Física na Veia!

Arquivo : astrofotografia

Eclipse Solar já foi tema do ENEM
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Imagem obtida com filtro H-alfa que realça detalhes do Sol.
Crédito: Rogério Marcon, Campinas, São Paulo, Brasil. Fonte: Spaceweather.

 

Aproveitando o belíssimo eclipse solar anular que aconteceu na última segunda-feira, 26 de fevereiro, em pleno Carnaval (veja post anterior), e a incrível fotografia acima feita pelo genial astrofotógrafo brasileiro Rogério Marcon, proponho interessante questão da prova do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio que abordou o tema que envolve conhecimento de Óptica e raciocínio lógico.

Para nós, no Brasil, como podemos ver na imagem do Marcon, o eclipse da segunda-feira de Carnaval foi parcial, com a Lua cobrindo parcialmente o disco solar, exatamente como aparece na questão do ENEM. Confira o enunciado logo abaixo.

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(ENEM 2000) A figura abaixo mostra um eclipse solar no instante em que é fotografado em cinco diferentes pontos do planeta.

Três dessas fotografias estão reproduzidas abaixo

As fotos poderiam corresponder, respectivamente, aos pontos:

a) III, V e II

b) II, III e V

c) II, IV e III

d) I, II e III

e) I, II e V

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E aí? Qual é a resposta correta?

Fica como dica a seguinte ideia: um observador na Terra que estiver dentro do cone de sombra (ou umbra) da Lua verá a Lua entrar por completo na frente do Sol, o que pode ocasionar eclipse total ou eclipse anular. Quem estiver fora da região de sombra mas dentro da penumbra, verá a Lua cobrir parcialmente o Sol. Note que na primeira foto a Lua está quase cobrindo o Sol por inteiro, mas “sobra” uma beiradinha de Sol à esquerda. Na foto do meio “sobra” uma boa porção de Sol à direita. E na terceira foto, ao contrário, “sobra” boa porção de Sol à esquerda.

Tente imaginar em que posições (I, II, III, IV ou V) estariam os observadores que fizeram as três fotos dadas no enunciado!

Somente depois que der a sua resposta, confira o gabarito. Como?  Posicione o cursor do mouse na frente da palavra gabarito e, com o botão esquerdo clicado, arraste o ponteiro para a direita, “selecionando” a palavra gabarito. A alternativa correta vai aparecer.

Gabarito: A


Para ver


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Júpiter “coladinho” na Lua agora!
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

A Lua Crescente (quase Cheia e o planeta Júpiter mais abaixo

A Lua Crescente (quase Cheia) e o planeta Júpiter (pontinho) mais abaixo

 

Júpiter está bem brilhante por esses dias. É que ele e a Terra estão do mesmo lado em relação ao Sol. Assim, além de estar mais perto da Terra, o gigante gasoso fica iluminado diretamente pelo Sol que está às nossas costas.

E hoje, particularmente, o show está ainda melhor. Júpiter, visualmente, está bem perto da Lua Crescente (quase Cheia). Veja logo acima o registro fotográfico que acabei de fazer.

Você não está vendo essa cena ao vivo? Bota a cabeça pra fora da janela e espia! Imperdível!

Confira, na imagem abaixo, simulação (propositalmente fora de escala) da posição dos astros no Sistema Solar hoje. Ela foi feita on line no SolarSystemScope.com e nos ajuda a entender a cena astronômica que registrei fotograficamente (e você pode ver ao vivo, agora) a partir da Terra.

Simulação das posições reais dos astros do Sistema Solar agora

Simulação (fora de escala) das posições reais dos astros do Sistema Solar agora, no momento da publicação do post.

 

Boas observações!

Depois deixe o seu comentário nos contando se conseguiu observar Júpiter “coladinho” na Lua Crescente.


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(*) post publicado na plataforma antiga do blog

AR2396: gigantesco grupo de manchas solares
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Prof. Dulcidio Braz Júnior

Sol_AR2396_9agosto2015_a

Registro fotográfico que fiz do disco solar hoje com destaque para a gigante AR2396.

 

A imagem do Sol logo acima foi feita hoje, dia 9 de agosto de 2015, assim que o Sol despontou por trás da serra aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Dá para ver nitidamente a região ativa AR2396 e seu conjunto de manchas que tem comprimento aproximado de 120 000 km, o que equivale a quase dez planetas Terra alinhados! É enorme!

ANTES DE QUALQUER COISA: NUNCA OLHE DIRETAMENTE PARA O SOL! MUITO MENOS COM BINÓCULO, LUNETA OU TELESCÓPIO. HÁ ENORME RISCO DE ‘QUEIMAR’ DE FORMA IRREVERSÍVEL ALGUMAS CÉLULAS DA RETINA QUE, UMA VEZ DANIFICADAS, NUNCA MAIS VÃO REGISTRAR A LUZ QUE CHEGA AO FUNDO DO OLHO. RISCO PERIGOSO E CERTO DE CEGUEIRA.

Como fiz a imagem do Sol com segurança?

Coloquei minha câmera num tripé. Ajustei (por tentativa e erro) os parâmetros (ISO 100, f 6.3, 1/20s) para a melhor resolução/contraste. E o mais importante: usei um filtro solar Thousand Oaks que barra 99% da radiação da nossa estrela. Você entendeu direito: ele só deixa passar 1% da radiação solar. Isso garante segurança, inclusive para a câmera que poderia ter o sensor danificado caso ficasse muito tempo apontada para o Sol.

Embora bastante simples e sem resolução (já que usei apenas a óptica da câmera digital e um filtro solar) a foto acima vale por ser meu primeiro registro fotográfico de uma mancha solar.

E fica como dica para quem mais quiser “brincar” com astrofotografia solar, desde que com toda a segurança! Com o Sol, sendo bastante responsável, a gente não brinca de fato. Mas pode se divertir se houver certeza de bastante segurança! Ok?

 

Como eu sabia da AR2396?

Acompanho observatórios que estudam o Sol. Gosto bastante do assunto. Já escrevi sobre o tema algumas vezes (confira dois dos meus textos dentro do tema: post1 post2).

Soube que o grupo AR2396 estava evoluindo e crescendo. O SDO – Solar and Dynamics Observatory da NASA publica imagens diárias do disco solar e pude constatar que o grupo AR2396 era mesmo enorme. Veja aqui imagem do dia 7 de agosto. E logo abaixo imagem de hoje, 9 de agosto.

Sol_AR2396_6agosto2015_SDO-HMI

Imagem do disco solar feita hoje (9/agosto/2015) pelo HMI do SDO/NASA.

Astrônomos amadores do mundo todo, atentos à novidade, já estavam fazendo registros incríveis, como esse logo abaixo feito em 6 de agosto pelo francês Francois Rouviere com equipamento dedicado para observação solar em que podemos ver em detalhes o grupo de manchas e as granulações solares ao redor.

Sol_AR2396_6agosto2015_francois

Belíssimo registro feito por Francois Rouviere em 6/agosto/2015 usando telescópio newtoniano de 210 mm com filtro K-line e Barlow 5X acoplado à câmera IDS 3240 NIR. Imagem pós processada com AutoStakkert! e Lucy-Richardson com ImPPG. [Fonte: Spaceweather]

Com sorte, dependendo das condições atmosféricas, até mesmo a olho nu estava sendo possível observar a AR2396, especialmente com o Sol nascendo ou se pondo, quando a própria atmosfera (mais possível poluição, poeira ou névoa) filtra naturalmente a luz solar deixando suas manchas evidentes com segurança para o observador. Podemos conferir logo abaixo uma prova espetacular disso na belíssima imagem feita pela espanhola Leonor Ana Hernandez ao amanhecer do dia 7 de agosto.

Sol_AR2396_7agosto2015_Leonor

Recorte da imagem feita pela espanhola Leonor A. Hernandez em 7/agosto/2015 onde aparece a
AR2396 no disco solar “filtrado” pela atmosfera ao amanhecer. [Fonte: Spaceweather]

Quer ver a imagem acima completa e em maior resolução. Clique aqui.

 

O que são manchas solares?

Manchas solares são regiões na superfície do Sol com temperatura menor do que a média local. Sendo mais frias (a rigor menos quentes) que a vizinhança, se mostram como manchas escuras em contraste com o resto do Sol mais brilhante.

Manchas solares apresentam grande concentração de campo magnético que aprisiona matéria na forma de plasma, ou seja, gás muito quente e ionizado (eletricamente carregado). Se as linhas de campo magnético se rompem, matéria é liberada e pode ser ejetada para o espaço em eventos que chamamos de ejeção de massa coronal. Neste caso, inúmeras partículas são lançadas no espaço em conjunto com radiação de amplo espectro que vai desde as ondas de rádio até os raios gama, passando pelos raios X. Esse fenômeno solar está intimamente ligado às auroras boreais e austrais aqui na Terra. Confira post sobre o assunto.

Galileo Galilei, mesmo sem saber exatamente o que eram, observou manchas solares usando uma luneta de fabricação própria. Desconhecendo o perigo que corria ao observar o Sol com um instrumento que concentra a radiação solar, acabou tendo sérios problemas de visão. Veja abaixo desenho feito por Galileo das manchas solares por ele observadas em 23 de junho de 1613.

Sol_AR_23jun1613_registro-Galileo

Manchas solares observadas e registradas por Galileo Galilei em 23/junho/1613. [Fonte: Facebook / Physics World]


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