou de vez. E não vi mais nada.

Lua (quase) Cheia ontem, numa brecha entre as nuvens. (Imagem feita pelo celular)

Pela previsão do tempo, para a minha cidade e região, probabilidade quase zero de observar a Lua Cheia no perigeu hoje. Mas, se o céu abrir e eu conseguir ver alguma coisa, tentarei fazer uma live da Superlua em vídeo. Posto o link por aqui se der certo.

 

Curiosidade 1: a trilogia das Superluas, com ''bonus track'' de Blue Moon e eclipse lunar

Teremos três Luas Cheias no perigeu (ou três Superluas, se preferir), num curto período de tempo.

A primeira delas é hoje, domingo, 3 de dezembro de 2017. As duas próximas acontecem no mês de janeiro de 2018, respectivamente nos dias 1 (segundas-feira) e 31 (quarta-feira).

A segunda Lua Cheia num mesmo mês é conhecida como Blue Moon. Mas é apenas um rótulo. A Lua não vai ficar azul. Nosso satélite, a olho nu, tem sempre o mesmo tom cinza prateado, exceto quando está próximo do horizonte em que fica alaranjado, ou na totalidade dos eclipses lunares quando acaba ficando da cor de tijolo (um tom vermelho alaranjado). A terceira Superlua em praticamente dois meses será, portanto, Blue Moon. E tem mais: neste dia também haverá um eclipse lunar total. Teremos Super Blue Moon eclipsada! Três fenômenos em um! Mas não se anime. Aqui no Brasil o eclipse lunar não será visível. Para nós, Super Blue Moon, sem eclipse.

O vídeo abaixo, da NASA, fala da curiosa trilogia das Superluas.

 

Curiosidade 2: o teste do dedo indicador

Estique o braço e levante o dedo indicador. Para o seu olho, a largura aparente do dedo indicador terá praticamente 1,0 grau. Varia de pessoa para pessoa, claro. Mas o valor gira em torno de 1,0 grau.

A Lua Cheia tem diâmetro angular aparente de meio grau. Logo, um dedo indicador deve cobrir duas Luas Cheias.

Quando você achar que a Lua Cheia está gigante, geralmente por efeito de ilusão de óptica, faça este teste. Infalível! Você vai se surpreender.

Se conseguir ver a Superlua nascendo hoje logo no início da noite de domingo, dedo nela! Ela vai parecer enorme. Mas o teste do dedo vai desmarcarar o seu cérebro pregando peças no seu proprietário!

Neste post explico detalhes sobre a ilusão da Lua Cheia gigante.


Para saber mais


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E veja abaixo link para um post onde ensino como fazer um mosaico lunar usando webcam acoplada ao telescópio:


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Astrofotografia: como fazer um mosaico da Lua
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Resultado final do mosaico da Lua (clique na imagem para abrir versão maior)

 

Fazia tempo que eu não observava o céu com o telescópio.

Por conta do meu trabalho de professor/autor de material didático, fico sempre limitado às ''folgas'' aos finais de semana ou feriados. Às vezes, até nestes dias há trabalho extra para casa. E a agenda ainda tem que coincidir com céu limpo e não ''bater'' com outros compromissos pessoais. A probabilidade de observações do céu com equipamento que sempre demora um pouco para ser montado e alinhado fica bastante reduzida.

Ontem, feriado, por sorte o céu abriu depois de alguns dias de chuva. Aproveitei a folga (desta vez real) para observar e capturar a Lua que estava linda diante da janela do meu apartamento.

Para registrar as imagens do telescópio, uso a técnica de acoplar uma webcam comum no porta ocular. A webcam usa a óptica (espelho) do telescópio newtoniano (refletor) e, com o sensor digital, registra a imagem nele projetada e a envia para o notebook.

Mas, como o sensor da webcam é bem pequeno, só consigo ver/capturar a Lua parcialmente, como você pode conferir abaixo no print screen da pasta onde as imagens capturadas foram salvas.

As ''fatias'' capturadas da Lua, salvas numa pasta.

 

A solução para ter uma imagem da Lua por inteiro é juntar as ''fatias'' via software, compondo um mosaico, como na imagem que abre este post, lá no topo.

Para fazer meus mosaicos lunares, tenho usado o ICE – Imagem Composite Editor, da Microsoft (dica do amigo astrofotógrafo Gabriel Akira Yanaguya). O ICE é freeware e bem fácil de usar. Procure-o pelo Google e vai encontrá-lo facilmente para baixar de fontes confiáveis.

O software, cuja função real é criar panoramas, tem vários ajustes que você pode depois experimentar. Mas, no modo automático, ele faz tudo praticamente sozinho, em quatro passos logo após a escolha e carregamento das imagens. O resultado é excelente.

Confira a seguir o passo a passo do processo de montagem do mosaico.

Passo 1 [Import]: O carregamento das imagens

Você escolhe ''New Panorama from images'' se for usar imagens estáticas ou ''New Panorama from video'' se for usar frames de um vídeo. Escolhi ''New Panorama from images'' porque tinha vários arquivos de imagens estáticas no formato png equivalentes a diversos pedaços da Lua que eu já havia capturado previamente.

Em seguida, escolhida a pasta onde as imagens capturadas estão salvas, é possível vê-las na tela.

Escolhido o tipo de panorama, você escolhe a pasta e o software mostra as imagens nela contidas.

Você pode fazer uma triagem das imagens previamente salvas e escolher somente aquelas que vai usar para compor o mosaico. Eu escolhi todas que havia feito porque estava testando uma peculiaridade técnica (veja nota¹ no final do post).

Usei o ajuste padrão ''Simple Panorama'' com ''auto-detect motion'' (menu da direita).

Imagens importadas para dentro do software. Vai começar a parte mais divertida!

É importante ficar claro que, para o software juntar as imagens, elas devem ter partes comuns. Assim o software entende como as imagens deve ser sobrepostas e unidas. Imagens que não apresentam regiões comuns não serão entendidas pelo programa que, obviamente, não faz milagre.

Passo 2 [Stich]: O software analisa e junta as imagens 

Quando você clica na próxima aba ''STICH'', o sofware começa a fazer o trabalho ''pesado'' automaticamente por você. Ele junta as imagens de forma inteligente, fazendo as devidas sobreposições de partes coincidentes, as correções de tons e tudo o mais. E vai mostrando a evolução percentual do trabalho. Nessa etapa não dá para ver nada. É só ter paciência e esperar.  Quanto mais imagens usar, mais tempo vai demorar para o processo se completar.

O software trabalhando em silêncio.

Passo 3 [Crop]: O resultado final aparece 

Depois da espera, o resultado final aparece! Agora é hora de fazer o CROP, ou seja, recortar a imagem.

O resultado final, só esperando o crop.

Basta clicar/arrastar com o mouse nas alças (pontos) das linhas brancas do quatro retangular que envolve a imagem (mosaico), definindo exatamente onde a imagem será cortada.

Definição do corte da imagem final.

Passo 4 [Export]: Salvando a imagem final

Clique na aba ''Export''. E salve a imagem final. Escolha o formato, a pasta/local onde quer salvar. E pronto.

Imagem final, a ponto de ser salva.

A imagem final você pode levar para o seu software de tratamento favorito para dar aquele ''tapinha'' nos parâmetros que podem melhorar ainda mais os detalhes do mosaico.

É isso! Bons céus! Boas observações! E bons registros astrofotográficos!


1 – Dica interessante: fiz várias imagens redundantes de diversas partes da Lua, mas com controle de ganho/exposição/brilho/contraste da webcam diferentes. O software, ao juntar tudo, faz um ajuste médio dos tons das várias partes para a imagem final ficar homogênea. Como sempre temos partes da Lua mais subexpostas e partes mais superexpostas para um mesmo ajuste da webcam, tive a impressão de que isso ajudou o software a equilibrar melhor os tons. Ainda farei outros testes neste sentido. Mas, preliminarmente, tal procedimento parece ter dado um resultado superior. Vale a pena experimentá-lo.

Já publicado no Física na Veia!

 

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