Física na Veia!

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Uma tragédia, uma lição
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

A Terra vista do espaço ("Blue Marble 2012")

A Terra vista do espaço (“Blue Marble 2012”) – Fonte: NASA

 

A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras. É preciso chegar bem perto da superfície do planeta para enxergar as divisões artificialmente criadas pelos seres ‘mais racionais’ para separar iguais em grupos supostamente diferentes e de importância relativizada.

De longe, segundo Carl Sagan, nosso planeta é apenas um pálido ponto azul. Não há como discordar. E logo refletirmos com profundidade sobre um fato assustadoramente crítico: é desse grão de poeira pálido e azulado, um quase nada diante da imensidão do Universo, que tiramos tudo o que precisamos para nos mantermos vivos. Somos todos dependentes desse quase nada que, para nós, é mais do que tudo. E isso, exatamente isso, nos faz ainda mais iguais e interdependentes.

Enquanto não nos enxergarmos tão iguais e pertencentes a uma única raça, o mundo continuará cheio de injustiças e tristezas provocadas pelo próprio homem. Enquanto não entendermos que a Terra é a nossa nave nessa viagem cósmica, estaremos, a cada segundo, caminhando para a nossa própria autodestruição.

Foi preciso acontecer uma tragédia chocante com o avião que levava o time da Chapecoense e jornalistas brasileiros para o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana em Medellín, na Colômbia, para levarmos uma lição e tanto. Falo por mim. E acho que por muita gente. Descobri(mos) um povo carinhoso e fraterno que nos mostrou exemplar desprendimento. Refiro-me aos colombianos.

De cara, o time do Atlético de Medellín, adversário da Chapecoense, abriu mão do título internacional, mostrando que futebol, diante da vida e dos verdadeiros valores humanos, não é nada. E o povo colombiano, relevando a rivalidade futebolística que às vezes, de forma insana, até mata, no dia e horário do jogo que não mais podia acontecer, lotou o estádio trocando o espetáculo da batalha esportiva por uma cerimônia para celebrar a paz entre os povos e os verdadeiros valores humanos. Foi uma sacudida no mundo. Não foi? A Terra tremeu, delicadamente.

Nós, os seres ‘racionais’ do planeta, muitas vezes precisamos de duras lições para aprendermos as coisas mais fáceis, simples e óbvias. “Sapiens”, soa-me, quase sempre, muito mais como arrogância do que adjetivo legítimo. Mas talvez isso esteja mudando. Os colombianos acenaram com delicadeza para o mundo todo nos mostrando essa incrível e necessária possibilidade de mudança essencial rumo à verdadeira sabedoria que está ancorada no amor universal.

Que fique a lição! Dura. Triste. Contundente. Mas aprendida. Uma luz apontando para um novo e melhor caminho. Uma semente que pode brotar e fazer florescer uma nova era na qual prevaleça a verdadeira fraternidade mundial que, ancorada no verdadeiro amor, saiba tolerar as desprezíveis diferenças externas em favor do fato de que, essencialmente, por dentro de nossas cascas, somos absolutamente todos iguais.


“Blue Marble” (2012) é uma incrível imagem da Terra em altíssima resolução feita pelo satélite Suomi NPP. Clique aqui para abrí-la noutra janela em 8000 pixels X 8000 pixels. Use e abuse do zoom para ver os detalhes!

 

 


Volta ao mundo de carro
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Bravo_40000km

 

Não faz muito tempo que meu carro completou 40000 km rodados. A foto acima, feita às 6h38min  de uma  manhã fria (temperatura ambiente de 11 ºC), enquanto eu subia a serra para lecionar em Poços de Caldas/MG, comprova a marca.

Antes que você estranhe e me pergunte por que razão fotografei o hodômetro do meu carro marcando exatamente 40000 km, explico.

A Terra, nosso planeta, é praticamente uma esfera com ligeiro achatamento polar e raio equatorial de aproximadamente 6371 km.

O comprimento de uma circunferência qualquer, inclusive a circunferência do Equador, pode ser calculado por

 

L_igual_2piR

onde r é o raio da circunferência e π o conhecido número pi.

No caso da Terra (veja imagem abaixo), r = 6371 km (valor aproximado).  E o número pi, bastante manjado, vale π =  3,14 (valor também aproximado).

Terra_raio

Faça as contas comigo: L = 2 x 3,14 x 6361 = 40000 km (aproximadamente).

A foto acima, mostrando o hodômetro do meu carro, é simbólica. É como se naquele momento em que meu carro completava 40000 km rodados eu estivesse dando uma volta completa no mundo! E de carro? Entendeu?

Na prática não tem como realizar essa façanha porque o Equador passa por regiões de terra firme mas também por áreas oceânicas onde um carro não pode trafegar. Mas é simbólico, concorda?

Eu sei que você vai dizer que isso é coisa de físico maluco? Mas que nada! Para fazer a foto, parei no acostamento, liguei o pisca alerta, e só então fiz o registro da imagem com o celular, com toda a segurança. Não sou tão maluco quanto possa parecer! Mas que fique claro: sou físico!


Já publicado no Física na Veia!

 


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