Física na Veia!

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Outra imperdível oficina de Física no IFGW/Unicamp
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

XXXVII_Oficina_IFGW

Cartaz do evento

 

No próximo dia 19 de novembro de 2016, sábado, acontece a XXXVII Oficina de Física “Cesar Lattes”.

O evento, que ao chegar em sua 37ª edição ratifica que já virou tradição no IFGW – Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, destaca-se pelo elevado nível das atividades que atraem um público diversificado e sempre muito interessado em Física e que vai desde estudantes do ensino médio até alunos de graduação e pós graduação em Física além de profissionais de educação básica e superior, dentre outros interessados em atualizar o seu conhecimento na área.

Tratando sempre de assuntos “quentes” e atuais, eu diria que desta vez o prof. Dr. Mario Bernal, organizador do evento, foi extremamente feliz e escolheu um tema no mínimo instigante: “Resolução de problemas complexos de Física usando Matemática elementar”.

Já fi minha inscrição! Vem comigo? Será um delicioso sábado de muita Física! Na Veia!

Confira mais informações no site do evento onde você pode fazer a sua inscrição on line. E logo abaixo a programação completa.

Programação

Local: Auditório do IFGW
PalestranteTema – AtividadeHorário
Entrega de Material08:00 – 08:30
Abertura08:30 – 08:40
Prof. Maurício Kleinke
(IFGW-UNICAMP)
Protocolos para Resolução de Problemas: Limites e Aplicações08:40 – 09:30
Perguntas e discussões09:30 – 09:45
Intervalo para Café09:45 – 10:15
Prof. Alexandre da Fonseca
(IFGW/UNICAMP)
Física Básica na Pesquisa Científica: resposta mecânica
de nanomolas de carbono
10:15 – 11:05
Perguntas e discussões11:05 – 11:20
Prof. Luiz Zagonel
(IFGW/Unicamp)
Desenho de um sistema ótico para pesquisas em
nano-materiais
11:20 – 12:10
Perguntas e discussões12:10 – 12:25
Intervalo para Almoço12:25 – 14:00
Prof. José Lunazzi
(IFGW/UNICAMP)
Resolvendo problemas sem cálculo diferencial e integral,
mas indo em direção a ele, sem deixar que o bosque
esconda a árvore
14:00 – 14:50
Perguntas e discussões14:50 – 15:05
Intervalo para Café15:05 – 15:30
Prof. Mario A Bernal
(IFGW/UNICAMP)
Desenvolvendo a intuição em Física resolvendo problemas15:30 – 16:20
Perguntas e discussões16:20 – 16:35
Encerramento16:35 – 16:40

Já publicado no Fìsica na Veia!

* Post na plataforma antiga do blog

 

 


Unicamp de Portas Abertas
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Na frente do IFGW, de hora em hora, experimentos a céu aberto com o "Show de Física"

Na frente do IFGW, de hora em hora, experimentos a céu aberto no “Show de Física”

 

Aconteceu ontem, em 10 de setembro, a edição 2016 da UPA – Universidade de Portas Abertas da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, evento anual oficial que funciona como vitrine das atividades da universidade para a comunidade em geral e, muito especialmente, para os estudantes do ensino médio que em breve terão que passar pela prova de fogo do vestibular e por outra prova ainda mais árdua: a escolha da carreira.

Aproveitei que tinha vários alunos do Anglo São João¹  interessados em conhecer a Unicamp mais de perto e peguei carona num dos dois ônibus lotados de gente jovem e com brilho no olho.

Por razões que imagino não sejam necessárias explicações, concentrei-me nas atividades do IFGW – Instituto de Física “Gleb Wataghin”. Mas todos os institutos da universidade, representandos por seus inúmeros departamentos, estavam literalmente abertos e preparados para receber os interessados em saber mais sobre os cursos oferecidos e sobre todas as demais atividades acadêmicas.

Fazia muito tempo que eu não ia na UPA que existe desde os anos 80 do século passado quando fui estudante da Unicamp (nossa! isso parece tão distante… mas são apenas três décadas…). E devo confessar que fiquei bastante surpreso com o notável upgrade tanto na qualidade do conteúdo quanto na organização do evento que tem até aplicativo para celular para ajudar os visitantes a se orientarem no oceano de possibilidades oferecidas dentro do campus. Infelizmente o aplicativo ainda não roda no meu Windows Phone. Mas aposto que em breve isso será resolvido pelos cientistas da computação da universidade.

No final da visita, por volta das 16 h, quando reencontrei os alunos que se espalharam pelo campus em busca das diferentes informações nas mais diversas áreas acadêmicas, perguntei a eles “E aí, como foi?”. Felizes, responderam de forma unânime:  “Valeu a pena!”.

Se você é professor  e ainda não conhece a UPA, fique atento! O evento acontece anualmente, sempre no começo de setembro. Logo no início de agosto, na volta às aulas depois das férias de inverno, as informações detalhadas já ficam disponíveis no site oficial do evento. Monte uma caravana de estudantes. E leve-os para conhecer de perto tudo o que a Unicamp oferece e que não é pouco.

Imagens de alguns dos inúmeros eventos do IFGW na UPA 2016

No IFGW, palestras “escolhidas” a dedo têm a finalidade de ajudar os estudantes a entenderem o que se faz em Física de alto nível atualmente. Nos demais institutos, palestras de outras áreas acadêmicas cumprem a mesma função.

Em 1959, Richard Feynman, que seria laureado pouco mais adiante com o Nobel de Física em 1965, já anunciava que “há muita coisa lá embaixo” referindo-se à escala das moléculas e dos átomos. No IFGW  a pesquisa em Nanotecnologia é de alto nível e acompanha tudo o que se faz de ponta no mundo todo.

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Palestra “Física Básica na Pesquisa em Nanotecnologia” pelo prof. Dr. Alexandre F. Fonseca

 

Pouca gente tem clara a ideia de como a Física e a Medicina são parceiras. Desde a descoberta dos raios X, no final do século XIX, e que permitiram investigar o interior do corpo humano de forma não invasiva, até as técnicas atuais de realização de diagnósticos por imagem que passam pela Ultrassonografias Doppler e pela Ressonância Magnética, dentre outras, até chegar às formas modernas de combate ao câncer pela Radioterapia que usa radioisótopos para destruir as células malignas, Física e Medicina vêm caminhando juntas. O IFGW tem um curso de Física Médica com um diferencial importante: um quinto ano de estágio garantido dentro do Hospital das Clínicas da Unicamp onde o graduando passará por todas as áreas de interesse antes do período de residência propriamente dito.

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Palestra “O Curso de Física Médica: oportunidades nessa nova área da Física” pelo prof. Dr. Richson
C. Mesquita

 

O que faz um físico? Em que áreas pode atuar? Como é o curso de Física oferecido pelo IFGW? Que modalidades ele possui? Que diferenciais ele oferece aos estudantes? Em que áreas de pesquisa atua o IFGW? (…) Diante de tantas dúvidas, o coordenador de graduação foi pessoalmente ao evento para falar aos estudantes. E o anfiteatro ficou pequeno, com gente em pé ou sentada no chão dos corredores.

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Palestra “O Curso de Física: porta para uma carreira de oportunidades” pelo prof. Dr. Abner de Siervo,
coordenador de graduação

 

Uma das modalidades do curso de Física do IFGW é a Engenharia Física. Como o nome sugere, trata-se de um curso híbrido que, embora seja de formação de físicos, leva os estudantes a transitarem por disciplinas da engenharia. A ideia é formar um profissional com grande conhecimento básico de Física e de Matemática mas que também tenha desenvolvidas habilidades da área da Engenharia. Para explicar como é esse curso que, nos Estados Unidos é centenário mas que no Brasil ainda dá os primeiros passos, o coordenador da Engenharia Física palestrou para os estudantes. E deixou clara a importância da formação desse profissional no mercado de trabalho do mundo moderno. Fiquei com vontade de voltar para as salas de aula da graduação!

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Palestra “Engenharia Física: uma nova Engenharia na Unicamp” pelo prof. Dr. Pascoal José G.
Pagliuso, coordenador do curso de Engenharia Física

 

Encerrando o ciclo de palestras, uma apresentação de Óptica recheada de ideias e experimentos divertidos realizados pelo consagrado prof. Dr. José Lunazzi. Desde o ano passado, por ocasião daquela edição da UPA, prof. Lunazzi mantém aberta a exposição “Veja a Luz Como Nunca Viu” que apresentei em detalhes nesse post aqui no blog. Vale a pena! Ele levou um pouquinho dela para o anfiteatro do IFGW.

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Experimento sobre os cones de luz durante a palestra “A luz não tem massa, por isso temos imagens”
pelo prof. Dr. José Lunazzi

 

Se você consultar a programação da UPA no IFGW vai notar que “perdi” a primeira palestra. Motivo: alunos famintos que madrugaram e quiseram parar para comer antes de chegar em Campinas. O que não fazemos por essa molecada?! Por isso não tenho imagens da palestra “Além de imã de geladeira: as aplicações escondidas do magnetismo” proferida pela profa. Dra. Fanny Berón e que, já pelo título, me faz acreditar que deve ter sido bastante divertida e com informações “quentes” nessa área tão presente no nosso cotidiano mas quase sempre “escondida” como, por exemplo, nos dispositivos de armazenamento magnético de informação (hard disks, ou simplesmente HDs) fundamentais para o funcionamento dos nossos computadores.

UPA2016_galera

Parte dos alunos do Anglo São João. Cadê o resto? Na lanchonete. Não saíram na foto. Bem feito! 🙂

 

Além das palestras, e ratificando que “Física sem experimento não tem graça”, frase que o prof. Dr. Lunazzi repete incansavelmente e que reflete uma  inquestionável verdade sobre essa área tão importante da Ciência, além do “Show de Física” (veja foto lá no topo do post), repetido de hora em hora em frente ao IFGW, a céu aberto, inúmeros laboratórios abriram as suas portas para os visitantes.

Um aspecto muito bacana e bastante positivo da UPA  e que merece destaque é que alunos de graduação e de pós graduação atuam de forma voluntária como guias dos estudantes visitantes até os respectivos espaços onde ocorrem as diversas atividades além de apresentarem os experimentos. Nesse momento os estudantes visitantes também têm a oportunidade de interagir com os atuais alunos da instituição e, com eles, tirar dúvidas sobre a vida acadêmica de uma forma mais pessoal. Tão logo pisei no IFGW tive o prazer de reencontrar Vitor Barroso Silveira, ex aluno do ensino médio que em 2016 está concluindo a graduação em Física na Unicamp e que estava lá trabalhando na  UPA. Na imagem abaixo você confere uma aluna de mestrado que apresentava experimentos aos visitantes no Laboratório Didático de Óptica.

UPA2016_Lab_Optica

Mayara Auricchio, graduada em física pelo IFGW, mestranda com pesquisa no LNLS – Laboratório
Nacional de Luz Sincrotron, mostrando a difração da luz no Laboratório Didático de Óptica.

 

E até andando pelos corredores do IFGW era possível topar com um ou outro experimento interessante, como esse em que um anel condutor de pessoas de mãos dadas fecha um circuito elétrico para, literalmente, propiciar aos participantes a inesquecível experiência de ser condutor de eletricidade por uma fração de segundo ou, sendo um pouco mais direto, levar um choquinho (ou sustinho) elétrico. De onde vem a energia? De um gerador Van de Graaff, aquela “esfera metálica” que pode ser vista ao centro da foto (tratei em detalhes sobre esse tipo de “gerador” em post do blog, ainda na plataforma antiga).

UPA2016_Gerador-VDG

Vamos experimentar a eletricidade? Galera feliz reunida para levar um choquinho elétrico.


1 – No Colégio Anglo São João, em são João da Boa Vista, interior de São Paulo, sou professor e coordenador pedagógico. O colégio adota o Sistema Anglo de Ensino no qual também sou autor.

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Veja a luz como nunca viu
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Lunazzi_expo_01

Radiômetro de Crookes, o primeiro experimento. E o prof. Lunazzi (destaque) apresentando o
dispositivo que é praticamente um “moinho” de luz.

 

2015 foi o IYL – International Year of Light, o Ano Internacional da Luz. Dentro das comemorações oficiais no Brasil, na Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, foi criada a exposição “Veja a luz como nunca viu”.

Ela foi pensada para atender à UPA – Universidade de Portas Abertas, evento anual da Unicamp que recebe alunos do ensino médio interessados em conhecer as atividades dos diversos institutos que compõem a Universidade.

Para a nossa sorte, a exposição sobreviveu. E continua mais viva do que nunca sob comando do seu idealizador, o prof. Dr. José J. Lunazzi do IFGW – Instituto de Física “Gleb Wataghin”, que sabe tudo de luz e de Óptica, sua especialidade há nada menos que 50 anos!

Ontem eu tinha compromisso pessoal na Universidade. Aproveitei e fiquei por lá para, depois do almoço, conhecer a exposição. Tive o privilégio de passar algumas horas com o próprio prof. Lunazzi e uma monitora (aluna da graduação) conhecendo de perto os experimentos de Óptica que, em sua maioria, podem ser reproduzidos de forma “caseira” por qualquer pessoa que tenha mínima disposição para, aproveitando materiais baratos, em alguns casos sucata, criar dispositivos que podem de alguma forma interagir de forma criativa com a luz evidenciando fenômenos ópticos. Dentre outras inúmeras ideias, vi que é possível fazer uma genial lente de água (ou qualquer outro líquido transparente) usando uma placa de vidro plano e a cobertura de vidro curvo e transparente de uma luminária de teto (plafont). Também descobri como fazer um prisma flexível de água com abertura (ou ângulo de refringência) variável. Ideias criativas e que, certamente, vou incorporar no meu kit de experimentos em Óptica que sempre carrego para as minhas aulas presenciais no ensino médio e no curso pré-vestibular.

Fica a dica! Se você estiver por Campinas ou região, vale uma esticadinha até a exposição! O lugar, improvisado dentro do antigo barracão do Laboratório de Plasma, atualmente desativado, não tem a pretensão de ter o glamour de um museu de ciências. Mas é o lugar perfeito para, segundo o prof. Lunazzi, mostrar que dá para fazer muito com muito pouco. O prof. Lunazzi faz ainda questão de dizer que prefere não dar acabamento estético perfeito aos experimentos para ficar claro que é tudo feito a mão, de forma artesanal. O importante é a criatividade. E saber aproveitar materiais que iriam pro lixo. O espírito da exposição é aproximar as pessoas do conceito “faça você mesmo”, sem medo. Genial!

Confira mais abaixo, no rodapé do post, dados de contato da exposição que, ratifico, vale a pena! Você vai se divertir. E se surpreender!

 

Alguns momentos do tour óptico

A ideia desse post não é fazer uma cobertura do evento. Vou mostrar alguns momentos do tour, até porque não quero tirar de você, possível visitante da exposição, o sabor da descoberta de cada um dos experimentos inusitados.

O primeiro experimento, mostrado na foto que abre o post, é um “moinho de luz” conhecido no meio científico por Radiômetro de Crookes. Eu já tinha avisto um ao vivo numa aula da graduação no IFGW nos anos 80. Depois disso, nunca mais. É um objeto bastante raro. Você já teve um desses ao alcance das mãos?

Os experimentos prosseguem numa pequena sala dentro do galpão do antigo laboratório desativado. Na imagem abaixo o prof. Lunazzi “materializa” um feixe de luz laser verde usando gotículas de água vindas de um vaporizador/umidificador de ar. O feixe cônico divergente ao deixar a fonte torna-se convergente depois de atravessar uma lente plano-convexa feita de água. E depois segue seu caminho, voltando a ser divergente após a passagem pela região focal. Na foto o momento exato em que o professor aproveita para falar do olho humano e o mecanismo da visão. E, usando uma placa de papel, simula a função da retina, parede se células fotossensíveis que fica no fundo do globo ocular. Confira, no Youtube, vídeo desse experimento.

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Prof. Lunazzi e o feixe cônico laser depois de atravessar uma criativa lente convergente de água

 

Ainda na imagem acima podemos conferir na parte de baixo duas caixas de vidro (como se fossem aquários) que contém os criativos prismas de água com abertura variável que pretendo reproduzir em breve. E na parede, atrás, uma câmara escura que permite observar de dentro da sala a paisagem de fora projetada sobre uma lâmina de papel vegetal semitransparente.

A próxima imagem mostra a reflexão dos raios de luz num espelho plano usando usando o artifício conhecido como projetor de fendas alinhadas com o filamento reto de uma lâmpada incandescente. Note que os raios de luz divergentes continuam se afastando depois da interação com a superfície refletora plana.

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Um espelho plano reflete os raios de luz que continuam divergentes

Mas na foto abaixo podemos ver o poder que um espelho côncavo tem de concentrar a luz. Note que um espelho côncavo tomou o lugar do espelho plano mostrado na imagem acima. Os raios de luz agora convergem para a região focal, em fenômeno análogo ao do laser verde que passou pela lente de água. A diferença é que na lente a luz se concentra por refração e no espelho por reflexão.

Vale observar que o espelho côncavo usado no experimento foi reaproveitado de um telescópio da Universidade que observava a radiação Cherenkov vinda da atmosfera e foi desativado. Jogar fora? Jamais, pelo menos para o prof. Lunazzi que deu sobrevida ao espelho de muito boa qualidade que agora virou importante instrumento didático na exposição.

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Um espelho côncavo concentra os raios de luz do feixe original divergente que se torna convergente

Abaixo o primeiro Estereoscópio de Brewster brasileiro, feito pelo próprio professor Lunazzi, usando materiais baratos e um smartphone. Como praticamente qualquer pessoa hoje tem um smarphone, o resto do material,  duas lentes e papelão, estimados em R$ 50,00, tornam o dispositivo popular. Veja-o em detalhes aqui em página oficial do professor. Google (e seus óculos virtuais) que se cuide! A versão brasileira funciona e tem custo muito baixo!

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Dani, minha esposa, testando o primeiro Estereoscópio de Brewster brasileiro

 

Depois do estereoscópio vimos filmes e fotos 3D feitas de forma “caseira” exibidas numa TV. O legal é que qualquer pessoa com um câmera comum, até mesmo de celular, pode fazer suas próprias fotos 3D. Apesar do caráter amador, o resultado surpreende e se aproxima bastante do que podemos ver no mundo profissional dos filmes 3D bastante comuns nos cinemas hoje em dia.

Muito obrigado prof. Lunazzi!  Sempre atencioso, bem humorado, e demostrando enorme prazer em compartilhar seu conhecimento fantástico acumulado em meio século de vida profissional! Minha esposa, minha filha. e eu nos divertimos bastante! Foi uma tarde inesquecível!

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Eu e o professor Lunazzi, ao final do tour óptico.


A exposição

  • Local: Avenida Albert Einstein, 851 (antigo prédio do Laboratório de Plasma), ao lado da RTV – Rádio e Televisão Unicamp. Confira no mapa abaixo. O local é praticamente na esquina da Avenida Albert Einstein com a Rua Lev Landau que parte do Ciclo Básico e passa ao lado do IFGW – Instituto de Física “Gleb Wataghin”. Clique aqui para abrir o mapa no Google Maps.
    Lunazzi_expo_MAPA
  • Dias: de segunda à sexta (temporariamente a exposição não está abrindo às quintas)
  • Horário: 14h
  • Número máximo de visitantes: 10 por vez.
  • Site: Veja a luz como nunca viu
  • Página no facebook: Facebook.com/experimenteafisica
  • Telefone de contato: (19) 35212451

Você pode agendar uma visita com antecedência. Ou aparecer, como eu, sem avisar, no horário das 14h. O prédio provavelmente estará fechado. Mas é só tocar a campainha ou ligar para o telefone acima que você será muito bem recebido para um passeio óptico divertido e inesquecível.


Veja mais

Vídeo promocional oficial do evento (sem audio)


Pequeno deslize em questão de Física no vestibular da Unicamp
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Unicamp_fase2_2016_Q11_fisica

Onde está o pequeno deslize nessa questão?

 

Antes de tudo, é bom que se diga, sou fã incondicional do Vestibular da Unicamp que, se não me falha a memória, existe (separado da Fuvest) desde 1987. As provas, tanto na primeira quanto na segunda fase, são sempre muito bem feitas, criativas, com questões diferentes e originais e que, quase sempre, privilegiam a Física contextualizada, o que é bom que se diga é uma especialidade daqui do Física na Veia (confira post, ainda na plataforma antiga, que ratifica a minha afirmação).

Mas parece ter havido um pequeno deslize numa das questões da prova de Física da segunda fase 2016 desse importantíssimo vestibular e que aconteceu ontem. A prova trazia seis questões de Física (questões 7 a 12). Vejo um problema na questão 11, reproduzida logo acima (propositalmente sem um gráfico). Se quiser ver a prova original em PDF, baixe-a daqui.

Você consegue  me dizer qual é esse problema? Dica: está na segunda figura. Encontrou?

Antes de apontar o erro, escrevo abaixo um pouco da teoria sobre vetores e que servirá para justificar o que estou chamando de pequeno deslize da banca examinadora.

Grandezas Vetoriais

Pra começar, veja abaixo a definição de grandeza vetorial.

def_Grandeza_Vetoria

Forças são bons e importantes exemplos de grandeza vetorial. E, por isso mesmo, nas duas figuras da questão 11 da prova da Unicamp reproduzida lá no topo as forças são representadas por setas (ou segmentos de reta orientados) que, a rigor, chamamos de vetores.  Veja a seguir como deve ser um vetor e quais são as três características que o definem.

def_Vetor

Quando você escreve no papel uma letra qualquer com uma “setinha” em cima, o leitor atento e com um mínimo de conhecimento sobre grandezas vetoriais já sabe que trata-se de uma grandeza vetorial e logo imagina um vetor. A imagem abaixo, por exemplo, mostra dois vetores (força) de mesmo módulo (ou intensidade), na mesma direção, mas sentidos opostos. Note, em ambos, que sobre a letra F existe a tal “setinha” indicando que são grandezas vetoriais e que, portanto, devem ter módulo (ou intensidade), direção e sentido.

Vetores_opostos

Um equívoco bastante comum na hora de declarar uma grandeza vetorial é a indicação da letra com a “setinha” em cima como sendo igual a um número mais uma unidade de medida.

Se você não percebeu onde está o equívoco, explico. A letra com a “setinha” em cima pressupõe grandeza vetorial, aquela que tem três características. Certo? O número mais a unidade de medida corresponde apenas ao módulo da grandeza vetorial, apenas uma das três características que definem o vetor. Concorda? Logo, uma letra com “setinha” em cima não pode jamais ser igualada a APENAS um número mais uma unidade de medida! Isso porque um vetor não é somente um módulo. Todo vetor tem um módulo, a sua parte meramente escalar. Mas também tem direção e sentido, o que confere a ele o seu caráter espacial. Percebe a encrenca?

Mas é justamente isso que aparece impresso na questão da Unicamp reproduzida acima. Note que a letra F (de força) tem “setinha” em cima, nas duas figuras, indicando tratarem-se de grandezas vetoriais. Até aí, tudo bem. Mas na segunda imagem, depois do sinal de igualdade, só temos “10 N”, ou seja, um número mais uma unidade de medida, o que caracteriza somente o módulo do vetor. Como não temos as três esperadas características do vetor (módulo, direção e sentido) logo depois do sinal de igual, a notação vetorial está equivocada! A ilustração abaixo confronta o modo errado (como apareceu no enunciado) e o modo certo de declarar uma grandeza vetorial com valor (ou módulo).

Unicamp_fase2_2016_Q11_fisica_certoXerrado

Confrontando o modo errado e o modo certo de declarar o valor de uma grandeza vetorial.

Se quem está declarando o vetor não quer abrir mão da”setinha” (que tem importância fundamental para deixar claro que se trata de uma grandeza vetorial), pode mantê-la e usar barras de módulo. Dessa forma fica claro que se trata de uma grandeza vetorial mas o que está sendo declarado é apenas o módulo (ou intensidade) da grandeza. Confira “forma I” na ilustração a seguir.

Unicamp_fase2_2016_Q11_fisica_certoXerrado2

Duas formas corretas de indicar o valor (ou módulo) da grandeza vetorial.

A forma I acima é a melhor. Ao usar a “setinha” sobre a letra, fica claro que F é grandeza vetorial que tem módulo que vale 10N. A forma II também é aceita. Mas é mais pobre que a forma I uma vez que omite a “setinha” sobre a letra F, o que pode em alguns casos gerar dúvida sobre F ser ou não uma grandeza vetorial.

_________________

Diante da teoria exposta acima, você concorda que a banca examinadora do Vestibular da Unicamp 2016 cometeu um pequeno deslize? Se um vestibulando faz isso na resolução de uma questão de Física na prova, certamente perde pontos pelas mãos dos corretores atentos a qualquer errinho.

Por isso mesmo, oriento, com bastante ênfase, que meus alunos de ensino médio e pré-vestibular prestem muita atenção na declaração de grandezas vetoriais. Nas avaliações, também não costumo poupá-los quando cometem esse deslize que certamente já foi discutido em sala de aula, muito antes da avaliação, dando ao aluno toda a chance de entender todas as nuances do tema.

Você acha que estou estou sendo detalhista demais? Se sim, pode até me chamar de chato!

É claro que NÃO SE TRATA de um erro absurdo e muito menos de algo que comprometa a resolução da questão, atrapalhando os alunos que disputam uma vaga no curso superior. Mas é um deslize. Escapou à correção severa da banca. Por outro lado, atire a primeira pedra quem nunca cometeu nenhum deslize.

O mais importante: meu texto chama a atenção para o problema. E exemplifica que ninguém está isento de deslizes, nem mesmo uma banca respeitabilíssima de um dos mais importantes vestibulares do país. Fica a dica para os estudantes. Foco, atenção redobrada, sempre!

 

Puxando na memória… 80’s…

Aprendi notação vetorial do modo mais horrível: errando numa prova importante, já em pleno curso superior.

Vendo essa questão da segunda fase da Unicamp 2016 lembrei-me de que em 1983, quando eu estava no terceiro semestre da graduação em Física no IFGW, justamente na Unicamp, numa prova de Física Teórica III, que abordava o vetor Força Eletrostática (Força de Coulomb) e também o vetor Campo Elétrico, perdi preciosos pontos na nota porque não fui suficientemente rigoroso justamente na notação vetorial.

Quando fui pedir revisão de prova para o professor, cujo nome não vem ao caso agora, fui esculhambado pelos erros ingênuos que havia cometido. Ele foi duro. Duro não, carrasco! Acabou comigo! Eu, que vinha de escola pública e tinha consciência de vários furos na minha formação básica, tive que engolir a seco. E ser firme para não abaixar ainda mais a minha já bastante baixa auto estima. Ele, professor, pesquisador, naquele momento no papel de educador, poderia ter sido mais amigo. Poderia ter sido um verdadeiro educador. Mas não foi.

Mas não sinto raiva dele. Foi por causa dele que aprendi notação vetorial. Adoraria que tivesse sido pelas mãos dele. Não foi. Ele praticamente me botou pra fora da sala dizendo que “buscasse aprender o que eu já deveria saber desde o colegial” (naquela época ainda não usávamos o termo ensino médio). Simplesmente obedeci. Cabisbaixo,  desolado, fui atrás do conhecimento.

E tem mais. Esse “inesquecível” professor, sem querer, me mostrou de forma exemplar uma conduta nada profissional. Eu, que naquela época nem imaginava que me tornaria professor mais adiante, aprendi de um modo amargo que professores de verdade devem ensinar sempre. E não apenas cobrar. Aliás, antes de cobrar, devem ensinar muito, com todos os detalhes, com atenção e vontade de fazer todo aluno interessado aprender de verdade. E, ainda que o aluno erre na prova, cabe ao professor reensinar, sempre mostrando-se receptivo àqueles alunos que não desistem de aprender.

O remédio foi amargo. Mas funcionou. No final, é isso o que importa. Não é?


Resolução da prova da segunda fase 2016 da Unicamp

  • Indico, sem medo de errar, o Anglo Resolve, trabalho muito bem feito pelos meus colegas professores/autores do Sistema Anglo de Ensino. Quando entrar no site, escolha (no menu superior) o vestibular, o ano, e a prova cuja resolução comentada deseja acessar. Você pode filtrar as questões por matéria e até por assunto. É bem bacana! Divirta-se!

Já publicado no Física na Veia!

 


IFGW/Unicamp: cursos de física geral na web
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

IFGW_fisica_basica_cursos

 

Em abril de 2013 postei avisando que o IFGW – Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas estava disponibilizando cursos de física básica na web em parceria com a Univesp TV.

Hoje fui saber como estava esse projeto e descobri que os quatro cursos de Física Geral já estão no ar!

Confira abaixo os links e as ementas de cada um deles:

  1. Física Geral I:

    IFGW_fisica_basica_cursos_FI
    Docente: Luiz Marco Brescansin
    Ementa: Introdução – Movimento em 1D – Vetores; Movimento em 2D – Força e Movimento I (Leis de Newton) – Força e Movimento II (alguns exemplos de forças) – Trabalho e Energia. Conservação de Energia – Sistemas de Partículas. Colisões – Cinemática Rotacional – Movimento de Rotação – Rolamento, Torque e Momento Angular I – Rolamento, Torque e Momento Angular II.

  2. Física Geral II:

    IFGW_fisica_basica_cursos_FII
    Docente: Peter Schulz
    Ementa: Oscilações – Gravitação – Ondas em meios elásticos – Ondas sonoras – Hidrostática e hidrodinâmica – Viscosidade – Temperatura – Calorimetria e condução de calor – Leis da termodinâmica – Teoria cinética dos gases.

  3. Física Geral III:

    IFGW_fisica_basica_cursos_FIII
    Docente: Luiz Marco Brescansin
    Ementa: Carga Elétrica – Lei de Coulomb – Campo Elétrico – Lei de Gauss – Potencial Elétrico – Capacitores e Dielétricos  – Corrente e Resistência Elétrica  – Força Eletromotriz e Circuitos Elétricos – O Campo Magnético – Lei de Ampère – Lei de Faraday da Indução e Indutância  – Oscilações Eletromagnéticas e  Correntes Alternadas – Magnetismo da Matéria e Equações de Maxwell .

  4. Física Geral IV:

    IFGW_fisica_basica_cursos_FIV
    Docente: Carola Dobrigkeit Chinellato
    Ementa: Ondas Eletromagnéticas – Óptica geométrica – Interferência – Difração – Relatividade – Fótons e Ondas da Matéria – Átomos –Condução de Eletricidade em Sólidos – Física e Energia Nuclear – Partículas fundamentais.

 

Para minha surpresa e felicidade, a responsável pelo Física Geral IV é a profa. Dra. Carola Dobrigkeit Chinellato, grande amiga, ex professora, e com quem tive o prazer de aprender os principais conceitos de Física Moderna nas disciplinas de Estrutura da Matéria no anos 80 durante a minha graduação no IFGW. Fiquei contente em vê-la na ativa esbanjando simpatia, conhecimento, e didática exemplar que, aliadas ao seu enorme prazer de ensinar, fazem dela uma professora inesquecível!

Faz um bom tempo que não vejo pessoalmente. Creio que nosso último encontro foi nessa oficina de Física há dez anos.

Em 2002, quando lancei o livro Tópicos de Física Moderna, enviei um exemplar para ela. Tão logo ela recebeu o livro, me ligou eufórica dizendo “sou a avó, sou a avó!”. E ela estava certa! Se sou o pai da obra, ela, que com paciência, dedicação e entusiasmo me ensinou os primeiros passos da Física Moderna é, de fato e de direito, avó do livro! Estou matando saudades da profa. Carola vendo algumas vídeo-aulas dela!

Fica dica. Vídeo aulas imperdíveis!     


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